<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article
  PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rmr</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Rumores</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rumores</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="epub">1982-677X</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.1982-677X.rum.2024.226191</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>DOSSIÊ</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title><italic>Dizis</italic> turcas: o romance, o sensorial e o erótico</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Turkish <italic>dizis: romance, the senses, and eroticism</italic></trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Amaral</surname>
						<given-names>Carolina Oliveira do</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
					<xref ref-type="corresp" rid="c1"/>
					<bio>
						<p>Professora de Roteiro e Dramaturgia para Cinema e TV na Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), desenvolve pesquisas no campo de narrativa, cinema de gênero e estudos de roteiro. Atualmente, é coordenadora do ST Estudos de Roteiro da Socine (2020-2024).</p>
					</bio>
				</contrib>
				<aff id="aff1">
					<institution content-type="original">Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)</institution>
					<institution content-type="normalized">Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro</institution>
					<institution content-type="orgname">Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)</institution>
					<country country="BR">Brazil</country>
				</aff>
			</contrib-group>
			<author-notes>
				<corresp id="c1">
					<label>E-mail:</label>
					<email>carolinaoamaral@gmail.com</email>
				</corresp>
			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>20</day>
				<month>03</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<volume>18</volume>
			<issue>36</issue>
			<elocation-id>226191</elocation-id>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>11</day>
					<month>06</month>
					<year>2024</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>23</day>
					<month>08</month>
					<year>2024</year>
				</date>
			</history>
			<permissions>
				<copyright-statement>(Atribuição-NãoComercial-Sem Derivações): Permite que outros façam download de suas obras e as compartilhem com outras pessoas, desde que lhe atribuam crédito, mas não podem alterá-las de forma alguma ou usá-las comercialmente.</copyright-statement>
				<copyright-year>2025</copyright-year>
				<copyright-holder>Rumores</copyright-holder>
				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0">Licença Creative Commons CC BY NC ND</ext-link>
					</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>As <italic>dizis</italic>, ou dramas turcos, são séries semanais com longos episódios, cujas histórias, narradas numa incomum lentidão, privilegiam o romance heterossexual dentre todas as tramas do enredo. Este artigo destrincha essa lentidão própria do formato e a maneira como as tramas de romance são desenvolvidas nas séries. A análise também destaca as singularidades do formato e a construção de um erotismo sensorial e narrativo característico das <italic>dizis</italic>.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>Turkish <italic>dizis,</italic> or Turkish dramas are weekly serials with lengthy episodes, whose stories are told with an unusual slowness, placing particular emphasis on heterosexual romance within the plots portrayed. This article examines the inherent slow pacing of the format and how <xref ref-type="bibr" rid="B22">romantic </xref>storylines are developed within these series. The analysis also highlights the distinctive features of the format, as well as the construction of a sensory and narrative eroticism that is characteristic of <italic>dizis</italic>.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Dizi</kwd>
				<kwd>drama turco</kwd>
				<kwd>romance</kwd>
				<kwd>sensação</kwd>
				<kwd>erotismo</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Dizi</kwd>
				<kwd>Turkish drama</kwd>
				<kwd>romance</kwd>
				<kwd>sensation</kwd>
				<kwd>eroticism</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
				<fig-count count="4"/>
				<ref-count count="32"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<p>Quando analisamos a produção televisiva atual, percebemos que o amor romântico heterossexual ainda é um elemento bastante determinante em termos de <italic>storytelling</italic>. Quantas tramas A, B, ou C ainda são determinadas por um romance que se desenvolve ao longo da história, condicionando assim finais de episódio, finais de temporada e demais ganchos narrativos aos avanços e às revezes de um casal? O par amoroso heterossexual parece um assunto superado, mas, na prática, ainda é bastante central nas histórias produzidas pela indústria massiva televisiva. Já se desenvolveu um argumento (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Amaral, 2020</xref>) acerca da sinergia entre tramas de romance e a necessidade de criação de suspense pela ficção seriada. Neste artigo, o objetivo é abordar a relação romance/ficção seriada num recorte específico de produção cuja dependência das tramas de romance heterossexual é bastante relevante: as <italic>dizis</italic> turcas. Três cenas de diferentes séries serão trazidas para abordar o assunto: as comédias românticas <italic>Será isso amor?</italic> e <italic>Amor na Ilha</italic> e o drama <italic>Hercai</italic>, compondo um mosaico de exemplos, seja numa abordagem melodramática ou cômica, que se apoiam igualmente na força de um casal central como produtor de tramas, subtramas e viradas narrativas. Discute-se, também, como as demoras na conclusão de tais tramas estão intimamente ligadas a uma construção de erotismo sensório e narrativo bem característico das <italic>dizis</italic>.</p>
		<sec>
			<title>Dizis: formato e gênero</title>
			<p>O país que mais exporta conteúdo roteirizado no mundo são os Estados Unidos. Em segundo lugar está a Turquia (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Bhutto, 2019</xref>). Apesar de bastante populares na América Latina<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>, nos Bálcãs, no Oriente Médio e no Norte da África, tal informação ainda causa espanto<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> porque as pessoas tendem a considerar as séries produzidas pela Turquia, chamadas pelo mercado de <italic>dizis</italic>, um produto ainda de nicho e pouco conhecido do grande público. São dramas semanais, produzidos à medida que são exibidos, com uma forte carga melodramática em episódios com mais de duas horas de duração. No mercado internacional, os episódios semanais são reembalados como episódios diários de 40 minutos, e daí, além das semelhanças descritas anteriormente, vem o apelido brasileiro de “novelas turcas”. O público latino-americano em geral está treinado com os códigos melodramáticos das telenovelas que são usados reiteradas vezes pelas <italic>dizis</italic> e, como suspeita <xref ref-type="bibr" rid="B3">Acosta-Alzuru (2024</xref>), por isso o formato foi tão bem-aceito no continente. Para a pesquisadora venezuelana, essa familiaridade, aliada a uma produção bem-feita e ao uso de paisagens novas - um certo exotismo orientalista -, pavimentou o sucesso inicial das <italic>dizis</italic> na América Latina, mas a permanência dez anos depois só foi possível com a habilidade narrativa que as séries apresentam.</p>
			<p>As <italic>dizis</italic> reúnem elementos de diversos outros formatos televisuais, mas organizados num modo de produção e produto final específico: como as telenovelas, as <italic>dizis</italic> são filmadas no momento em que estão em exibição, ou seja, numa lógica de obra aberta na qual a interação e aceitação do público é fundamental para destino da obra, que pode render muitas horas ao longo dos meses; como as séries, podem ser canceladas ou renovadas para mais temporadas; e, como os k-dramas, apresentam episódios longos semanais. A pesquisadora Arzu <xref ref-type="bibr" rid="B24">Öztürkmen (2022</xref>) argumenta que as <italic>dizis</italic> são um gênero novo e em ascensão. Ela as define como um “uma série semanal, com duração em torno de duas horas; geralmente filmada em locações reais com um estilo de narrativa visual, cujas histórias misturam romance, ação e vida familiar, contadas com uma emotiva e natural lentidão” (Ibid., p. 109).</p>
			<p>Diferente do que propõe Öztürkmen, se pode argumentar que as <italic>dizis</italic> não são um gênero, mas um formato. Gêneros são sistemas complexos de comunicação (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Deleyto, 2009</xref>) capazes de organizar a maneira como vemos, ouvimos e sentimos as obras audiovisuais. Estes também trabalham com um horizonte de expectativa que o público reconhece e faz relações. Por fim, gêneros reúnem convenções narrativas e afetivas (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Mendes, 2008</xref>) que se avizinham a outros gêneros. Tais justificativas pretendem fundamentar que as <italic>dizis</italic> são um formato multigenérico como as telenovelas, os doramas e as séries de TV. Formatos organizam modos de produção, de consumo e circulação. As <italic>dizis</italic> são produções feitas para a TV turca que cada vez mais veem nas vendas internacionais um mercado importante para manter as séries em exibição (Ozturkmen, 2018). Observam determinados rituais de exibição e consumo locais que são reinventados nos mercados globais para onde viajam, muitas vezes criando tensões entre as preferências do público doméstico e o estrangeiro (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Acosta-Alzuru, 2024</xref>). No mercado brasileiro, as <italic>dizis</italic> compõem catálogos dos mais variados streamings e são exibidas em TVs, com episódios diários.</p>
			<p>O formato dizi organiza convenções de diferentes gêneros narrativos, como melodrama, comédia romântica, suspense, além de apresentar um estilo particular reunindo modos de fazer identificáveis. Perceber as <italic>dizis</italic> e o que elas apresentam de singularidade em termos narrativos será o propósito analítico deste artigo, com especial atenção às tramas de romance e à construção do erotismo para um público notadamente feminino heterossexual.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Romance, erotismo e lentidão</title>
			<p>Retomemos a definição de <italic>dizi</italic> proposta por Arzu <xref ref-type="bibr" rid="B24">Öztürkmen (2022</xref>, p. 109), com ênfase na parte final que remete a “uma emotiva e natural lentidão”. Apesar de as <italic>dizis</italic> serem repletas de dramas pessoais, conflitos e suspense, há uma notável lentidão que é transmitida tanto pelo ritmo em que as histórias são contadas quanto pelo uso ostensivo da câmera lenta nos momentos de maior tensão. Numa <italic>dizi</italic>, as tramas costumam se desenvolver mais lentamente. Como coloca em palavras uma refugiada síria sobre os dramas turcos: “Eu gosto que elas são longas e nunca terminam. As séries sírias terminam em um mês, mas as turcas continuam. Eu sinto que vivo com elas” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Bhutto, 2019</xref>, p. 147). A profusão de capítulos não necessariamente implica numa lentidão narrativa, mas indica, no mínimo, que tais histórias têm um controle do tempo no longo formato e o usam a seu favor. Um dos trunfos é exatamente essa sensação apontada pela espectadora, que se sente parte da história ao acompanhá-la por tanto tempo. Não se trata da lentidão observada no <italic>slow cinema</italic>, caracterizado por “planos longos ou extremamente longos, estrutura narrativa discreta e ‘ênfase na quietude do cotidiano” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Monteiro, 2017</xref>, p. 434). A lentidão das <italic>dizis</italic> se relaciona com a demora de determinadas tramas para serem concluídas, o que não impede que as histórias sejam repletas de conflitos, revezes e montagem rápida. As tramas de romance são um exemplo que nos ajudam a entender como essa lentidão se concretiza audiovisualmente.</p>
			<p>Tramas de romance costumam aparecer em quase todos os gêneros e formatos televisuais, até mesmo reality-shows contam com isso ou são feitos especialmente para performar romances. Mas nem sempre a trama de romance é o que chamamos em roteiro de trama A, ou seja, a principal, aquela que conduz todas as outras tramas da história. Por exemplo, nas telenovelas, o casal principal costuma ser central para o desenvolvimento de toda a história, mas, raramente, a história em si é sobre o romance dos dois. Há intrigas, vinganças, segredos revelados e outros elementos que ganham o destaque narrativo do folhetim. Nas <italic>dizis</italic> - pelo menos nos títulos licenciados para o mercado brasileiro - o romance costuma ser a trama A e é tão central que o número de personagens ou subtramas é menor que os das novelas brasileiras. Uma das razões, como explica <xref ref-type="bibr" rid="B23">Öztürkmen (2018</xref>, p. 9), é devido a questões políticas internas da Turquia, “o crescente autoritarismo e a dependência da indústria em audiência e publicidade limitou os canais aos gêneros romance e suspense”. Portanto, falar de amor não é apenas uma estratégia, mas uma necessidade. Geralmente, nas <italic>dizis</italic>, os personagens envolvidos romanticamente só efetivamente vivem esse romance com a história mais avançada. Em inglês se usa a expressão <italic>slow burn</italic>, o lento aproximar de um casal que mostra desde o início que tem tudo para ficar junto, mas demora muito para reconhecer e desfrutar disso.</p>
			<p>Encontros e desencontros amorosos correspondem à trama central de qualquer comédia romântica de 90 minutos, quando o casal principal só admite e vive o amor perto do final. E essa mesma arquitetura narrativa é utilizada em <italic>Será isso amor?</italic>, com 52 capítulos e mais de 100 horas de duração. Tramas de comédias românticas usadas na ficção seriada não são novidade. Na verdade, há uma relação profícua entre encontros e desencontros amorosos e a serialização, uma vez que tais momentos se encaixam muito bem na estrutura do gancho narrativo (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Amaral, 2020</xref>). Eles vão se beijar? Eles vão se assumir? E várias outras perguntas podem ser utilizadas em finais de blocos, capítulos, episódios e temporadas, que em inglês se condensou na expressão <italic>will they won’t they</italic> (eles vão ou não vão). Mas até que ponto se pode alongar tal estrutura sem esgarçar a história?</p>
			<p>Não há uma resposta geral para esse questionamento, apenas a percepção de que nem sempre tramas longas de conquista resistem ao teste do tempo. Existe um limite tênue entre postergar a consumação do romance para atrair a atenção do espectador e o risco de a espera por uma resolução ser demasiada e se perder o público. Trata-se de um difícil equilíbrio entre soluções narrativas surpreendentes ou apenas uma estratégia vazia, uma “desculpa” para manter os personagens separados. Nas <italic>dizis</italic> escolhidas para esta análise, as tramas de romance perduram por longos episódios, demoram a se concretizar e estão sempre sujeitas a infortúnios.</p>
			<p>Três cenas de <italic>dizis</italic> lançadas no streaming brasileiro<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> são analisadas: <italic>Será isso amor?</italic> (<italic>Sen Çal Kapimi</italic>, 2020-2021) e <italic>Amor na ilha</italic> (<italic>Ada Masali</italic>, 2021), disponíveis no Max, e <italic>Hercai: amor e vingança</italic> (<italic>Hercai</italic>, 2019<italic>-</italic>2021), no Globoplay (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>). As duas primeiras são <italic>dizis de verão</italic><xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>, mais leves, consideradas comédias românticas, lançadas sazonalmente na Turquia entre junho e agosto, enquanto <italic>Hercai</italic> está inserida na lógica mais (melo)dramática de lançamentos que começam em setembro/outubro.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1:</label>
					<caption>
						<p>Pôsteres brasileiros das <italic>dizis Será isso amor?</italic> e <italic>Amor na Ilha</italic> e <italic>Hercai</italic></p>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1982-677X-rmr-18-36-226191-gf1.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Max e Globoplay, 2024.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Os pôsteres já mostram a centralidade das tramas de romance, mesmo no terceiro exemplo, em que o cartaz apresenta vários personagens, mas o casal principal está localizado no centro e em tamanho maior que os outros. Há ainda o reforço do distribuidor no Brasil em traduzir tais títulos de maneira a não deixar dúvida de que se trata de uma história de amor, mesmo que os nomes originais sejam, respectivamente, <italic>Você bateu na minha porta</italic>, <italic>Conto da Ilha</italic> e <italic>Hercai</italic>, uma flor que em português chamamos de “amor perfeito”. Cada uma à sua maneira, as <italic>dizis</italic> trazem histórias de amor entre um casal heterossexual que se conhece no primeiro capítulo, sofre uma série de desencontros e fica junto para sempre no episódio final. No Brasil, os episódios semanais são recortados em episódios menores, o que muitas vezes ignora as molduras de ganchos narrativos pensadas originalmente e a lógica de unidade narrativa de cada episódio<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>.</p>
			<p>Ainda assim, sejam em episódios longos semanais ou em muitos episódios diários, trata-se de uma jornada lenta. Vemos os dias e as noites se sucederem e acompanhamos cada pequena aproximação, cuja principal estratégia são olhares intensos e longos entre os personagens que estão (quase) próximos demais e uma história de amor que parece ser contada nos mínimos detalhes. Há pouca expressão gráfica de intimidade, até porque a censura do RTÜK (Conselho Supremo de Rádio e Televisão da Turquia) proíbe nudez e até longos beijos, chegando a penalizar os canais de televisão quando esbarram no limite permitido<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>.</p>
			<p>Tendo em vista tais impedimentos, as <italic>dizis</italic> acabaram construindo uma linguagem de sentimento própria que se utiliza muito bem de elementos sensórios do audiovisual. Em especial, longos olhares filmados em <italic>raccord</italic> que se encaixam perfeitamente à estrutura de plano e contraplano. As sábias palavras de Mary Ann <xref ref-type="bibr" rid="B16">Doane (1987</xref>) resumem bem ao proporem que o cinema deve acreditar na ideia de amor à primeira vista porque ela se encaixa muito bem no altamente codificado sistema de plano e contraplano. Na verdade, essa codificação se ajusta não apenas à primeira vista, e serve muito bem a amores sentidos, porém não proclamados, e muito do que percebemos do casal central nas dizis vem desses olhares. Códigos melodramáticos de olhar e ser olhado são usados com potência nesse formato. Diferente das telenovelas e sua tradição radiofônica, nas dizis há muito mais subtextos nos diálogos e uma narração a partir do olhar, até a definição de Öztürkmen faz referência a essa maneira visual de narrar. A técnica do <italic>slow burn</italic> exige mal-entendidos, não ditos e uma inconformidade entre o que se sente e o que se fala. Mas o que se sente está sempre nítido através do olhar.</p>
			<p>Para Mariana <xref ref-type="bibr" rid="B6">Baltar (2019</xref>), três são as características principais do melodrama: obviedade, simbolização exacerbada e antecipação. São características que conversam entre sim, uma vez que juntas trabalham para compor o texto melodramático, não tão afeito a ambiguidades. Em geral, entendemos seu sentido, sabemos como nos comportar frente aos conflitos narrativos e, inclusive, antecipamos o andamento do enredo. Um grande trunfo desse narrar melodramático está justamente no olhar. Nas dizis, o olhar é capaz de passar a emoção necessária para a cena porque desperta o conflito interno entre o que se sente e o que se deixa transparecer, muitas vezes em embates entre o casal principal.</p>
			<p>A trilha sonora também tem um papel fundamental, porque pontua momentos de tensão e ganchos narrativos da história do casal principal de maneira ostensiva, tanto a trilha incidental original criada para a <italic>dizi</italic>, com <italic>leitmotivs</italic> que aos poucos vamos conhecendo a partir da repetição, quanto o uso de canções que pontuam os momentos de aproximação sensual entre o casal. Pode parecer um comentário banal, sendo que muitos filmes, séries e novelas utilizam esse recurso, mas as <italic>dizis</italic> fazem de uma maneira particular, normalmente associado a outro elemento que remete à lentidão já mencionada: a câmera lenta. Há um uso recorrente desse recurso muito particular nas <italic>dizis</italic> que se assemelha à linguagem de videoclipes ou comerciais. A professora <xref ref-type="bibr" rid="B3">Acosta-Alzuru (2024</xref>) afirma que o uso da câmera lenta é o recurso imagético mais característico do formato, o que funda suas questões de estilo. Cenas com ações que em princípio seriam curtas, como fechar um zíper, podem durar minutos com o uso da câmera lenta que as prolonga, alinhada a um aumento da tensão erótica com olhares intensos e uma proximidade sempre no limiar do contato físico. Essa lentidão, na verdade, é carregada de significado, pois aumenta a tensão erótica ao combinar elementos narrativos, cênicos e sensoriais. Por isso as tramas de romance são tão centrais, porque as histórias se estruturam a partir dessas construções.</p>
			<p>Chegamos ao último elemento da definição de Öztürkmen ainda não detalhado, o fato de que uma <italic>dizi</italic> é narrada de maneira “emotiva”. Os executivos do mercado turco costumam dizer em entrevistas que eles “vendem emoção” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Sertbulut, 2023</xref>), ou que eles atingem essa fatia do mercado porque suas histórias comunicam intensa emoção em comparação ao audiovisual hollywoodiano. <xref ref-type="bibr" rid="B10">Bhutto (2019</xref>) recolhe depoimentos sobre a TV americana ser divertida, mas não comovente, ou, como coloca em palavras um conhecido ator turco, “não tocar no ponto do que nos faz humanos” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Bhutto, 2019</xref>). Há ainda exageros em comentários de que nas séries americanas “não há sofrimento ou vingança por amor; as pessoas apenas seguem em frente” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Sertbulut, 2023</xref>) e o reconhecimento das exceções como <italic>This is Us</italic>, cujo sucesso confirmaria a regra, uma vez que o público estaria sedento por esses sentimentos (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Bhutto, 2019</xref>). Ou seja, as <italic>dizis</italic> trazem histórias para o público sentir e se emocionar. Conforme explica um distribuidor turco:</p>
			<disp-quote>
				<p>Em nossas dizis, você sente e demonstra raiva com as sobrancelhas, os olhos e as narinas; você cerra o punho e bate na mesa. Gritar com o outro não basta… Se você gritou com alguém que ama, você fica triste porque fez isso e acaba chorando. Tal emoção não existe numa série de TV americana ou alemã. Só nós temos isso. É por isso que temos sucesso. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Sertbulut, 2023</xref>)</p>
			</disp-quote>
			<p>Tais opiniões exageram as qualidades do produto turco, enfatizam estereótipos sobre americanos ou europeus e ignoram vários outros formatos também voltados para emoções numa história, como telenovelas e alguns dramas asiáticos para TV, mas não estão de todo desconectadas das razões por trás do sucesso das <italic>dizis</italic>. Essa maneira de contar uma história, privilegiando a emoção das personagens e fazê-la num ritmo mais lento com o qual o espectador é capaz não apenas de se identificar, mas também sentir, é, certamente, um trunfo do formato.</p>
			<p>As <italic>dizis</italic> costumam colocar os sentimentos no centro da trama, principalmente o amor romântico heterossexual. Houve um declínio na produção hollywoodiana de histórias de amor, principalmente as leves, ou seja, as comédias românticas, e a morte do gênero foi anunciada por diversos autores e críticos ao longo da década passada, como recupera num artigo recente Tamar Jeffers <xref ref-type="bibr" rid="B19">McDonald (2021</xref>), autora de <italic>Boy Meets Girl Meets Genre</italic>, grande referência no estudo das comédias românticas. Coletivamente vivemos um momento de questionamento das tramas de romance serem a trama A (da vida e no audiovisual) e do final feliz estar necessariamente ligado a um relacionamento estável monogâmico. Nesse ponto, as <italic>dizis</italic> se mostram menos irônicas, menos autoconscientes e por isso mesmo, com uma visão considerada mais conservadora de romance. Até porque ignora um discurso a favor da diversidade - de corpos, de belezas, de amores - e apresenta uma versão de amor mais convencional e idealizada. Alguns analistas (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Acosta-Alzuru, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B10">Bhutto, 2019</xref>) chegam a aventar a relação entre esse conservadorismo na representação erótica e o sucesso em lugares como a América Latina e países islâmicos, o que não justifica por si só o fenômeno, uma vez que produções conservadoras nas tramas e representações de países como o Paquistão (Bhutto, 2019) e o Egito (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Abu-Lughod, 2003</xref>), apesar de representarem na última década um aumento da fatia de seus mercados internos, não experimentaram sucesso global, como a produção turca. Há algo específico no modo como as <italic>dizis</italic> são escritas, filmadas, atuadas e editadas que atende às expectativas do público. <xref ref-type="bibr" rid="B8">Berg (2023</xref>) propõe que as tramas de romance são uma maneira de acomodar interesses cada vez mais conservadores do governo turco a estratégias comerciais de venda: os dramas parecem liberais na superfície, mas estão sempre restritos a um perímetro patriarcal e valores familiares. O que comprova esse discurso são os finais felizes muito conservadores, com casais monogâmicos heterossexuais e a formação de uma família tradicional numerosa.</p>
			<p>Mas <xref ref-type="bibr" rid="B8">Berg (2023</xref>) não aprofunda o que seria essa superfície liberal. Nesse sentido, dois elementos devem ser olhados com atenção: a construção do erotismo e o poder de agência das personagens femininas que são complexas, fazem escolhas e controlam seus destinos, por mais que essas restrições conservadoras estejam sempre à espreita. O romance é a trama central, mas o amor romântico envolve esse misto de agência e destino: é ao mesmo tempo algo místico, feito para acontecer, mas que depende totalmente da ação das pessoas envolvidas. Lembrando que o romance é representado a partir não tanto de demonstrações óbvias como beijos, abraços, mas de mostrar esse desejo de maneira sensória. É interessante como as <italic>dizis</italic> apresentam o romance como algo muito idealizado e, ao mesmo tempo, bastante carnal. Há um uso intenso de elementos sensoriais e construção de tensão erótica a partir dessa demora do clímax. O público não apenas vê e acompanha um romance, mas o sente por meio de uma série de apelos sensórios que investem nessa narrativa emotiva. </p>
			<p>Amor e erotismo, como chamou Octavio <xref ref-type="bibr" rid="B25">Paz (1993</xref>), são a chama dupla, funcionando de maneira conjunta, porque o amor, na nossa sociedade, é também desejo. Steve <xref ref-type="bibr" rid="B26">Seidman (1991</xref>, p. 4-5) aborda o processo histórico de sexualização do amor que se concretizou na primeira metade do século XX, no qual a satisfação sexual foi entendida como mais significativa nos contornos do amor romântico. Em outro momento (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Amaral, 2018</xref>), discorreu-se sobre a relação entre desejos narrativos, a imposição de obstáculos e o erotismo quando essa composição narrativa é sobre desejos físicos atrelados ao romance numa história. Resumindo, existe uma relação entre a construção de erotismo e o contínuo retardar da satisfação dos desejos, algo que as tramas de romance fazem, mas que as comédias românticas aperfeiçoaram. Sobre comédias românticas hollywoodianas dos anos 1930 e 1940, as <italic>screwball comedies</italic>, <xref ref-type="bibr" rid="B28">Shumway (2003</xref>, p. 88) pontua que tais filmes “representam uma relação sexual sem literalmente mostrá-la. A relação crescente na qual os filmes focam é a experiência do desejo sexual crescente”; algo parecido ao que fazem as <italic>dizis</italic>. Shumway atrela ao próprio discurso do romance e a imposição de obstáculos para aumento do desejo. E as <italic>dizis</italic> usam a mesma estratégia, só que em vez de tramas que durem 90 minutos, como os filmes analisados por Shumway, são histórias de mais de 90 horas de duração com muitas idas e vindas, satisfações parciais do desejo e aumento contínuo das tensões eróticas.</p>
			<p>A construção de tensão vem acoplada aos ganchos narrativos, algo que já se chamou de temporalidade do quase (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Amaral, 2018</xref>), uma espécie de suspense típico das tramas de romance que coloca os personagens sempre muito próximos de realizarem seus desejos, mas retardando-os continuamente. Isso ajuda a construir uma tensão narrativa, um desassossego (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Brasil, 2009</xref>), um modo de engajamento emocional com a trama, quase físico. Alguns autores (Barroni, 2007; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Bordwell, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Sternberg, 1978</xref>) remetem a tensão à dimensão interativa da intriga, ou seja, à capacidade de a narrativa comunicar sentimentos e reações ao público que vibra com o texto. E a tensão do romance é uma tensão erótica de construção e lenta satisfação dos desejos.</p>
			<p>Assim como nas <italic>screwballs</italic>, o erotismo nas <italic>dizis</italic> é construído sobretudo com esse aumento dos desejos e muitos elementos sensoriais compondo o erotismo. Emoção e sensação andam juntas em cenas marcantes por sua relevância narrativa, sendo as sensações fundamentais na construção do sentido. A professora <xref ref-type="bibr" rid="B24">Öztürkmen (2022</xref>) menciona a importância das locações reais para o estilo das <italic>dizis</italic>, mas não reflete a respeito do porquê. É comum que as cenas mais intensas de tensão erótica aconteçam em paisagens simbólicas ou, no mínimo, rodeadas por um pôr do sol, além de outras locações charmosas escolhidas especialmente para cada obra. Esses espaços apelam para elementos sensoriais, combinando à narrativa, por exemplo, o mar turquesa em um belo dia de sol, ou uma noite estrelada e uma vista deslumbrante, em uma cena na qual os protagonistas estão ainda mais próximos que de costume. Essas imagens procuram não apenas nos emocionar com a história, mas construir sentido ao passar por elementos sensoriais. Noutras palavras, para se <italic>entender</italic> a história, é necessário <italic>senti-la</italic>, em termos de emoção e sensação. Alguns autores (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Baltar, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Williams, 2003</xref>) aproximam emoção e sensação à construção do excesso de matriz melodramática. E voltamos mais uma vez à importância dos olhares nas <italic>dizis</italic> que remetem às tradições não verbais do melodrama, como a pantomima e a música. O excesso seria aquilo que está na imagem não para um significado específico, mas por um prazer perceptivo (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Thompson, 1977</xref>), que, no entanto, reconfigura toda a significação a partir desse excesso. As análises das cenas nos ajudarão a entender melhor o excesso que media narrativa, sensação e emoção.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Análises</title>
			<p>Comecemos por <italic>Será isso amor?</italic><xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>. A cena analisada (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>) originalmente serve de gancho para o final do segundo capítulo da série, mas, na versão internacional, ocupa um lugar errante no meio do sétimo episódio. Serkan (Kerem Bürsin) e Eda (Hande Erçel) estão prestes a selar o falso compromisso que fizeram por contrato: um noivado do qual ambos se beneficiarão de alguma forma. Ele está pronto; ela precisa terminar de se arrumar. Ele bate à porta e pergunta se ela já está pronta. Eda diz que tem um problema, e Serkan entra no quarto. A questão é: ela não consegue fechar o vestido e precisa de ajuda. Ele pergunta se pode ajudá-la, ela aceita. Ele fecha a porta. Aproxima-se dela. Toca delicadamente os cabelos dela e tira das costas. Serkan fecha o zíper. Os dois se olham no espelho. Ele levanta a alça do vestido dela, que teima em cair. Eles se olham nos olhos através do espelho. A trilha sonora toca uma sensual canção em inglês. Ela se vira para ele e eles se olham nos olhos frente a frente. As cortinas esvoaçantes, o vestido de que quase podemos sentir a textura. A tensão erótica pode ser sentida no ar. Eda se despede citando algum compromisso genérico e sai do quarto</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2:</label>
					<caption>
						<p>Eda e Serkan em <italic>Será isso amor?</italic> episódio 7 (versão internacional) / episódio 2 (versão original)</p>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1982-677X-rmr-18-36-226191-gf2.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Max, 2024</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Para levar a cabo essa cena, com o intuito de construir uma crescente tensão narrativa/erótica, são usados 39 planos, os quais se alternam entre plano, contraplano, planos próximos, de detalhe, e médio. Pouco mais de três minutos para a ação banal de fechar um zíper, mas filmada com a primazia que os finais de episódio pedem ao fechar ganchos narrativos, chamados também ganchos de excesso (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Baltar, 2023</xref>). A trilha ajuda a corroborar esse efeito, e o uso da câmera levemente lenta prolonga ainda mais esse momento. É a primeira vez que fica nítido que esse acordo entre os dois vai muito além dos benefícios combinados.</p>
			<p>Vemos, ouvimos e sentimos uma longa criação de tensão a partir do prolongamento de uma ação (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Sternberg, 1978</xref>). Ambos os personagens se desejam, mas elementos visuais e sensoriais vão ser utilizados para representar isso, e a cortina, o toque delicado, o olho no olho são uma maneira encontrada de alcançar esse efeito. A câmera lenta se combina a uma certa instabilidade das imagens feita com o <italic>steadycam</italic><xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref> dando um movimento necessário à edição da cena. A temporalidade do “quase” funciona aqui, uma vez que eles quase ficam juntos, quase vão além desse toque justificado. Quando há uma ameaça desse contato físico avançar um pouco mais, a cena é interrompida, a personagem vai embora. Quase acontece “algo a mais”. E é esse suspense do quase que vai permear muitos dos ganchos narrativos dessa e de outras <italic>dizis</italic>.</p>
			<p>São duas pessoas solteiras que não têm, em tese, nenhum impedimento para ficarem juntas. Mas há uma construção muito detalhada de personagem e seus conflitos internos que acabam por tardar a conclusão dessa trama romântica. Conforme os conflitos internos são vencidos, os externos se impõem e assim se posterga o clímax do romance, que está sempre muito perto de se realizar. Já se mencionou a lógica narrativa de que o romance é fundado no obstáculo e que histórias de amor são, em sua maioria, histórias sobre pessoas que (ainda) não estão juntas (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Amaral, 2020</xref>). <italic>Será isso amor?</italic> e muitas outras <italic>dizis</italic> seguem essa cartilha de privilegiar o conflito, o obstáculo, a separação e a frustração, avançando lentamente na trama, mas construindo em detalhes personagens e seus amores impossíveis que vão, pouco a pouco, ficando cada vez mais possíveis. Essa demora no clímax romântico permite uma espera mais longa por parte do público e uma recompensa maior na resolução. Aproxima-se da ideia de <italic>delectatios morosa</italic> que nos fala Umberto <xref ref-type="bibr" rid="B17">Eco (2009</xref>), uma tentação narrativa, uma demora na história que permite ao leitor fazer previsões - algo parecido com a estratégia de antecipação melodramática - e se identificar com a tensão construída: “se tivessem de esperar menos tempo e se sua trepidação (o que retarda um final dramático) fosse menos intensa, a catarse não seria tão completa” (Ibid., p. 71).</p>
			<p>Em nosso segundo exemplo, <italic>Amor na Ilha</italic>, Haziran (Ayça Ayşin Turan) tem a missão secreta de conseguir o terreno da fábrica de azeite numa ilha no Mar Egeu. A empresa em que trabalha em Istambul precisa comprar o terreno para investir em turismo, mas a fábrica pertence a Poyraz (Alp Navruz), que se recusa a vendê-la. Haziran consegue se infiltrar e roubar informações contáveis que colocam Poyraz à beira da falência. Arrependida, ela volta à ilha convencida de que conseguirá reverter o que fez e recuperar o prejuízo de Poyraz. A história gira em torno desse segredo que ela teme ser revelado enquanto esses dois personagens trabalham juntos e se apaixonam. A cena escolhida para análise é a que os protagonistas se veem pela primeira vez (<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>). Haziran havia tirado fotos do balanço da fábrica e tentou fugir pelo lado errado, quando Poyraz a encontra entre tonéis e garrafas de azeite.</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Figura 3:</label>
					<caption>
						<p><italic>Meet cute</italic> de Haziran e Poyraz, episódio 1</p>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1982-677X-rmr-18-36-226191-gf3.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Max, 2024</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Trata-se de uma cena bastante convencional em histórias de amor à primeira vista: o momento que os personagens se encontram pela primeira vez, o chamado <italic>meet cute</italic>. A decupagem escolhida é a mais convencional possível: plano, contraplano evoluindo de planos médios a <italic>close-up</italic>, voltando a um plano médio em que vemos o ambiente. Chama a atenção o uso da luz entrando pela janela e emoldurando o casal e um vitral rosa que altera totalmente a cor do ambiente. Haziran está tensa, tem medo de ser descoberta e inventa qualquer desculpa para ir embora, mas não resiste e, antes de sair, pergunta que cheiro é esse que ela sente. Ela diz que sente o cheiro de orégano e lavanda, mas que ainda há algo. Poyraz responde que é o azeite, o azeite que ele fabrica. Mas Haziran insiste que há algo mais picante e penetrante, algo que ela não consegue identificar. Poyraz abre uma garrafa e coloca perto dela para que ela possa cheirar melhor e pergunta se é isso. A trilha toca mais alto. Haziran cheira profundamente e os dois se olham. É isso. Deve ser o erva-doce, ele responde sem muita convicção, mas comovido pela presença dela. Como se voltasse a si, ela sai com pressa.</p>
			<p>Repara-se que a cena termina exatamente como a anterior. Aqui, ela reúne elementos importantes narrativamente, mas a sua construção se dá muito pelo que sensorialmente se estimula: a luz, a cor, os cheiros, os belos rostos. Há uma interação que começa no embate entre os personagens, que se aproximam, devido ao estreito espaço do ambiente, se afastam e voltam a se aproximar por conta da ação de sentir juntos o azeite. Nós, espectadores, quase sentimos os cheiros descritos e percebemos o óbvio envolvimento entre os dois.</p>
			<p>Esse apelo a elementos sensoriais não é apenas uma questão de estilo, mas uma necessidade narrativa, já que não é permitido muito contato físico entre os personagens, como já mencionado. Há que se inventar de maneira criativa e eficaz o toque e o contato próximo entre os personagens que se aproximam muito lentamente. Diferente de outros modelos que também utilizam um longo processo de corte e conquista, como os k-dramas - e os homens que abrem o guarda-chuva para estranhas na rua - ou até mesmo séries cujo romance está em segundo plano, pode-se apostar que o que diferencia as <italic>dizis</italic> é esse apelo aos sentidos. Um apelo mais sensual que romântico, nada realista, como em geral são as representações de telenovelas brasileiras, e que, por isso mesmo, recebe críticas por se tratar de um apelo <italic>excessivo</italic>, que não parece real. As cenas são feitas para se sentir o toque, o cheiro e a atmosfera. Recuperando uma fala de Eva <xref ref-type="bibr" rid="B18">Ilouz (1997</xref>), a utopia romântica é uma atmosfera, um cenário e uma <italic>mise-en-scène</italic> que aglutinam formas de sentir na nossa sociedade.</p>
			<p>Por fim, em <italic>Hercai</italic>, o que impressiona é a trama de romance contada no longuíssimo prazo e uma aproximação lenta, porém sempre crescente. Miran Aslambey (Akin Akinözü) se casa com a doce e inocente Reyyan Soduglu (Ebru Sahin). Eles vivem na cidade medieval de Midyat, onde as tradições parecem mais enraizadas que em outras histórias ambientadas em Istambul. Na verdade, esse casamento não passa de um plano de vingança arquitetado por anos pela sua avó, Azize Aslambey (Ayda Aksel), e Miran precisa deixar Reyyan no dia seguinte ao casamento, desonrando não apenas ela, mas toda família Soduglu, o real alvo da vingança. No entanto, Miran e Reyyan se apaixonam e mesmo tendo executado todo o plano, Miran se arrepende. A história gira em torno de Miran tentar ganhar a confiança novamente de Reyyan, sem desistir da sua vingança. Nesse caso, existe uma razão muito plausível e traumática para Reyyan evitar se aproximar de Miran, mas ela também não se afasta totalmente dele porque os Sadoglus a abandonaram e ela só pode contar com Miran. Acompanhamos esse aproximar lento e conturbado do casal e as diversas reviravoltas que dão mais contornos à vingança.</p>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>Figura 4:</label>
					<caption>
						<p><italic>Hercai</italic>: Miran e Reyyan cavalgam pelo campo</p>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1982-677X-rmr-18-36-226191-gf4.jpg"> </graphic>
					<attrib>Fonte: Globoplay, 2024</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Não há tantas viradas na trama do casal que vai da desonra ao perdão muito lentamente, mas uma série de obstáculos internos e externos, conflitos e segredos de família. A cena analisada é da segunda temporada e acontece logo após o primeiro beijo desse casal que finalmente parece estar se acertando. Reyyan e Miran se beijaram numa ponte de pedra, com lágrimas nos olhos, câmera lenta girando em torno do casal e uma canção de amor turca tocando na trilha. Já vimos imagens assim muitas vezes; o que é menos comum é a cena seguinte. Miran e Reyyan andam a cavalo numa planície ancestral. A canção continua a tocar e a câmera lenta também. Cavalgam devagar, acompanhamos os movimentos em câmera lenta e os dois começam a cruzar o caminho um do outro, enquanto os olhares continuam intensos, desenhando linhas de movimentação cruzadas na composição (<xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>). Ao final, Miran e Reyyan andam de mãos dadas, com o pôr do sol ao fundo e os cavalos ao lado.</p>
			<p>Trata-se de uma cena curta, de um minuto e meio e 17 planos, mas há aqui uma insinuação sutil, porém nem tanto, de sexo. Notem que não houve sexo na história, isso só vai acontecer na temporada seguinte. Mas há uma construção sensória, imagética e afetiva de uma interação sensual. Essa construção serve muito bem a uma criação de atmosfera de desejo constantemente ativada. A trama de romance é central, e em todos os episódios essa aproximação lenta vai compor um pouco mais esse desejo mútuo que não apenas se vê, mas se sente nos mínimos detalhes. Nessa cena, se utilizam o vento nos cabelos, o cavalgar, os cavalos branco e preto, a paisagem, o ocaso, os olhares, as movimentações, os ritmos. O desejo interno dos personagens é materializado na construção de uma atmosfera, que deve ser também percebida pelo público. Se sensorialmente esse desejo se realizou, narrativamente ele ainda demora a se concretizar, ocorrendo apenas na temporada seguinte. Há, dessa forma, ao mesmo tempo uma satisfação dos desejos de maneira simbólica e uma postergação de sua efetiva realização, mantendo a tensão erótica. O que assistimos em seguida é mais uma interrupção na progressão lógica do desejo, e o suspense do “quase” se mantém, embora parcialmente satisfeito.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>O sucesso mundial das <italic>dizis</italic> passa por retratar longas tramas de amor e conquista que, no entanto, mantém uma eletricidade e química entre os personagens e uma atmosfera intensa, várias vezes ativada, mesmo que o casal não desempenhe nenhum ato explicitamente erótico. Há uma série de críticas que podemos fazer sobre essas histórias, principalmente pela forma não problematizada que retratam amores heterossexuais monogâmicos no mundo contemporâneo. As pessoas se amam de um jeito irreversível. As pessoas belas e jovens em paisagens mediterrâneas ao pôr do sol. O início da história é sempre um encontro fortuito entre dois jovens e o final, notadamente feliz, costuma ser os dois casados, com filhos, numa paisagem paradisíaca e a família reunida.</p>
			<p>Tal enquadramento narrativo, no qual o início é um encontro e o final é um beijo apaixonado e feliz, é convencional e conservador. É muito comum as histórias de amor serem julgadas exatamente pelos seus finais felizes, mas, como já abordado (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Amaral, 2018</xref>), pode-se citar Peter <xref ref-type="bibr" rid="B12">Brooks (1984</xref>), que argumenta que devemos estar atentos aos meios esquecidos e arabescos da trama, ou seja, às voltas sinuosas que a história faz para que o fim tenha a importância devida. Noutras palavras, o espaço dilatório do texto que implica muitas vezes recomeços.</p>
			<p>Tanto num enquadramento melodramático, triste e violento, quanto em histórias cômicas e felizes, as <italic>dizis</italic> retraçam esses arabescos a partir de desejos sentidos, não satisfeitos, que se acumulam. Não precisamos ver uma intimidade gráfica para entender e sentir desejos que são internos dos personagens. As <italic>dizis</italic> reafirmam uma visão idealizada, tradicional e heteronormativa de romance, mas suas histórias se aproveitam de elementos sensórios, internos e da demora de conclusão das tramas. Parece pueril, mas se trata de uma intrincada construção narrativa que coloca o espectador junto aos personagens, sentindo com eles. E talvez isso explique parte do sucesso das <italic>dizis</italic> num público feminino ao redor do mundo. Há uma <italic>mise-en-scène</italic> do desejo, como observou <xref ref-type="bibr" rid="B15">Deleyto (2013</xref>, p. 193) acerca dos romances que transformam a hostilidade dos personagens em atração e agradam o público pelo “seu enorme potencial de transformar nossa débil realidade em fascinantes cenários utópicos governados por leis inexplicáveis do desejo”. O discurso do romance, propõe <xref ref-type="bibr" rid="B28">Shumway (2003</xref>, p. 51), “autoriza as pessoas - especialmente mulheres - a reimaginar suas vidas como uma narrativa na qual suas escolhas e desejo se realizam”. E por isso ele é tão poderoso e popular.</p>
			<p>As <italic>dizis</italic> com suas protagonistas donas das próprias escolhas, que se apaixonam e realizam seus desejos, são acolhidas por um público também feminino consumidor de tramas românticas. Por mais conservador que sejam os enquadramentos narrativos que pareiam início e fim das histórias, há um meio sinuoso e potencialmente transgressor porque traz à tona um erotismo que, em tese, não deveria estar lá. Um ambivalente erotismo sensório, narrativo e, ainda assim, romântico e controlado.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ABU-LUGHOD, L. Melodrama egípcio: uma tecnologia do sujeito moderno? <italic>Cadernos Pagu</italic>, São Paulo, n. 21, p. 75-102, 2003.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ABU-LUGHOD</surname>
							<given-names>L</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Melodrama egípcio: uma tecnologia do sujeito moderno?</article-title>
					<source>Cadernos Pagu</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<issue>21</issue>
					<fpage>75</fpage>
					<lpage>102</lpage>
					<year>2003</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>ACOSTA-ALZURU, C. Will It Travel? The Local Vs. Global Tug-Of-War for Telenovela and Turkish Dizi Producers. <italic>In</italic>: Arda, Özlem, Aslan, Pınar, Mujica, Constanza: <italic>Transnationalization Of Turkish Television Series</italic>. Istambul: Istambul UP, 2021.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ACOSTA-ALZURU</surname>
							<given-names>C</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Will It Travel? The Local Vs. Global Tug-Of-War for Telenovela and Turkish Dizi Producers</chapter-title>
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Arda</surname>
							<given-names>Özlem</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Aslan</surname>
							<given-names>Pınar</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Mujica</surname>
							<given-names>Constanza</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Transnationalization Of Turkish Television Series</source>
					<publisher-loc>Istambul</publisher-loc>
					<publisher-name>Istambul UP</publisher-name>
					<year>2021</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>ACOSTA-ALZURU, C. La clave de la novela turca está en el storytelling. [Entrevista cedida a] Aliana Gonzaléz. <italic>PROD35</italic>, Miami, mar. 2024. Disponível em: <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.produ.com/television/videos/carolina-acosta-alzuru-profesora-e-investigadora-universidad-de-georgia/">https://www.produ.com/television/videos/carolina-acosta-alzuru-profesora-e-investigadora-universidad-de-georgia/</ext-link>
					</comment>. Acesso em: 22 ago. 2024.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ACOSTA-ALZURU</surname>
							<given-names>C</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>La clave de la novela turca está en el storytelling</source>
					<comment>[Entrevista cedida a] Aliana Gonzaléz</comment>
					<publisher-name>PROD35</publisher-name>
					<publisher-loc>Miami</publisher-loc>
					<month>03</month>
					<year>2024</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.produ.com/television/videos/carolina-acosta-alzuru-profesora-e-investigadora-universidad-de-georgia/">https://www.produ.com/television/videos/carolina-acosta-alzuru-profesora-e-investigadora-universidad-de-georgia/</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2024-08-22">22 ago. 2024</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>Amaral, C. <italic>O espaço-tempo da comédia romântica</italic>. 2018. Tese (Doutorado em Comunicação) - Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2018.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Amaral</surname>
							<given-names>C</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O espaço-tempo da comédia romântica</source>
					<year>2018</year>
					<comment content-type="degree">Tese (Doutorado em Comunicação</comment>
					<publisher-name>Universidade Federal Fluminense</publisher-name>
					<publisher-loc>Niterói</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>Amaral, C. The Temporality of (Serialized) Romantic Comedy. <italic>Networking Knowledge: Journal of the MeCCSA Postgraduate Network</italic>, [<italic>s. l</italic>.], v. 13, n. 2, p. 78-89, 2020. DOI: https://doi.org/10.31165/nk.2020.132.581</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Amaral</surname>
							<given-names>C</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>The Temporality of (Serialized) Romantic Comedy</article-title>
					<source>Networking Knowledge: Journal of the MeCCSA Postgraduate Network</source>
					<publisher-loc>s. l</publisher-loc>
					<volume>13</volume>
					<issue>2</issue>
					<fpage>78</fpage>
					<lpage>89</lpage>
					<year>2020</year>
					<pub-id pub-id-type="doi">10.31165/nk.2020.132.581</pub-id>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation>BALTAR, M. <italic>Realidade Lacrimosa</italic>: o melodramático no documentário brasileiro contemporâneo. Niterói: EDUFF, 2019.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BALTAR</surname>
							<given-names>M</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Realidade Lacrimosa</italic>: o melodramático no documentário brasileiro contemporâneo</source>
					<publisher-loc>Niterói</publisher-loc>
					<publisher-name>EDUFF</publisher-name>
					<year>2019</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>BALTAR, M. Corpo e afeto: Atualizações do regime de atrações no cinema brasileiro contemporâneo. <italic>Aniki</italic>, Coimbra, v. 10, n. 2, p. 4-28, 2023.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BALTAR</surname>
							<given-names>M</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Corpo e afeto: Atualizações do regime de atrações no cinema brasileiro contemporâneo</article-title>
					<source>Aniki</source>
					<publisher-loc>Coimbra</publisher-loc>
					<volume>10</volume>
					<issue>2</issue>
					<fpage>4</fpage>
					<lpage>28</lpage>
					<year>2023</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<mixed-citation>BERG, M. <italic>Turkish Drama Serials</italic>: the importance and influence of a globally popular TV phenomenon. Exeter: University of Exeter Press, 2023.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BERG</surname>
							<given-names>M</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Turkish Drama Serials</italic>: the importance and influence of a globally popular TV phenomenon</source>
					<publisher-loc>Exeter</publisher-loc>
					<publisher-name>University of Exeter Press</publisher-name>
					<year>2023</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B9">
				<mixed-citation>BORDWELL, D. <italic>The way Hollywood tells it</italic>: Story and style in modern movies. Berkeley: California UP, 2006.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BORDWELL</surname>
							<given-names>D</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>The way Hollywood tells it</italic>: Story and style in modern movies</source>
					<publisher-loc>Berkeley</publisher-loc>
					<publisher-name>California UP</publisher-name>
					<year>2006</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<mixed-citation>BHUTTO, F. <italic>New Kings of the World</italic>: Dispatches from Bollywood, Dizi, and K-Pop. Nova York: Columbia Global Reports, 2019. (e-book).</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BHUTTO</surname>
							<given-names>F</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>New Kings of the World</italic>: Dispatches from Bollywood, Dizi, and K-Pop</source>
					<publisher-loc>Nova York</publisher-loc>
					<publisher-name>Columbia Global Reports</publisher-name>
					<year>2019</year>
					<comment>(e-book</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<mixed-citation>BRASIL, L. A. A. <italic>Escrever Ficção</italic>: um manual de criação literária. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BRASIL</surname>
							<given-names>L. A. A</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Escrever Ficção</italic>: um manual de criação literária</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Companhia das Letras</publisher-name>
					<year>2009</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<mixed-citation>BROOKS, Peter. <italic>Reading for the plot</italic>: design and intention in narrative. New York: Knopf, 1984.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BROOKS</surname>
							<given-names>Peter</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Reading for the plot</italic>: design and intention in narrative</source>
					<publisher-loc>New York</publisher-loc>
					<publisher-name>Knopf</publisher-name>
					<year>1984</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B13">
				<mixed-citation>COELHO, B.; LIRA, T.; ALMEIDA, C. A Cultura de Convergência e de Participação em <italic>Sen Çal Kapımı</italic>: um estudo sobre os perfis de fãs. <italic>In</italic>: Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 44., 2021, São Paulo. <italic>Anais</italic> […]. São Paulo: INTERCOM, 2021.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="confproc">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>COELHO</surname>
							<given-names>B.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>LIRA</surname>
							<given-names>T.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>ALMEIDA</surname>
							<given-names>C</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A Cultura de Convergência e de Participação em <italic>Sen Çal Kapımı</italic>: um estudo sobre os perfis de fãs</source>
					<conf-name>Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 44</conf-name>
					<conf-date>2021</conf-date>
					<conf-loc>São Paulo</conf-loc>
					<comment>Anais […]</comment>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>INTERCOM</publisher-name>
					<year>2021</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<mixed-citation>DELEYTO, C. <italic>The secret life of romantic comed</italic>y. Manchester; New York: Manchester UP, 2009.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DELEYTO</surname>
							<given-names>C</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>The secret life of romantic comed</source>
					<publisher-loc>Manchester; New York</publisher-loc>
					<publisher-name>Manchester UP</publisher-name>
					<year>2009</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B15">
				<mixed-citation>DELEYTO, C. Humor and Erotic Utopia: The Intimate Scenarios of Romantic Comedy. <italic>In</italic>: Horton, A.; RAPF, J. <italic>A Companion to Film Comedy</italic>. Oxford and West Sussex: Wiley-Blackwell, 2013.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DELEYTO</surname>
							<given-names>C</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Humor and Erotic Utopia: The Intimate Scenarios of Romantic Comedy</chapter-title>
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Horton</surname>
							<given-names>A.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>RAPF</surname>
							<given-names>J</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A Companion to Film Comedy</source>
					<publisher-loc>Oxford and West Sussex</publisher-loc>
					<publisher-name>Wiley-Blackwell</publisher-name>
					<year>2013</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<mixed-citation>DOANE, M. A. <italic>The desire to desire</italic>: the woman’s film of the 1940s. Bloomington: Indiana UP, 1987.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DOANE</surname>
							<given-names>M</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A. <italic>The desire to desire</italic>: the woman’s film of the 1940s</source>
					<publisher-loc>Bloomington</publisher-loc>
					<publisher-name>Indiana UP</publisher-name>
					<year>1987</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B17">
				<mixed-citation>ECO, U. <italic>Seis passeios pelos bosques da ficção</italic>. São Paulo: Companhia das Letras , 2009.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ECO</surname>
							<given-names>U</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Seis passeios pelos bosques da ficção</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Companhia das Letras</publisher-name>
					<year>2009</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B18">
				<mixed-citation>ILOUZ, E. <italic>Consuming the romantic utopia</italic>: love and the cultural contradictions of capitalism. Berkeley; Los Angeles: California UP, 1997.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ILOUZ</surname>
							<given-names>E</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Consuming the romantic utopia</italic>: love and the cultural contradictions of capitalism</source>
					<publisher-loc>Berkeley; Los Angeles</publisher-loc>
					<publisher-name>California UP</publisher-name>
					<year>1997</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B19">
				<mixed-citation>MCDONALD, T. J. Foreword romantic comedy today: making progress always or only maybe? <italic>In</italic>: FILIPPO, M. S. (ed.). <italic>After “Happily Ever After”</italic>. Detroit: Wayne State University Press, 2021.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MCDONALD</surname>
							<given-names>T. J</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Foreword romantic comedy today: making progress always or only maybe?</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>FILIPPO</surname>
							<given-names>M. S</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>After “Happily Ever After”</source>
					<publisher-loc>Detroit</publisher-loc>
					<publisher-name>Wayne State University Press</publisher-name>
					<year>2021</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B20">
				<mixed-citation>MENDES, C. F. <italic>A gargalhada de Ulisses</italic>: a catarse na comédia. São Paulo: Perspectiva, 2008.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>MENDES</surname>
							<given-names>C. F</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>A gargalhada de Ulisses</italic>: a catarse na comédia</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Perspectiva</publisher-name>
					<year>2008</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B21">
				<mixed-citation>MONTEIRO, L. R. O cinema existe e resiste: Longa duração, análise fílmica e espectatorialidade nos filmes de Lav Diaz. <italic>Aniki</italic>, Coimbra, v. 4, n. 2,, p. 434-455, 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MONTEIRO</surname>
							<given-names>L. R</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>O cinema existe e resiste: Longa duração, análise fílmica e espectatorialidade nos filmes de Lav Diaz</article-title>
					<source>Aniki</source>
					<publisher-loc>Coimbra</publisher-loc>
					<volume>4</volume>
					<issue>2</issue>
					<fpage>434</fpage>
					<lpage>455</lpage>
					<year>2017</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B22">
				<mixed-citation>NICHOLSON, A. Who Killed the Romantic Comedy. <italic>L.A. Weekly</italic>, 27 fev. 2014. Disponível em: <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.laweekly.com/who-killed-the-romantic-comedy/">https://www.laweekly.com/who-killed-the-romantic-comedy/</ext-link>
					</comment>. Acesso em: 17 mar. 2024.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="newspaper">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>NICHOLSON</surname>
							<given-names>A</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Who Killed the Romantic Comedy</article-title>
					<source>L.A. Weekly</source>
					<day>27</day>
					<month>02</month>
					<year>2014</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.laweekly.com/who-killed-the-romantic-comedy/">https://www.laweekly.com/who-killed-the-romantic-comedy/</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2024-03-17">17 mar. 2024</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B23">
				<mixed-citation>ÖZTÜRKMEN, A. “Turkish Content”: The Historical Rise of the Dizi Genre. <italic>TV Series</italic>, Marseille, v. 13, 2018.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ÖZTÜRKMEN</surname>
							<given-names>A</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>“Turkish Content”: The Historical Rise of the Dizi Genre</article-title>
					<source>TV Series,</source>
					<publisher-loc>Marseille</publisher-loc>
					<volume>13</volume>
					<year>2018</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B24">
				<mixed-citation>ÖZTÜRKMEN, A. <italic>The Delight of Turkish Dizi</italic>: memory, genre and politics of television in Turkey. Chicago: Chicago UP, 2022.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ÖZTÜRKMEN</surname>
							<given-names>A</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>The Delight of Turkish Dizi</italic>: memory, genre and politics of television in Turkey</source>
					<publisher-loc>Chicago</publisher-loc>
					<publisher-name>Chicago UP</publisher-name>
					<year>2022</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B25">
				<mixed-citation>PAZ, O. <italic>La llama doble</italic>: amor y erotismo. Barcelona: Seix Barral, 1993.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PAZ</surname>
							<given-names>O</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>La llama doble</italic>: amor y erotismo</source>
					<publisher-loc>Barcelona</publisher-loc>
					<publisher-name>Seix Barral</publisher-name>
					<year>1993</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B26">
				<mixed-citation>SEIDMAN, S. <italic>Romantic Longings</italic>: love in America, 18330-1980. New York; London: Routledge, 1991.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SEIDMAN</surname>
							<given-names>S</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Romantic Longings</italic>: love in America, 18330-1980</source>
					<publisher-loc>New York; London</publisher-loc>
					<publisher-name>Routledge,</publisher-name>
					<year>1991</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B27">
				<mixed-citation>SERTBULUT, Z. The dizi industry’s geographic imaginaries and narratives of global success. <italic>The International Communication Gazette</italic>, Thousand Oaks, v. 85, n. 3-4, p. 289-306, 2023. </mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SERTBULUT</surname>
							<given-names>Z</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>The dizi industry’s geographic imaginaries and narratives of global success</article-title>
					<source>The International Communication Gazette</source>
					<publisher-loc>Thousand Oaks</publisher-loc>
					<volume>85</volume>
					<issue>3-4</issue>
					<fpage>289</fpage>
					<lpage>306</lpage>
					<year>2023</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B28">
				<mixed-citation>SHUMWAY, D. R. <italic>Modern love</italic>: romance, intimacy and the marriage crisis. New York; London: New York UP, 2003.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SHUMWAY</surname>
							<given-names>D. R</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Modern love</italic>: romance, intimacy and the marriage crisis</source>
					<publisher-loc>New York; London</publisher-loc>
					<publisher-name>New York UP</publisher-name>
					<year>2003</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B29">
				<mixed-citation>STERNBERG, M. <italic>Expositional Modes and Temporal Ordering in Fiction</italic>. Baltimore: John Hopkins UP, 1978.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>STERNBERG</surname>
							<given-names>M</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Expositional Modes and Temporal Ordering in Fiction</source>
					<publisher-loc>Baltimore</publisher-loc>
					<publisher-name>John Hopkins UP</publisher-name>
					<year>1978</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B30">
				<mixed-citation>THE THIRD-LARGEST exporter of television is not who you might expect. After America and Britain, Turkey is the biggest seller of scripted shows. <italic>The Economist</italic>, London, 15 fev. 2024. Disponível em: <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.economist.com/culture/2024/02/15/the-third-largest-exporter-of-television-is-not-who-you-might-expec">https://www.economist.com/culture/2024/02/15/the-third-largest-exporter-of-television-is-not-who-you-might-expec</ext-link>
					</comment>. Acesso em: 12 abr. 2024.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<source>THE THIRD-LARGEST exporter of television is not who you might expect. After America and Britain, Turkey is the biggest seller of scripted shows</source>
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>The Economist</collab>
					</person-group>
					<publisher-loc>London</publisher-loc>
					<day>15</day>
					<month>02</month>
					<year>2024</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.economist.com/culture/2024/02/15/the-third-largest-exporter-of-television-is-not-who-you-might-expec">https://www.economist.com/culture/2024/02/15/the-third-largest-exporter-of-television-is-not-who-you-might-expec</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2024-04-12">12 abr. 2024</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B31">
				<mixed-citation>THOMPSON, K. The concept of cinematic excess. <italic>In</italic>: ALLEN, D.; LAURETIS, T. (eds.). <italic>Ciné-Tracts: A Journal of Film, in Cinema</italic>. 1977. p. 54-66.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>THOMPSON</surname>
							<given-names>K</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>The concept of cinematic excess</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>ALLEN</surname>
							<given-names>D.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>LAURETIS</surname>
							<given-names>T</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Ciné-Tracts: A Journal of Film, in Cinema</source>
					<year>1977</year>
					<fpage>54</fpage>
					<lpage>66</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B32">
				<mixed-citation>WILLIAMS, L. Film Bodies: gender, genre and excess. <italic>In</italic>: GRANT, B. K. (Org.). <italic>Film Genre Reader III</italic>. Austin: University of Texas Press, 2003. p. 141-159.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>WILLIAMS</surname>
							<given-names>L</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Film Bodies: gender, genre and excess</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>GRANT</surname>
							<given-names>B. K</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Film Genre Reader III</source>
					<publisher-loc>Austin</publisher-loc>
					<publisher-name>University of Texas Press,</publisher-name>
					<year>2003</year>
					<fpage>141</fpage>
					<lpage>159</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Em 2024, completa-se dez anos que as séries turcas começaram a ser transmitidas na América Latina - em <xref ref-type="bibr" rid="B22">2014</xref>, o Chile exibiu a <italic>dizi Mil e uma noites</italic> - evento que foi comemorado no último <italic>Content America</italic>, em janeiro de 2024. No Brasil, a primeira série exibida foi <italic>Fatmagul</italic>, em 2015, pela TV aberta Band, no formato diário de telenovela. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Numa reportagem recente, o jornal <italic>The Economist</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B30">The third-largest…, 2024</xref>) trata o sucesso de séries turcas na Europa continental com espanto e coloca a Turquia como a terceira maior exportadora de conteúdo roteirizado do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido. </p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>No Brasil, há uma grande base de fãs responsável por legendar em português e distribuir links de <italic>dizis</italic> já finalizadas ou em exibição na Turquia. O aplicativo Telegram é usado como plataforma de distribuição (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Coelho; Lira; Almeida, 2021</xref>). Mas aqui privilegiam-se títulos comercialmente lançados no país porque são um indício do que se está licenciando para o nosso mercado. <italic>Será isso amor?</italic> também esteve em exibição na TV fechada, no canal TNT novelas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p><italic>Dizis</italic> de verão são feitas, primordialmente, para o verão, mas algumas acabam emplacando como série e continuam na temporada de lançamentos, chegando a serem renovadas para mais temporadas. É o caso de <italic>Será isso amor?</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p><italic>Será isso amor?</italic> tem 39 episódios na primeira temporada; no Brasil, são 121. Na segunda temporada, são 13 originalmente; no Brasil, são 40. <italic>Hercai</italic> tem, ao todo, 69 episódios em três temporadas; no Brasil, foram lançados 144 das duas primeiras temporadas, e, até a finalização deste artigo, o Globoplay ainda não havia lançado a última (e mais longa) temporada.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p><italic>Será isso amor?</italic> sofreu penalidade por apresentar uma cena em que o casal principal toma banho junto numa banheira e depois no chuveiro, ainda que num enquadramento muito próximo, mostrando pouco ou quase nada de pele. No Brasil, a <italic>dizi</italic> foi classificada para o público a partir de 10 anos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p> A <italic>dizi</italic> tem números impressionantes, como o licenciamento para mais de 80 países, um remake atualmente no ar na Rússia e o curioso título de último capítulo de série de ficção mais twittado, desbancando <italic>Game of Thrones</italic>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>Equipamento que estabiliza a câmera na mão trazendo uma imagem levemente fluida. A maioria dos planos nas <italic>dizis</italic> é feita dessa forma, poucas são as imagens totalmente paradas, filmadas de um tripé.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
</article>