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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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          <journal-title>Revista online de comunicação, linguagem e mídias</journal-title>
          <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rumores</abbrev-journal-title>
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        <issn pub-type="epub" publication-format="electronic">1982-677X</issn>
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          <publisher-name>Revista online de comunicação, linguagem e mídias da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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        <article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.1982-677X.rum.2022.196066</article-id>
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          <subj-group subj-group-type="heading">
            <subject>DOSSIÊ</subject>
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          <article-title>
            Enquadramentos de mulheres vaqueiras no Instagram: aspectos sobre enfrentamento e resistência de subcelebridades
          </article-title>
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            <trans-title xml:lang="en">
              Framings of cowgirls on Instagram: the coping aspects and resistance of sub-celebrities
            </trans-title>
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              <given-names>Ricardo</given-names>
            </name>
            <xref ref-type="aff" rid="aff1">
              <sup>2</sup>
            </xref>
            <xref ref-type="corresp" rid="c1" />
          </contrib>
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              <given-names>Lívia Moreira</given-names>
            </name>
            <xref ref-type="aff" rid="aff2">
              <sup>3</sup>
            </xref>
            <xref ref-type="corresp" rid="c2" />
          </contrib>
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          <institution content-type="original">Professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Viçosa/UFV</institution>
          <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Viçosa</institution>
          <institution content-type="orgdiv1">Departamento de Comunicação</institution>
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          <institution content-type="original">Professora do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Piauí/UFPI</institution>
          <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Piauí</institution>
          <institution content-type="orgdiv1">Departamento de Comunicação</institution>
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        <author-notes>
          <corresp id="c1">
            <label>E-mail:</label>
            <email>rduarte@ufv.br</email>
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            <label>E-mail:</label>
            <email>liviabarroso@ufpi.edu.br</email>
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        </author-notes>
        <pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
          <day>26</day>
          <month>07</month>
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          <season>Jan-Jun</season>
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        </pub-date>
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        <fpage>206</fpage>
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            <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença 
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        </permissions>
        <abstract>
          <title>RESUMO</title>
          <p>A vaquejada é uma manifestação cultural do sertão nordestino que sempre foi associada a elementos que enaltecem a masculinidade (virilidade, vigor e força), e o que era uma profissão – o ser vaqueiro – hoje também é tido como um esporte, uma brincadeira. Porém, as transformações sofridas pela antiga “pega do boi” permitiram aos poucos a presença das mulheres vaqueiras. Nesse sentido, analisamos os perfis no Instagram de duas vaqueiras que são consideradas celebridades no contexto da vaquejada, Dayane Pereira e Beterraba. Em um contexto contemporâneo em que os processos sociais se encontram midiatizados, procuramos compreender as diferentes inserções dos sujeitos no Instagram em suas situações, as alternâncias de quadros, os papéis estabelecidos e os conflitos evidenciados a partir das narrativas comunicativas produzidas. Neste sentido, observamos as narrativas da autoapresentação e da autorrevelação nos perfis selecionados.</p>
        </abstract>
        <trans-abstract>
          <title>ABSTRACT</title>
          <p>Vaquejada is a cultural manifestation from the northeastern hinterland that has always been associated with elements praising masculinity (virility, vigor and strength); what used to be a profession – being a cowboy – is now also seen as a sport, a game. But the transformations undergone by the old “pega do boi” gradually allowed the participation of women cowherds. As such, this paper analyzes the Instagram profiles of two cowgirls considered celebrities in the vaquejada, Dayane Pereira and Beterraba. In a contemporary context in which social processes are mediated, the article seeks to understand the different ways in which subjects participate on Instagram in their contexts, the alternation of frames, the established roles and the conflicts highlighted by the narratives produced. In this regard, focus is given to the self-presentation and self-revelation narratives observed in the selected profiles.</p>
        </trans-abstract>
        <kwd-group xml:lang="pt">
          <title>Palavras-chave:</title>
          <kwd>Autoapresentação</kwd>
          <kwd>autorrevelação</kwd>
          <kwd>mulheres vaqueiras</kwd>
          <kwd>resistência</kwd>
          <kwd>subcelebridade</kwd>
        </kwd-group>
        <kwd-group xml:lang="en">
          <title>Keywords:</title>
          <kwd>Self-presentation</kwd>
          <kwd>self-revelation</kwd>
          <kwd>cowherd women</kwd>
          <kwd>resistance</kwd>
          <kwd>sub-celebrity</kwd>
        </kwd-group>
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    </front>
    <body>
      <p>As manifestações socioculturais contemporâneas nos contextos rurais no Nordeste se constituem no lastro do regionalismo, ideia intensificada no século XX para sinalizar uma preocupação com as heranças das tradições nordestinas diante do poder da afetação das novidades culturais. Essas tradições já há algum tempo se veem em vertigem diante do atravessamento de práticas socioculturais, sobretudo juvenis, influenciadas pela presença das mídias em contextos rurais. A dança folclórica da quadrilha matuta, por exemplo, estilizou-se e hoje se apresenta para os holofotes de emissoras de tevê e para as luzes das câmeras dos celulares do público durante competições nos festejos juninos. As equipes produzem indumentárias extravagantes para o show, com coreografias impactantes, muito distante das origens rurais simples das quadrilhas caipiras.</p>
      <p>Bauman (
        <xref alt="2001" rid="ref-b2" ref-type="bibr">2001</xref>) vai ainda mais além. Segundo ele, as “velhas” tradições são solapadas pela velocidade do tempo, fazendo com que possamos enxergar um espaço vazio, em que as “velhas regras” desaparecem enquanto as novas ainda não foram inventadas. Os traços desses novos comportamentos surgem em meio à opacidade do regionalismo ou dos vestígios dele.
      </p>
      <p>Não seria diferente quando enfocamos o evento da vaquejada. As tradições desta manifestação estão centradas na história e no regionalismo de comunidades masculinas, de homens do sertão. Para Brandão (
        <xref alt="2008" rid="ref-b3" ref-type="bibr">2008</xref>), a prática da vaquejada surge em meio ao contexto do Brasil colonial, juntamente com a figura do vaqueiro, que emerge em meados do século XVII como o sujeito que cuidava dos rebanhos de gado das fazendas do sertão nordestino. Como não existiam cercas nas antigas fazendas, o gado fugia e os trabalhadores rurais tinham que adentrar as matas pontiagudas para resgatar os animais. Pelo espinhoso caminho, alguns deles eram derrubados pela cauda (
        <xref alt="CASCUDO, 1976" rid="ref-b5" ref-type="bibr">CASCUDO, 1976</xref>). Aos poucos, esse exaustivo trabalho se tornou uma brincadeira, uma espécie de disputa com apostas entre os fazendeiros e seus vaqueiros. As disputas se transformaram em torneios e a antiga “pega do boi” no pasto foi levada para dentro das fazendas.
      </p>
      <p>Formou-se, então, comunidades onde o valor da 
        <italic>habilidade com o boi</italic> era destacado entre os trabalhadores rurais, peões ordinários transformados em heróis e vencedores, os “vaqueiros de vaquejada”. As competições faziam circular dinheiro (
        <xref alt="SILVA; AZEVEDO, 2014" rid="ref-b19" ref-type="bibr">SILVA; AZEVEDO, 2014</xref>) e, para além da valorização monetária, os vaqueiros se tornavam famosos na região
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>
        </sup>. Tais figuras, enquanto centro das atenções, tinham o poder de afetação entre os locais, ressaltando atributos fundamentais da masculinidade: virilidade, vigor e força.
      </p>
      <p>Aos poucos, a emanação de valores masculinos por essa “velha” tradição do vaqueiro-celebridade local cedeu espaço para uma “pega do boi” feminina, com a presença de mulheres vaqueiras. Essa inserção da mulher em práticas historicamente masculinas levantou questões da feminilidade e instáveis contrastes: a leveza da vaidade feminina e a prática rústica da pega do boi; a gravidez da vaqueira denotando certa “fragilidade” diante do jogo bruto da vaquejada; a própria masculinização da mulher. Todos esses contrastes foram questionados pela presença e influência da mulher vaqueira no cenário contemporâneo da vaquejada.</p>
      <p>Autores acreditam que tais representações ainda limitaram a participação feminina no esporte (
        <xref alt="FERREIRA et al., 2010" rid="ref-b8" ref-type="bibr">FERREIRA et al., 2010</xref>; 
        <xref alt="HILLEBRAND; GROSSI; MORAES, 2008" rid="ref-b14" ref-type="bibr">HILLEBRAND; GROSSI; MORAES, 2008</xref>). A reconfiguração do “ser vaqueiro”, promovida pelas mulheres vaqueiras, mobiliza um dos pivôs que organizam os sentidos da festa da vaquejada: o homem vaqueiro. Tradicionalmente a festa conta com a arena e, no entorno, palco de show, tendas de comidas e bebidas típicas etc. Os homens vaqueiros são “astros” do esporte na arena, o centro das atenções. As mulheres vaqueiras, então, buscam ocupar também esse lugar central na festa – do lugar de coadjuvantes ao de protagonistas da festa
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>
        </sup>.
      </p>
      <p>O “ser vaqueira” ainda estaria condicionado a algumas dificuldades das mulheres de pertencer por completo a este cenário. Santos, Cavalcanti, C. Moura e D. Moura (
        <xref alt="2020, p. 108" rid="ref-b17" ref-type="bibr">2020, p. 108</xref>) falam sobre a “indefinição dos horários de início da competição feminina; falta de alojamento para as mulheres; premiação mais baixa que as masculinas; os organizadores dificultarem as tropas femininas e falta de tempo das vaqueiras para competir”. Como dizem os autores, apesar de as mulheres atraírem público para o evento, há a preocupação dos pais sobre possíveis assédios que poderiam sofrer.
      </p>
      <disp-quote>
        <p>Alguns homens apresentam atitudes machistas, soltando piadas, emprestam cavalos por interesses afetivos e culpabilizam a mulher por um possível baixo desempenho da dupla. A relação de respeito e admiração acontece com as mulheres casadas e/ou quando eles são familiares, amigos ou passam a fazer parte do ciclo de amizade delas. Esse fato gera um distanciamento por parte delas em relação às figuras masculinas que possuem algum tipo de resistência à classe feminina. (
          <xref alt="SANTOS et al., 2020, p. 108" rid="ref-b17" ref-type="bibr">SANTOS et al., 2020, p. 108</xref>)
        </p>
      </disp-quote>
      <p>Essa realidade enfrentada por mulheres vaqueiras ganha outra tonalidade quando observamos o enfrentamento de outras mulheres. Se a presença de mulheres vaqueiras ainda causa certa estranheza na “comunidade de homens do sertão”, imaginemos gays vaqueiros ou mulheres trans vaqueiras. Surgem, então, os temas da identidade cultural e de gênero (a feminilidade e a múltipla masculinidade) como eixos nesse processo de enfrentamento e resistência das mulheres vaqueiras no universo masculino da tradição.</p>
      <p>A presença das mulheres vaqueiras aponta para um sentido diferente do “ser vaqueiro”, tradicionalmente vinculado à ideia da masculinidade da arena entre homem e animal. As sutilezas feminina, gay e trans revelam outros olhares para o sentido do “ser vaqueiro”, exibindo a multiplicidade de identidades que atravessam os sujeitos envolvidos no esporte e no evento.</p>
      <p>Esses outros olhares para o sentido do “ser vaqueiro”, trazidos pela presença feminina, gay e trans, atravessam uma ideia de vaqueiro atrelada historicamente à masculinidade do “homem do sertão”, que seria importante para a constituição da identidade do homem da região Nordeste (macho, forte, viril). Tal ideia se acomodou em memórias coletivas e individuais, condicionou práticas e discursos, bem como aparelhou outras tradições. Contudo, a reconfiguração hoje do sentido do “ser vaqueiro” colabora para a entrada de outras formações identitárias que reinterpretam valores e sentidos.</p>
      <p>Diante disso, as celebridades e, no caso deste texto, as subcelebridades, seriam sujeitos de destaque nas mídias que contribuem para essas reconfigurações de sentido na medida do reconhecimento de seus seguidores, refletindo o quadro de valores de um certo público.</p>
      <p>O objetivo deste artigo é entender de que forma duas subcelebridades mulheres do mundo da vaquejada se autoapresentam e se autorrevelam em seus canais do Instagram, como maneiras de enfrentar e resistir a esse universo tradicionalmente masculino. O texto está dividido em duas partes, além das considerações finais. No referencial teórico, trazemos de forma breve os conceitos de enquadramento e celebridade a partir de uma visada pragmatista. Na sequência, falamos sobre autorrevelação e autoapresentação enquanto formatos da relação no enquadramento. Na segunda parte, abordamos a metodologia e as análises de duas subcelebridades.</p>
      <sec id="o-enquadramento-na-organização-do-formato-da-relação">
        <title>O enquadramento na organização do formato da relação</title>
        <p>Na teoria semiolinguística, o início de um percurso discursivo é dado pela ação de um indivíduo que tem uma intenção de influenciar o outro. O discurso seria formatado dentro de certas determinações típicas entre falantes e ouvintes por meio da linguagem. O contrato discursivo estaria fundamentado nos componentes (a) comunicacional, que aponta para a realidade das condições de interação; (b) psicossocial, quando há o reconhecimento dos papéis sociais envolvidos; e (c) intencional, que mostra o aprendizado de cada um na relação e a informação que se solicita para a partilha, ativando a intenção de cada um e a estratégia usada para lidar com o outro (
          <xref alt="CHARAUDEAU, 2009" rid="ref-b6" ref-type="bibr">CHARAUDEAU, 2009</xref>). Dentro desta perspectiva, portanto, estamos mais próximos de observar mais os conteúdos do discurso do que as formas de interação geradas pelo enquadramento.
        </p>
        <p>Quando observamos o enquadre de sentidos relativo a algum tema ou figura, os elementos simbólicos no texto e na imagem estariam relacionados com algo que envolveria a mobilização anterior de valores e ideias, produzida pelos sujeitos, na busca de constituir a realidade de algum tipo de interação. Igualmente, os indícios no conteúdo podem sinalizar um reconhecimento já estabelecido entre o interlocutor e o público. Assim, no enquadramento se observa a organização do formato de uma relação constituída entre figuras de referência e seus leitores/ouvintes. Observamos, então, os quadros de sentidos no desempenho dessas figuras em destaque nas mídias enquanto uma proposta de relação, que sinaliza significações já estabelecidas, negociadas, entre os sujeitos.</p>
        <disp-quote>
          <p>Dessa maneira evitamos falar de enquadramento para dizer coisas diferentes – e reservamos o termo para fazer referência a algo que não vem sendo evidenciado em outras análises: o formato ou a proposta de relação, que se supõe ou negocia com o conteúdo tratado nas interações, respondendo, ambos os níveis, pela significação final produzida na interação. (
            <xref alt="FRANÇA; SILVA; VAZ, 2014, p. 85" rid="ref-b10" ref-type="bibr">FRANÇA; SILVA; VAZ, 2014, p. 85</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Para entendermos melhor a noção de enquadramento, observamos o que diz Gregory Bateson (
          <xref alt="2002" rid="ref-b1" ref-type="bibr">2002</xref>) a partir de Ribeiro e Garcez (
          <xref alt="2002" rid="ref-b16" ref-type="bibr">2002</xref>). Bateson, no texto “Uma teoria sobre brincadeira e fantasia”, diz que nenhuma compreensão do discurso está livre de uma referência à metamensagem daquilo que se enquadra. Um quadro de sentidos captaria um grau de ambivalência que estaria em um conjunto de instruções impressas na mensagem produzida (
          <xref alt="RIBEIRO; GARCEZ, 2002" rid="ref-b16" ref-type="bibr">RIBEIRO; GARCEZ, 2002</xref>). Assim, um enquadre delimitaria o estilo conversacional, as atitudes de um com o outro, a situação da interação ou o conjunto de mensagens ou ações significativas. Para além do foco na mensagem em si (denotativo), o enquadre sinalizaria nela algo que aponta para o que está ao redor da mensagem (a 
          <italic>metamensagem</italic>). “Os participantes engajados em uma situação de interação face a face estão a todo momento atentos aos sinais que delimitam ou contextualizam os enquadres (”isto é uma brincadeira?” ou “isto é uma ameaça?”) de forma a fornecer uma resposta adequada à situação presente e melhor corroborar a construção da comunicação em curso” (
          <xref alt="RIBEIRO; GARCEZ, 2002, p. 86" rid="ref-b16" ref-type="bibr">RIBEIRO; GARCEZ, 2002, p. 86</xref>).
        </p>
        <disp-quote>
          <p>O uso do conceito de enquadramento vem crescendo nos estudos comunicacionais nos últimos anos e tem matriz goffmaniana na sua origem. Entretanto considera-se que aquele a introduzir o conceito no campo da comunicação foi o antropólogo Gregory Bateson. Figura chave na chamada Escola de Palo Alto, Bateson tratou pela primeira vez desse tema em seu artigo “Uma teoria entre brincadeira e fantasia”, publicado em 1955. Neste texto ele salienta a necessidade de pensar em três níveis básicos de interações comunicativas: o nível da comunicação (denotativo, referente ao conteúdo da comunicação); o nível metalinguístico (mensagens implícitas ou explícitas em que o conteúdo do discurso é a própria linguagem) e o nível da metacomunicação (mensagens implícitas ou explícitas nas quais o assunto do discurso é a relação que é estabelecida entre os interlocutores). (
            <xref alt="FRANÇA; SILVA; VAZ, 2014, p. 82" rid="ref-b10" ref-type="bibr">FRANÇA; SILVA; VAZ, 2014, p. 82</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Assim, ao observarmos as mulheres vaqueiras nas mídias, no nível da metacomunicação, vemos 
          <italic>o formato ou a proposta de relação</italic> de mulheres engajadas em uma situação de interação midiática, a todo momento mobilizando um quadro de sentidos que delimita ou representa traços de ações e tensões anteriores sofridas por elas; sinais do contexto de relação em que se encontram; respostas com base nas matrizes interpretativas dessas mulheres e adequadas àquela situação de conversa com seus seguidores. Os quadros funcionam diagnosticando, avaliando e prescrevendo o formato de uma relação. Na medida em que essas mulheres buscam se comunicar, permitem juízos de valor sobre si quando decidem o que dizer e, desta forma, junto aos seus seguidores, organizam um sistema de crenças envolvido na sua imagem. Os textos e as imagens de si que divulgam mostram traços desta relação, na presença ou na ausência de certas palavras, frases e imagens.
        </p>
        <p>O enquadramento é a mobilização desses quadros, capaz de organizar a experiência das pessoas. Ao ser identificado um significado como dominante ou preferido na interação, sugerem-se quadros baseados na experiência, que se movimentam de forma particular a uma dada situação. Assim, o enquadramento suporta textos e imagens, em narrativas da comunicação, mais congruentes com os esquemas comuns dos públicos. A inserção e a exclusão de elementos simbólicos nessas narrativas sinalizam para sujeitos que tentam entrar em acordo com o esquema mental comum na interação e encontrar a sintonia adequada à manutenção da relação.</p>
        <p>Se os enquadramentos se associam à experiência, estão, portanto, atrelados ao histórico social e à partilha dos sentidos persistentes ao longo do tempo, que colaboram com a estrutura significativa de um determinado mundo social. Portanto, além do aspecto cognitivo, os quadros funcionam no nível cultural.</p>
      </sec>
      <sec id="sobre-celebridades-e-subcelebridades">
        <title>Sobre celebridades e subcelebridades</title>
        <p>As duas personagens analisadas neste trabalho se inscrevem no que se chama de 
          <italic>subcelebridade</italic>, mais especialmente 
          <italic>macroinfluencer</italic> (
          <xref alt="CONDE, 2019" rid="ref-b7" ref-type="bibr">CONDE, 2019</xref>). Alguns autores propõem a divisão em 
          <italic>megainfluencers</italic> – sujeitos mais conhecidos do público, vistos como especialistas em seu campo de atuação – e 
          <italic>microinfluencers</italic> – sujeitos menos conhecidos que detêm relativa influência sobre um círculo mais estrito de público (
          <xref alt="HAENLEIN; LIBAI, 2017" rid="ref-b13" ref-type="bibr">HAENLEIN; LIBAI, 2017</xref>). Conde (
          <xref alt="2019" rid="ref-b7" ref-type="bibr">2019</xref>) fala de uma categoria intermediária, os 
          <italic>macroinfluencers</italic>. A divisão entre 
          <italic>mega e micro</italic> baseia-se no número de seguidores: 
          <italic>microinfluencers</italic> possuem entre 1 mil e 100 mil seguidores, enquanto 
          <italic>megainfluencers</italic> possuem audiências superiores a 1 milhão (
          <xref alt="CONDE, 2019" rid="ref-b7" ref-type="bibr">CONDE, 2019</xref>).
        </p>
        <p>Nos limites deste texto, não aprofundaremos o conceito de celebridade, já bem dimensionado por outras publicações de referência (
          <xref alt="FRANÇA, 2014" rid="ref-b9" ref-type="bibr">FRANÇA, 2014</xref>; 
          <xref alt="FRANÇA; SIMÕES, 2020" rid="ref-b11" ref-type="bibr">FRANÇA; SIMÕES, 2020</xref>), que servem como perspectiva para este artigo. Adotaremos para os objetos empíricos analisados o termo subcelebridade (equiparado a 
          <italic>microinfluencer</italic> em número de seguidores), que possui a mesma definição de celebridade, apenas sendo diferenciada por um menor grau de reverberação nas mídias: a subcelebridade, assim como a celebridade, seria o sujeito também conhecido por muitas pessoas, digna de admiração, de celebração, em razão da qualidade ou feito.
        </p>
        <disp-quote>
          <p>A palavra celebridade não é muito distinta das anteriores (fama, famosos, ídolos) e de alguma forma condensa o significado de todas elas. A raiz latina (
            <italic>celebratio</italic>, 
            <italic>celebritas</italic>) está ligada à ideia de grande número de gente, afluência, solenidade. Do ato ela se transfere para seu alvo ou motivo, e celebridade passa a nomear uma pessoa que, em razão de uma qualidade ou feito, se torna digna de celebração, reconhecimento, reverência. Usada como substantivo ou como adjetivo (falamos tanto da celebridade de alguém como que tal pessoa é uma celebridade), a ela tem sido reservado um sentido mais específico em nossos dias, para referir-se a fama instantânea (e geralmente passageira) adquirida por alguns personagens, e a um certo tipo de culto que ela desperta. (
            <xref alt="FRANÇA, 2014, p. 18" rid="ref-b9" ref-type="bibr">FRANÇA, 2014, p. 18</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>O formato ou a proposta de relação da subcelebridade envolvem um sentido de fama, de solenidade (principalmente quando aparece em público), de reconhecimento público por causa de alguma qualidade digna de celebração.</p>
        <p>Celebridades e as subcelebridades, então, envolvem ao redor de si um amplo conhecimento, reconhecimento e culto, além de se vincularem à dinâmica de veiculação e circulação da mídia. Há que se destacar também que tais figuras dependem de um contexto e de condições específicas para emergirem, refletindo o quadro de valores de uma sociedade (
          <xref alt="FRANÇA, 2014" rid="ref-b9" ref-type="bibr">FRANÇA, 2014</xref>) e, assim, despertando razões e paixões que, de alguma maneira, mobilizam a experiência de pessoas ao redor de um fenômeno midiático (
          <xref alt="LANA, 2020" rid="ref-b15" ref-type="bibr">LANA, 2020</xref>).
        </p>
        <p>Essas figuras, enquanto centros das atenções de um público, encarnam a ideia de “prosperidade na vida” por meio do controle das impressões de si e de pequenas revelações pessoais. França, Simões e Prado (
          <xref alt="2020" rid="ref-b12" ref-type="bibr">2020</xref>) explicam que tais figuras emergem da particularidade das épocas, a partir de processos sociais midiatizados em território sociocultural específico, de domínios políticos, de atividades centrais de uma sociedade. Para os olhos do mercado, mobilizam referências, sentidos e valores mercadológicos.
        </p>
        <disp-quote>
          <p>Na imagem da celebridade, valores de mercado parecem orientar todos os níveis da existência; as celebridades sabem usar seu capital humano, medida da possibilidade para obter sucesso através da boa gestão de si mesmo (autogoverno). Há, nas narrativas das celebridades, o imperativo de apresentar ao mundo uma identidade vencedora, em constante aprimoramento, e um perfil de liderança, ainda que a área original de atuação da celebridade dispense esses traços. (
            <xref alt="LANA, 2020, p. 13" rid="ref-b15" ref-type="bibr">LANA, 2020, p. 13</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Trata-se, portanto, da proposta de relação que se supõe ou se negocia nas interações (
          <xref alt="FRANÇA; SILVA; VAZ, 2014" rid="ref-b10" ref-type="bibr">FRANÇA; SILVA; VAZ, 2014</xref>), que contém as mensagens de si na medida da relação da celebridade com os outros e com os ganhos relativos à exposição, medidos pelo número de fãs e/ou seguidores e repercussões. Essa visibilidade produzida posiciona a figura em uma classe de celebridades na sociedade contemporânea na medida de sua popularidade pelas mídias, da mobilização das paixões dos fãs e do consumo da narrativa de si à venda.
        </p>
      </sec>
      <sec id="autorrevelação-e-autoapresentação-formatos-da-relação">
        <title>Autorrevelação e autoapresentação: formatos da relação</title>
        <p>A apresentação e a revelação de si podem se constituir em formatos da relação das celebridades e subcelebridades com seus públicos conforme as dimensões do sentido. A apresentação sinalizaria para a dimensão das expectativas conhecidas e das tentativas de controle das impressões, enquanto a revelação apontaria para a dimensão do “inesperado” e da intimidade. Desta forma, tenta-se compreender as alternâncias, em especial das subcelebridades, nas situações analisadas, bem como alternância de quadros e papéis estabelecidos.</p>
        <p>As diferenças entre a comunicação face a face e a online têm gerado debates. Um deles está na divulgação do “verdadeiro eu”: a representação de si ou a autoapresentação (
          <italic>self-presentation</italic>) e a autorrevelação (
          <italic>self-disclousure</italic>) (
          <xref alt="SCHLOSSER, 2020" rid="ref-b18" ref-type="bibr">SCHLOSSER, 2020</xref>). A observação sobre os sujeitos online se limita ao exposto na mídia, aquilo que pode ser publicado, mas se entende que as interpretações de si expostas tomam como referência a cultura digital que tanto permite revelar algo sincero de si ou/e apresentar impressões controladas (os sujeitos têm tempo para pensar antes de postar, revisar antes de apagar, para divulgar apenas um post mais positivo). Com menos restrições impostas no face a face, no online as pessoas manejam quadros de sentido que se baseiam na experiência social, visando um controle dos enquadres a partir dos formatos da relação online. Mas também os sujeitos podem revelar informações verdadeiras sobre si na promoção de uma autoimagem pública desejável (
          <xref alt="SCHLOSSER, 2020" rid="ref-b18" ref-type="bibr">SCHLOSSER, 2020</xref>).
        </p>
        <p>Conforme Schlosser (
          <xref alt="2020" rid="ref-b18" ref-type="bibr">2020</xref>), na literatura sobre mídias sociais, costuma-se valorizar a autorrevelação ou a autoapresentação de si. Isso acontece apesar das oportunidades que as redes sociais oferecem de aproximação com diferentes públicos. Assim, a exposição de si prevalece e parece desencorajar a prática de outras interações online.
        </p>
        <disp-quote>
          <p>Aqueles que publicam nas redes sociais tornaram-se performers que apresentam uma versão editada de si mesmos que eles acreditam que será mais bem recebida pelos outros, muitas vezes gerenciando suas reputações por meio do que publicam e gerenciando os posts de outros sobre eles. Na verdade, essas preocupações de autoapresentação sobre o que postar nas mídias sociais podem reduzir o prazer de experiências da vida real. (
            <xref alt="SCHLOSSER, 2020, p. 4" rid="ref-b18" ref-type="bibr">SCHLOSSER, 2020, p. 4</xref>, tradução nossa)
            <sup>
              <xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>
            </sup>
          </p>
        </disp-quote>
        <p>A redução do prazer de experiências da vida real, ao mesmo tempo em convívio com preocupações proeminentes em torno da autoapresentação e autorrevelação de si, nos remete à questão do explícito e do implícito enquanto proposta de relação das subcelebridades analisadas.</p>
      </sec>
      <sec id="aspectos-sobre-o-enfrentamento-e-a-resistência-das-mulheres-vaqueiras">
        <title>Aspectos sobre o enfrentamento e a resistência das mulheres vaqueiras</title>
        <p>Carneiro e Simões (
          <xref alt="2021" rid="ref-b4" ref-type="bibr">2021</xref>), na 
          <italic>Revista Rumores,</italic> analisaram o poder de produção de sentidos da cantora Preta Gil, que lhe configura como uma “
          <italic>celebridade-resistência</italic>”, tendo em vista sua trajetória marcada por três eixos identificados pelas autoras e associados à imagem da cantora: raça, peso e sexualidade. Citando Crenshaw, as autoras explicam que é fato que todas as mulheres estão, de algum modo, sujeitas ao peso da discriminação de gênero. E igualmente é verdade que fatores como classe, casta, raça, cor, etnia, religião, origem nacional e orientação sexual são “diferenças que fazem diferença” na maneira como grupos de mulheres vivenciam essa discriminação (
          <xref alt="CARNEIRO; SIMÕES, 2021, p. 46" rid="ref-b4" ref-type="bibr">CARNEIRO; SIMÕES, 2021, p. 46</xref>).
        </p>
        <p>Partimos, então, dessa perspectiva das autoras para perguntar se o formato da relação das mulheres vaqueiras também se configuraria como uma atitude de resistência, na medida do enfrentamento delas diante do universo masculinizado da vaquejada. Os aspectos do enfrentamento e da resistência serão observados pelos eixos principais de gênero e sexualidade, vistos sob o formato da autoapresentação e autorrevelação do “
          <italic>ser mulher vaqueira</italic>” e do “
          <italic>ser mulher trans vaqueira</italic>”.
        </p>
        <p>Nossa pergunta: de que maneira se autoapresentam e se autorrevelam duas mulheres vaqueiras no Instagram, a partir das perspectivas do enfrentamento e da resistência de ambas em face do universo tradicionalmente masculino da vaquejada? Pretendemos, então, observar o estilo conversacional dessas mulheres, as atitudes delas com seu público, a situação da interação que buscam estabelecer, os possíveis juízos sobre si a partir de alguns textos e imagens.</p>
      </sec>
      <sec id="resultados-e-discussões">
        <title>Resultados e discussões</title>
        <p>O primeiro caso é o da personagem Dayane Pereira (<xref alt="1" ref-type="fig" rid="f1">@dayanebpereira</xref>), uma vaqueira de 25 anos, cearense da cidade de Caucaia. Ela é casada com Roberto dos Santos e é mãe de Guilherme, de quatro meses de idade. Sua conta no Instagram, rede social que analisamos neste trabalho, tem atualmente 143
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>
          </sup> mil seguidores e 646 publicações no feed de fotos e vídeos, sendo a primeira postagem de 04 de junho de 2014.
        </p>
        <fig id="f1">
          <label>Figura 1</label>
          <caption>
            <title>     </title>
            <p>Perfil no Instagram da vaqueira Dayane Pereira</p>
          </caption>
          <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="1982-677X-rumores-16-31-09-200403-fig1.png"/>
          <attrib>Fonte: Instagram.
        </attrib>
        </fig>
        <p>Analisar o perfil do Instagram de Dayane Pereira é deparar-se com um processo de “evolução” na sua profissão de vaqueira ou, como ela mesma enfatiza logo na descrição do seu perfil, “atleta de vaquejada”. É como atleta/esportista que Dayane se apresenta, ou seja, aqui a associação da vaquejada enquanto um esporte, como destacamos no início do texto, tende a priorizar a prática da pega e derruba de boi enquanto um mercado
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref>
          </sup> que gira muito dinheiro nas diversas festas de vaqueiro que acontecem durante todo o ano no Nordeste brasileiro.
        </p>
        <p>Nas primeiras publicações de Dayane na rede social, ela ainda era uma jovem que iniciava a carreira na vaquejada, e sempre mesclava os posts com momentos da sua vida pessoal (a formatura no ensino médio, viagens à praia, fotos com membros da família e diversas selfies no espelho). Cabe destacar, entre as postagens iniciais, a da primeira vez que Dayane correu em uma vaquejada. A publicação de 14 de abril de 2015 traz uma foto dela na pista do parque de vaquejada derrubando o boi. Mas o grande destaque é a legenda que acompanha a imagem: “Quem me conhece sabe o amor que tenho por esse esporte. Essa foto é meu orgulho, minha satisfação de ter ganhado meu primeiro ‘0’ (emojis rindo) Fui na cara e na coragem…e continuarei (emojis de força e coração). #euapoioavaquejada #sonho #desistirnunca #primeiravez #porcinoparkcenter #canhoteira”.</p>
        <p>Nesta postagem, Dayane Pereira, mesmo com apenas 18 anos, já se apresenta como uma profissional da vaquejada que teve sua estreia no “esporte”, que, para ela, é também uma “paixão”. Aqui, mesmo que ainda no início no Instagram, já há um diálogo com seu público que, provavelmente, desde então já era seu ciclo pessoal ligado à vaquejada – muitos dos comentários são de pessoas relacionadas ao meio da vaquejada. No texto da legenda, também é destacável como ela se posiciona sobre a sua derrota por ter tirado o seu primeiro “0”, ou seja, ela derrubou o boi fora da faixa. Ainda assim, enfoca o quanto foi corajosa e que, mesmo diante do fracasso, jamais irá desistir do seu sonho de ser uma “atleta” campeã.</p>
        <p>Seguindo as postagens do perfil, percebemos que existe uma coerência entre elas, a grande maioria está relacionada ao universo da vaquejada e à “paixão” que Dayane tem por ele. Quase todos os vídeos e fotos são da vaqueira em ambientes rurais montando cavalos – animal que sempre destaca como sendo sua paixão, tanto que, na apresentação do seu perfil, ela se mostra como a mãe do bebê Guilherme e mãe do cavalo “Ruby Eternally Jr”, montado por ela nas vaquejadas que compete.</p>
        <p>Outro ponto destacável do perfil de Dayane Pereira é que, em vários posts
          <italic>,</italic> ela aponta a prática da vaquejada como sendo importante para várias mudanças em sua vida – tanto no campo financeiro como no pessoal. Na legenda da foto (na imagem, ela aparece montando o cavalo “Pequeno Príncipe” numa praia) publicada em 29 de junho de 2015, ela deixa bem claro isso: “Minha vida mudou tanto de uns tempos para cá”. O que percebemos é que, a partir desse post, aparecem diversas postagens de Dayane – às vezes só, outras com colegas vaqueiros e vaqueiras – com troféus de premiações de competições de vaquejadas. Aparentemente, é a partir de 2016 que a vaqueira ganha fama nos circuitos de vaquejada, uma vez que suas postagens são localizadas em vários municípios de diversos estados do Nordeste, todas em disputas de campeonatos.
        </p>
        <p>Também em 2016, a publicação de 18 de janeiro nos chamou a atenção. Dayane Pereira aparece rodeada de diversas outras mulheres com uma faixa da Abrava (Associação Brasileira de Vaqueiras). A criação da associação defende a prática da vaquejada por mulheres independentemente das profissões que desempenham em seus cotidianos, ou seja, nem todas as mulheres membras da Abrava são vaqueiras profissionais, muitas são apenas amadoras. Mas também é pauta da Abrava a defesa da presença das mulheres nas competições de vaquejadas, uma vez que, por ser por muito tempo um espaço majoritariamente masculino, nas vaquejadas não tinham, e em muitas permanecem não tendo, categorias específicas para mulheres, ou mesmo não existia a participação delas em nenhum momento das competições, cenário que vem mudando nos últimos anos e que é luta da Abrava. Ou seja, a defesa das mulheres no espaço da vaquejada é uma “conversa” que Dayane tenta manter com seu público. Em várias postagens é possível verificar hashtags que apontam para isso, tais como: 
          <italic>#vaqueiras</italic>, 
          <italic>#mulherdeforça</italic>, 
          <italic>#mulherguerreira</italic>, 
          <italic>#braba</italic> etc. E, além das hashtags
          <italic>,</italic> as legendas das fotos apontam para o modo como Dayane tenta destacar a força feminina, como exemplo, o post de 27 de março de 2018: “Ela é dona de si, das suas escolhas e vontades”.
        </p>
        <p>Através dessas postagens mencionadas, podemos verificar que a vaqueira tem uma preocupação em se posicionar em defesa da ocupação do espaço da vaquejada, ou seja, em defender que lugar de mulher também é praticando a pega e derruba de boi.</p>
        <p>Outra temática recorrente do Instagram da vaqueira é a religiosa. Dayane Pereira demonstra ser muito católica e, constantemente, faz postagens em que aparecem imagens, sobretudo, de Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora Aparecida
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref>
          </sup>. Tais postagens são sempre dela montada num cavalo e com a imagem das santas, com legendas de cunho religioso (“N.S.A – Meu momento de oração. Nossa 18:00 horas, onde paramos para agradecer e pedir toda a proteção. Onde todos os vaqueiros e vaqueiras, curraleiros, calzeiros, juízes, locutores, organizadores, torcedores e visitantes param e se concentram em Deus. A melhor hora de todas” (21 de agosto de 2021)).
        </p>
        <p>Além das fotos com as imagens das santas, também em quase todos os posts, principalmente nos quais Dayane está competindo ou recebendo alguma premiação, há sempre uma referência de agradecimento a Deus, em alguns casos citando versículos da Bíblia. “Apenas agradecer…Graças a Deus senha batida
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref>
          </sup>! Que Deus abençoe nas outras que faltam correr” (Serra Talhada/PE, 23 de março de 2018); “Obrigada Deus por nos abençoar mais uma vez […]” (Calçado/PE, 29 de abril 2018); “Depois que a gratidão vira um hábito, é difícil parar de olhar para o céu e dizer ‘obrigada, meu Deus’” (Garanhuns/PE, 14 de maio de 2021).
        </p>
        <p>A família tradicional também é um valor presente nas postagens de Dayane Pereira. Nas publicações mais antigas, aparecem, com uma certa frequência, fotos dela com os pais e amigos, sempre em ambientes que remetem ao rural – fazendas, haras, baias e parques de vaquejada – ou, aparentemente, na casa da sua família em comemorações, por exemplo, seu aniversário. Já nas postagens mais recentes, o destaque é para as fotos de Dayane com o filho e o marido, assim como da sua gravidez e do parto do bebê – a grande maioria das imagens são fotos produzidas com a temática do rural (fazenda, cavalo, botina, luva de vaqueiro). Além disso, a ideia de família apresentada por Dayane em seu Instagram é uma família ligada à religião, ou seja, como um “presente” e “vontade” de Deus (“Com toda força do meu coração eu te agradeço: obrigada Deus por tudo e por tanto” (04 de julho de 2021); “Os filhos são heranças do Senhor, uma recompensa que Ele nos dá” Salmos 127:3 (09 de maio de 2021)).</p>
        <p>Um fato interessante a destacar é que, mesmo durante o período da gravidez – tempo que ela ficou sem competir –, Dayane nunca deixou de fazer postagens sobre o universo da vaquejada. A manutenção do diálogo com o seu “grupo” de seguidores sempre foi presente por meio de seu Instagram, como fotos e vídeos no haras da sua família ou através de postagens de “TBT’s”
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>
          </sup>.
        </p>
        <p>Após o nascimento do filho Guilherme, em 04 de novembro de 2021, as postagens trazem, mais uma vez, a temática da família com diversas fotos de apresentação do bebê para seus seguidores. Logo em seguida, a partir de 18 de dezembro de 2021, os posts voltam, quase que 100%, para os assuntos relacionados à vaquejada, pois é o retorno de Dayane às competições. A postagem de retorno da vaqueira às competições é um carrossel
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>
          </sup> com 4 fotos e 3 vídeos. Mas o que chama a atenção no post é a legenda:
        </p>
        <disp-quote>
          <p>Depois de 11 meses sem correr boi, vim me preparando para voltar nesse final de semana nessa grande corrida do @fazendaeharasthassofelipe. Não consegui bater as 2 senhas pois Ruby caiu comigo, mas agradeço a Deus pelo livramento (emojis de agradecimento e coração). Só em conseguir bater uma senha e correr bem pra mim já é uma grande vitória, pois só eu sei o quanto escutei durante a minha gestação que não seria capaz de voltar a correr como antes, que eu não ia aguentar o cavalo e etc…</p>
        </disp-quote>
        <p>Quando olhamos esta legenda, percebemos um discurso machista que tenta limitar a capacidade de competir de Dayane a partir do momento que ela engravidou, ou seja, aparentemente, uma mulher vaqueira que opta por ter um filho teria que deixar a vaquejada. Nesse caso, a feminilidade e a maternidade são postas em questão quando se trata da ocupação por mulheres de espaços tidos como masculinos.</p>
        <p>Dayane Pereira também evoca uma imagem clássica do contexto da vaquejada. A forma como ela se veste – calça jeans, botina, camiseta com logomarca e nome do haras/fazenda/parque de que ela faz parte e boné com imagens que remetem ao universo da vaquejada – é condizente com a moda das festas de vaqueiro. Ela não apenas usa os elementos que compõem este universo, como tem uma loja on-line, a “Dayane Pereira Horse”, que vende roupas e acessórios próprios da moda da vaquejada, como diversos produtos para quem pratica vaquejada (selas, arreios para cavalos, esporas etc.).</p>
        <p>O outro perfil de Instagram que analisamos é o da vaqueira Beterraba. Beterraba (<xref alt="2" ref-type="fig" rid="f2">@beterrabaooficial</xref>) é uma vaqueira, mulher trans, de 28 anos, da cidade de Penedo no estado de Alagoas. Atualmente, sua conta no Instagram tem 266
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref>
          </sup> mil seguidores e conta com 555 publicações de fotos e vídeos, sendo de 18 de junho de 2018 a sua primeira postagem, ou seja, sua participação na rede social é recente.
        </p>
        <p>As primeiras publicações de Beterraba no Instagram não estão relacionadas ao universo da vaquejada, com exceção do primeiro post em que ela aparece montando o cavalo “Pivete” e com trajes que remetem à vaquejada. As postagens seguintes são mais de cenas cotidianas com a família e amigos em eventos sociais (festas, aniversários, shows). Inclusive, cabe destacar que o valor da família é algo constante no perfil da vaqueira. Fotos da sua mãe e irmã são sempre postadas com legendas que demonstram como a família é importante para Beterraba – “As mulheres mais lindas do mundo, te amo mãe (emoji de coração) e maninha (emoji de coração)” (postagem de 08 de agosto de 2018); “Meu tudo (emoji de coração) Mãe (emoji de coração) Parabéns” (postagem de 15 de agosto de 2018).</p>
        <p>Além das fotos da família e amigos, também são muito recorrentes, nas primeiras publicações, fotos e vídeos de Beterraba como personal trainer, profissão que ela exercia antes de ser vaqueira profissional. Nesses posts, também são mostrados momentos em que Beterraba aparece desenvolvendo atividades com grupos de crianças e idosos através de seu trabalho no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) do seu município, o que nos fez entender que ela desenvolveu, ou talvez ainda desenvolva (isso não fica claro nas postagens recentes), um trabalho social por meio de incentivo à prática de atividade física.</p>
        <fig id="f2">
          <label>Figura 2</label>
          <caption>
            <title>     </title>
            <p>Perfil no Instagram da vaqueira Beterraba</p>
          </caption>
          <graphic mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="1982-677X-rumores-16-31-09-200403-fig2.png"/>
          <attrib>Fonte: Instagram.
          </attrib>
        </fig>
        <p>Um fato curioso sobre Beterraba é que, a partir de dezembro de 2019, muitas de suas postagens passaram a ser associadas ao humorista, também alagoano, Carlinhos Maia. É a partir de então que a vaqueira aparece com constância na cena pública do Nordeste, em jogo de futebol organizado por Carlinhos Maia e Ronaldinho Gaúcho (16 de dezembro de 2019), dançando no palco da banda de forró Calcinha Preta (12 de janeiro de 2020), em fotos com o próprio Carlinhos Maia em um parque de vaquejada e com cavalos (13 de janeiro de 2020).</p>
        <p>É a partir de 2020 que as publicações de Beterraba passaram a ser mais sobre a vaquejada. No 
          <italic>feed</italic> da vaqueira, há uma série de fotos e vídeos dela montando ou somente pousando com cavalos, animal que, segunda ela, é sua paixão. Quando observamos essas postagens, sempre estão acompanhadas de legendas com frases motivacionais ou que destacam o sentimento que Beterraba tem por seu cavalo Divino, que faleceu no ano de 2021 e foi homenageado diversas vezes pela vaqueira em seu perfil no Instagram. Também é a partir daí que há uma série de publicações dela correndo boi em várias vaquejadas.
        </p>
        <p>Seguindo as postagens do perfil da vaqueira, percebemos que outra temática recorrente é a religiosa, seja nas fotos em que aparecem imagens de santos católicos ou mesmo em várias legendas. Por exemplo: “Quando vc depositar sua fé no senhor ele coloca vc onde ninguém nem vc consegue imaginar. Aqui estou eu além dos meus sonhos. Gratidão” (17 de janeiro de 2021). “Tudo posso naquele que me fortalece” (21 de julho de 2021).</p>
        <p>No perfil de Instagram da vaqueira Beterraba, percebemos que há uma tentativa de estabelecer um diálogo com o público próprio da vaquejada – a forma como ela se veste, o uso de jargões próprios, os cenários (fazendas, pistas de corrida, a paisagem rural de modo geral), os artistas e músicas que ela posta etc. Ou seja, quase a totalidade das postagens têm relação com o universo da vaquejada, e há uma correlação entre um post e o seguinte. Raras vezes aparece alguma foto ou vídeo que não sejam relacionados à profissão de vaqueira de Beterraba e, nas poucas postagens que fogem a temática da vaquejada, são fotos ou vídeos dela em poses sensuais, mas com elementos, como a bota, por exemplo, que ainda assim se aproximam do seu universo de vaqueira.</p>
        <p>Outro ponto que consideramos importante a ser mencionado é que, aparentemente, ela sendo mulher, e mulher trans, é bem aceita e respeitada no ambiente em que trabalha e participa de competições, onde sempre aparece rodeadas de amigos. Ao contrário da vaqueira Dayane Pereira, em nenhum momento nos posts do 
          <italic>feed</italic> do Instagram de Beterraba existe referência a algum tipo de preconceito ou violência de gênero sofrida por ela. Porém, percebemos que a vaqueira já comentou nos 
          <italic>stories</italic>
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref>
          </sup> que tinha sido xingada por alguns rapazes que estavam na arquibancada de uma vaquejada da qual ela participava. Ou seja, supomos que não abordar as questões de preconceitos nas fotos, vídeos e textos que são fixos no seu Instagram pode ser uma opção por não expor e debater questões tidas como polêmicas.
        </p>

    </sec>
          <sec id="conclusions">
            <title>Considerações finais</title>
       
        <p>Quando olhamos para o perfil de Dayane Pereira, percebemos que ela sempre faz postagens com as mesmas temáticas: o universo da vaquejada e do rural e a família, especialmente posts sobre o filho e o marido. Nesse sentido, os valores evocados por Dayane são sempre os da profissão, da família tradicional e da religião. Já os valores expostos por Beterraba se inclinam para uma ideia de família composta por ela, uma mulher trans, sua irmã e a mãe solo. Ou seja, a composição da família dela difere da vista no perfil da Dayane e da sociedade paternalista, tida como a “ideal”. Outro valor que percebemos muito presente na autorrevelação de Beterraba é o valor de comunidade. Ela quase sempre está desenvolvendo atividades com as pessoas da sua cidade, seja em eventos sociais ou trabalhos como educadora física com idosos e crianças.</p>
        <p>Ambas tentam comunicar tais valores e abrem espaço para comentários do público sobre seus sistemas de crenças. Esse seria o “capital negociado” da própria existência e da resistência das subcelebridades Dayane e Beterraba em face do universo da vaquejada.</p>
        <p>A autorrevelação de aspectos de si (valores de cada uma) e o controle das impressões de si (escolha das postagens) nos parecem, nesses dois casos, sinalizar um ponto de tensão dos sujeitos entre sentidos que permitem a manutenção da relação na mídia. A resistência da Dayane, enquanto mulher vaqueira, está mais inclinada à manutenção, nesta relação, de valores como a família, o rural, maternidade e religião – círculos das experiências comuns às mulheres dos contextos rurais (gênero). Já a resistência para Beterraba, enquanto mulher trans vaqueira, inclina-se para aspectos de sua sexualidade (poses e closes sensuais) envolvidos na composição moderna de família (mãe solo, irmã, comunidade).</p>
        <p>Pode-se ainda aprofundar no estudo dessas duas subcelebridades, porém a presença nas mídias e influência de ambas nesse universo vaqueiro masculino já se associam à dimensão do enfrentamento e da resistência. Isso porque, apesar das diferenças, a ocupação dessas mulheres em um espaço majoritariamente masculino, a Vaquejada, aponta para a resistência delas. A autoapresentação de mulheres batalhadoras, resistentes e destemidas seria algo visível e em comum. Ambas mostram o trabalho com o gado, com o animal que participa da prática esportiva e com o ambiente rural, aspectos que aparecem com naturalidade em seus perfis do Instagram.</p>
        <p>Em conversas espontâneas, informais, com jovens vaqueiros de contextos rurais do interior do Piauí, observamos que Dayane e Beterraba possuem respeito por conta do domínio do esporte da “pega do boi” e, vale mencionar, da fama delas em um circuito próprio do Nordeste, que durante anos era exclusivo para homens. As mulheres vaqueiras revelam aspectos do gênero e da sexualidade para o público se apresentando como mulheres que superam os desafios e as imposições do mundo da vaquejada. Assim se tornam campeãs, conquistam prêmios e respeito dentro do meio.</p>
      
      </sec>
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            <comment>Dissertação (Mestrado em Marketing)</comment>
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            <article-title>Celebridades, acontecimentos e valores na sociedade contemporânea</article-title>
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            <chapter-title>Prefácio</chapter-title>
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            <article-title>Valeu o boi! Uma análise de gênero sobre a prática de mulheres na vaquejada</article-title>
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            <article-title>Self-disclosure versus self-presentation on social media</article-title>
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            <article-title>Consumo versus cultura: a vaquejada utilizada como instrumento para a reprodução do capital em Macaíba-RN</article-title>
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        <fn fn-type="other" id="fn3">
          <label>3</label>
          <p>Outra transformação ocorreu com a Lei nº 10.220/2001, que permitiu o “vaqueiro de vaquejada” se tornar “atleta profissional”. Essa lei se soma à Lei Nº 13.364/2016, que considerou a vaquejada uma manifestação cultural nacional e de patrimônio cultural imaterial.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn4">
          <label>4</label>
          <p>Em 2012, foi criada a Associação Brasileira de Vaqueiras (Abrava), que, só na sigla, já reforça o valor da 
            <italic>coragem</italic> das mulheres vaqueiras (a brava), lutando pela organização das equipes femininas e sua participação nas competições.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn5">
          <label>5</label>
          <p>No original: “Those posting on social media have become performers who present an edited version of themselves that they believe will be best received by others, often managing their reputations through what they post and managing what others post about them. In fact, such self-presentation concerns of what to post on social media can reduce enjoyment of real-life experiences.”</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn6">
          <label>6</label>
          <p>Número de seguidores de Dayane Pereira em 16 de maio de 2022.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn7">
          <label>7</label>
          <p>De acordo com dados da Associação Brasileira de Vaquejadas (ABVAQ), no Nordeste brasileiro, no ano de 2016, existiam ao menos 3 milhões de adeptos da prática esportiva, sendo realizadas mais de 4 mil provas no ano, girando em torno de 600 milhões de reais.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn8">
          <label>8</label>
          <p>Nossa Senhora Aparecida é considerada a padroeira dos vaqueiros e vaqueiras. Nas vaquejadas, é comum às 18h parar a competição e o locutor do evento fazer uma oração.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn9">
          <label>9</label>
          <p>A expressão “senha batida” é utilizada para indicar que a vaqueira derrubou o boi na faixa e que marcou a pontuação que pode levá-la às etapas finais da competição.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn10">
          <label>10</label>
          <p>É uma sigla do termo em inglês 
            <italic>Throwback Thursday</italic> e ficou popular nas redes como a hashtag 
            <italic>#tbt</italic>. Em português, “tbt” pode ser traduzido como “quinta-feira do retorno” ou “quinta-feira do regresso”. É utilizada em postagens de fotos, vídeos ou textos para lembrar de alguma situação vivida, ou seja, para fazer referência a algum acontecimento passado.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn11">
          <label>11</label>
          <p>O post carrossel no Instagram é uma publicação interativa de um álbum de até 10 fotos e/ou vídeos.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn12">
          <label>12</label>
          <p>Informação colhida em 16 de maio de 2022.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn13">
          <label>13</label>
          <p>São postagens que desaparecem do Instagram em 24 horas e não aparecem no 
            <italic>feed.</italic>
          </p>
        </fn>
      </fn-group>
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