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          <journal-title>Revista online de comunicação, linguagem e mídias</journal-title>
          <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rumores</abbrev-journal-title>
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        <issn pub-type="epub" publication-format="electronic">1982-677X</issn>
        <publisher>
          <publisher-name>Revista online de comunicação, linguagem e mídias da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo</publisher-name>
        </publisher>
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        <article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.1982-677X.rum.2022.201420</article-id>
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          <subj-group subj-group-type="heading">
            <subject>DOSSIÊ</subject>
          </subj-group>
        </article-categories>
        <title-group>
          <article-title>
            <bold>Combate bolsonarista no <italic>front</italic> cultural:</bold> estratégia política de deslegitimação de fatos representados em <italic>Democracia em vertigem</italic>
          </article-title>
          <trans-title-group>
            <trans-title xml:lang="en">
              <bold>Bolsonaro supporter’s dispute at the cultural front:</bold> political strategy of delegitimating facts presented in <italic>The Edge of Democracy</italic>
            </trans-title>
          </trans-title-group>
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              <surname>Tavares</surname>
              <given-names>Juliano Vasconcelos Magalhães</given-names>
            </name>
            <xref ref-type="aff" rid="aff1">
              <sup>1</sup>
            </xref>
            <xref ref-type="corresp" rid="c1" />
          </contrib>
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              <surname>Pires</surname>
              <given-names>Teresinha Maria de Carvalho Cruz</given-names>
            </name>
            <xref ref-type="aff" rid="aff2">
              <sup>2</sup>
            </xref>
            <xref ref-type="corresp" rid="c2" />
          </contrib>
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          <institution content-type="original">
            Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da PUC Minas. Especialista em Produção em Mídia Eletrônica pela UNI-BH e graduado em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp)
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          <institution content-type="orgname">Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais</institution>
          <institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens</institution>
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          <institution content-type="original">
            Professora no Curso de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduada em Jornalismo e Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
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          <institution content-type="orgname">Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais</institution>
          <institution content-type="orgdiv1">Comunicação Social</institution>
          <country country="BR">Brasil</country>
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        <author-notes>
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            <label>E-mail:</label>
            <email>padrao@usp.com</email>
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            <label>E-mail:</label>
            <email>padrao@usp.com</email>
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        <pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
          <day>02</day>
          <month>12</month>
          <year>2022</year>
        </pub-date>
        <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
          <season>Jul-Dez</season>
          <year>2022</year>
        </pub-date>
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        <fpage>197</fpage>
        <lpage>220</lpage>
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          <license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="pt">
            <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença 
              <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/">Creative Commons</ext-link>
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          </license>
        </permissions>
        <abstract>
          <title>RESUMO</title>
          <p>Este artigo analisa (e refuta) argumentos do influenciador bolsonarista de direita Caio Coppolla emitidos no vídeo “Caio convoca toda direita para assistir 
            <italic>Democracia em vertigem</italic> e cita mentiras do documentário”, um extrato do programa 
            <italic>Morning Show</italic>, da Jovem Pan. Postado no YouTube em 27 de junho de 2019, por ocasião do lançamento do filme pela Netflix, o vídeo conta com 1.038.900 visualizações (dado de 12 de maio de 2022). A análise foi realizada com base nos cinco padrões de manipulação da grande imprensa formulados por Perseu Abramo e retomados criticamente por Christofoletti ao refletir sobre fake news. Assim, verificou-se em ação o combate à “hegemonia cultural esquerdista”, no caso, ao filme e à cineasta em questão, no próprio terreno da cultura midiática – na televisão e no YouTube –, e também a Lula, num contexto de forte mobilização contra sua soltura da prisão.</p>
        </abstract>
        <trans-abstract>
          <title>ABSTRACT</title>
          <p>This article analyzes (and refutes) arguments of the right-wing influencer and bolsonarist, Caio Coppolla, issued in the video “Caio convoca toda direita para assistir ‘
            <italic>Democracia em vertigem</italic>’ e cita mentiras do documentário” (Caio calls in the right wing to watch 
            <italic>The Edge of Democracy</italic> and cites lies from the documentary), an extract from the program 
            <italic>Morning Show</italic>, from Jovem Pan radio. Posted on YouTube on June 27, 2019, when Netflix released the film, the video has 1,038,900 views (data from December 5, 2022). The analysis was based on the five patterns of manipulation of the great press formulated by Abramo and critically resumed by Christofoletti when reflecting on fake news. Thus, the fight against “leftist cultural hegemony” was found in action, in this case, against this film and this filmmaker, in the very terrain of media culture – on television and YouTube –, and also against Lula, in a context of strong mobilization against his release from prison.</p>
        </trans-abstract>
        <kwd-group xml:lang="pt">
          <title>Palavras-chave:</title>
          <kwd><italic>Democracia em vertigem</italic></kwd>
          <kwd>bolsonarismo digital</kwd>
          <kwd>antilulismo</kwd>
        </kwd-group>
        <kwd-group xml:lang="en">
          <title>Keywords:</title>
          <kwd>The Edge of Democracy</kwd>
          <kwd>digital bolsonarism</kwd>
          <kwd>antilulism</kwd>
        </kwd-group>
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    </front>
    <body>
      <p>Entre os filmes
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>
        </sup> que tratam da forte polarização política que assolou o país, sem dúvida 
        <italic>Democracia em vertigem</italic> (
        <xref alt="2019" rid="ref-b14" ref-type="bibr">2019</xref>), da cineasta Petra Costa, é o que teve maior repercussão. Um exemplo disso é o trailer do filme no YouTube
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>
        </sup>: 2.502.575 visualizações, 270 mil 
        <italic>likes</italic>, 320 mil 
        <italic>dislikes</italic> e 42.038 comentários (dados de 22.08.2021). O documentário teve seu lançamento mundial no Festival de Sundance (EUA), em janeiro de 2019. Posteriormente, a Netflix fez seu lançamento no dia 19 de junho daquele ano. Foi a partir dessa data que a produção chegou ao grande público e, no Brasil, acabou por “reacender rancores que se arrastam desde 2014” (
        <xref alt="BETIM, 2020" rid="ref-b5" ref-type="bibr">BETIM, 2020</xref>). Assim, após pesquisas realizadas na plataforma YouTube, por meio das palavras-chave “democracia em vertigem” e “Petra Costa”, observou-se que os posts (vídeos) sobre o filme foram publicados principalmente em dois momentos: logo após esse lançamento feito pela Netflix e quando o documentário foi selecionado para concorrer ao Oscar 2020.
      </p>
      <p>A partir dessa constatação, optou-se por pesquisar o período pós-lançamento, de 20 a 28 de junho de 2019, no qual uma grande quantidade de posts diária foi publicada. No dia 29, observou-se uma queda na quantidade de publicações naquele ano. A única exceção ocorreu no dia 2 de julho, no qual foram publicados cinco vídeos. Posto isso, no período delimitado, foram encontrados 72 posts pertencentes a 67 canais
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>
        </sup> que, de alguma forma, reverberaram o assunto no YouTube. Desses, os três vídeos que obtiveram maior número de visualizações tinham em comum o fato de serem protagonizados por influenciadores digitais de direita e então bolsonaristas: Caio Coppolla, Nando Moura
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>
        </sup> e Arthur do Val
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref>
        </sup>. Entre eles, selecionamos, para este artigo, o vídeo que obteve maior destaque. Trata-se do programa 
        <italic>Morning Show</italic>, exibido pela Jovem Pan
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref>
        </sup>, replicado parcialmente no YouTube
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref>
        </sup>, no dia 27 de junho de 2019, portanto, oito dias depois do lançamento de 
        <italic>Democracia em Vertigem</italic> pela Netflix. Nesse post (vídeo), intitulado “Caio convoca toda direita para assistir ‘Democracia em Vertigem’
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>
        </sup> e cita mentiras do documentário”, a participação do influenciador ocorre especialmente em duas partes do programa, tendo sido analisados os comentários feitos na primeira delas, momento em que Caio trata dos fatos retratados no filme, o que chama de “
        <italic>Top Five</italic> das mentiras factuais” (
        <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>) (
        <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>). Ele considera o filme como uma peça de propaganda e, por meio de sua habilidade retórica, expõe os principais pontos de combate à “hegemonia cultural esquerdista”, bem caracterizada por Rocha (
        <xref alt="ROCHA, 2021" rid="ref-b26" ref-type="bibr">ROCHA, 2021</xref>) a partir da centralidade conferida a Olavo de Carvalho
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>
        </sup>. Esse exercício realizado por Coppola nos evoca a indagação de Joan Leach (
        <xref alt="2004, p. 294" rid="ref-b21" ref-type="bibr">2004, p. 294</xref>): “A ‘análise’ da persuasão não se torna ela mesma persuasiva?”.
      </p>
      <p>Parte-se do pressuposto que a intenção de Caio Coppola era deslegitimar a narrativa documental de Petra Costa – em uma circunstância em que poderia ganhar projeção e visibilidade internacional com uma possível indicação ao Oscar – e, ao mesmo tempo, buscar mobilizar a direita para o combate à tal produção. Nesse sentido, é elucidativa a resposta de Caio Coppola à simples indagação de Edgar Piccoli, mediador do debate televisivo: “Só queria saber do Caio se tem chance do Oscar?”. Destaca-se, na resposta à ela, como o influenciador digital vai bem além do que lhe é perguntado e busca mobilizar, por meio de um forte sentimento antilulista e antipetista; não apenas “toda a direita brasileira”, mas também “todos aqueles que não se sentem representados por Lula e o PT”. E convoca todos a debaterem, uma vez que não se deve “aceitar calado a versão 
        <italic>de quem fala mais alto”</italic>
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref>
        </sup> – sob pena de”ser governado por quem se interessa” por política:
      </p>
      <disp-quote>
        <p>Eu acredito que sim, pela qualidade artística que vocês já pontuaram muito bem. Na verdade, eu me surpreendi! Eu me aguentei bem, até o final. Aí embrulhou o estômago, porque ver um ladrão tratado como herói ofende muito nosso senso de justiça. Mas aqui 
          <italic>eu queria fazer aqui um apelo.</italic> Este é um documentário que toda a direita brasileira precisa assistir. Toda a direita brasileira precisa assistir Democracia em Vertigem. A anarcocapitalista, liberal, conservador, reacionário, republicano, monarquista. E, mais, esse é um documentário que todos aqueles que não se sentem representados por Lula e o PT têm que assistir. Porque 
          <italic>Democracia em Vertigem, em última análise, é uma peça de propaganda política mentirosa,</italic> travestida de arte. Exatamente isso que ela é. Menti sobre fatos e está a serviço de uma narrativa. Agora, porque a gente assisti algo que não é verdadeiro e não factual, porque da mesma forma que o preço por não se interessar por política é ser governado por quem se interessa. O preço de não se debater política, de não falar sobre isso, é aceitar calado a versão de quem fala mais alto. (
          <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>, grifo do autor) (
          <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>).
        </p>
      </disp-quote>
      <p>No que tange ao filme estar a serviço de uma narrativa, Salles (
        <xref alt="SALLES, 2015" rid="ref-b28" ref-type="bibr">SALLES, 2015</xref>) explica que nenhum documentário se contenta em ser apenas um registro dos fatos. Claramente, a narrativa é construída a partir da visão de um cineasta, o que não significa que o filme não possua “documentos”, ou seja, “índices do mundo real”. No caso, fatos que realmente ocorreram e que embasaram aquela produção documental, diferente de “mentiras factuais”.
      </p>
      <p>Também nessa citação chama-nos a atenção como o influenciador digital vai construindo, desde o início de sua fala, sua imagem como antilulista: “Na verdade, eu me surpreendi. Eu me aguentei bem, até o final. Aí embrulhou o estômago, porque ver um ladrão tratado como herói ofende muito nosso senso de justiça”. Como bem salienta Amossy (
        <xref alt="2011, p. 126" rid="ref-b2" ref-type="bibr">2011, p. 126</xref>) “[…] a construção da imagem de si […] confere ao discurso uma parte importante de sua autoridade. O orador adapta sua apresentação de si aos esquemas coletivos que ele crê interiorizados e valorizados por seu público-alvo”.
      </p>
      <p>De modo interessante, pode-se dizer que ao escancarar “seu embrulho no estômago” ao “ver um ladrão [Lula] tratado como herói”, Caio Coppolla demonstra que o “fenômeno da direita envergonhada” chegou ao fim no país. Com base em entrevistas realizadas com os fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL)
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref>
        </sup>, Rocha (
        <xref alt="2021" rid="ref-b26" ref-type="bibr">2021</xref>) destaca que:
      </p>
      <disp-quote>
        <p>os membros do Movimento Endireita Brasil
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn14">14</xref>
          </sup> chegaram a ser aconselhados a mudar o nome do grupo porque se vincular explicitamente à direita no Brasil “pegava mal”. Tendo isso em vista, é possível dizer que o auge do fenômeno da direita envergonhada, e até mesmo quem não se reivindicasse explicitamente de direita enfrentou dificuldade em organizar manifestações antipetistas/antilulistas em meio ao auge do lulismo sem ser menosprezado ou ridicularizado no debate público. (
          <xref alt="ROCHA, 2021, p. 91" rid="ref-b26" ref-type="bibr">ROCHA, 2021, p. 91</xref>)
        </p>
      </disp-quote>
      <p>Em face ao exposto, a questão que orienta este artigo é: como Caio Coppola manipulou a narrativa fílmica de Petra de modo a produzir sentidos políticos sobre ela, apresentando-a como uma mentira política? Para responder tal indagação, tomou-se como categoria de análise os cinco padrões de manipulação
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn15">15</xref>
        </sup> na grande imprensa, elencados por Perseu Abramo e retomados criticamente por Christofoletti (
        <xref alt="2018" rid="ref-b12" ref-type="bibr">2018</xref>).
      </p>
      <p>Acredita-se que o estudo possa trazer uma contribuição singular ao tratar do combate pela nova direita brasileira à “hegemonia cultural de esquerda” a partir de uma crítica fílmica. Os trabalhos que têm se debruçado sobre esse tema têm tomado como objeto de análise, sobretudo, livros e colunas publicadas em jornais
        <sup>
          <xref ref-type="fn" rid="fn16">16</xref>
        </sup>. E, ainda, como sugere Dibai (
        <xref alt="2021, p. 6" rid="ref-b16" ref-type="bibr">2021, p. 6</xref>), é também um modo de “verificar como são tratados os adversários, os enredos criados em seu entorno e como a política de destituição do outro tem avançado no Brasil recente”, em uma circunstância que não é de campanha eleitoral, momento esse privilegiado por grande parte dos estudos na área.
      </p>
      <p>O artigo foi dividido em três seções: na primeira, o filme é apresentado, em seguida, Caio Coppolla, e a terceira parte traz a análise do vídeo postado por ele no YouTube.</p>
      <sec id="sobre-o-filme">
        <title>Sobre o filme</title>
        <p>Dirigido por Petra Costa, o filme demonstra, por meio de um grande número de acontecimentos retratados na história do Brasil recente, a fragilidade da democracia no país. Para tanto, traz uma narrativa que se inicia nos tempos da ditadura militar. Ao falar sobre o regime que vigorou no país por 21 anos, a cineasta cita a atuação de seus pais como militantes de esquerda durante parte daquele período. O surgimento de um movimento grevista durante esse período, liderado por operários em fábricas no estado de São Paulo, também é levado para a tela. Entre seus idealizadores está Luiz Inácio Lula da Silva, que, como o filme mostra, muitos anos depois, viria a se tornar presidente do país (2003). Cenas de Lula durante o mandato são exibidas, tanto em suas aparições junto ao povo como ao lado de membros da velha política oligárquica nacional, momento em que a aliança com o MDB é mencionada. Em razão dessa popularidade, aliada a essa aliança política, sua sucessora, Dilma Rousseff, é eleita (2010). A partir de então, o documentário adentra a trajetória que levou ao impeachment da primeira mulher presidenta no país, um processo que envolveu não só o candidato derrotado, Aécio Neves, como também movimentos populares de direita e da extrema-direita do país. Forças políticas como o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB) e o então juiz federal, Sérgio Moro, também fazem parte da narrativa. A “vertigem” ganha força no documentário com a exibição do processo de impeachment, da ascensão de Michel Temer (MDB) e da prisão do ex-presidente Lula, decretada por Moro em abril de 2018, quando figurava como preferido nas pesquisas para a Presidência. Uma das cenas finais mostra Temer passando a faixa de presidente a Jair Bolsonaro (
          <xref alt="DEMOCRACIA EM VERTIGEM, 2019" rid="ref-b14" ref-type="bibr">DEMOCRACIA EM VERTIGEM, 2019</xref>). Com isso, a cineasta expõe a forte polarização política vivida no Brasil desde as eleições 2014. Ressalta-se que a história não só é contada pelo viés de Petra como também com sua voz, ressoada em um timbre expressando tristeza que casa com o intuito do filme: expor a recente fragilidade da democracia brasileira. Nas palavras do professor do departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicação e Artes da USP, Henri Pierre Gervaiseau,
        </p>
        <disp-quote>
          <p>o filme é muito bem documentado, com registros efetuados de forma observacional. 
            <italic>A idealizadora</italic> [narradora e documentarista Petra Costa] 
            <italic>tem a coragem de se colocar pessoalmente.</italic> Foi uma indicação
            <xref ref-type="fn" rid="fn17">17</xref> muito procedente, sobretudo em um contexto em que a mídia no Brasil, de forma geral, contou uma versão um tanto distorcida e desfavorável a quem sofreu o impeachment. (
            <xref alt="JORNAL DA USP, 2020" rid="ref-b15" ref-type="bibr">JORNAL DA USP, 2020</xref>, grifo do autor)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Lançada no primeiro ano do governo Bolsonaro, a produção tem provocado polêmica. Segundo Betim (
          <xref alt="2020" rid="ref-b5" ref-type="bibr">2020</xref>), em outras épocas, uma nomeação ao Oscar seria motivo de orgulho e união em todo o país em torcida pela premiação. No entanto, o que se viu foram manifestações nas redes sociais, por um lado, de grande apoio, mas também repulsa à obra:
        </p>
        <disp-quote>
          <p>a imagem de dois 
            <italic>Brasis</italic> – um vestido de verde e amarelo e outro de vermelho – que o filme exibe nas vésperas da votação do impeachment, separados por grades de contenção em Brasília, vem se repetindo nas redes sociais, colunas de jornais e outros tipos de manifestações públicas. (
            <xref alt="BETIM, 2020" rid="ref-b5" ref-type="bibr">BETIM, 2020</xref>).
          </p>
        </disp-quote>
      </sec>
      <sec id="caio-coppolla-influenciador-digital-bolsonarista">
        <title>Caio Coppolla: influenciador digital bolsonarista</title>
        <p>O influenciador Caio Coppolla
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn18">18</xref>
          </sup> costuma ser “aclamado na internet por fazer comentários conservadores, contra a esquerda e a favor do governo de Jair Bolsonaro” (
          <xref alt="VIEIRA, 2020" rid="ref-b30" ref-type="bibr">VIEIRA, 2020</xref>). O bacharel em Direito que não chegou a passar no exame da OAB (
          <xref alt="CASTRO, 2020" rid="ref-b9" ref-type="bibr">CASTRO, 2020</xref>) se tornou conhecido por meio de seus vídeos publicados nas plataformas digitais (
          <xref alt="VIEIRA, 2020" rid="ref-b30" ref-type="bibr">VIEIRA, 2020</xref>). Nelas, sua presença é expressiva: são cerca de 1,42 milhão de inscritos no YouTube, 1,6 milhão de seguidores no Instagram, 1,1 milhão de seguidores no Facebook e 447,5 mil no Twitter (dados de 26 de abril de 2022). Além disso, Caio tem ainda uma plataforma própria para divulgar seus conteúdos na internet: o 
          <italic>Boletim Coppolla – pautado pela verdade</italic>
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn19">19</xref>
          </sup>. Atenta ao crescimento de sua visibilidade, no segundo semestre de 2018, o veículo de perfil conservador Jovem Pan, em São Paulo, ofereceu-lhe uma bancada no matinal 
          <italic>Morning Show</italic> (
          <xref alt="CASTRO, 2020" rid="ref-b9" ref-type="bibr">CASTRO, 2020</xref>), programa onde Caio atuou por um ano. Atualmente, o 
          <italic>Boletim Coppolla</italic> é veiculado também de segunda a sexta-feira, às 17h50, na TV Jovem Pan News (canal 576 ou 581) e na Rádio Jovem Pan, com reprise no Jornal da Manhã.
        </p>
        <p>Já em março de 2020, ele foi contratado como comentarista exclusivo do quadro “O Grande Debate”, levado ao ar no noturno 
          <italic>Expresso CNN</italic> da CNN Brasil
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn20">20</xref>
          </sup>. E, no dia 29 de outubro de 2021, a CNN Brasil anunciou a demissão do comentarista.
        </p>
        <p>No entanto, foi na edição do 
          <italic>Morning Show</italic> parcialmente publicada no YouTube, no dia 27 de junho de 2019 – tratada na seção a seguir –, que Caio Coppolla opinou acerca dos acontecimentos ocorridos na história recente do país e retratados em 
          <italic>Democracia em Vertigem</italic>. Fazem parte dessa edição, ainda, o apresentador Edgard Piccoli e os comentaristas Paula Carvalho, Fernando Oliveira (Fefito) e Vinicius Moura. A publicação na plataforma gerou 1.032.486 visualizações, 50 mil 
          <italic>likes</italic>, 4,7 mil 
          <italic>dislikes</italic> e 18.615 comentários (dados de 20 de agosto de 2021).
        </p>
        <p>Ressalta-se, ainda, que o estudo sobre a estratégia retórica de Coppolla, detalhado a seguir, ilustra o modo como a emissora Jovem Pan veicula recorrentemente conteúdos desinformativos, manipulados e odiosos, desviando sua função de serviço público e violando direitos comunicativos fundamentais previstos no artigo V da Constituição Federal
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn21">21</xref>
          </sup>.
        </p>
      </sec>
      <sec id="caio-coppolla-e-seu-top-five-das-mentiras-em-democracia-em-vertigem">
        <title>Caio Coppolla e seu 
          <italic>Top Five</italic> das mentiras em 
          <italic>Democracia em Vertigem</italic>
        </title>
        <p>Quando os comentaristas da edição do 
          <italic>Morning Show</italic> são convidados a opinar sobre o filme, todos se pronunciam. Não por acaso, Caio Coppolla, que inicialmente permanece em silêncio, é o último a falar, sendo que seu posicionamento ganha destaque em relação aos demais – inclusive o título do vídeo no canal já demonstra isso: “Caio convoca toda a direita para assistir ‘Democracia em Vertigem’ e cita mentiras do documentário”. Perguntado pelo jornalista Fefito sobre quais seriam esses “fatos mentirosos”, Caio diz “eu não posso falar aqui, sabe por que? […] eu anotei 46 pontos de controvérsias que dão quatro folhas em tamanho arial 12/
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn22">22</xref>
          </sup>. Então são quatro páginas, provavelmente é mais do que o Lula escreveu de próprio punho em toda a sua vida pública […]”. Fefito rebate: “para acontecer um debate de fato você tem que disponibilizar esses pontos” (
          <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>). Com isso, Caio afirma ter selecionado o que chama de “
          <italic>Top Five</italic> das mentiras factuais” do documentário: “vamos ficar nos fatos” (
          <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>). Ao colocar sua proposta nesses termos, Coppolla busca contrapor mentira factual 
          <italic>versus</italic> verdade factual.
        </p>
        <p>No entanto, como bem conceitua Hannah Arendt, verdade fatual é uma verdade que não é dada nem revelada, mas sim produzida. De fato, uma verdade relacionada a eventos e circunstâncias que envolvem grande número de pessoas. “Trata-se, portanto, de um tipo de 
          <italic>verdade</italic> muito especial e que, diferentemente das verdades racionais […] 
          <italic>pertence ao mesmo domínio que a opinião</italic>” (
          <xref alt="CASTRO, 1997, p. 206" rid="ref-b10" ref-type="bibr">CASTRO, 1997, p. 206</xref>, grifo nosso). É nesse contexto que novas ações acabam surgindo, muitas vezes às custas da remoção do que já existia, da desconstrução de algo que já estava ajustado, só assim será possível realizar as mudanças então consideradas necessárias. A seguir, é analisado o modo como Caio Coppolla produz e elenca suas cinco verdades factuais – privilegiadas entre as 46 por ele identificadas – relativas aos fatos tratados por Petra.
        </p>
        <p>Como bem aponta Angenot (
          <xref alt="2015, p. 144" rid="ref-b3" ref-type="bibr">2015, p. 144</xref>): “o mundo em sua facticidade não diz e não demonstra nada, ele não raciocina. Para argumentar sobre o mundo […] é preciso que se tenha critérios de ordem e de eliminação”. E, como poderá ser observado adiante, o critério de ordenação adotado por Caio Coppolla ao enunciar seu 
          <italic>Top Five</italic> de mentiras, que “toda a direita deveria combater”, se resume, basicamente, à defesa de que a ideia de uma volta ao passado autoritário pelo atual governo é mentira – primeiro ponto – e, ao ataque ao PT, sobretudo a Lula e Dilma por corrupção. E, para tanto, menciona o Mensalão, a Lava Jato e as “verdadeiras” razões do impeachment de Dilma Rousseff.
        </p>
        <p>A primeira trata da informação, na narrativa de Petra, de que “o Brasil ‘está caminhando para seu passado autoritário uma referência clara ao regime militar’”. Ao rebater esse trecho com a afirmação seguinte, Caio oculta o contexto em que a cineasta disse isso: “um país que depois de 21 anos de ditadura, restabeleceu sua democracia e se tornou uma inspiração […] mas aqui estamos, com uma presidente destituída e um presidente preso” (
          <xref alt="DEMOCRACIA EM VERTIGEM, 2019" rid="ref-b14" ref-type="bibr">DEMOCRACIA EM VERTIGEM, 2019</xref>) e afirma, logo depois, que “o Brasil tem um governo eleito” (
          <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>). Com isso, descontextualiza a que essa afirmação se referia no filme. Como se sabe, tanto acadêmicos como autoridades já reconhecem que o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff foi um golpe
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn23">23</xref>
          </sup>. Além disso, desconsidera o fato de o atual presidente, Jair Bolsonaro, ter sido eleito em um cenário no qual o preferido nas pesquisas de opinião pública
          <xref ref-type="fn" rid="fn24">24</xref> era o ex-presidente Lula, que não pôde concorrer porque estava preso, prisão essa decretada pelo então juiz Sérgio Moro, que, quando Coppolla teceu esses comentários, já era ministro de Bolsonaro e vinha sendo considerado suspeito, especialmente em razão de material divulgado naquele mesmo mês (9 de junho) pelo The Intercept Brasil
          <xref ref-type="fn" rid="fn25">25</xref>.
        </p>
        <p>Assim, Caio persuade a audiência fazendo uso do que Abramo (apud <xref alt="CHRISTOFOLETTI, 2018, p. 72" rid="ref-b12" ref-type="bibr">CHRISTOFOLETTI, 2018</xref>, p. 66) chamou de padrão “fragmentação” de manipulação, em que “a fragmentação da realidade em aspectos particularizados, a eliminação de uns e a manutenção de outros e a descontextualização dos que permanecem são essenciais, assim, à distorção da realidade e à criação artificial de uma outra realidade”. Essa apresentação de outra realidade também se evidencia no modo como caracteriza o atual governo brasileiro:</p>
        <disp-quote>
          <p>[…] tem viés descentralizador, liberal e federativo; portanto, prega mais dinheiro e poder para estados e municípios e mais dinheiro e poder para a sociedade, como? Reduzindo impostos, enxugando a máquina pública e limitando a burocracia. Nenhuma minoria no Brasil, hoje em dia, é física ou juridicamente perseguida. Nenhum direito ou garantia fundamental foi suprimido da legislação. (
            <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>).
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Ou seja, o influenciador se ancora principalmente em características do libertarianismo, que de acordo com Rocha (
          <xref alt="2021" rid="ref-b26" ref-type="bibr">2021</xref>) se distingue do neoliberalismo:
        </p>
        <disp-quote>
          <p>Consiste em uma defesa moral e radical da lógica de livre mercado, sem restrições de qualquer tipo, considerando a liberdade dos seres humanos de não serem coagidos uns pelos outros. Assim, para os libertarianos a defesa da liberdade de mercado seria justificada sobretudo moralmente e não apenas a partir de uma ênfase em argumentos de ordem econômica, como ocorre no caso do neoliberalismo. Essa diferenciação é importante pois é justamente a recepção e a ressignificação recente de um ideal libertariano para o contexto brasileiro, ancorado na obra do economista austríaco Ludwing von Mises que constituem uma das principais inovações da nova direita no país. (
            <xref alt="ROCHA, 2021, p. 25–26" rid="ref-b26" ref-type="bibr">ROCHA, 2021, p. 25–26</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>O segundo fato exposto na narrativa que Caio chama de mentira é o seguinte: “estoura o mensalão, o seu partido, o PT, é acusado de comprar votos para apoiar projetos”. Para o influenciador, afirmar isso é “diluir a culpa em uma pessoa jurídica, o PT, só que quem comprou votos não foi o PT, quem comprou votos sistematicamente foi o governo, que era comandado por Lula, (
          <italic>José</italic>) Dirceu e (
          <italic>Antonio</italic>) Palocci” e, no mesmo argumento, complementa:
        </p>
        <disp-quote>
          <p>[…] apoiar projeto é eufemismo, Lula comprou o Congresso. E chega a ser bizarro porque ela mostra cenas do Lula no hotel negociando o 
            <italic>impeachment</italic> da Dilma como se ele tivesse fazendo articulação política, quando a gente sabe muito bem que ele estava negociando emendas. (
            <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>No entanto, Caio novamente fragmenta a narrativa da cineasta e deixa de citar o seguinte trecho: “cotados para sucessores de Lula, os ministros Dirceu e Palocci renunciam, Lula consegue se distanciar dos escândalos, mas muito tempo depois essa sombra ainda o perseguiria” (
          <xref alt="DEMOCRACIA EM VERTIGEM, 2019" rid="ref-b14" ref-type="bibr">DEMOCRACIA EM VERTIGEM, 2019</xref>). Portanto, a narrativa não isenta o governo, mas, como ninguém o contradiz, Caio explicita apenas uma frase solta do documentário e a chama de “mentira”. Mas essa não é a única artimanha do influenciador. Ao citar imagens do ex-presidente fazendo articulações em um hotel (às vésperas da votação do impeachment na Câmara dos Deputados) logo na sequência do assunto anterior, ele mistura dois momentos históricos diferentes: mensalão e impeachment, “embaralhando” os fatos, confundindo e “levando a outros entendimentos e sentidos, distantes dos originais” (
          <xref alt="CHRISTOFOLETTI, 2018, p. 72" rid="ref-b12" ref-type="bibr">CHRISTOFOLETTI, 2018, p. 72</xref>). Além disso, faz uma acusação grave: “Lula comprou o Congresso” quando o ex-presidente não foi acusado durante o período do escândalo do mensalão e, alguns anos depois, se reelegeu para presidente em 2006. Na época, a Procuradoria-Geral da República abriu um processo envolvendo o escândalo do mensalão que foi julgado pelo STF. Ao todo, foram listados 38 réus, mas Lula não estava entre eles, pois não havia provas contra o ex-presidente (
          <xref alt="PASSARINHO, 2012" rid="ref-b24" ref-type="bibr">PASSARINHO, 2012</xref>).
        </p>
        <p>Já a terceira afirmação do filme trazida por Caio é a seguinte: “Moro foi treinado nos EUA”, a qual, segundo o influenciador, teria sido baseada em informação do site Wikileaks, que costuma vazar documentos internos do governo norte-americano. De fato, o documento existe
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn26">26</xref>
          </sup> e trata de uma conferência promovida pelo governo norte-americano em 2009, mas realizada no Rio de Janeiro (como argumenta Caio). No entanto, como a cineasta não participa do programa, não se sabe se é realmente a esse evento que ela se refere. Além disso, novamente Caio manipula a informação exposta no filme fazendo uso do “escamoteamento”, ou seja, deliberadamente esquecendo alguns dados ou detalhes sensíveis, “mas que também são minimamente importantes para a compreensão daquele relato” (
          <xref alt="CHRISTOFOLETTI, 2018, p. 71" rid="ref-b12" ref-type="bibr">CHRISTOFOLETTI, 2018, p. 71</xref>), afinal, Petra utiliza a informação citada anteriormente para se referir ao então juiz Sérgio Moro como principal responsável pela Operação Lava Jato, bem como para afirmar que “Moro aprende a usar a mídia a seu favor; e boa parte da mídia abraça sua narrativa sem nenhum questionamento”, enquanto mostra imagens do juiz em capas de revistas, como se fosse um herói. Entre os títulos “Ele salvou o ano!”, “O juiz Moro vê mais longe” e “Os homens que estão mudando o Brasil” também são expostas imagens do ex-presidente Lula na capa, com os seguintes títulos: “Lula comandava o esquema”, “Acabou” e “A vez dele”. Nesse sentido, boa parte das ações do então juiz, no que diz respeito às investigações da Lava Jato, configura o que Casara (
          <xref alt="2016" rid="ref-b7" ref-type="bibr">2016</xref>) denomina “julgamento-espetáculo”, que:
        </p>
        <disp-quote>
          <p>visa agradar ao espectador-ator social que assiste/ atua condicionado por essa tradição autoritária (não, por acaso, atores sociais autoritários são frequentemente elevados à condição de heróis e/ou salvadores da pátria). Nessa toada, os direitos e garantias fundamentais passam a ser percebidos como obstáculos que devem ser afastados em nome dos desejos de punição e da eficiência do mercado. (
            <xref alt="CASARA, 2016, p. 316" rid="ref-b7" ref-type="bibr">CASARA, 2016, p. 316</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>O quarto ponto do filme apresentado por Caio é o seguinte: “Aécio não aceita o resultado da eleição [2014] e, por isso, lidera [ênfase nessa palavra], como protagonista, o impeachment da Dilma”. No entanto, essa fala simplesmente não existe no documentário. Provavelmente, a sentença à qual o comentarista se refere é: “Aécio Neves não aceita o resultado, seu partido pede uma auditoria das urnas e quando o resultado não muda, ele começa a defender o impeachment de Dilma” (
          <xref alt="DEMOCRACIA EM VERTIGEM, 2019" rid="ref-b14" ref-type="bibr">DEMOCRACIA EM VERTIGEM, 2019</xref>). Em seu contra-argumento, Caio afirma que “não só o Aécio, mas todo o PSDB só embarcou no impeachment na última hora […] foram os movimentos sociais e as ruas que puxaram o impeachment” (
          <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>). De fato, a ação dos movimentos sociais de direita foi muito significativa nesse sentido (e o filme expõe isso). Mas, de acordo com Traumann (
          <xref alt="2015" rid="ref-b22" ref-type="bibr">2015</xref>), além de pedir a recontagem dos votos, mesmo depois das eleições, o PSDB manteve cerca de 50 robôs usados na campanha de Aécio em operação:
        </p>
        <disp-quote>
          <p>isso significou um fluxo contínuo de material antiDilma, alimentando os aecistas e insistindo na tese do maior escândalo de corrupção da história, do envolvimento pessoal de Dilma e Lula com a corrupção na Petrobrás e na tese do estelionato eleitoral. Tudo com suporte avassalador da mídia tradicional. (TRAUMANN apud 
            <xref alt="NERY; CRUZ, 2015" rid="ref-b22" ref-type="bibr">NERY; CRUZ, 2015</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Além disso, no dia 4 de fevereiro de 2015, portanto, antes da primeira manifestação nas ruas, a 
          <italic>Folha de S. Paulo</italic>
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn27">27</xref>
          </sup> já noticiava a encomenda de um parecer favorável ao impeachment de Dilma pelo então advogado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), José de Oliveira Costa. Assim, fica claro que, nesse argumento, Caio se utiliza do “padrão de manipulação indução”, que “consiste em levar a crer num contexto deliberadamente criado e insistentemente apresentado na forma de realidade” (
          <xref alt="CHRISTOFOLETTI, 2018, p. 68" rid="ref-b12" ref-type="bibr">CHRISTOFOLETTI, 2018, p. 68</xref>).
        </p>
        <p>A quinta e última mentira do documentário elencada por Caio está ligada às “razões para o impeachment”. De acordo com o comentarista, a primeira seria: “substituir o governo Dilma pelo governo Temer, do MDB, para parar a Lava Jato” (
          <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>). Caio argumenta que “isso nunca aconteceu, a Lava Jato ganhou fôlego depois da Dilma, tanto que Cunha e Geddel estão presos e o Temer, mesmo o Temer, ex-presidente da República, já foi preso também”. De fato, todos eles chegaram a ser presos, mas dizer que a operação ganhou fôlego depois da queda de Dilma não procede, pois as investigações já estavam em pleno curso em seu governo, tanto é que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, já vinha sendo investigado quando instaurou o impeachment, foi cassado em setembro de 2016
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn28">28</xref>
          </sup> e preso preventivamente em outubro
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn29">29</xref>
          </sup> do mesmo ano. Como se não bastasse, a citação de Caio não explica que o trecho que trata desse assunto no filme se refere a um arquivo do áudio vazado de uma conversa
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn30">30</xref>
          </sup> (ocorrida antes da instauração do impeachment) entre o então ministro do Planejamento de Temer, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, sobre a operação Lava Jato. Entre os trechos, Jucá afirma: “Tem que resolver essa porra… tem que mudar o governo para estancar essa sangria”. Já Machado diz: “é um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional” e complementa: “com todo mundo, aí parava tudo” (
          <xref alt="DEMOCRACIA EM VERTIGEM, 2019" rid="ref-b14" ref-type="bibr">DEMOCRACIA EM VERTIGEM, 2019</xref>). Logo após a divulgação das gravações em mídia nacional, Jucá deixou o ministério. Ele ficou somente 12 dias no cargo
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn31">31</xref>
          </sup>.
        </p>
        <p>Por fim, o que Caio afirma ser o segundo motivo do impeachment apontado pelo filme: “eliminar a esquerda brasileira, mesmo que isso custe sacrificar um braço da elite econômica” (
          <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>), na verdade, não se traduz como razão para o impeachment no documentário. Trata-se de uma resposta da mãe de Petra, Marília, a uma pergunta da cineasta acerca de esquemas de corrupção entre o governo e empreiteiras:
        </p>
        <disp-quote>
          <p>[…] é regra geral na história do Brasil, a grande novidade é a Lava Jato prender e fazer delatar empresário, político […] eu até achei que pudesse ter efeito, mas foi ficando muito partidarizado, e acima de tudo, parece que é uma política da elite, do Estado, de 
            <italic>eliminar a ameaça da esquerda,</italic> tirar o Lula, derrubar a Dilma, acabar com o PT, 
            <italic>nem que para isso fosse necessário eliminar uma parte da elite,</italic> que são os empreiteiros, 
            <italic>então corta esse braço</italic> e mantém o resto. (
            <xref alt="DEMOCRACIA EM VERTIGEM, 2019" rid="ref-b14" ref-type="bibr">DEMOCRACIA EM VERTIGEM, 2019</xref>, grifo nosso)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Assim, além de afirmar que o filme diz algo que não diz, Caio “escamoteia” deliberadamente dados e personagens importantes para a compreensão dos fatos narrados no filme (
          <xref alt="CHRISTOFOLETTI, 2018" rid="ref-b12" ref-type="bibr">CHRISTOFOLETTI, 2018</xref>). Deixando de lado tais aspectos, faz o seguinte comentário: “tentou-se de tudo para livrar os poderosos da cadeia no Brasil”, mas não aprofunda a argumentação e, finalmente, traz costumeiras argumentações da direita para justificar o 
          <italic>impeachment</italic> de Dilma:
        </p>
        <disp-quote>
          <p>[…] é um processo político e jurídico, a razão jurídica foi o abuso daquele expediente de fraude fiscal com bancos públicos para cobrir os rombos orçamentários […]; politicamente, além dos escândalos de corrupção que erodiram a popularidade do governo Dilma, a economia estava em frangalhos, você tem recessão, desemprego e inflação recordes, devido à má administração. (
            <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>No que diz respeito às questões jurídicas, como exposto pelos juristas Marcello Lavenère, Geraldo Mascarenhas Prado e Ricardo Lodi Ribeiro, durante o andamento do processo no Senado, não houve “crime de responsabilidade nos decretos de suplementação orçamentária ou nos repasses do Plano Safra, bases da acusação contra a presidente” (
          <xref alt="SENADO NOTÍCIAS, 2016" rid="ref-b25" ref-type="bibr">SENADO NOTÍCIAS, 2016</xref>). Já no âmbito político, a justificativa de corrupção não se sustenta, tanto que Dilma nunca chegou a ser presa. Também não consta que crises econômicas sejam razões para retirar um presidente; se fosse, isso seria corriqueiro no Brasil.
        </p>
        <p>Com isso, pode-se dizer que, nessa edição do 
          <italic>Morning Show</italic>, a fala de Caio ganha destaque entre as outras ao tratar das “mentiras factuais” de 
          <italic>Democracia em Vertigem</italic>. Mas é importante mencionar que, em um segundo momento do programa (não analisado neste artigo), o influenciador trata ainda das “cinco narrativas” que considera “perigosíssimas” no documentário. Já o espaço para o controverso às suas palavras resume-se a observações de Fefito
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn32">32</xref>
          </sup>. No entanto, fica claro que a voz do jornalista é um ponto completamente destoante no programa. Não é para menos que, meses depois, seu contrato com a 
          <italic>Jovem Pan</italic> chegou ao fim e não foi renovado. De acordo com Dias (
          <xref alt="2020" rid="ref-b17" ref-type="bibr">2020</xref>), na ocasião, Fefito afirmou: “não vou me iludir. Minha hora lá ia chegar em algum momento. Eu era uma ilha na Jovem Pan. Eu, de fato, era alguém que nadava contra a correnteza”.
        </p>
        <p>Tal declaração de Fefito – “era uma ilha na Jovem Pan
          <italic>.</italic> Eu, de fato, era alguém que nadava contra a correnteza” – comporta um valor heurístico relevante ao fazer transparecer, em funcionamento, o “circuito da cultura”, tal como formulado por Richard Johnson (apud 
          <xref alt="ESCOSTEGUY, 2007" rid="ref-b19" ref-type="bibr">ESCOSTEGUY, 2007</xref>)
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn33">33</xref>
          </sup>. Fefito, ao dar a ver o processo de produção, contribui para uma maior compreensão da posição de destaque ocupada por Coppolla na emissora e, também, na cultura midiática, especialmente quando se posiciona em relação ao filme de Petra Costa. Por se colocar na posição de um receptor do filme alinhado ao projeto político da direita bolsonarista, Coppolla acaba por dar eco e visibilidade a alguns movimentos expressivos e recorrentes no cenário brasileiro atual que têm como alvo produções audiovisuais que se mostrem alinhadas ao campo progressista.
        </p>
      </sec>
      <sec id="considerações-finais">
        <title>Considerações finais</title>
        <p>Após as análises, fica evidente que Coppolla utiliza padrões de manipulação para construir seus argumentos e, com isso, persuadir a audiência que o prestigia. E, de fato, considerando a repercussão do post no YouTube, parece mesmo atingir o seu intento. Além de ser o vídeo mais assistido entre os pesquisados, o que também se deve à forte adesão do público de direita à Jovem Pan, mais de 50 mil usuários do YouTube deram seus 
          <italic>likes</italic>, ou seja, consideraram positiva a publicação em que influenciador ganha destaque para deslegitimar fatos retratados em 
          <italic>Democracia em Vertigem</italic>. E, quando se atenta, ainda que rapidamente, a comentários do post, é possível ter uma ideia de como as palavras do comentarista foram validadas como verdade: “Caio, você é o melhor, deixou todos aí sem argumentos. Parabéns! CONTRA FATOS NÃO HÁ ARGUMENTO!” (772 curtidas).
        </p>
        <p>Tal aceitação obtida por Caio Coppola, nos leva a pensar no papel importante que ele vem cumprindo, com sua projeção midiática em plataformas digitais e como debatedor em programas televisivos
          <sup>
            <xref ref-type="fn" rid="fn34">34</xref>
          </sup>, no sentido de contribuir para a formação de uma “estrutura de sentimento” (que se distingue de “visão de mundo” e “ideologia”) própria ao bolsonarismo. Entendida por Castro (
          <xref alt="2017" rid="ref-b11" ref-type="bibr">2017</xref>), com base na perspectiva sociológica de Raymond Williams, como
        </p>
        <disp-quote>
          <p>[…] experiência social “em processo” e “não reconhecida como social” é compreendê-la como “experiência viva”, fenômeno que não se manifesta de imediato a quem dela compartilha, portanto não perceptível aos intelectuais e artistas naquele instante. Williams (1979, p. 134-135) explica que a esta experiência são, “com frequência, mais reconhecíveis numa fase posterior, quando foram […] formalizadas, classificadas e em muitos casos incorporadas às instituições e formações”. (
            <xref alt="CASTRO, 2017, p. 179–180" rid="ref-b11" ref-type="bibr">CASTRO, 2017, p. 179–180</xref>)
          </p>
        </disp-quote>
        <p>Por fim, considera-se importante mapear e refletir sobre a emergência desta “estrutura de sentimento” da nova direita estabelecendo como agenda de pesquisa o exame de como o combate à “hegemonia cultural de esquerda” tem sido travado por outros influenciadores digitais.</p>
      </sec>
    </body>
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              <collab>SENADO notícias</collab>
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            <source>Presidente Dilma não cometeu qualquer crime que justifique o impeachment, afirmam juristas</source>
            <publisher-name>Senado Federal</publisher-name>

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            <source>Menos Marx, mais Mises: o liberalismo e a nova direita no Brasil</source>
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            <article-title>A política do medo nas eleições de 2018</article-title>
            <source>Parlamento e Sociedade</source>
            <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
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            <month>07</month>
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            <volume>7</volume>
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            <chapter-title>João Moreira Salles</chapter-title>
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            <article-title>O direito fundamental à liberdade de expressão e sua extensão</article-title>
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            <fpage>61</fpage>
            <lpage>80</lpage>
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        <ref id="ref-b30">
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            <article-title>Quem é Caio Coppolla, o comentarista conservador da CNN Brasil? Observatório da TV</article-title>
            <publisher-name>Observatório da TV</publisher-name>
            <year iso-8601-date="2020">2020</year>
            <comment>Disponível em:
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          </element-citation>
        </ref>
      </ref-list>
      <fn-group>
        <fn fn-type="other" id="fn1">
          <label>1</label>
          <p>Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da PUC Minas. Especialista em Produção em Mídia Eletrônica pela UNI-BH e graduado em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp).</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn2">
          <label>2</label>
          <p>Professora no Curso de Comunicação Social da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Graduada em Jornalismo e Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn3">
          <label>3</label>
          <p>Outros documentários brasileiros também tratam da divisão política do país, destacando o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, entre eles, 
            <italic>Excelentíssimos</italic> (Douglas Duarte, 2018), 
            <italic>O muro</italic> (Lula Buarque de Hollanda, 2018), 
            <italic>O processo</italic> (Maria Ramos, 2018) e Alvorada (Anna Muylaert, 2021).
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn4">
          <label>4</label>
          <p>Disponível em: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://youtu.be/vwZ5m10y1rQ">https://youtu.be/vwZ5m10y1rQ</ext-link>. Acesso em: 14 nov. 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn5">
          <label>5</label>
          <p>Chegou-se a esse número após exaustivas buscas no YouTube. No entanto é possível que uma ou outra publicação com inexpressivo número de visualizações não tenha sido localizada. Além disso, canais que apenas replicaram o trailer do filme não foram considerados.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn6">
          <label>6</label>
          <p>Seu vídeo sobre o documentário: “LIXO na NETFLIX – Democracia em Vertigem”, publicado no dia 24 de junho de 2019, superou 518 mil visualizações totais ou parciais, com 105 mil 
            <italic>likes</italic> e 4,2 mil 
            <italic>dislikes</italic> (dados de 5 de setembro de 2020). Nessa data, seu canal tinha cerca de 3,14 milhões de seguidores. Vale destacar que Moura já teve seu canal indicado pelo presidente Jair Bolsonaro, o qual inclusive já entrevistou. Disponível em: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.youtube.com/watch?v=epR3ZdHv3H4">https://www.youtube.com/watch?v=epR3ZdHv3H4</ext-link>. Acesso em: 14 nov. 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn7">
          <label>7</label>
          <p>No dia 25 de junho de 2019, Arthur do Val, também conhecido como “Mamãe Falei”, publicou o vídeo “Democracia em Vertigem – Netflix – TODAS AS MENTIRAS!”. Seu canal tem cerca de 2,67 milhões de seguidores. Arthur é youtuber desde 2015, então vinculado ao Movimento Brasil Livre (pró-impeachment) e, em 2018, elegeu-se deputado estadual em São Paulo – a segunda melhor votação no estado, pelo Democratas (DEM) (AGOSTINE, 2019), partido ligado à direita conservadora. O vídeo dele sobre o filme obteve 451.078 visualizações totais ou parciais, 50 mil 
            <italic>likes</italic> e 5 mil 
            <italic>dislikes</italic>.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn8">
          <label>8</label>
          <p>O Grupo Jovem Pan é uma rede que abarca mais de 100 emissoras de rádio próprias ou afiliadas em todo o Brasil, divididas entre FM e News, combinando, em sua programação, informação e entretenimento. O grupo também está presente no YouTube, Facebook e Instagram (Jovem Pan News). Disponível em: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://jovempan.com.br/">https://jovempan.com.br/#</ext-link>. Acesso em: 14 nov 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn9">
          <label>9</label>
          <p>Disponível em: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://bit.ly/3V6qHmJ">https://bit.ly/3V6qHmJ</ext-link>. Acesso em: 14 nov 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn10">
          <label>10</label>
          <p>Em um momento do vídeo o mediador, Edgar Piccoli faz a seguinte provocação a Caio Coppolla: “Por que você quer que a galera da direita veja? Para aprender a fazer política?” Ao que Coppolla responde: “Não quero que ela faça nada igual. A argamassa da direita é a realidade. A argamassa da esquerda, o que é? É a fantasia. A narrativa não é para fazer nada igual, é para desconstruir a mentira” (
            <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>).
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn11">
          <label>11</label>
          <p>A autora ressalta que “o espaço principal de formação de arenas discursivas que dariam origem à nova direita brasileira […] foi dado ainda no fim dos anos 1990, com a criação […] do blog de Olavo de Carvalho. Contando com a colaboração de outros críticos do marxismo e da esquerda nacional, no ano de 2002 o autor de 
            <italic>O imbecil coletivo</italic> criou o site Mídia Sem Máscara (MSM), fazendo com que Carvalho passasse a se tornar mais conhecido pelos brasileiros que possuíam acesso à internet na época. Assim, quando a rede social Orkut surgiu [criada pelo Google em 2004], já era possível encontrar duas comunidades formadas por leitores e admiradores da obra de Olavo de Carvalho:”Olavo de Carvalho” e “A Filosofia de Olavo de Carvalho”, além de uma comunidade formada por seus detratores, “Eu odeio Olavo de Carvalho” mais tarde renomeada como “Olavo nos odeia” (
            <xref alt="ROCHA, 2021, p. 93" rid="ref-b26" ref-type="bibr">ROCHA, 2021, p. 93</xref>). Neste ano de 2022, por ocasião do falecimento de Olavo de Carvalho, em coluna publicada no 
            <italic>Correio Brasiliense</italic> se destaca: Olavo de Carvalho vinha fazendo duras críticas a Bolsonaro por não ter ‘destruído’, o que chama de hegemonia de esquerda (‘comunistas’) na sociedade, que seria base de sustentação da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva” (
            <xref alt="AZEDO, 2022" rid="ref-b4" ref-type="bibr">AZEDO, 2022</xref>).
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn12">
          <label>12</label>
          <p>Interessante notar como este trecho da fala de Coppola nos remete ao modo como o combate à “hegemonia cultural da esquerda” está sempre no horizonte. Diz ele, em complemento: “E Democracia em Vertigem, não é que fala alto, ela grita a pleno pulmões e não é para mim, não é para você ouvinte, que já está vacinado contra os mandos e desmandos do PT e sua cleptocracia. O problema são os milhares e milhares de jovens que vão ter contato com essa narrativa de agora em diante. Então, para você desconstruir uma mentira é fundamental você conhecê-la” (
            <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>).
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn13">
          <label>13</label>
          <p>Em complemento, um dos fundadores do MBL, Fábio Ostermann, citado por Rocha (
            <xref alt="2021, p. 90" rid="ref-b26" ref-type="bibr">2021, p. 90</xref>) salienta que “as pessoas que hoje estão engajadas na difusão de ideias libertárias não têm ideia de como a opinião pública era anos atrás. A taxa de aprovação de Lula era algo como 90%, mesmo depois do mensalão ele tinha conseguido se reeleger”.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn14">
          <label>14</label>
          <p>Rodrigo Neves, membro do Movimento Endireita Brasil, em entrevista a Rocha (
            <xref alt="2021" rid="ref-b26" ref-type="bibr">2021</xref>) em abril de 2018, esclarece que tal movimento “surgiu em 2006 e era um clubinho de advogados de direita que eram amigos do Ricardo Salles [posteriormente ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro]. Eram todos jovens recém-formados vindos do largo São Francisco, PUC, Mackenzie, eram contra o PT e haviam se chocado com o mensalão. […] Eles quiseram ser o MBL na época do mensalão, a ideia era mobilizar as pessoas para conseguir o impeachment do Lula” (
            <xref alt="ROCHA, 2021, p. 88" rid="ref-b26" ref-type="bibr">ROCHA, 2021, p. 88</xref>).
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn15">
          <label>15</label>
          <p>Para Perseu Abramo, de acordo com Christofoletti (
            <xref alt="2018, p. 64" rid="ref-b12" ref-type="bibr">2018, p. 64</xref>), “padrões são tipos ou modelos que ajudam a organizar as ações num processo de manipulação informativa”.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn16">
          <label>16</label>
          <p>Nesse sentido, ver o capítulo “A direita no ataque”, publicado por Ruy Fausto em seu livro 
            <italic>Caminhos da esquerda</italic> (
            <xref alt="FAUSTO, 2017" rid="ref-b20" ref-type="bibr">FAUSTO, 2017</xref>) (Companhia das Letras, 2017). E, ainda, o capítulo “A nova direita: Mises e o combate à ‘hegemonia cultural esquerdista’”, do livro de Camila Rocha (citados na referência).
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn17">
          <label>17</label>
          <p>A indicação a que o professor se refere é ao Oscar 2020, na categoria “Melhor Documentário”.</p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn18">
          <label>18</label>
          <p>Matéria publicada pelo Portal Uol faz a seguinte apresentação de Coppolla: “Segundo o jornal 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/caio-coppolla-a-jovem-estrela-do-conservadorismo-nacional-9yxxarl7gmdrfvaq4bt8w3ahu/">
              <italic>Gazeta do Povo</italic>
            </ext-link>, chegou a participar do programa 
            <italic>Superstar</italic>, da Globo. Ele é músico, empresário, investidor em startups, desenvolvedor de conteúdos para blogs, assessor em comunicação digital e consultor para redes sociais, além de produtor de vídeo” (
            <xref alt="VIEIRA, 2020" rid="ref-b30" ref-type="bibr">VIEIRA, 2020</xref>).
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn19">
          <label>19</label>
          <p>Disponível em: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://boletimcoppolla.com.br/">https://boletimcoppolla.com.br/</ext-link>. Acesso em: 14 nov. 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn20">
          <label>20</label>
          <p>Sobre tal contratação, ver: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://observatoriodatv.uol.com.br/noticias/quem-e-caio-coppolla-o-comentarista-conservador-da-cnn-brasil#%20">https://observatoriodatv.uol.com.br/noticias/quem-e-caio-coppolla-o-comentarista-conservador-da-cnn-brasil#%20</ext-link>. Acesso em: 14 nov. 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn21">
          <label>21</label>
          <p>Entre os incisos deste artigo da Constituição, consideramos importante destacar o V: “é assegurado o direito de resposta proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem” (BRASIL, 1988). No caso do post trazido neste estudo, nem o ex-presidente Lula nem a cineasta Petra Costa tiveram sequer direito de resposta. Como bem assinala Fernandes (2011, apud 
            <xref alt="TÔRRES, 2013, p. 64" rid="ref-b29" ref-type="bibr">TÔRRES, 2013, p. 64</xref>): “falar em direito de expressão ou de pensamento não é falar em direito absoluto de dizer tudo aquilo ou fazer tudo aquilo que se quer. De modo lógico-implícito a proteção constitucional não se estende à ação violenta. […] embora haja liberdade de manifestação, essa não pode ser usada para manifestação que venha a desenvolver atividades ou práticas ilícitas (antissemitismo, apologia ao crime etc.)”.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn22">
          <label>22</label>
          <p>De modo interessante, Angenot (
            <xref alt="2015, p. 145" rid="ref-b3" ref-type="bibr">2015, p. 145</xref>, grifo do autor) pontua que: ” a argumentação retórica excede constantemente o verificável: o orador, o político, o advogado, o militante querem sempre pôr muitas palavras no mundo, muito convencer, e muito explicar, muito esclarecer, tornar muito coerente. Esse 
            <italic>muito</italic> está na essência da retórica”.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn23">
          <label>23</label>
          <p>De acordo com Dulci (
            <xref alt="2017, p. 152" rid="ref-b18" ref-type="bibr">2017, p. 152</xref>), “caracteriza-se um golpe quando há uma desconstrução de um governo legítimo com a finalidade de fazer uma guinada de orientação, sem que tal redirecionamento tenha sido aprovado pelo povo na eleição”. Para o autor, o 
            <italic>impeachment</italic> da então presidenta Dilma Rousseff foi a terceira vez em que isso aconteceu no Brasil.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn24">
          <label>24</label>
          <p>Em pesquisa sobre as eleições presidenciais, realizada pelo Datafolha em setembro de 2017, o ex-presidente Lula liderava em todos os cenários, fato que persistiu até a substituição de sua candidatura pela de Fernando Haddad (PT), em setembro de 2018, momento em que Bolsonaro assume a liderança nas pesquisas (
            <xref alt="RODRIGUES; FERNANDES, 2019" rid="ref-b27" ref-type="bibr">RODRIGUES; FERNANDES, 2019</xref>).
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn25">
          <label>25</label>
          <p>Ver: https://bit.ly/2MzHxfh. Vale lembrar que, em 23 junho de 2021, o Supremo Tribunal Federal confirmou a suspeição de Moro no julgamento do ex-presidente (
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://bit.ly/3gcea27">https://bit.ly/3gcea27</ext-link>). E, em 2 de março de 2022, o ministro Ricardo Lewandowski suspendeu a única ação penal ainda ativa contra o ex-presidente, que tramitava em Brasília, 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www1.folha.uol.com.br/especial/2015/operacao-zelotes/">da Operação Zelotes.</ext-link> Disponível em: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://bit.ly/3EgEzDZ">https://bit.ly/3EgEzDZ</ext-link>. Acesso em: 14 nov. 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn26">
          <label>26</label>
          <p>Disponível em: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://bit.ly/3EEH1Wg">https://bit.ly/3EEH1Wg</ext-link>. Acesso em: 14 nov. 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn27">
          <label>27</label>
          <p>Disponível em: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://bit.ly/3hRmBjM">https://bit.ly/3hRmBjM</ext-link>. Acesso em: 14 nov. 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn28">
          <label>28</label>
          <p>Disponível em: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://glo.bo/3tD2Y1H">http://glo.bo/3tD2Y1H</ext-link>. Acesso em: 14 nov. 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn29">
          <label>29</label>
          <p>Disponível em: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://bit.ly/3Gm9Wj5">https://bit.ly/3Gm9Wj5</ext-link>. Acesso em: 14 nov. 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn30">
          <label>30</label>
          <p>Disponível em: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://glo.bo/3GjOCLg">http://glo.bo/3GjOCLg</ext-link>. Acesso em: 14 nov. 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn31">
          <label>31</label>
          <p>Disponível em: 
            <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://glo.bo/3AkeFOw">http://glo.bo/3AkeFOw</ext-link>. Acesso em: 14 nov. 2022.
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn32">
          <label>32</label>
          <p>Como exemplo, é ilustrativo como Fefito interrompe o extenso preâmbulo feito por Caio Coppolla antes de apresentar seu “Top Five das Mentiras” – já mencionado anteriormente –: “Mas, aí, para acontecer um debate de fato, você tem que disponibilizar esses pontos né? Por que não dá para a gente trazer mentira aqui não!” (
            <xref alt="CAIO, 2019" rid="ref-b8" ref-type="bibr">CAIO, 2019</xref>).
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn33">
          <label>33</label>
          <p>Escosteguy (
            <xref alt="2007" rid="ref-b19" ref-type="bibr">2007</xref>) propõe considerar o “circuito da cultura” tal como formulado por Johnson (1999) como “protocolo [analítico] que reivindica uma visão global e complexa do processo comunicativo, sustentada na ideia de integração do espaço da produção e da recepção” (
            <xref alt="ESCOSTEGUY, 2007, p. 133" rid="ref-b19" ref-type="bibr">ESCOSTEGUY, 2007, p. 133</xref>). E, que “na composição do circuito da cultura, Johnson (1999) aponta, ainda […] a necessidade de observar a conexão entre as práticas de grupos sociais e os textos que estão em circulação, realizando uma análise sócio-histórica de elementos culturais que estejam ativos em meios sociais particulares” (
            <xref alt="ESCOSTEGUY, 2007, p. 121" rid="ref-b19" ref-type="bibr">ESCOSTEGUY, 2007, p. 121</xref>).
          </p>
        </fn>
        <fn fn-type="other" id="fn34">
          <label>34</label>
          <p>Pode-se considerar, de acordo com Castro (
            <xref alt="2017" rid="ref-b11" ref-type="bibr">2017</xref>), o programa – Boletim Coppolla: pautado pela Verdade – como uma formação cultural que vai ao ar na TV Jovem Pan News (canal 576 ou 581) e na Rádio Jovem Pan, com reprise no Jornal da Manhã.
          </p>
        </fn>
      </fn-group>
    </back>
  </article>
