Portal da USP Portal da USP Portal da USP

Geologia e Tectónica da Região do Itatiaia (Sudeste do Brasil)

Faustino Penalva

Resumo


No presente trabalho apresentamos os resultados das pesquisas geológicas efetuadas na região do Itatiaia, procurando atualizar as informações sobre esta interessante área. Com base nas melhores possibilidades de acesso e nos conhecimentos sobre os demais corpos de rochas alcalinas no mundo, colhemos os dados essenciais à elaboração do mapa geológico na escala de 1:50.000 e à compreensão dos fenômenos magmáticos, tectónicos e morfológicos responsáveis pelo aspecto atual da região. Dada a grande extensão da área, o relevo acidentado e a floresta densa, restringimo-nos à coleta das informações de campo de natureza geral, sem nos aprofundarmos nos pormenores . Na fase preliminar dos trabalhos fizemos o reconhecimento das rochas do embasamento gnáissico, das intrusivas alcalinas posteriores e dos sedimentos elásticos cenozoicos da bacia de Resende. Dos 3 corpos de rochas alcalinas (Itatiaia, Passa Quatro e Morro Redondo), o corpo do Itatiaia foi o objeto principal das nossas pesquisas, e a êle dedicamos a maior parte deste trabalho. A forma do corpo do Itatiaia é irregular, destacando-se um eixo alongado na direção NW As rochas quartzosas e os corpos de brecha também são orientados NW A variedade litológica é relativamente grande, compreendendo os seguintes tipos de rochas (em direção ao topo e ao centro da intrusão): nefelina-sienito, foiaíto, brecha magmática, nordmarkito, quartzo-sienito e granito alcalino. Chamamos de brecha magmática 2 corpos de rochas alcalinas de granulação fina, com áreas contendo fragmentos de rochas da mesma natureza. Apresentam estruturas fluidais de sordenadas, pirita, clorita, calcita e cristais de feldspato corroídos. As observações de campo favorecem a sua interpretação como sendo um tipo de chaminé, ligada à fase final da consolidação do maciço e ao provável abatimento do tôpo da intrusão. Ocorre grande número de diques dentro ou fora das rochas alcalinas, com espessuras de 30 cm a poucos metros; obedecem, em geral, as direções NE e NW Das estruturas que se salientam no relêvo merecem destaque: a grande muralha que circunda o planalto, os espigões Couto-Prateleiras e Marombas-Dois Irmãos, a escarpa do vale do Paraíba e o vale dos Lírios. A drenagem em alguns setores é nitidam ente anelar, sob controle estrutural. Falhas de pequena expressão foram constatadas diretamente. Porém as grandes linhas da topografia foram interpretadas como resultado de falhamentos, como o vale dos Lírios, escarpa Couto-Prateleiras e o próprio planalto como um todo. No intenso diaclasamento reside a explicação para os aspectos menores da morfología do planalto. Apresentam-se em múltiplos sistemas e condicionam a desagregação das rochas em um sem número de matacões. Do ponto de vista da tectónica regional, o Itatiaia localiza-se em região cujas características têm sido muito debatidas. O embasamento estaria sujeito a um determinismo estrutural pré-cambriano, o qual comandaria os fenômenos modernos, inclusive a tradicional associação entre os corpos de rochas alcalinas e os escudos cristalinos. Por longo tempo o sudeste brasileiro esteve sob a ação de movimentos epirogênicos ascendentes sendo arqueado e fraturado, permitindo a ocorrência dos derrames basálticos e a diferenciação e intrusão do magma alcalino. São desconhecidas as causas dessa epirogênese, a qual seria ainda a responsável pelo tectonismo terciá¬rio que originou o vale do Paraíba, as serras que o delimitam e as bacias de Taubaté e Resende. A intrusão ganhou o seu espaço pelo deslocamento do teto através de falhas verticais, fato êsse ocorrido no Cretáceo ou mesmo no Paleoceno, conforme indícios recentes. Durante o resfriamento processou-se o fracionamento do magma, tornado-se as rochas cada vez mais ricas em silica, da base para o tôpo, e da periferia para o centro. Á área rebaixada do planalto e a grande estrutura anelar foram por nós interpretadas como conseqüência de uma fase de colapso, ligada talvez à intrusão da brecha magmática, cuja chaminé poderia ter tido contato com o exterior Falhamentos pós-intrusivos ressaltam morfológicamente as rochas alcalinas, afetando a área do planalto (Vale dos Lírios) e a estrutura anelar no flanco sul da intrusão, propiciando a formação de espêsso depósito de “tálus” dentro do vale do Paraíba, relacionado com a escarpa da linha de falha e o vale do rio Campo Belo. O problema das formas do relêvo do planalto, por muitos tomadas como evidências de fenômenos glaciais de altitude durante o Pleistoceno, foi por nós estudado nos seus pontos essenciais. Os fatores climáticos foram considerados de importância secundária, pois os elementos tectónicos são os responsáveis pelos aspectos principais da morfologia, principalmente o intenso diaclasamento que afetou a parte superior da intrusão.

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2526-3862.bffcluspgeologia.1967.121904

Métricas do Artigo

Carregando métricas...

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.