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        <journal-id journal-id-type="publisher-id">RuMoRes</journal-id>
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          <journal-title>Revista online de comunicação, linguagem e mídias</journal-title>
          <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rumores</abbrev-journal-title>
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        <issn pub-type="epub" publication-format="electronic">1982-677X</issn>
        <publisher>
          <publisher-name>Revista online de comunicação, linguagem e mídias da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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        <article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.1982-677X.rum.2022.196193</article-id>
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          <subj-group subj-group-type="heading">
            <subject>DOSSIÊ</subject>
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        <title-group>
          <article-title>
            A linguagem fascista e a constituição da imagem pública: uma análise sobre Jair Bolsonaro
            <sup>
              <xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>
            </sup>
          </article-title>
          <trans-title-group>
            <trans-title xml:lang="en">
              Fascist language and constitution of the public image: an analysis on Jair Bolsonaro
            </trans-title>
          </trans-title-group>
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              <surname>Simões</surname>
              <given-names>Paula Guimarães</given-names>
            </name>
            <xref ref-type="aff" rid="aff1">
              <sup>2</sup>
            </xref>
            <xref ref-type="corresp" rid="c1" />
          </contrib>
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              <surname>Silva</surname>
              <given-names>Terezinha</given-names>
            </name>
            <xref ref-type="aff" rid="aff2">
              <sup>3</sup>
            </xref>
            <xref ref-type="corresp" rid="c2" />
          </contrib>
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          <institution content-type="original">Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade (GRIS/UFMG). Foi professora visitante na University of California, Irvine (UCI), com bolsa da Capes</institution>
          <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Minas Gerais</institution>
          <institution content-type="orgdiv1">Grupo de Pesquisa em Imagem e Sociabilidade</institution>
          <country country="BR">Brasil</country>
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          <institution content-type="original">Professora do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina e coordenadora do Grupo de Pesquisa Transverso – Estudos em Jornalismo, Interesse Público e Crítica (PPGJOR/UFSC)</institution>
          <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
          <institution content-type="orgdiv1"> Grupo de Pesquisa Transverso – Estudos em Jornalismo, Interesse Público e Crítica </institution>
          <country country="BR">Brasil</country>
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        <author-notes>
          <corresp id="c1">
            <label>E-mail:</label>
            <email>paulaguimaraessimoes@yahoo.com.br</email>
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          <corresp id="c2">
            <label>E-mail:</label>
            <email>terezinhasilva@yahoo.com</email>
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        </author-notes>
        <pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
          <day>26</day>
          <month>07</month>
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          <season>Jan-Jun</season>
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        <fpage>60</fpage>
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            <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença 
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          </license>
        </permissions>
        <abstract>
          <title>RESUMO</title>
          <p>O objetivo deste texto é apreender traços da imagem pública de Jair Bolsonaro a partir da interação entre os discursos proferidos por ele nos atos de 7 de setembro de 2021 e os públicos que se posicionaram. Para tanto, discutimos o conceito de imagem pública e os elementos que constituem a linguagem fascista. O corpus é composto de 40 textos publicados pela 
            <italic>Folha de S.Paulo,</italic> analisados a partir de dois eixos:1) o discurso de Bolsonaro; 2) os posicionamentos dos públicos. A análise reforça a oratória agressiva, a incitação ao ódio e à violência presentes em seu discurso, ao mesmo tempo que convoca a religiosidade, a liberdade e a verdade. Outros públicos, por sua vez, apontam-no como fascista, mentiroso, golpista, que coloca em xeque os valores da democracia, da liberdade e da própria vida.
          </p>
        </abstract>
        <trans-abstract>
          <title>ABSTRACT</title>
          <p>This essay tries to capture traits of Jair Bolsonaro’s public image based on the interaction between the speeches given in the acts of September 7, 2021 and the audiences’ standings. For this purpose, it discusses the concept of public image and the constitutive elements of fascist language. The corpus consists of 40 texts published by 
            <italic>Folha de S.Paulo,</italic> analyzed from two axes: 1) Bolsonaro’s speech; 2) the public’s standings. The analysis reinforces the aggressive oratory, incitement to hatred and violence present in his speech, while preaching religiosity, freedom, and truth. Other audiences, in turn, point to him as a fascist, liar, and a scammer, who opposes the values of democracy, freedom, and life itself.
          </p>
        </trans-abstract>
        <kwd-group xml:lang="pt">
          <title>Palavras-chave:</title>
          <kwd>Imagem pública</kwd>
          <kwd>linguagem fascista</kwd>
          <kwd>Bolsonaro</kwd>
        </kwd-group>
        <kwd-group xml:lang="en">
          <title>Keywords:</title>
          <kwd>Public image</kwd>
          <kwd>fascist language</kwd>
          <kwd>Bolsonaro</kwd>
        </kwd-group>
        <counts>
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    <body>
      <sec id="introdução">
        <title>Introdução</title>
        <p>Desde que foi eleito para a presidência da República, em 2018, em uma campanha eleitoral marcada por um contexto de intensa efervescência política e por uma indústria de 
          <italic>fake news</italic> em redes sociais digitais, que colaborou para sua vitória, Jair Bolsonaro e seu governo têm sido objeto de estudo de vários pesquisadores e pesquisadoras. As pesquisas têm se dedicado a compreender desde as estratégias comunicativas de Bolsonaro durante a campanha de 2018, como o intenso uso de redes sociais digitais que caracterizou a sua comunicação com os eleitores, até o modo como as mídias jornalísticas convencionais enquadraram a sua eleição, realizaram a cobertura de sua posse na Presidência, em janeiro de 2019, ou como têm se apropriado de seu discurso e comunicação enquanto presidente. Seja na pesquisa brasileira ou internacional, é notável o crescente interesse pela comunicação de figuras políticas de extrema direita como Jair Bolsonaro, considerada uma comunicação populista, e pelas relações entre o avanço do (neo)populismo ou do populismo de direita e as mídias, sejam elas as convencionais ou as redes sociais digitais (
          <xref alt="ALMEIDA; LUVIZOTTO, 2021" rid="ref-b1" ref-type="bibr">ALMEIDA; LUVIZOTTO, 2021</xref>; 
          <xref alt="ARAÚJO; GUAZINA, 2021" rid="ref-b2" ref-type="bibr">ARAÚJO; GUAZINA, 2021</xref>; 
          <xref alt="GUAZINA, 2021" rid="ref-b21" ref-type="bibr">GUAZINA, 2021</xref>; 
          <xref alt="MAZZOLENI, 2019" rid="ref-b24" ref-type="bibr">MAZZOLENI, 2019</xref>; 
          <xref alt="PRIOR, 2021" rid="ref-b31" ref-type="bibr">PRIOR, 2021</xref>; 
          <xref alt="WAISBORD, 2013" rid="ref-b39" ref-type="bibr">WAISBORD, 2013</xref>).
        </p>
        <p>Com o objetivo de contribuir com estas pesquisas, este texto busca apreender os elementos configuradores da imagem pública de Jair Bolsonaro que emergem na interação entre os discursos proferidos por ele nos atos de 7 de setembro de 2021 e os diferentes públicos que se posicionaram, concordando ou criticando as falas do presidente. Entendemos que, nessa interlocução, valores são agregados à face pública de Bolsonaro, evidenciando disputas simbólicas que apontam para o contexto brasileiro contemporâneo.</p>
        <p>Para proceder à análise, coletamos 40 matérias publicadas no site da 
          <italic>Folha de S.Paulo</italic> em setembro de 2021. Para sistematizar os dados, seguimos uma grade analítica composta por dois eixos:1) o discurso de Bolsonaro e os traços da linguagem fascista que ele apresenta; 2) os posicionamentos dos diferentes públicos em relação ao discurso e à atuação do presidente, apreendendo de que forma apoiadores e críticos se manifestaram acerca do seu discurso e/ou das motivações para os atos pró-Bolsonaro.
        </p>
        <p>Assim, o texto está dividido em três partes, além das considerações finais. Na primeira, apresentamos um breve estado da arte de pesquisas já realizadas sobre o presidente da República. Em seguida, discutimos algumas características da linguagem fascista que orientarão a análise do discurso de Bolsonaro, além do conceito de imagem pública em sua articulação com os públicos. Na terceira parte, apresentamos a metodologia e a análise a partir dos dois grandes eixos definidos, procurando apreender as disputas simbólicas em torno dos valores agregados à face pública do presidente.</p>
      </sec>
      <sec id="alguns-estudos-sobre-bolsonaro">
        <title>Alguns estudos sobre Bolsonaro</title>
        <p>Várias pesquisas vêm tentando compreender a figura de Jair Bolsonaro desde que ele se tornou presidente da República. Sua chegada ao poder central do país, em 2018, impulsionou uma série de estudos interessados em investigar distintos problemas de pesquisa. Em geral, tais estudos têm abordado os enquadramentos da imprensa nacional e estrangeira sobre a eleição desse representante da extrema direita brasileira (
          <xref alt="PRIOR; ARAÚJO, 2019" rid="ref-b32" ref-type="bibr">PRIOR; ARAÚJO, 2019</xref>), o tratamento dado pela cobertura jornalística ou midiática à sua posse e chegada ao poder (
          <xref alt="SILVA, 2020" rid="ref-b34" ref-type="bibr">SILVA, 2020</xref>; 
          <xref alt="SILVA et al., 2021" rid="ref-b35" ref-type="bibr">SILVA et al., 2021</xref>); as suas estratégias de comunicação (
          <xref alt="ALMEIDA; LUVIZOTTO, 2021" rid="ref-b1" ref-type="bibr">ALMEIDA; LUVIZOTTO, 2021</xref>); os discursos enquanto deputado federal, candidato e presidente (
          <xref alt="CIOCCARI; PERSICHETTI, 2019" rid="ref-b13" ref-type="bibr">CIOCCARI; PERSICHETTI, 2019</xref>); a autoapresentação dele no Instagram, mostrando como o populismo contemporâneo se apresenta em imagens (
          <xref alt="MENDONÇA; CAETANO, 2020" rid="ref-b25" ref-type="bibr">MENDONÇA; CAETANO, 2020</xref>); a construção da imagem pública dessa figura política no Twitter no contexto eleitoral de 2018 (
          <xref alt="SANTANA, 2020" rid="ref-b33" ref-type="bibr">SANTANA, 2020</xref>); a reprodução midiática de seu discurso misógino e homofóbico (
          <xref alt="LEITE, 2021" rid="ref-b22" ref-type="bibr">LEITE, 2021</xref>); a presença da lógica do inimigo em seu discurso (
          <xref alt="BELISÁRIO; ROCHA, 2021" rid="ref-b4" ref-type="bibr">BELISÁRIO; ROCHA, 2021</xref>); o modo como determinadas mídias ou programas jornalísticos têm se apropriado da comunicação populista de Bolsonaro em contextos específicos, como o da pandemia de covid-19 (
          <xref alt="ARAÚJO; GUAZINA, 2021" rid="ref-b2" ref-type="bibr">ARAÚJO; GUAZINA, 2021</xref>).
        </p>
        <p>Há, portanto, um forte interesse acerca do discurso e da comunicação de Jair Bolsonaro. Além disso, tais estudos têm em comum recuperar elementos de sua trajetória política, o que nos ajuda aqui a sistematizar alguns aspectos da sua atuação e a delinear componentes da face pública por ele projetada mesmo antes de chegar à presidência da República.</p>
        <p>De Jair Bolsonaro, geralmente se destaca que é ex-capitão do Exército e se elegeu pela primeira vez para vereador da cidade do Rio de Janeiro, em 1989, então filiado ao Partido Democrata Cristão (PDC). Em 1990, elegeu-se para o primeiro de seus sete mandatos consecutivos como deputado federal (1991 a 2018) pelo estado do Rio de Janeiro. Nesse período, transitou por oito partidos, mostrando que fidelidade partidária não é uma marca de sua trajetória na política institucional. Em 2021, filiou-se ao Partido Liberal (PL) – após ficar dois anos sem partido. “O caminho entre o mandato de vereador e o mais alto cargo do Executivo do país foi dedicado à construção da ideia de”mito” que o alçou à vitória na disputa presidencial de 2018” (
          <xref alt="SOUSA, 2019, p. 8" rid="ref-b38" ref-type="bibr">SOUSA, 2019, p. 8</xref>), contra o candidato do PT, Fernando Haddad.
        </p>
        <p>Em um estudo no qual analisam as principais alterações e as permanências no discurso de Jair Bolsonaro entre janeiro de 1991 e setembro de 2019, Cioccari e Persichetti (
          <xref alt="2019" rid="ref-b13" ref-type="bibr">2019</xref>) relembram aspectos de sua atuação e da agressividade de seu discurso desde quando ainda era capitão do Exército. Os pesquisadores lembram a notícia da acusação de ele ter elaborado um plano para explodir bombas em quartéis em 1987, por exemplo, assim como o cartaz direcionado às famílias dos desaparecidos na ditadura e colocado na entrada de seu gabinete na Câmara dos Deputados: “Desaparecidos no Araguaia? Quem procura osso é cachorro” (
          <xref alt="CIOCCARI; PERSICHETTI, 2019, p. 141" rid="ref-b13" ref-type="bibr">CIOCCARI; PERSICHETTI, 2019, p. 141</xref>). O trabalho mostra, ainda, como os “valores militares, o inimigo comum (a esquerda, o socialismo) e o ataque às minorias” são permanências no discurso do político – assim como a defesa do uso de armas e os ataques à imprensa.
        </p>
        <p>Para Cioccari e Persichetti (
          <xref alt="2019, p. 138, 141" rid="ref-b13" ref-type="bibr">2019, p. 138, 141</xref>), Bolsonaro deputado e candidato soube aproveitar a decepção com políticos e partidos considerados tradicionais, como PSDB e PT, principalmente após as manifestações de junho de 2013, quando aumentou a descrença nas instituições políticas em função de intensa campanha midiática na qual a política brasileira é representada como espaço tomado pela corrupção e pelo clientelismo. Dialogando com esse público descrente, Bolsonaro candidato explorou amplamente na campanha de 2018 os símbolos da pátria, buscando a aproximação com o eleitorado a partir de um discurso nacionalista e patriótico. O tom conservador da disputa eleitoral foi expresso no slogan da campanha – 
          <italic>Brasil acima de tudo. Deus acima de todos</italic> –, adotado posteriormente também no governo. O candidato fez “uma combinação entre valores de família, nacionalismo e cristianismo”, embora propostas econômicas por ele defendidas contradigam premissas nacionalistas, como a privatização de estatais e declarações de subserviência aos Estados Unidos (
          <xref alt="CIOCCARI; PERSICHETTI, 2019, p. 147" rid="ref-b13" ref-type="bibr">CIOCCARI; PERSICHETTI, 2019, p. 147</xref>).
        </p>
        <p>Em sua análise da imagem pública de Bolsonaro no Twitter nas eleições de 2018, Santana (
          <xref alt="2020" rid="ref-b33" ref-type="bibr">2020</xref>) procura evidenciar como essa celebridade política convoca seus apoiadores a endossar valores como a honestidade, a integridade, o combate à corrupção e a valorização da família tradicional. O pesquisador aponta a admiração e a afetação carismática existentes entre o “Mito” e seus apoiadores, mostrando como o povo brasileiro, naquele momento, queria “uma representação mais real possível de uma pessoa mediana forte e capaz de destruir o ‘mal que assolava o país, o PT e o comunismo’. Além disso, uma pessoa que combata a corrupção, mesmo que Bolsonaro tenha tido 28 anos de congresso nacional” (
          <xref alt="SANTANA, 2020, p. 89" rid="ref-b33" ref-type="bibr">SANTANA, 2020, p. 89</xref>).
        </p>
        <p>Buscando contribuir com essas reflexões, nosso objetivo aqui é analisar alguns dos sentidos que compõem a imagem pública de Bolsonaro, em um outro contexto, a partir de um acontecimento específico: os pronunciamentos do presidente da República no dia 7 de setembro de 2021 em atos a favor de seu governo, bem como algumas de suas reverberações. Além da simbologia da data, para um governante que explora o patriotismo como dimensão importante na relação com o seu público, entendemos que o discurso do 7 de setembro é profícuo para a presente análise em função do contexto no qual ocorreu. Seu discurso pode ser visto como a reação presidencial a outros acontecimentos do período, entre os quais os inquéritos instaurados pelo Supremo Tribunal Federal contra apoiadores do presidente, pressões da CPI da Covid sobre a atuação governamental na pandemia, a reprovação do governo Bolsonaro em pesquisas de opinião e sua projetada derrota eleitoral no pleito de 2022. Para realizar a análise aqui proposta, recuperamos, a seguir, alguns eixos da linguagem fascista para refletir sobre seu papel na configuração da imagem pública do presidente.</p>
      </sec>
      <sec id="o-fascismo-e-sua-linguagem">
        <title>O fascismo e sua linguagem</title>
        <p>A palavra fascismo vem sendo usada no cotidiano contemporâneo por diferentes sujeitos e acionada em textos midiáticos diversos. Para além do senso comum, é preciso situar o movimento historicamente – no intuito de compreender seus desdobramentos contemporâneos e a linguagem que lhe é peculiar. Assim, é importante retomar que o fascismo foi criado oficialmente na Itália, em 1919, e tornou-se um regime naquele país em 1922.</p>
        <disp-quote>
          <p>Mas a política que ele representava surgiu simultaneamente em todo o mundo. Do Japão ao Brasil e à Alemanha, e da Argentina até a Índia e a França, a revolução racista, violenta e antidemocrática de direita que o fascismo representava foi adotada em outros países com nomes diferentes: nazismo na Alemanha, nacionalismo na Argentina, integralismo no Brasil. (
            <xref alt="FINCHELSTEIN, 2020, p. 40" rid="ref-b16" ref-type="bibr">FINCHELSTEIN, 2020, p. 40</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Algumas características são apontadas como constituidoras do movimento em suas várias frentes difundidas pelo mundo:</p>
        <disp-quote>
          <p>Como argumenta o historiador Robert Paxton, talvez seja melhor guiar-se pela estrutura das paixões que caracterizam o fascismo. Algumas delas foram o culto à violência e ao militarismo; a crença de que a salvação da pátria requer a eliminação dos inimigos internos por meio da mobilização permanente; o uso da identidade nacional através de uma concepção imunitária e agressiva de corpo social. Unindo tudo, a obediência ao líder, percebido como uma encarnação da vontade nacional. (
            <xref alt="SINGER, 2020" rid="ref-b37" ref-type="bibr">SINGER, 
              <italic>et al</italic>., 2020
            </xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Outro traço marcante do fascismo é bem desenvolvido por Finchelstein (
          <xref alt="2020" rid="ref-b16" ref-type="bibr">2020</xref>): o uso da mentira como uma política de governo. “Uma das principais lições da história do fascismo é que mentiras racistas conduziram a uma violência política extrema. Hoje, as mentiras estão de volta ao poder” (
          <xref alt="FINCHELSTEIN, 2020, p. 16" rid="ref-b16" ref-type="bibr">FINCHELSTEIN, 2020, p. 16</xref>). Recuperando reflexões de Hannah Arendt
          <italic>,</italic> Finchelstein destaca que “a crença em mentiras era parte da educação dos seguidores do totalitarismo, e especialmente das elites, que transformaram ‘mentiras ideológicas’ em ‘verdades sagradas e intocáveis’” (
          <xref alt="FINCHELSTEIN, 2020, p. 46" rid="ref-b16" ref-type="bibr">FINCHELSTEIN, 2020, p. 46</xref>)
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>
          </sup>.
        </p>
        <p>Esses traços do fascismo foram configurando um tipo de linguagem característico de líderes autoritários. Em 
          <italic>A linguagem fascista</italic>, Piovezani (
          <xref alt="2020a" rid="ref-b28" ref-type="bibr">2020a</xref>) procura resgatar as principais características que marcaram a oratória de Hitler, partindo do trabalho do filólogo judeu Klemperer. O objetivo de Piovezani é apreender alguns dos traços dessa linguagem, a fim de refletir sobre o modo como eles podem ser percebidos em outros líderes autoritários – como Benito Mussolini, na Itália da primeira metade do século XX, e Jair Bolsonaro, no Brasil do século XXI
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>
          </sup>.
        </p>
        <p>Uma primeira característica se refere ao uso de palavras estrangeiras, ao mesmo tempo que se constrói um discurso de modo que o povo entenda – o que configura um dos paradoxos da linguagem nazista (
          <xref alt="PIOVEZANI, 2020a, p. 12" rid="ref-b28" ref-type="bibr">PIOVEZANI, 2020a, p. 12</xref>). O uso de repetições e a inconsistência que constitui teorias simplistas são conjugados com a alteração de sentido de certas palavras e a frequência de seu uso – tais como fanático e povo. Klemperer explica que, de desvairado, o termo “‘fanático’ estava assumindo um novo sentido, passando a significar uma feliz mescla de coragem e entrega apaixonada” (2009, p. 75 apud 
          <xref alt="PIOVEZANI, 2020a, p. 12" rid="ref-b28" ref-type="bibr">PIOVEZANI, 2020a, p. 12</xref>), enquanto a palavra povo “era empregada nos discursos e nos textos com a mesma naturalidade com que se coloca uma pitada de sal na comida” (2009, p. 116 apud 
          <xref alt="PIOVEZANI, 2020a, p. 12" rid="ref-b28" ref-type="bibr">PIOVEZANI, 2020a, p. 12</xref>).
        </p>
        <p>Outro traço marcante é o uso do corpo pelo líder nazista, “o aspecto mecânico de seus gestos e o empinamento de sua postura” (
          <xref alt="PIOVEZANI, 2020a, p. 12" rid="ref-b28" ref-type="bibr">PIOVEZANI, 2020a, p. 12</xref>), além do uso da voz: “Vociferar. O estilo obrigatório para todos era berrar como um agitador berra na multidão”, destaca Klemperer (2009, p. 66 apud 
          <xref alt="PIOVEZANI, 2020a, p. 13" rid="ref-b28" ref-type="bibr">PIOVEZANI, 2020a, p. 13</xref>). O uso de superlativos era acionado para buscar embotar a crítica, além de estabelecer um inimigo comum – no caso dos nazistas, os judeus. Expressões de escárnio e desprezo, além de adjetivos depreciativos, eram usados para definir esse inimigo comum. Com isso, “a diferença é reduzida a medo, repulsa e chacota, e o diálogo, a ódio, violência e extermínio” (
          <xref alt="PIOVEZANI, 2020a, p. 15" rid="ref-b28" ref-type="bibr">PIOVEZANI, 2020a, p. 15</xref>).
        </p>
        <p>Além desses elementos, o autor destaca a ligação com Deus como configuradora do discurso fascista: “Às coisas ditas se somam as formas de dizer e os silêncios na construção dos laços estreitos entre Hitler e o campo religioso” (
          <xref alt="PIOVEZANI, 2020a, p. 18" rid="ref-b28" ref-type="bibr">PIOVEZANI, 2020a, p. 18</xref>).
        </p>
        <p>Partindo dessas características, Piovezani (
          <xref alt="2020b" rid="ref-b29" ref-type="bibr">2020b</xref>) desenvolve, em parceria com Gentile (
          <xref alt="2020" rid="ref-b20" ref-type="bibr">2020</xref>), um estudo histórico de dois casos marcantes da linguagem fascista – Benito Mussolini e Jair Bolsonaro – refletindo sobre as permanências e transformações dessa linguagem historicamente.
        </p>
        <disp-quote>
          <p>Enquanto Mussolini, além de populista, foi precursor do fascismo e um de seus tipos mais bem acabados, Bolsonaro é um populista e um ‘fascista 
            <italic>wannabe</italic>’, uma vez que consiste no líder populista que mais quer e que mais se aproxima do fascismo na história, ao reativar em seu populismo traços fascistas indeléveis: a violência anunciada como fator de regeneração social, a segregação de grupos fragilizados, a mobilização exponencial das mentiras e o flerte com a ditadura. (
            <xref alt="PIOVEZANI, 2020a, p. 40" rid="ref-b28" ref-type="bibr">PIOVEZANI, 2020a, p. 40</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Na análise específica que realiza sobre o presidente brasileiro, Piovezani (
          <xref alt="2020b, p. 227" rid="ref-b29" ref-type="bibr">2020b, p. 227</xref>) retoma a trajetória política de Bolsonaro – de “ganancioso capitão do exército, passando pelo seu curto mandato como vereador no Rio de Janeiro e por seus vários mandatos como deputado federal, até sua condição de candidato à presidência da República nas eleições de 2018”. Nesta retomada, o autor destaca:
        </p>
        <disp-quote>
          <p>A oratória agressiva, a retórica reacionária e os discursos violentos, que chegaram a anunciar a eliminação de adversários, foram e continuam a ser traços marcantes da linguagem do presidente. Isso não significa que não tenha havido mudanças em sua trajetória. Os contrastes entre o deputado falastrão, mas também sádico e indecoroso, e o candidato lacônico, mas também colérico e incitador ao ódio, são provas dessas modificações. (
            <xref alt="PIOVEZANI, 2020b, p. 227–228" rid="ref-b29" ref-type="bibr">PIOVEZANI, 2020b, p. 227–228</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Além do percurso histórico nessa trajetória, o autor aborda algumas falas e posicionamentos mais recentes do presidente que marcaram o início da pandemia de covid-19 no Brasil. Ele mostra como o negacionismo, a agressividade, a incitação à violência e as mentiras integram o discurso de Bolsonaro e configuram um “neofascismo brasileiro” (
          <xref alt="PIOVEZANI, 2020b, p. 245" rid="ref-b29" ref-type="bibr">PIOVEZANI, 2020b, p. 245</xref>). De que maneira esse discurso – e suas características – compõem a imagem pública de Bolsonaro, em sua relação com diferentes públicos? Que valores e disputas simbólicas emergem nesse processo? São indagações que orientam a análise aqui pretendida.
        </p>
        <p>Entendemos que a imagem pública de um sujeito é formada por um conjunto de sentidos que emergem a partir de sua performance (
          <xref alt="LIMA; SIMÕES, 2017" rid="ref-b23" ref-type="bibr">LIMA; SIMÕES, 2017</xref>). Assim, a partir de ações e posicionamentos de uma figura pública, é possível apreender traços e valores que são evidenciados nesse processo. Como discutimos em outro texto, partindo do trabalho de Lima e Simões (
          <xref alt="2017" rid="ref-b23" ref-type="bibr">2017</xref>), a imagem pública é
        </p>
        <disp-quote>
          <p>relacional, multifacetada, contextual; é construída a partir de inúmeras disputas simbólicas (WEBER, 2009) empreendidas em diferentes espaços. Ela deve ser apreendida a partir do campo de exposição e atuação do sujeito que se pretende analisar, a partir do contexto em que se inscreve. (
            <xref alt="SILVA; SIMÕES, 2020, p. 3" rid="ref-b36" ref-type="bibr">SILVA; SIMÕES, 2020, p. 3</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Se a imagem pública de uma personalidade é relacional, ela é construída em interlocução com os públicos que se constituem a partir desse sujeito. Segundo Dewey (
          <xref alt="1954" rid="ref-b15" ref-type="bibr">1954</xref>), os públicos emergem contextualmente a partir da emergência de uma situação. Por essa perspectiva (pragmatista), públicos são coletividades que se veem afetadas por um acontecimento, por uma crise ou por uma personalidade e buscam agir conjuntamente em função da afetação. Nessa interação entre a figura pública e seus públicos é que a imagem pública é tecida, em um processo em que emergem valores e disputas simbólicas.
        </p>
        <p>É para esta interação que buscamos olhar neste texto: refletir, por um lado, sobre o discurso de Bolsonaro nos atos de 7 de setembro de 2021 (e os valores por ele acionados) e, por outro, sobre o modo como diferentes públicos se posicionaram, concordando ou criticando as falas do presidente. Entendemos que nessa interlocução valores são agregados à face pública do presidente – e é isso que buscamos apreender neste texto.</p>
      </sec>
      <sec id="metodologia-e-análise-de-dados">
        <title>Metodologia e análise de dados</title>
        <p>Para proceder à análise, a pesquisa empírica foi realizada na 
          <italic>Folha de S.Paulo</italic>, um dos maiores jornais do país e que conferiu ampla cobertura dos atos de 7 de setembro. A coleta, realizada em 4 de outubro, compreende os textos de jornalismo informativo, ou seja, aqueles em que a opinião de seus autores(as) não está explicitamente evidenciada, ao contrário de editoriais, artigos e colunas de opinião. Os relatos jornalísticos coletados foram publicados nos dias 7 e 8 de setembro de 2021, período em que é possível apreender não apenas os discursos proferidos por Jair Bolsonaro nos próprios atos, mas algumas de suas repercussões. O 
          <italic>corpus</italic> é assim composto por 40 textos publicados no período.
        </p>
        <p>Para sistematizar os dados, seguimos uma grade analítica composta por dois eixos:</p>
        <list list-type="order">
          <list-item>
            <label>1)</label>
            <p>O discurso de Bolsonaro, tendo em vista os traços da linguagem fascista esboçados anteriormente;</p>
          </list-item>
          <list-item>
            <label>2)</label>
            <p>Os posicionamentos dos diferentes públicos em relação ao discurso e à atuação do presidente, apreendendo de que forma apoiadores e críticos se manifestaram acerca do seu discurso e/ou das motivações para os atos pró-Bolsonaro em 7 de setembro.</p>
          </list-item>
        </list>
        <p>Partindo do pressuposto de que a imagem pública é relacional e contextual, procuramos compreender os traços e valores que emergem na face pública de Bolsonaro a partir desses discursos e de suas reverberações entre diferentes públicos (membros do judiciário, militares, mídia, lideranças políticas governistas ou de oposição).</p>
      </sec>
      <sec id="análise">
        <title>Análise</title>
        <p>Nos atos do dia 7 de setembro de 2021, Jair Bolsonaro proferiu dois discursos: de manhã, em Brasília, e à tarde, em São Paulo. Em ambos, o presidente vocifera para seu público, “como um agitador na multidão” (KLEMPERER, 2009, p. 66 apud PIOVEZANI, 2020a, p. 13), acionando expressões depreciativas para caracterizar o inimigo comum (
          <xref alt="PIOVEZANI, 2020a" rid="ref-b28" ref-type="bibr">PIOVEZANI, 2020a</xref>). 
          <italic>Canalhas</italic> é o termo utilizado por ele para nomear aqueles que discordam de seu governo e atuam contra o bolsonarismo – e, de forma mais específica, para qualificar o ministro do Superior Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes: “[…] ele tem tempo ainda para se redimir. Tem tempo ainda de arquivar seus inquéritos. Sai Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha, deixa de oprimir o povo brasileiro” (
          <xref alt="BOLSONARO AMEAÇA O STF DE GOLPE, EXORTA A DESOBEDIÊNCIA À JUSTIÇA E DIZ QUE SÓ SAI MORTO, 2021" rid="ref-b6" ref-type="bibr">BOLSONARO..., 2021a</xref>).
        </p>
        <p>O tom ameaçador incita o ódio e a violência contra as instituições e, assim, coloca em risco a própria democracia. Ele estimula, ainda, a desobediência a decisões da justiça, colocando-se como a autoridade (autoritária) que decide sobre os rumos de investigações: “Nós devemos sim, porque eu falo em nome de vocês, determinar que todos os presos políticos sejam postos em liberdade. [Quero] dizer a vocês, que qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou” (
          <xref alt="BOLSONARO AMEAÇA O STF DE GOLPE, EXORTA A DESOBEDIÊNCIA À JUSTIÇA E DIZ QUE SÓ SAI MORTO, 2021" rid="ref-b6" ref-type="bibr">BOLSONARO…, 2021a</xref>). Esse uso da palavra povo é outro elemento muito presente nos discursos de Bolsonaro – o povo é oprimido pelo STF, o povo que não tem mais paciência com as decisões dos ministros.
        </p>
        <p>A ligação com Deus também está presente no discurso de Bolsonaro e é associada a uma ideia, ao mesmo tempo, simplista e inconsistente: “A partir de hoje uma nova história começa a ser escrita no Brasil. Peço a Deus mais que sabedoria, força e coragem para bem decidir.” Ele não explica que “nova história” é esta e para que são necessários esses valores que invocam a Deus. Em outro momento, a invocação é feita para dizer que não sairá da Presidência da República: “[quero] Dizer àqueles que querem me tornar inelegível em Brasília: só Deus me tira de lá.” Destacou que “as únicas opções para ele são ser preso, ser morto ou a vitória, afirmando na sequência, porém, que nunca será preso” (
          <xref alt="BOLSONARO AMEAÇA O STF DE GOLPE, EXORTA A DESOBEDIÊNCIA À JUSTIÇA E DIZ QUE SÓ SAI MORTO, 2021" rid="ref-b6" ref-type="bibr">BOLSONARO…, 2021a</xref>).
        </p>
        <p>Outro eixo que se pode apreender dos discursos analisados é o uso de mentiras para seduzir seus públicos. Em São Paulo, Bolsonaro “voltou a mirar o sistema eleitoral e o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE. ‘Não é uma pessoa que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável, porque não é’, afirmou. ‘Não posso participar de uma farsa como essa patrocinada ainda pelo presidente do TSE.’” (
          <xref alt="BOLSONARO AMEAÇA O STF DE GOLPE, EXORTA A DESOBEDIÊNCIA À JUSTIÇA E DIZ QUE SÓ SAI MORTO, 2021" rid="ref-b6" ref-type="bibr">BOLSONARO…, 2021a</xref>). O presidente faz acusações sem provas de fraude nas eleições, atacando as instituições e incitando a desconfiança da população em relação às urnas eletrônicas. Como bem destaca Finchelstein (
          <xref alt="2020, p. 16" rid="ref-b16" ref-type="bibr">2020, p. 16</xref>), “as mentiras estão de volta ao poder”.
        </p>
        <p>É possível afirmar, assim, que os discursos de Bolsonaro nos atos de 7 de setembro reforçam alguns traços já identificados por outros autores na postura do político, tais como a oratória agressiva, a incitação ao ódio e os discursos violentos (
          <xref alt="CIOCCARI; PERSICHETTI, 2019" rid="ref-b13" ref-type="bibr">CIOCCARI; PERSICHETTI, 2019</xref>; 
          <xref alt="PIOVEZANI; GENTILE, 2020" rid="ref-b30" ref-type="bibr">PIOVEZANI; GENTILE, 2020</xref>). Tal posicionamento, no entanto, não é recebido de maneira homogênea, interpelando diferentes públicos cujas manifestações podem revelar disputas simbólicas na conformação da imagem pública do presidente.
        </p>
        <p>Na recepção pública dos discursos e dos atos bolsonaristas, a desconfiança sistematicamente semeada pelo presidente sobre a segurança das urnas eletrônicas e as ameaças à realização das eleições de 2022, caso o voto impresso não seja implementado (possibilidade já descartada pelo Congresso Nacional), são vistas como estando na origem da “crise institucional” que levou às manifestações de 7 de setembro, conforme a narrativa da 
          <italic>Folha de S.Paulo</italic> definiu a situação: “Além do tamanho do público, as expectativas se concentram no teor do discurso do presidente, que anunciou o levante do 7 de Setembro como algo histórico e dissimulou as pretensões de ruptura da ordem institucional e democrática que estão na raiz da mobilização, com pautas autoritárias e de raiz golpista” (
          <xref alt="BOLSONARO CHEGA AO 7 DE SETEMBRO COM REPERTÓRIO DE AMEAÇAS GOLPISTAS E À ESPERA DE FOTO COM MULTIDÃO, 2021" rid="ref-b8" ref-type="bibr">BOLSONARO…, 2021c</xref>).
        </p>
        <p>A afronta a instituições e autoridades públicas é interpretada no relato da 
          <italic>Folha</italic> como estratégia usada nos últimos dias para chamar apoiadores aos atos. “Bolsonaro falou em emparedar ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e jogar fora das quatro linhas da Constituição para eventual ruptura institucional. O objetivo é intimidar tanto o STF como o Congresso com seus desejos golpistas”. A mobilização de milhares de pessoas às ruas é atribuída à pretensão já anunciada por Bolsonaro de conseguir “uma foto ao lado de milhares de apoiadores” e “embasar a retórica de amplo apoio popular”, com o objetivo de “ganhar fôlego em meio a uma crise institucional provocada pelo próprio, além das crises sanitária, econômica e social no país” (
          <xref alt="BOLSONARO CHEGA AO 7 DE SETEMBRO COM REPERTÓRIO DE AMEAÇAS GOLPISTAS E À ESPERA DE FOTO COM MULTIDÃO, 2021" rid="ref-b8" ref-type="bibr">BOLSONARO…, 2021c</xref>).
        </p>
        <p>Embora tenha sido um dos veículos de comunicação que pouco questionou, no contexto da campanha eleitoral de 2018, a trajetória e as práticas de Jair Bolsonaro, a 
          <italic>Folha</italic> agora menciona brevemente um passado em que “o presidente flerta com o golpismo ou faz declarações contrárias à democracia”, postura mantida enquanto governante. Relembra que, em 1999, Bolsonaro disse que fecharia o Congresso se fosse presidente e que em 2020 participou de manifestações que defendiam a intervenção militar.
        </p>
        <p>Ao mesmo tempo que aciona públicos como comandantes das forças armadas, dizendo não haver espaço para “golpismos” no atual contexto, a narrativa da 
          <italic>Folha</italic> sinaliza incertezas em relação ao futuro. Aponta que as suspeitas de fraude lançadas pelo presidente em uma eleição sem voto impresso servem para forçar uma situação de conflito e a tentativa de invalidação do resultado eleitoral em 2022, a exemplo do que foi feito nos Estados Unidos, em janeiro de 2021, por Donald Trump, considerado ídolo de Bolsonaro.
        </p>
        <p>É a partir desse enquadramento geral do golpismo que a 
          <italic>Folha</italic> define o pronunciamento de 7 de setembro: um discurso no qual “o presidente Jair Bolsonaro fez ameaças golpistas contra o STF (Supremo Tribunal Federal), exortou desobediência a decisões da Justiça e disse que só sairá morto da Presidência da República” (
          <xref alt="BOLSONARO AMEAÇA O STF DE GOLPE, EXORTA A DESOBEDIÊNCIA À JUSTIÇA E DIZ QUE SÓ SAI MORTO, 2021" rid="ref-b6" ref-type="bibr">BOLSONARO…, 2021a</xref>). A narrativa da 
          <italic>Folha</italic> interpreta a ação de Bolsonaro como uma estratégia para mostrar apoio popular no enfrentamento a instituições que o questionam. O relato lembra que o STF analisa cinco inquéritos que envolvem o presidente, seus filhos ou apoiadores na área criminal e que o Tribunal Superior Eleitoral conduz outras duas apurações envolvendo o chefe do Executivo. Os atos de Bolsonaro no 7 de setembro são vistos como uma “espécie de tudo ou nada diante de seu isolamento político” (
          <xref alt="BOLSONARO AMEAÇA O STF DE GOLPE, EXORTA A DESOBEDIÊNCIA À JUSTIÇA E DIZ QUE SÓ SAI MORTO, 2021" rid="ref-b6" ref-type="bibr">BOLSONARO…, 2021a</xref>) Na construção narrativa da 
          <italic>Folha,</italic> portanto, Bolsonaro é um presidente em busca de apoio popular, em um contexto político em que está com popularidade em baixa, sendo questionado pela Justiça e isolado politicamente.
        </p>
        <p>Potenciais crimes no discurso de Bolsonaro são listados no relato da 
          <italic>Folha,</italic> sugerindo, assim, a imagem de figura pública capaz de infringir várias leis em apenas um dia
          <italic>:</italic> crime de responsabilidade (Lei do 
          <italic>Impeachment</italic>) pela ameaça ao STF e o descumprimento de ordens do ministro Alexandre de Moraes; crimes comuns, como infração de medida sanitária preventiva em um contexto de pandemia de covid-19; incitação ao crime; apologia de crime ou criminoso; peculato (apropriação de bens públicos em benefício próprio ou de terceiros); emprego irregular de verbas ou rendas públicas; oposição à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo; desobediência de ordem legal de funcionário público; ato de improbidade administrativa, ato que viola a lealdade às instituições; e ilícitos eleitorais como declaração de candidatura antes do prazo legal e abuso de poder político e econômico.
        </p>
        <p>O sentido de golpismo também é atribuído ao ato dos apoiadores de Bolsonaro em Brasília, caracterizado como tendo sido “marcado por pautas autoritárias e golpistas” (
          <xref alt="BOLSONARO AMEAÇA STF COM PAUTAS GOLPISTAS QUE REUNIU MILHARES EM BRASÍLIA, 2021" rid="ref-b7" ref-type="bibr">BOLSONARO…, 2021b</xref>), “ataques ao STF, pedidos de intervenção militar e o desrespeito aos protocolos contra a Covid-19” (
          <xref alt="BARBON; PITOMBO; NOGUEIRA, 2021" rid="ref-b3" ref-type="bibr">BARBON; PITOMBO; NOGUEIRA, 2021</xref>). A narrativa do jornal conta que os manifestantes defensores do presidente “trazem cartazes antidemocráticos em vários idiomas” (
          <xref alt="BARBON; PITOMBO; NOGUEIRA, 2021" rid="ref-b3" ref-type="bibr">BARBON; PITOMBO; NOGUEIRA, 2021</xref>) para mostrar ao mundo a suposta ditadura que estaria em curso no Brasil, promovida pelo STF. Como apontado por Piovezani (
          <xref alt="2020a" rid="ref-b28" ref-type="bibr">2020a</xref>), as expressões em inglês têm sido uma característica presente entre apoiadores da extrema-direita em suas manifestações, uma estratégia de comunicação que visa interconectá-los internacionalmente.
        </p>
        <p>As mensagens antidemocráticas e de ataque às instituições, a linguagem grosseira e as expressões depreciativas dirigidas a autoridades públicas, presentes no discurso de Bolsonaro, também perpassam a comunicação de seu público de apoiadores nas ruas de várias cidades do país. “Diversas faixas pediam a intervenção militar, uma delas defendendo a medida para ‘acabar com o puteiro em Brasília’. ‘O resto da limpeza é com o voto impresso’, diziam os escritos. Havia cartazes também demandando a criminalização do comunismo e a adoção de uma nova Constituição”. Os mais visados pelo público de bolsonaristas no 7 de setembro, os ministros do Supremo Tribunal Federal foram assim descritos em uma das placas dos protestos que reivindicava sua destituição: “Presidente, coloque todos esses vagabundos na cadeia. Começando pelo STF!!!‘. Outras questionavam a atuação de Alexandre de Moraes, que foi frequentemente chamado de ’ditador de toga’:”Durante o discurso de Bolsonaro, apoiadores gritaram ‘Fora Alexandre’ após falas do presidente atacando o ministro”. Em outra faixa, a sigla ‘STF’ era completada com os adjetivos ‘sórdido, ’trapalhão’ e ‘falso’ (
          <xref alt="BARBON; PITOMBO; NOGUEIRA, 2021" rid="ref-b3" ref-type="bibr">BARBON; PITOMBO; NOGUEIRA, 2021</xref>) ou ainda “Supremo Talibã Federal”.
        </p>
        <p>Reforçando o apelo à categoria de povo e propagando um discurso que tem se tornado comum tanto na voz de Bolsonaro quanto na de seus apoiadores, segundo o qual o povo agora efetivamente estaria no poder, um trio elétrico na cidade do Recife difundia os dizeres “Supremo é o povo”. Era acompanhado por gritos de “eu autorizo”, numa alusão à defesa que tem sido feita por bolsonaristas de que o artigo 142 da Constituição, que disciplina o papel dos militares no país, “autorizaria” as Forças Armadas a atuarem como “poder moderador” dos outros poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), uma interpretação já rejeitada no âmbito judicial. Em Goiânia, entre os cartazes em inglês e francês, um deles projetava: “Bolsonaro é a esperança do Brasil” (
          <xref alt="BARBON; PITOMBO; NOGUEIRA, 2021" rid="ref-b3" ref-type="bibr">BARBON; PITOMBO; NOGUEIRA, 2021</xref>).
        </p>
        <p>Em Salvador, um dos trios elétricos que comandaram o protesto trazia uma faixa em português e inglês, com a mensagem ‘Bolsonaro e Forças Armadas salvem a democracia’“. Outra pedia intervenção militar: ’Bolsonaro e Forças Armadas, nos libertem do comunismo” (
          <xref alt="CARTAZES GOLPISTAS DE ATOS BOLSONARISTAS ATACAM STF E MORAES ATÉ EM INGLÊS, ESPANHOL E FRANCÊS, 2021" rid="ref-b12" ref-type="bibr">CARTAZES..., 2021</xref>). Entre apoiadores na Avenida Paulista, a imagem de Bolsonaro foi vinculada ao uso de uma “figura ou estética opressora”, como classificada pelos próprios bolsonaristas: “Camisetas com estampas armamentistas e militaristas, com ilustrações que mostram Bolsonaro armado ou como um super-herói, além de estampas com mensagens anticomunistas, contrárias ao STF e em defesa da prisão do ex-presidente Lula, somaram-se ao uniforme verde-amarelo” (
          <xref alt="OLIVEIRA, 2021" rid="ref-b27" ref-type="bibr">OLIVEIRA, 2021</xref>).
        </p>
        <p>O valor atribuído por apoiadores de Bolsonaro a quaisquer atividades e atores militares é evidenciado em outros momentos dos protestos. Embora o apoio explícito de militares e policiais nas manifestações bolsonaristas tenha ficado restrito a policiais e militares da reserva, chama a atenção o tipo de figuras que se tornam famosas entre o público bolsonarista, como é o caso do ex-policial militar Fabrício Queiroz, apontado em investigação como operador financeiro do esquema de “rachadinha” no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), quando este era deputado estadual no Rio de Janeiro. “Queiroz publicou foto em apoio às manifestações com teor golpista convocadas por Bolsonaro e foi recebido com festa por apoiadores do presidente no protesto em Copacabana” (
          <xref alt="MILITARES E POLICIAIS IGNORAM ATIÇAMENTO DE BOLSONARO E PASSAM QUASE DESPERCEBIDOS EM ATOS PELO PAÍS, 2021" rid="ref-b26" ref-type="bibr">MILITARES..., 2021</xref>).
        </p>
        <p>Outro elemento presente nas manifestações pró-Bolsonaro foi o negacionismo. Apoiadores reforçaram o negacionismo do presidente, seus posicionamentos em relação à pandemia e ao seu enfrentamento, expressando contrariedades à vacinação contra a covid-19 e defendendo medicamentos ineficazes contra a doença.
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>
          </sup> Portaram cartazes ecoando o posicionamento da extrema direita em relação à pandemia e outros temas: a prioridade do direito individual sobre o coletivo.
        </p>
        <p>As manifestações pró-Bolsonaro também encontraram eco e apoio entre públicos do campo artístico e dos esportes. O cantor sertanejo Sérgio Reis, alvo de busca e apreensão determinada pela Justiça nos dias anteriores, por conta de participação em outros atos considerados antidemocráticos e que estão sob investigação do STF, tornou-se ídolo de manifestantes em São Paulo, com fotos suas acompanhadas da frase “Todos somos um”. Jogadores de futebol, como Daniel Alves, da seleção brasileira, fizeram coro ao slogan bolsonarista “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos” em suas redes sociais (
          <xref alt="BARBON; PITOMBO; NOGUEIRA, 2021" rid="ref-b3" ref-type="bibr">BARBON; PITOMBO; NOGUEIRA, 2021</xref>). O apelo a Deus, presente no slogan de Bolsonaro em seus discursos, inclusive no dia 7 de setembro, encontra eco também no público de apoiadores nas manifestações, como na Avenida Paulista. “Eles traziam cartazes com os seguintes dizeres, em inglês: ‘Bolsonaro enviado por Deus’, ‘Fim da corrupção e comunismo’ e ‘Deus, pátria e família’” (
          <xref alt="OLIVEIRA, 2021" rid="ref-b27" ref-type="bibr">OLIVEIRA, 2021</xref>).
        </p>
        <p>O discurso e a postura de Bolsonaro não despertam apenas apoio. Pelo contrário, desencadeiam inúmeras críticas de públicos diversificados que contestam o autoritarismo e a violência presentes na sua face pública – e podem ser apreendidos no material da 
          <italic>Folha</italic> aqui analisado. Além do posicionamento crítico do jornal na cobertura do discurso presidencial e dos atos de seus apoiadores, deputados, senadores e presidentes de partidos políticos foram ouvidos e criticaram o discurso de Bolsonaro, definido como golpista. O PSDB convocou reunião extraordinária para “discutir as gravíssimas falas do presidente e a posição da executiva nacional a respeito do impedimento do chefe do Executivo” (
          <xref alt="BRANT; MACHADO, 2021" rid="ref-b11" ref-type="bibr">BRANT; MACHADO, 2021</xref>). O discurso foi classificado também como antidemocrático e criminoso pelo deputado Fábio Trad, do PSD-MS (
          <xref alt="BRANT; MACHADO, 2021" rid="ref-b11" ref-type="bibr">BRANT; MACHADO, 2021</xref>).
        </p>
        <p>O líder da minoria na Câmara, Marcelo Freixo (PSB-RJ), também chamou a atenção para o autoritarismo e a agressividade do discurso do presidente: “Ele não só ataca as instituições democráticas como estimula a violência contra autoridades públicas, como o ministro Alexandre de Moraes, que cumprem um importante papel da defesa da legalidade diante das ameaças autoritárias do Planalto” (
          <xref alt="BRANT; MACHADO, 2021" rid="ref-b11" ref-type="bibr">BRANT; MACHADO, 2021</xref>). Freixo e outros deputados e senadores defendem que o impeachment de Bolsonaro se concretize e cobram a ação do presidente da Câmara, Arthur Lira. Para a deputada Perpétua Almeida (PC do B-AC), Lira “já tem os motivos necessários para o crime de responsabilidade. O impeachment é a única posição do momento.” (
          <xref alt="BRANT; MACHADO, 2021" rid="ref-b11" ref-type="bibr">BRANT; MACHADO, 2021</xref>). Sem citar o presidente, em vídeo no dia seguinte aos atos, Lira afirmou: “É hora de dar um basta a essa escalada, em um infinito looping negativo”. Disse, ainda, que “bravatas em redes sociais, vídeos e um eterno palanque deixaram de ser um elemento virtual e passaram a impactar o dia a dia do Brasil de verdade” (
          <xref alt="BRANT; BRAGON, 2021" rid="ref-b10" ref-type="bibr">BRANT; BRAGON, 2021</xref>). Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, também elevou o tom da crítica a Bolsonaro, afirmando que a solução para a crise não está “no autoritarismo, não está nos arroubos antidemocráticos, não está em questionar a democracia” (
          <xref alt="FUX ALERTA PARA CRIME DE RESPONSABILIDADE DE BOLSONARO, JÁ LIRA FALA EM ’BASTA’ SEM CITAR IMPEACHMENT, 2021" rid="ref-b19" ref-type="bibr">FUX ALERTA..., 2021</xref>).
        </p>
        <p>Em atos contra o presidente, no mesmo dia, lideranças políticas da esquerda condenaram as ameaças golpistas do presidente e pediram o seu impeachment. O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), destacou: “Temos um ato na Paulista de gente defendendo o fascismo e a tortura. Depois de três anos de destruição dos empregos, da vida e da esperança, o que essas pessoas estão fazendo na Paulista? Por que não estão aqui com a gente?” (
          <xref alt="FIORATTI; ROCHA; LUIZ, 2021" rid="ref-b17" ref-type="bibr">FIORATTI; ROCHA; LUIZ, 2021</xref>). O ex-candidato à presidência e à prefeitura Guilherme Boulos (PSOL) também acionou o fascismo para caracterizar o governante, condenando falas autoritárias e de apoio à ditadura e destacando a coragem necessária para “derrotar o genocida” (
          <xref alt="FIORATTI; ROCHA; LUIZ, 2021" rid="ref-b17" ref-type="bibr">FIORATTI; ROCHA; LUIZ, 2021</xref>).
        </p>
        <p>Para além do meio político, no campo econômico, públicos também se posicionaram em relação aos protestos e ao discurso de Bolsonaro, como os gestores do mercado financeiro, que expressam a preocupação central com os riscos dos investidores em um cenário político de instabilidade institucional. Consideram as manifestações pró-presidente dentro das expectativas, “com discurso que busca o conflito, mas sem a incitação a ações mais práticas”, preveem a continuidade da tensão política e de radicalização porque o presidente caminha para uma “situação de enfrentamento que não vai ter volta” (
          <xref alt="BOMBANA, 2021" rid="ref-b9" ref-type="bibr">BOMBANA, 2021</xref>) e veem a possibilidade de construção de uma terceira via política, de centro, para as eleições de 2022.
        </p>
        <p>O campo jurídico também repercutiu criticamente os discursos de Bolsonaro. O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, enfatizou a defesa da democracia ameaçada e afirmou que o presidente, “usando dinheiro público, transformou a data nacional em evento particular, a serviço de seus interesses golpistas” (
          <xref alt="BOMBANA, 2021" rid="ref-b9" ref-type="bibr">BOMBANA, 2021</xref>).
        </p>
        <p>Os ministros do STF se manifestaram através do presidente da corte, Luiz Fux, que destacou que o Supremo “jamais aceitará ameaças à sua independência nem intimidações ao exercício regular de suas funções.” No discurso proferido no plenário do STF em 8 de setembro, Fux convocou o “povo brasileiro” a não cair “na tentação das narrativas fáceis e messiânicas, que criam falsos inimigos da nação” e destacou que a corte não pode aceitar “práticas antidemocráticas, ilícitas e intoleráveis” (
          <xref alt="FUX ALERTA PARA CRIME DE RESPONSABILIDADE DE BOLSONARO, JÁ LIRA FALA EM ’BASTA’ SEM CITAR IMPEACHMENT, 2021" rid="ref-b19" ref-type="bibr">FUX ALERTA..., 2021</xref>).
        </p>
        <p>Observa-se, portanto, uma disputa de sentidos em torno da atuação e da imagem de Jair Bolsonaro, a partir desta análise da narrativa construída pela cobertura da 
          <italic>Folha de S.Paulo</italic> sobre o discurso do presidente e sua recepção junto a diferentes públicos. Por um lado, notam-se os públicos de apoiadores que se manifestam defendendo ou demandando ao presidente que ataque instituições como o Supremo Tribunal Federal e seus ministros, que os prenda ou que se implante uma intervenção militar no país. Ao mesmo tempo e contraditoriamente, dizem defender e se mobilizar pela democracia, a verdade, a liberdade e o fim da opressão perpetrada por instituições como o STF contra o povo. Eles reforçam que Bolsonaro é um herói que vai libertá-los do comunismo, o enviado de Deus, a “esperança” para concretizar pautas que evidenciam valores como autoritarismo, individualismo e supremacia de valores individuais sobre valores coletivos. O princípio individualista da ética e do sujeito neoliberais (
          <xref alt="DARDOT; LAVAL, 2016" rid="ref-b14" ref-type="bibr">DARDOT; LAVAL, 2016</xref>) é conjugado ao desejo de destruição da democracia, que é o alvo principal do fascismo (
          <xref alt="FINCHELSTEIN, 2020" rid="ref-b16" ref-type="bibr">FINCHELSTEIN, 2020</xref>).
        </p>
        <p>Por outro lado, tanto o posicionamento da 
          <italic>Folha de S.Paulo</italic> quanto o dos públicos críticos, que o jornal traz para compor a sua narrativa, projetam uma imagem de Jair Bolsonaro como um presidente golpista, que convoca atos antidemocráticos para forjar apoio popular em um contexto em que sua avaliação e atuação no governo sofrem reveses que ameaçam sua pretensão de se manter no poder após as eleições de 2022. Para esses públicos, ele é um presidente que se sustenta sobre a propagação de mentiras e é movido pelo autoritarismo e pela agressividade; que faz discurso antidemocrático e criminoso, transgride a ordem, a liberdade de expressão e a legalidade. Mesmo entre lideranças políticas de centro-direita até recentemente aliadas, ele é visto como um presidente com arroubos antidemocráticos e sem maturidade, que vive em eterno palanque eleitoral e fazendo bravatas em redes sociais. Entre públicos críticos da esquerda, porém, o discurso de Bolsonaro reforça as facetas que já lhe atribuíam: uma figura política que defende o fascismo e a tortura, um genocida, um presidente que há três anos destrói empregos, vida e esperança, que usa recursos públicos para transformar uma data nacional em evento particular com fins golpistas.
        </p>
      </sec>
      <sec id="considerações-finais">
        <title>Considerações finais</title>
        <p>O objetivo deste texto foi apreender os elementos configuradores da imagem pública de Jair Bolsonaro que emergem na interação entre os discursos proferidos por ele nos atos de 7 de setembro de 2021 e os diferentes públicos que se posicionaram, concordando ou criticando as falas do presidente. Buscamos apreender alguns valores agregados à face pública de Bolsonaro, evidenciando disputas simbólicas que apontam para o contexto brasileiro contemporâneo.</p>
        <p>Os resultados da análise dos discursos de Bolsonaro corroboram o apontado por Piovezani e Gentile (
          <xref alt="2020" rid="ref-b30" ref-type="bibr">2020</xref>) acerca da linguagem fascista, cujas características são facilmente encontradas nos pronunciamentos do presidente analisados. A propagação de mentiras ou informações propositalmente manipuladas permeiam as falas presidenciais e as de seus apoiadores que foram às ruas dar sustentação a Bolsonaro, em um contexto no qual o presidente enfrenta altos índices de rejeição e vários reveses no campo político, econômico e judicial. Neste aspecto, é notável o quanto Bolsonaro e seus apoiadores praticam uma completa inversão de fatos, como a de que é o autoritarismo bolsonarista, com sua idolatria à ditadura e ao militarismo, que está protegendo a democracia no Brasil, a independência entre os poderes, a liberdade e os direitos da coletividade no país – buscando encobrir a dimensão fascista por trás de tais valores.
        </p>
        <p>As expressões depreciativas para caracterizar aquele que é apontado como inimigo, o tom ameaçador que, aos gritos, incita o ódio e a violência também atravessam os discursos de Bolsonaro e a comunicação de seus apoiadores durante os atos públicos. Neste acontecimento específico, a linguagem agressiva e ameaçadora é direcionada sobretudo ao Supremo Tribunal Federal e seus ministros, em especial Alexandre de Moraes, por ser o responsável por investigações judiciais nas quais o nome do presidente está implicado. O apelo ao povo e a ligação com Deus também são explorados nos discursos analisados, revelando valores agregados à face pública desse líder político: a religiosidade, a liberdade e a verdade são reivindicadas por seguidores do presidente como sendo configuradoras de Bolsonaro.</p>
        <p>Na recepção pública da atuação de Bolsonaro apreendida na narrativa da 
          <italic>Folha de S.Paulo</italic>, foi possível perceber disputas simbólicas que marcam a imagem pública do presidente. Se, por um lado, ele evoca os valores da liberdade e da esperança para reforçar sua imagem autoritária e individualista, por outro, é visto como fascista, mentiroso, golpista, agressivo por diferentes públicos convocados a se posicionar, que o veem como uma figura pública que coloca em xeque os valores da democracia, da liberdade de expressão e da própria vida por sua postura frente à pandemia. Como bem destacou Finchelstein:
        </p>
        <disp-quote>
          <p>No Brasil, uma ideologia com propagandas golpistas, muito próxima do fascismo, tem se intercalado com o nacionalismo e o messianismo mais extremo a fim de ignorar a pandemia e o bem-estar da população. O pior de tudo é que, em vez de se antecipar à tormenta, o presidente brasileiro dedicou-se a promovê-la. Concretamente, os populismos de extrema-direita atacam os direitos dos cidadãos e põem ainda mais em risco a saúde da população em tempos de pandemia (
            <xref alt="FINCHELSTEIN, 2020, p. 13" rid="ref-b16" ref-type="bibr">FINCHELSTEIN, 2020, p. 13</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>A análise aqui desenvolvida confirmou, assim, vários elementos já apontados em pesquisas anteriores sobre a trajetória do presidente brasileiro. Alguns desses elementos, inclusive, já eram também de conhecimento de outras figuras políticas e mesmo da imprensa, como a 
          <italic>Folha de S.Paulo,</italic> embora durante a campanha eleitoral de 2018 tenham optado por não evidenciar vários dos traços desta figura política que hoje criticam. Ao olhar para os públicos, porém, foi possível perceber como essa imagem está explicitamente em disputa no contexto contemporâneo, apontando não apenas para apoio como também para críticas contundentes à atuação antidemocrática de Bolsonaro. Os valores da verdade e da democracia despontam como centrais nesse contexto para contestar 
          <italic>um neofascismo brasileiro</italic> (
          <xref alt="PIOVEZANI, 2020b" rid="ref-b29" ref-type="bibr">PIOVEZANI, 2020b</xref>).
        </p>
      </sec>
    </body>
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            <source>Bolsomito”: a imagem pública da celebridade política Jair Bolsonaro no Twitter</source>
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            <article-title>Análise da apuração jornalística da posse de Jair Bolsonaro</article-title>
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            <article-title>A cobertura jornalística da posse de Jair Bolsonaro nos portais G1 e UOL</article-title>
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            <comment>[s. l.]. Anais […]</comment>
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            <article-title>A imagem pública de Sérgio Moro: valores em disputa no contexto brasileiro</article-title>
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            <comment>Disponível em:
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            </comment>
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            <source>Bem antes da eleição: uma análise da campanha permanente promovida por Bolsonaro durante a 55a legislatura (2015-2018)</source>
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            <comment>Anais […]</comment>
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            <article-title>Populismo e mídia: o neopopulismo na américa latina</article-title>
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      <fn-group>
        <fn fn-type="other" id="fn1">
          <label>1</label>
          <p>Agradecemos ao CNPq e à FAPEMIG os auxílios a pesquisas das quais faz parte o presente artigo.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn4">
          <label>4</label>
          <p>Vale destacar que “os 
            <italic>elementos constitutivos</italic> do totalitarismo são a ideologia, o partido único, o ditador e o terror” (
            <xref alt="BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 1247" rid="ref-b5" ref-type="bibr">BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 1247</xref>). Nesse sentido, o totalitarismo é usado para nomear, sobretudo, os regimes de Stálin, na Rússia, e Hitler, na Alemanha. De qualquer forma, tanto estas como as outras formas de fascismo são marcadas por mentiras.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn5">
          <label>5</label>
          <p>Além de escrever o texto de abertura do livro, homônimo ao próprio livro, Piovezani escreve uma análise do presidente da República do Brasil. A análise de Mussolini é feita em outro capítulo do livro por Emilio Gentile.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn6">
          <label>6</label>
          <p>A atuação do governo Bolsonaro na pandemia nos primeiros seis meses da crise sanitária é abordada no 
            <italic>Diário da Quarentena: a pandemia de Covid-19 como acontecimento</italic> (
            <xref alt="FRANÇA, 2021" rid="ref-b18" ref-type="bibr">FRANÇA, 2021</xref>) (FRANÇA 
            <italic>et al</italic>., 2021).
          </p>
        </fn>
      </fn-group>
    </back>
  </article>
