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				<journal-title>Rumores</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">RuMoRes - Revista Online de Comunicação, Linguagem e Mídias</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">1982-677X</issn>
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				<publisher-name>Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.1982-677X.rum.2025.235086</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Dossiê</subject>
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				<article-title>Visibilidade e crítica da sexualidade: pedagogias eróticas e representatividade LGBTQIAPN+ em “Verdades Secretas 2”</article-title>
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					<trans-title>Visibility and critique of sexuality: erotic pedagogies and LGBTQIAPN+ representation in “Verdades Secretas 2”</trans-title>
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						<surname>Silva</surname>
						<given-names>Carlos Felipe Carvalho da</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
					<bio>
						<p>Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), orientando do Prof. Dr. Ivan Paganotti, graduado em jornalismo pela Universidade de Taubaté (Unitau), membro do grupo de pesquisa CHECAR-Umesp.</p>
					</bio>
						<email>felipecarvalho2@gmail.com</email>
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						<surname>Paganotti</surname>
						<given-names>Ivan</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref>
					<bio>
						<p>Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e pesquisador do CNPq (PQ-2), realizou pós-doutorado no TIDD/PUC-SP. Doutor em Ciências da Comunicação pela USP. Líder do grupo de pesquisa Checagem, Educação, Comunicação, Algoritmos e Regulação (CHECAR) e integrante da Rede Metacrítica.</p>
					</bio>
						<email>ivanpaganotti@gmail.com</email>
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				<label>1</label>
				<institution content-type="original"> Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), orientando do Prof. Dr. Ivan Paganotti, graduado em jornalismo pela Universidade de Taubaté (Unitau), membro do grupo de pesquisa CHECAR-Umesp. Brasil. E-mail: felipecarvalho2@gmail.com</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">CHECAR</institution>
				<institution content-type="orgname">Umesp</institution>
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				<email>felipecarvalho2@gmail.com</email>
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				<label>2</label>
				<institution content-type="original"> Doutor pela USP. Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo e pesquisador do CNPq (PQ-2), realizou pós-doutorado no TIDD/PUC-SP. Líder do grupo de pesquisa CHECAR-Umesp, membro do Midiato/ECA-USP. Brasil. E-mail: ivanpaganotti@gmail.com</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Metodista de São Paulo</institution>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>16</day>
				<month>07</month>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jan-Jun</season>
				<year>2025</year>
			</pub-date>
			<volume>19</volume>
			<issue>37</issue>
			<fpage>76</fpage>
			<lpage>92</lpage>
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				<date date-type="received">
					<day>25</day>
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				<date date-type="accepted">
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Ao continuar produto audiovisual de sucesso na TV aberta da Globo, a novela <italic>Verdades Secretas 2</italic>, exibida no <italic>streaming</italic> Globoplay em 2022, pôde exibir cenas e temáticas que não encontram ainda espaço na programação televisiva. Esta pesquisa analisa como a novela pode expandir os limites históricos da visibilidade sexual de grupos LGBTQIAPN+ no audiovisual brasileiro, avaliando também como a crítica jornalística destacou as cenas de práticas sexuais entre esses personagens na apreciação da trama e da estética da novela.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p><italic>Verdades Secretas 2</italic> continued a successful audiovisual product on Globo’s broadcast TV. Available on Globoplay streaming in 2022, this soap opera was able to show scenes and themes that do not yet find space on television programming. This research analyzes how the soap opera can expand the historical limits of sexual visibility of LGBTQIAPN+ groups in Brazilian audiovisual, also evaluating how journalistic critics have highlighted the scenes of sexual practices between these characters in their appreciation of the plot and aesthetics of the soap opera.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>telenovela</kwd>
				<kwd>crítica</kwd>
				<kwd>Verdades Secretas</kwd>
				<kwd>sexo</kwd>
				<kwd>LGBTQIAPN+</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>telenovela</kwd>
				<kwd>criticism</kwd>
				<kwd>Verdades Secretas</kwd>
				<kwd>sex</kwd>
				<kwd>LGBTQIAPN+</kwd>
			</kwd-group>
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	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>Quando se fala em um roteiro de telenovela clássico, a primeira ideia que vem à cabeça é uma estrutura tradicional de personagens centrais que começam pela “mocinha”, uma jovem indefesa que tem um problema na vida e que vai conhecer o “mocinho”, um homem nem sempre jovial que vai lutar por ela e resolver todos os problemas pela frente. Para impedir que tudo dê certo, sempre há um vilão, ou vilã, que vai atrapalhar todos os planos logo de imediato.</p>
			<p>A estrutura do casal principal de uma telenovela ou de um romance já está no imagético como sendo de um homem herói e de uma mulher indefesa, um reflexo da herança patriarcal vista na sociedade desde muito antes de existir a televisão. Por esse motivo, os relacionamentos LGBTQIAPN+ estiveram sempre inviabilizados na dramaturgia brasileira, corroborando para a manutenção do preconceito por décadas a fio. </p>
			<p>Quando um personagem gay estava no elenco de uma novela, ele normalmente tinha uma função cômica na trama ou mesmo era visto como o melhor amigo de uma personagem, sem sentimentos, sem possibilidade de um relacionamento, quase como um eunuco, um homem que tinha suas genitálias decepadas e que serviam como os “vigilantes da cama”, sem a possibilidade de desejar uma relação sexual.</p>
			<p>A TV Globo, como maior conglomerado de comunicação do país, exibiu a primeira cena de um beijo entre dois homens em 2014, abrindo a porta para que as relações LGBTQIAPN+ tivessem mais espaço e fossem tratadas de forma mais respeitosa, com o mesmo zelo recebido pelas relações heteroafetivas. A partir daí, surge grande potencial educacional que mira no início da desconstrução e da desestigmatização da LGBTfobia enraizada na sociedade. Mas qual é a visibilidade que a emissora dá ao sexo entre pessoas do mesmo gênero? </p>
			<p>Este trabalho<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>3</sup></xref> mergulha no universo novelístico para entender o tamanho do espaço cedido pelos dramaturgos aos romances entre pessoas LGBTQIAPN+ e identifica que <italic>Verdades Secretas 2</italic>, a primeira novela feita para o <italic>streaming</italic>, abre espaço para uma grande diversidade de cenas de sexo entre homens, mulheres e até mesmo de atos sexuais com múltiplos parceiros ao mesmo tempo. Para isso, pretende avaliar de que forma a novela e sua crítica podem naturalizar ou problematizar práticas sexuais não-heteronormativas: o <italic>streaming</italic>, em particular, pode expandir, confinar ou conformar os limites históricos da visibilidade sexual?</p>
			<p>Os exemplos de dramaturgia aqui escolhidos são parte de uma pesquisa exploratória, a partir de referências encontradas sobre a temática da educação sexual para pessoas LGBTQIAPN+ nas novelas da TV Globo. Este trabalho, inclusive, considera somente as cenas de romance e sexo das tramas dessa emissora porque é a única até o momento a exibir pessoas do mesmo gênero em relações homoeróticas e por ser a maior emissora do país, com uma extensa tradição de exportação de telenovelas pelo mundo afora. O foco desta pesquisa foi avaliar as cenas de sexualidade não-heteronormativa nessas produções audiovisuais, considerando como a crítica televisiva em veículos jornalísticos tratou desta abordagem sobre a sexualidade como elemento positivo ou negativo na análise da trama. Para isso, foram selecionados episódios de novelas que são marcos históricos importantes sobre a sexualidade LGBTQIAPN+, com foco particular nos dois ciclos de <italic>Verdades Secretas</italic>, além das críticas do jornalista Maurício Stycer sobre essa produção audiovisual.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Contextualização histórica</title>
			<p>Os primeiros aparelhos de televisão aportaram no Brasil pelas mãos do jornalista e empresário Assis Chateaubriand, que também criou a primeira emissora de televisão do Brasil, a TV Tupi, que foi instalada na capital paulista. Apenas um ano depois, no dia 21 de dezembro de 1951, estreava a primeira telenovela do Brasil e do mundo, <italic>Sua Vida me Pertence</italic>, escrita, produzida e dirigida por Walter Foster, que também atuou como protagonista da história, Alfredo, ao lado de Vida Alves, “a mocinha” Elizabeth, e Lia de Aguiar, que ficou com o papel da vilã ambiciosa Eliana (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Svartman, 2023</xref>, p. 33). Foster sabia que, naquela época, os filmes hollywoodianos já mostravam cenas de beijos entre seus personagens, então levou à direção da TV Tupi a ideia de também exibir o primeiro beijo entre um homem e uma mulher na televisão. O assunto chegou à cúpula da emissora e foi aprovado pelos diretores. </p>
			<disp-quote>
				<p>Apesar de ter sido um beijo casto, segundo Alencar, “gerou protestos de todos os tipos contra a imoralidade que ameaçava os lares do país” (Alencar, 2002). Alves relembra a repercussão do beijo: “Algumas pessoas ficaram alvoroçadas. Escandalizadas. Outras apenas caladas. Outras assustadas. Uma coisa importante tinha acontecido. Todos sabiam disso” (Alves, 2008). Como as telenovelas na época eram exibidas ao vivo, não há documentação desse fato histórico; apenas fotos de divulgação alusivas ao que aconteceu momentos antes e depois do beijo (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Svartman, 2023</xref>, p. 34).</p>
			</disp-quote>
			<p>Em 1963, a TV Tupi também apresentava o programa <italic>Grande Teatro</italic>, que eram adaptações de peças de teatro e romances literários para o formato da televisão. Vida Alves contracenava com Geórgia Gomide no teleteatro <italic>A Calúnia</italic> e elas interpretavam duas diretoras de um internato de meninas adolescentes. Uma garota do colégio, que tirou nota baixa em uma prova, criou uma história falsa que as duas diretoras eram amantes, os pais se revoltaram com a desonra, os alunos foram retirados da escola aos poucos até que a instituição é fechada. Ao final da história, as duas descobrem que realmente se amavam e, no último capítulo, trocaram apenas um beijo que ficou registrado como o primeiro beijo lésbico em uma telenovela brasileira.</p>
			<p>Alves disse em entrevista que a repercussão desse beijo lésbico foi ainda maior, se comparado com sua primeira experiência em 1951. “Eu me lembro dos comentários. Diziam que ‘estamos ficando extravagantes’. Mas não foram tão exagerados” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Ortega, 2014</xref>).</p>
			<p>A primeira cena de sexo entre um casal heterossexual da televisão brasileira não tem registro. Não há uma pesquisa avançada exatamente sobre esse assunto, mas algumas novelas da década de 1990 já exploravam esse assunto de maneira mais aberta, como <italic>Pedra Sobre Pedra</italic> (1992), de Aguinaldo Silva, que dava voz ao prazer feminino no núcleo do fotógrafo Jorge Tadeu, vivido por Fábio Jr. Na história, cinco mulheres apaixonadas desejavam transar com o galã, que urinou em uma plantação de antúrios e, depois de morrer no 30º capítulo, elas comiam a flor daquele jardim, tinham encontros sobrenaturais com o fotógrafo e faziam sexo com ele em forma de espírito.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Romance LGBTQIAPN+</title>
			<p>Autores de novelas já demonstravam interesse em inserir personagens LGBTQIAPN+ mais profundos, com história e romance para mostrar ao público ainda conservador a existência do amor entre pessoas do mesmo gênero. <italic>A Próxima Vítima</italic> (1995), de Silvio de Abreu, trouxe para uma novela das oito a história dos jovens Sandrinho e Jefferson, vividos por André Gonçalves e Lui Mendes, respectivamente, que eram gays não afeminados, e que tinham uma relação não explicitada para o espectador, até que Sandrinho revela a verdade para a mãe, Ana (Susana Vieira), no 118º capítulo, que “tive algumas namoradas, mas não era verdade, e sim para provar para todo mundo que não tinha nada de errado comigo”.</p>
			<disp-quote>
				<p>Para a maioria das pessoas não está certo gostar de uma pessoa do mesmo sexo. […] Não é uma fase. Não depende da minha vontade. A senhora não sabe como eu lutei para isso. Olha para mim, acredita! Se dependesse só de mim, eu estaria com uma garota, ou até um monte! Como o Giba, como o Giulio… seria bem mais prático, mas não é verdade. Não iam ficar me olhando de lado e me fazendo perguntas. Eu não quero ser diferente, mas eu sou. […] .As pessoas não mexem [comigo nas ruas], mas falam. Eu sei que falam, comentam, todo mundo faz isso, mas acho até normal. Não é divertido, mas a gente acostuma ou acaba acostumando (<xref ref-type="bibr" rid="B1">A Próxima Vítima, 1995</xref>, 10’22”).</p>
			</disp-quote>
			<p>O discurso de Sandrinho, ao som instrumental de <italic>Io Che Amo Solo Te,</italic> do italiano Sergio Endrigo, trouxe àquela geração de adolescentes da década de 1995 a legitimidade de uma relação entre dois homens que, até então, só estava no campo do pecado, de acordo com a visão cristã da época sobre a homossexualidade. O casal homoafetivo chegou a morar junto até o fim da trama de Abreu, mas o beijo entre os dois não aconteceu.</p>
			<p>A representatividade do casal Sandrinho e Jefferson foi muito importante para a construção da identidade de um homem gay, pois o assunto foi tratado de maneira séria e com respeito em um período de discriminação. Charles <xref ref-type="bibr" rid="B2">Atkin (1978</xref>) descreveria essa cena como uma aprendizagem incidental, em que o público da telenovela aprende por meio da história do personagem que ser homossexual não é um problema. “As pessoas que assistem aos programas de entretenimento podem não ter a intenção de apreender noções sócio-político-filosóficas, mas não obstante elas apreendem essas noções ao longo dos programas” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Atkin, 1978</xref>, p. 41).</p>
			<disp-quote>
				<p>O saber é disperso e fragmentado e pode circular fora dos lugares sagrados nos quais antes estava circunscrito e longe das figuras sociais que antes o administravam. A escola deixou de ser o único lugar de legitimação do saber, pois existe uma multiplicidade de saberes que circulam por outros canais, difusos e descentralizados. Essa diversificação e difusão do saber, fora da escola, é um dos desafios mais fortes que o mundo da comunicação apresenta ao sistema educacional (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Martín-Barbero, 2000</xref>, p. 55).</p>
			</disp-quote>
			<p>O beijo entre duas pessoas do mesmo gênero caiu em uma espécie de limbo da televisão e nenhum outro dramaturgo ousou escrever uma cena com duas mulheres ou dois homens desde o primeiro beijo de Vida Alves e Geórgia Gomide.</p>
			<p>Em 1990, a Rede Manchete levou ao ar a minissérie <italic>Mãe de Santo</italic> e o quarto episódio da trama mostrou a história de Lúcio e Rafael, um casal homossexual interpretado pelos atores Raí Alves e Daniel Barcellos, respectivamente, que se beijaram ao final do episódio, em uma cena que aparece somente a silhueta das bocas que se encostam em um beijo que dura exatos 4 segundos.</p>
			<p>Em 2005, Gloria Perez queria fazer história na novela das oito <italic>América</italic> e escreveu um final feliz para o personagem gay, Júnior (Bruno Gagliasso), que se apaixonou pelo peão Zeca (Erom Cordeiro): os dois chegaram a gravar a cena do beijo final, mas a TV Globo preferiu não exibir a cena por medo da reação do público conservador. A partir daí, estava formada a corrida entre as emissoras sobre quem ousaria a exibir mais uma vez um beijo entre pessoas do mesmo gênero.</p>
			<p>O SBT produziu a telenovela <italic>Amor e Revolução</italic> em 2011, que trazia a história de Marcela e Marina, interpretadas por Giselle Tigre e Luciana Vendramini, e fazia promessas que haveria um beijo entre as duas, o que gerou uma expectativa no público e fez aumentar o índice de audiência da trama de Tiago Santiago. A cena finalmente aconteceu no dia 12 de maio daquele ano, durou 29 segundos, e gerou um misto de elogios e críticas pela forma como a emissora abordou o tema, entre tantas outras questões sociais problemáticas abordadas na trama.</p>
			<p>Somente em 2014 a Globo exibiu o beijo entre o vilão reabilitado Félix (Mateus Solano) e doce Niko (Thiago Fragoso) que comoveu os telespectadores mais tradicionais das telenovelas. A emissora carioca quebrou aí mais de 60 anos de tabu e a partir desse momento dá saltos na evolução das relações homoafetivas na televisão.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Sexo LGBTQIAPN+ na TV</title>
			<p>O sexo heterossexual foi explorado pela televisão brasileira de algum modo em quase todas as telenovelas exibidas dos anos 1970 até hoje, desde apenas cenas sugestivas até aquelas com um teor maior de sensualidade. A naturalização do ato sexual entre um homem e uma mulher no audiovisual também pode ser ligado ao sucesso dos filmes pornochanchadas, gênero que começou a ser produzido no início da década de 1970, inspirado em comédias italianas e filmes eróticos europeus.</p>
			<p>Já o ato sexual entre pessoas LGBTQIAPN+ seguiu na contramão dessa tendência. A TV Globo, como a maior produtora de audiovisual do país, só conseguiu quebrar um tabu de décadas e mostrar o primeiro beijo entre homens em 2014, então uma relação sexual entre dois homens ou mulheres era algo quase impensável. Qualquer tipo de representação de sexo na televisão era única e exclusivamente aplicado ao sexo heteroafetivo. </p>
			<p>Em 2016, a novela das onze <italic>Liberdade, Liberdade</italic>, escrita por Mário Teixeira, exibiu a primeira relação entre homossexuais da teledramaturgia brasileira. A trama era ambientada no século 19, uma época que não se discutia o conceito de homossexualidade. André (Caio Blat) era um homem afeminado e que despertava a curiosidade nas pessoas sobre seus trejeitos. Já Tolentino (Ricardo Pereira) era um militar do exército, frio, duro e que levava o arquétipo do vilão. Nunca houve um romance entre os dois porque a relação homoafetiva entre homens era considerada um crime chamado “sodomia”.</p>
			<p>Quando a exibição dessa cena foi anunciada pela imprensa dias antes, comunidades evangélicas e católicas começaram a protestar contra a emissora e incentivar um verdadeiro boicote à Globo. A Bancada Evangélica do Congresso Nacional chegou a fazer uma forte campanha nas redes sociais contra a exibição da cena, considerando que seria um “atentado ao pudor e à família brasileira” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Falcheti, 2016</xref>).</p>
			<p>A televisão, como um meio de comunicação de massa tradicional, geralmente se abstém de falar sobre sexo em si, mesmo quando o assunto é educação sexual, mas as práticas sexuais heteronormativas estão sempre lá, nos filmes ou novelas. O homem (cisgênero ou transgênero) que se identifica como homossexual não tinha até aquele momento uma representatividade sobre o sexo gay e tudo o que se falava até o momento era colocado no lugar do pecado, tal como reforçou a Bancada Evangélica antes da exibição da cena de André e Tolentino.</p>
			<p>Contudo é de suma importância para um jovem gay entender que fazer sexo com um outro homem não está errado, principalmente se ele está fora dos dogmas das religiões cristãs. Um estudo publicado pelo <xref ref-type="bibr" rid="B7">Instituto Ipsos (2023</xref>) aponta que o Brasil é o país com maior parte da população que acredita em Deus ou em um poder maior: 89% dos brasileiros acreditam em um deus único (como no caso de religiões cristãs, judeus e muçulmanos), mesmo percentual encontrado na África do Sul. O levantamento também aponta que 70% da população se denomina cristã. </p>
			<p>O jovem adolescente que assiste apenas cenas de sexo heteronormativo em uma novela pode acreditar que esse seria o tipo de prática sexual normalizada, então aí dá-se a importância de se representar todo tipo de sexo nos meios de comunicação. Exibir esse tipo de conteúdo para o público de 16 anos ou mais, faz com que ele tenha uma aprendizagem incidental sobre a normalização do sexo entre pessoas LGBTQIAPN+. “E quanto mais a criança assiste a um determinado tipo de conteúdo, mais provavelmente ela irá aprender alguma coisa a respeito do assunto veiculado” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Atkin, 1978</xref>, p. 43).</p>
			<disp-quote>
				<p>Por meio de cenas de telenovelas, pode-se trabalhar a educação sexual de forma intencional e não intencional. Quando o assunto sobre cenas de telenovelas surge durante uma aula qualquer e o professor se manifesta ou não sobre o assunto, estará acontecendo um trabalho de educação sexual não intencional. E se o professor tem algo planejado para suas aulas, tais como com cenas de telenovelas, para levantar o diálogo sobre questões relativas à sexualidade, estará fazendo um trabalho intencional de educação sexual (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Carvalho, 2019</xref>, p. 184-185).</p>
			</disp-quote>
			<p>Em 2019, a TV Globo exibiu a primeira cena de sexo entre um homem cisgênero e uma mulher transgênero na telenovela <italic>O Sétimo Guardião</italic>, de Aguinaldo Silva, o mesmo de <italic>Pedra sobre Pedra</italic>. Para começar a debate, a personagem de Nany People tinha um nome masculino, Marcos Paulo, o que já deslegitima a transexualidade da atriz e da personagem. Na história, ela tinha um apreço por Peçanha (Felipe Hintze), assistente do delegado da cidade, vai até a delegacia, se mostra interessada em fazer sexo com ele em um jogo de sedução, e a edição da novela esfuma a imagem logo que os dois começam a se beijar ainda na sala do delegado. Um corte leva para o intervalo comercial e, ao retornar à cena, Marcos Paulo e Peçanha já estão no momento pós-coito, dessa vez dentro de uma cela. A imagem começa com um <italic>travelling</italic> (quando a câmera se movimenta de um lado para o outro) pelo lado de fora da grade enquanto o casal está conversando tranquilamente.</p>
			<p>A decupagem dessas imagens mostra a estigmatização do sexo da pessoa trans logo na primeira vez que a televisão brasileira apresenta ao público um pouco mais da diversidade de prática sexual que deveria existir em todo tipo de tela. Alguns questionamentos sem respostas ficam no ar, como por que a direção esfumaçou o beijo entre os dois - e por que a cena começa mostrando o pós-coito como algo que está atrás das grades, o que dá a ideia de algo ilegal, criminoso?</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O Sexo LGBTQIAPN+ em <italic>Verdades Secretas</italic></title>
			<p><italic>Verdades Secretas</italic> chegou à televisão brasileira em 2015 como uma proposta inovadora de fugir do clássico formato de “mocinha”, “mocinho” e vilão para trazer a dualidade do ser humano nos personagens. Angel, vivida por Camila Queiroz, é uma jovem de 16 anos que vai para a capital trabalhar como <italic>new face</italic>, termo usado para identificar as modelos novatas no mercado. Ela é contratada por uma agência que a incentiva a fazer <italic>book rosa</italic>, uma denominação para a prostituição nos bastidores do mundo da moda.</p>
			<p>Toda a trama de Walcyr Carrasco, que estreou na TV aberta em 8 de junho daquele ano, girava em torno de temas como prostituição, drogas e universo fashionista. Angel, inclusive, se envolve com um de seus clientes milionários que, posteriormente, se torna padrasto dela.</p>
			<p>A primeira temporada da telenovela somente explorou o sexo entre pessoas de gêneros diferentes, apesar de mencionar outros tipos e optar por não mostrar o ato em si. Os personagens Bruno (João Vítor Silva) e Sam (Felipe de Carolis), um adicto e um traficante, respectivamente, têm um envolvimento amoroso, a decupagem sugestiona que eles fazem sexo, mas nenhuma cena dessas é mostrada no enredo, nem mesmo um beijo entre os jovens. Quando Bruno é flagrado pela mãe sem camisa com Sam no 60º capítulo, ela o questiona se ele é gay e ele responde que “não tem isso de ser gay ou não. É ‘se rolar, rolou’”. Ela ainda insiste na pergunta “então você é bissexual?” e o filho rebate com “olha só, quem está querendo rotular é você”. </p>
			<p>Esse personagem reforça a deseducação quanto ao homem bissexual e o coloca no lugar marginalizado que já é reservado para o homem gay na sociedade: Bruno foi apaixonado por uma namorada, se identificava como heterossexual, usou cocaína pela primeira vez como fuga da desilusão amorosa desse namoro, fez sexo com o traficante sob o efeito da droga para esquecer os problemas pessoais, gostou do que sentiu e, quando o autor poderia explorar a já invisível bissexualidade dele, optou por dizer que “prefere não se rotular”. O posicionamento escolhido por Carrasco corrobora com a imagem de pessoas LGBTQIAPN+ que estão ligadas à droga, ao submundo e à indecisão diante de sua pretensa heterossexualidade.</p>
			<p>Outro exemplo é de Lourdeca (Dida Camero) e Visky (Rainer Cadete), uma mulher heterossexual e um homem homossexual afeminado, que fazem sexo consensual na novela. Esta cena chamou a atenção e foi muito criticada pelos telespectadores na época por reforçar expectativas de familiares conservadores sobre homens homossexuais que poderiam sentir desejo sexual pelo gênero oposto. Essa história foi tratada superficialmente, com um viés cômico, de certa forma, mas, sob o ponto de vista educacional, Visky reforça a heteronormatividade. Essa expectativa de “conversão” homossexual ainda está arraigada na sociedade e não abre a possibilidade para se pensar em um homem bissexual ou mesmo pansexual. Seria mais interessante, talvez, pensar em abrir um leque para discutir sobre uma amplitude de liberdade sexual, mas o preconceito ainda reforça a heteronormatividade.</p>
			<disp-quote>
				<p>Tomemos o caso da homossexualidade. Foi por volta de 1870 que os psiquiatras começaram a constitui-la como objeto de análise médica. […] É o início tanto do internamento de homossexuais nos asilos quanto da determinação de curá-los. […] Todos serão percebidos no interior de um parentesco global com os loucos, como doentes do instinto sexual (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Foucault, 1993</xref>, p. 233-234).</p>
			</disp-quote>
			<p>Apesar da problemática sobre a falta de visibilidade do sexo LGBTQIAPN+ em <italic>Verdades Secretas</italic>, a produção foi ovacionada pelo público e ganhou o Emmy Internacional, considerado como o Oscar da televisão, na categoria melhor novela em uma cerimônia realizada em Nova York, nos Estados Unidos, em 2016.</p>
			<p>O sucesso estrondoso da história levou milhares de pessoas a insistirem por anos a fio para que a emissora fizesse, pela primeira vez na história da TV, uma continuação (ou segunda temporada) da novela. A Globo protelou a ideia por anos, mas se rendeu aos pedidos logo após o lançamento da plataforma de <italic>streaming</italic> Globoplay e anunciou o título <italic>Verdades Secretas 2</italic> como a primeira novela feita exclusivamente para o <italic>streaming</italic> em 2022. Carrasco explica que a emissora selecionou os personagens que voltariam à história e, a partir daí, ele criaria a vida de cada um deles. </p>
			<disp-quote>
				<p>O extraordinário sucesso de ‘<italic>Verdades Secretas</italic>’ e o desejo do público de assistir à continuação da história foi o que mais me motivou para escrever esta nova temporada. Acredito que o processo de realizar esse trabalho seria um desafio grande a qualquer momento, pois é preciso conseguir manter a trama viva e surpreendente. […] Os critérios [para decidir quais personagens estariam na sequência] foram determinados pela dramaturgia. Ou seja, com quem a história continuaria, quais personagens tinham histórias que possibilitavam sequência. Cada temporada tem uma história diferente, mas juntas elas se entrelaçam (Autor […], 2021).</p>
			</disp-quote>
			<p>A continuação de <italic>Verdades Secretas</italic> agora traz uma proposta ainda mais sexual para o <italic>streaming</italic>, com 64 cenas de sexo durante 50 capítulos, e mais histórias de pessoas LGBTQIAPN+. Essa diversidade é importante para expandir os limites de representação e visibilidade nas novelas, visto que “meios de comunicação de massa nos chegam com um conjunto de mensagens e programas que constituem um estímulo para a imaginação, a aprendizagem, a vida” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Orozco Gómez, 1997</xref>, p. 61).</p>
			<p><italic>Verdades Secretas 2</italic> chega de forma disruptiva à dramaturgia com um leque muito maior de representações de sexo LGBTQIAPN+, mas a primeira sugestão de uma prática sexual entre dois homens acontece ao final do 5º capítulo, sem mostrar os corpos entrelaçados ou sem roupas, entre os personagens Visky e Joseph (Ícaro Silva). A segunda não chega a ser um sexo explícito, mas o 7º capítulo mostra os personagens Bruno e Benji (Rodrigo Pandolfo), um adicto e o novo traficante, fazendo sexo oral dentro de um carro, que estava parado no estacionamento.</p>
			<p>Por mais que o tema sexo em telenovela seja algo polêmico, mesmo quando se trata de uma prática entre heterossexuais, a visibilidade dele é importante porque todo ser humano é um ser sexuado, desde o útero materno. Durante o seu desenvolvimento, a criança está sendo educada sexualmente, na família, na sociedade e na escola.</p>
			<disp-quote>
				<p>Esse processo pode acontecer de forma repressiva ou de forma dialógica que denominamos de educação sexual emancipatória. A ideia distorcida, preconceituosa e carregada de negatividade que permanece ainda hoje acerca do sexo, aliada à construção de uma história repressiva da infância, faz com que tenhamos ainda tantas dificuldades para lidar de forma tranquila com as expressões da sexualidade infantil. Tal ideia repressora sobre esta sexualidade é resultante, conforme Foucault (2017), da normatização da sexualidade por meio dos discursos médicos e educacionais, especialmente na demonização moral da masturbação (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Carvalho, 2019</xref>, p. 187).</p>
			</disp-quote>
			<p>Quando o público assiste telenovelas que só têm casais heteronormativos, interpreta-se que não existem outras opções de amor ou de relacionamento, mas somente aqueles que estão dentro da heteronormatividade.</p>
			<disp-quote>
				<p>O conhecimento que se produz com esses exercícios possibilitará verificar que tudo o que a TV mostra é uma representação, portanto uma construção, resultante da própria tecnologia televisiva e, além do mais, uma fabricação que pode ser manipulada de acordo com as intencionalidades específicas dos produtores da programação televisiva (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Orozco Gómez, 2000</xref>, p. 66).</p>
			</disp-quote>
			<p><italic>Verdades Secretas 2</italic> também se aprofunda em um leque de outras cenas de sexo importantes dentro das relações homoeróticas. A trama até mesmo assinala “novas” formas de práticas fora dos padrões dentro de uma mesma relação sexual, como sexo oral anal ou também simultâneo e a possibilidade de atos sexuais entre três pessoas ou mais, além de maior pluralidade das fantasias e fetiches: <italic>strip-tease</italic>, BDSM, voyeurismo, <italic>cruising</italic>, <italic>ménage à trois</italic>, <italic>role play</italic>, uso de alimentos, podolatria, asfixiofilia e atração por fluídos corporais.</p>
			<p>Um dos personagens de maior destaque na sequência da novela sobre opções de atos sexuais fora do padrão para um homem gay foi Giotto, interpretado por Johnny Massaro. Ele é um jovem rico, noivo de uma mulher, que se envolve com o modelo Matheus (Bruno Montaleone), que faz <italic>book azul</italic>, termo usado para quem se prostitui no universo da moda masculina, e que descobre ali sua liberdade sexual. As cenas de Giotto e Matheus são as primeiras desde 2016 em que aparecem duas pessoas do mesmo gênero em um ato sexual, sem roupas e com os corpos entrelaçados: no 15º capítulo, a cena tem duração de 1 minuto e 3 segundos, com um total de cinco cortes, todos dentro de um carro parado em um estacionamento (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>).</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Imagem 1:</label>
					<caption>
						<title>Primeira cena de sexo entre Giotto e Matheus, em <italic>Verdades Secretas 2</italic></title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1982-677X-rmr-19-37-76-gf1.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Verdades Secretas 2 (2021), cap. 15, 30min 10s.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Dali em diante, Giotto se envolve não mais apenas eroticamente, como também emocionalmente e mantém o noivado de fachada com uma mulher. É possível identificar que ele se sente plenamente satisfeito com o sexo entre dois homens e se entrega por completo a todas as possibilidades de ato sexual homoerótico dentro de um ambiente privado. Ele representa ao público um homem que vive uma vida heteronormativa e que se abre para o sexo homossexual. </p>
			<p>Outra personagem que também abre espaço para cenas de sexo diversa é Lua (Júlia Byrro), a nova protagonista de <italic>Verdades Secretas 2</italic>, que sai do interior para tentar uma vida de modelo em São Paulo, tal como aconteceu com Angel na primeira temporada. Após conseguir o trabalho, ela entra para o grupo de modelos que fazem <italic>book rosa</italic>, atende um casal heteronormativo e faz sexo tanto com o homem quanto com a mulher, configurando também um sexo bissexual grupal.</p>
			<p>Por fim, um dos momentos mais emblemáticos da trama é o sexo entre a protagonista Angel e sua principal rival, Giovanna (Agatha Moreira), que é filha de seu padrasto na primeira temporada da novela. As duas têm embates emblemáticos desde os primeiros encontros ainda em 2015 e continuam como inimigas na sequência da história, mas a antagonista revela uma paixão avassaladora pela protagonista no último capítulo da temporada.</p>
			<p>Este também é um marco histórico para a teledramaturgia brasileira. Até este momento, a novela <italic>Malhação</italic>, voltada para o público adolescente, narrou a história de Lica (Manoela Aliperti) e Samantha (Giovanna Grigio), duas adolescentes que se apaixonaram no colégio, a trama sugeriu de forma implícita que elas fizeram sexo, mas a cena não pôde ser exibida devido ao horário e à classificação etária dele. Sendo assim, o encontro sexual de Angel e Giovanna ficou marcado como a primeira cena de sexo entre duas mulheres produzida pela televisão brasileira em 72 anos de existência.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Análises das críticas da imprensa sobre a novela e sexualidade</title>
			<p>Surpreendentemente, as críticas da imprensa não trataram da diversidade sexual como um dos elementos de destaque nos dois ciclos de <italic>Verdades Secretas</italic>. Em levantamento sobre colunas do crítico televisivo Maurício Stycer, foi possível localizar cinco textos publicados sobre as novelas, em pesquisa nas ferramentas de busca dos sites UOL e Folha de S.Paulo, buscando pelas palavras-chave “Stycer” e “Verdades Secretas” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Stycer, 2015a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">2015b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B14">2015c</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B15">2015d</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B16">2021</xref>). A primeira de suas críticas apresenta uma visão de que o sexo é usado como um mecanismo para atrair a atenção do público e construir tensão entre personagens:</p>
			<disp-quote>
				<p>Walcyr Carrasco foi muito bem-sucedido em provocar polêmica e chocar o público com um enredo sobre prostituição no mundo das modelos, muitas cenas de nudez e sexo […] Prostituição, sexo ocasional, consumo de drogas (leves e pesadas), <italic>bullying</italic>, mentiras, hedonismo - os adolescentes de “<italic>Verdades Secretas</italic>” possivelmente não representam um universo muito grande, mas tenho certeza que mostram um comportamento conhecido por muitos pais. Não deixa de ser curioso que este aspecto de “<italic>Verdades Secretas</italic>” chame menos atenção do que o “<italic>book rosa</italic>” ou o plano mirabolante de Alex para se casar com a mãe de Angel. É como se o público estivesse preferindo não ver o que há de mais forte, realmente, na novela (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Stycer, 2015a</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>A sexualidade é discutida dentro de uma perspectiva da exploração estética do ato e das questões éticas ao redor das relações das personagens (como a prostituição, drogas e mentiras), mas não há menção nessas críticas a maior representatividade de personagens não-heteronormativos. Mesmo os elementos elogiados pelo crítico na trama envolvem outras visibilidades de grupos em recorte etário - os adolescentes e as questões na entrada da vida adulta - mas não há foco sobre a sexualidade não-heteronormativa.</p>
			<p>Em artigo posterior, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Stycer (2015c</xref>) publica mensagem recebida por um leitor insatisfeito com a novela, com menção breve a beijos entre duas atrizes, considerando que essa cena teria sido construída de forma sensacionalista:</p>
			<disp-quote>
				<p>o beijo dela com a outra modelo loira foi também desnecessário e para chocar. Como em “Babilônia”, fica a questão (ainda que o da novela das 23h tenha sido o primeiro beijo gay de verdade que a Globo exibiu): só pode ter um beijo assim no último capítulo? (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Stycer, 2015c</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Ao avaliar que a representação de um beijo entre duas mulheres seria “desnecessário e para chocar”, a visibilidade da relação íntima entre lésbicas acaba reduzida ao campo da exploração, uma ferramenta polêmica para atrair atenção - mas sem um genuíno reconhecimento da representatividade dessas personagens. A crítica considera que as novelas usam a expectativa da intimidade homossexual como um recurso narrativo de tensionamento: ao mesmo tempo em que parte do público espera esse momento com interesse até o clímax da novela, indivíduos mais conservadores podem resistir ou temer essas cenas, abandonando a série após essa apresentação - um risco minimizado ao mostrar essas cenas já no final da trama.</p>
			<disp-quote>
				<p>Mais à vontade por causa do horário, a faixa das 23h, “Verdades Secretas” exibiu um desfile quase diário de personagens nus e de cenas de sexo, mesmo quando não havia função dramatúrgica nas situações. Uma qualidade da trama, a amoralidade de muitos personagens, perdeu força com o tom moralista impresso - para agradar o público - a várias situações. Como disse à Folha o diretor, Mauro Mendonça Filho, “careta adora um pecado”. Mendonça, aliás, compensou a falta de tato do autor com grandes momentos, tanto no comando do elenco (muito bom) quanto na forma de apresentar as cenas - foi nítida a busca por uma estética mais sofisticada que a de novela.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>“Verdades Secretas” foi corajosa ao mostrar o mergulho de uma modelo linda no mundo do crack - a sua salvação, no fim, foi encontrada por meio de uma igreja evangélica (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Stycer, 2015d</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Nessa nova crítica sobre a novela, o crítico reforça que a sexualidade foi explorada em <italic>Verdades Secretas</italic> “mesmo quando não havia função dramatúrgica” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Stycer, 2015d</xref>), o que deixaria de lado o argumento apresentado nessa pesquisa sobre a função iminentemente política da visibilidade de grupos que ainda lutam para ter sua identidade reconhecida. No trecho acima, Stycer (<xref ref-type="bibr" rid="B15">2015d</xref>) também destaca que até a equipe da Globo reconhece o tensionamento com o moralismo da audiência, pois o conservadorismo adoraria representações de temas tabu - tanto para atiçar suas fantasias latentes e negadas, como para mobilizar sua ira expressa pela condenação do que se adora odiar nessas cenas íntimas.</p>
			<disp-quote>
				<p>Por que a Globo, geralmente ciosa da qualidade de suas novelas, resolveu levar ao ar uma produção tão apelativa, mal escrita e mal dirigida? Porque foi concebida como uma isca destinada a alargar a base de assinantes e o número de horas consumidas na plataforma de <italic>streaming</italic> da empresa. […] E como atrair o maior número possível de incautos? Com uma fórmula que funciona desde tempos imemoriais: gente jovem, corpos à mostra e sexo. Antes mesmo da estreia, a Globo divulgou a informação de que “Verdades Secretas 2” exibiria 67 cenas de sexo em 50 episódios. Uhu! […] Nada contra sexo. O problema é a falta de conteúdo. Em outros tempos, na videolocadora, esta produção estaria na estante de “pornô com história”. Ambientada em São Paulo, a novela retoma a trama policial da primeira temporada e repete a denúncia sobre prostituição no mundo das agências de modelos. […] Teria sido mais honesto fazer um pornô explícito do que pretender estar dirigindo um candidato à mostra paralela de Cannes. […] Numa cena que certamente entrará para a antologia de momentos risíveis da teledramaturgia, dois protagonistas encenam, literalmente, uma “dança do acasalamento” antes de transarem dentro de um carro antigo (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Stycer, 2021</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Ao criticar a abordagem “apelativa” do segundo ciclo da novela, como uma “isca” para atrair para o <italic>streaming</italic> do Globoplay parte do público ávido por sexo e escândalos, <xref ref-type="bibr" rid="B16">Stycer (2021</xref>) ironiza a divulgação da Globo sobre as 67 cenas de sexo em 50 episódios, e resiste a tratar da diversidade sexual que a emissora pretendia promover. A essência da crítica é que não há um problema na exibição de “corpos à mostra e sexo”, mas o precário arco narrativo de <italic>Verdades Secretas 2</italic> deixaria essa exploração da intimidade explícita em uma história sem profundidade, como um “pornô com história” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Stycer, 2021</xref>) com pretensões artísticas.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>Por tantos motivos retratados em cada um dos exemplos expostos neste artigo, é possível entender e justificar a importância da existência da possibilidade de outras formas de romance ou prazer sexual que fujam da heteronormatividade. A pessoa LGBTQIAPN+ que assiste uma novela na televisão precisa entender que o seu próprio desejo sexual não é algo imoral, marginalizado ou temporal, mas sim é uma prática lícita, moral e que está envolto de um preconceito produzido por uma mentalidade cristã que está enraizada na sociedade. </p>
			<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B8">Martin-Barbero (2000</xref>), o cidadão deveria poder distinguir entre uma telenovela que esteja ligada ao seu país, inovando na linguagem e nos temas e uma telenovela repetitiva e simplória. Para tanto, é preciso “aprender a distinguir, a tornar evidente, a ponderar e escolher onde e como se fortalecem os preconceitos ou se renovam as concepções que temos sobre política, família, cultura e sexualidade” <xref ref-type="bibr" rid="B8">(Martín-Barbero, 2000</xref>, p. 58).</p>
			<p>As palavras dele corroboram com os pensamentos de <xref ref-type="bibr" rid="B9">Orozco-Gómez (2000</xref>) que dizem que “o entendimento dos diferentes aspectos envolvidos na teleaudiência não se realiza por si mesmo, mas sempre em relação a cada um dos telespectadores”. Ou seja, quando uma cena de sexo com duas pessoas do mesmo gênero surge na televisão, ela pode não ter significado algum para pessoas heterossexuais, já que não faz parte de seus desejos eróticos, mas a pessoa LGBTQIAPN+ que assiste uma cena dessas se sente representada e cumpre uma função educacional ao desmistificar a prática sexual para esta comunidade, com um potencial importante de educação sexual (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Carvalho, 2019</xref>, p. 184).</p>
			<p>A ideia central dessa revolução das telenovelas é trazer mais diversidade para as tramas brasileiras, no mesmo sentido que se fazem as lutas por mais igualdade de raça nas tramas. A educação sexual emancipatória respeita a diversidade de gêneros, sexuais e as diferenças humanas.</p>
			<p>Existe um grande temor de pais mais conservadores de que a educação sexual nas telenovelas possa despertar, incentivar e estimular as crianças para uma pretensa homossexualidade ou transgeneridade, mas é preciso destacar que em mais de 70 anos de novelas no Brasil, com a exploração absoluta de sexo entre um homem e uma mulher, não “educou” as pessoas a serem heterossexuais. Cada dia mais, fica explícita a necessidade de uma representatividade LGBTQIAPN+ nos meios de comunicação para, futuramente, termos uma sociedade com menos preconceito.</p>
			<p>Por fim, é importante destacar que, mesmo que a crítica midiática analisada não tenha destacado essa característica, como visto na seção anterior, o <italic>streaming</italic> apresenta potencial de visibilidade para práticas e identidades sexuais com maior diversidade, em comparação com a TV aberta. Evidentemente, esta pesquisa apresenta limitações em sua amostra, pois foram analisados inicialmente apenas a produção de um crítico televisivo, ainda que ele seja um dos mais eminentes em seu campo, com publicações em portal e jornal de referência. Pesquisas posteriores podem ampliar esse recorte para incluir outros críticos, considerando como a representatividade sexual pode ter sido tratada por outros jornalistas.</p>
			<p>A crítica consultada parece reforçar uma visão mais tradicional da sexualidade como um recurso apelativo, uma tática explorada para atrair a audiência, reforçando a impressão de que o público brasileiro ainda é predominantemente conservador, mas ao mesmo tempo haveria nichos de interesse diversificado que podem se interessar pela visibilidade mais diversificada em produtos como <italic>Verdades Secretas 2</italic> e por isso poderiam migrar para plataformas digitais de <italic>streaming</italic> mais ousadas. </p>
			<p>Essa maior liberdade dos canais por assinatura pode ser um resultado da menor restrição com classificação indicativa e limitação de horários, obrigatórias na televisão, além de menor pressão do público conservador, mais vigilante sobre o que é exibido nas salas da família na TV aberta do que pode ser acessado no <italic>streaming</italic> por assinatura - que já se constrói como um obstáculo para parte do público que não tenha acesso ao serviço. É importante considerar também que a maior visibilidade LGBTQIAPN+ no Globoplay pode estar relacionada ao frequente acesso ao <italic>streaming</italic> por tela individual, além da possibilidade de navegação interna no episódio, facilitada pela plataforma digital - adiantando cenas vistas como mais incômodas, ou revendo o conteúdo mais picante - em comparação com a tela compartilhada e sem possibilidade de avançar ou retomar cenas no modelo de transmissão da TV aberta.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
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			<title>Referências</title>
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				<mixed-citation>A PRÓXIMA vítima. Capítulo 118. Rio de Janeiro: Globoplay, 1995. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://globoplay.globo.com/v/10829096/?s=0s">https://globoplay.globo.com/v/10829096/?s=0s</ext-link>. 10’22’’. Acesso em: 16 dez. 2024.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>A PRÓXIMA vítima</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Globoplay</publisher-name>
					<year>1995</year>
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					</comment>
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							<surname>ATKIN</surname>
							<given-names>C</given-names>
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					<article-title>Dos debates, uma conclusão final: a pesquisa ainda é insuficiente</article-title>
					<source>Cadernos de Comunicação Proal</source>
					<issue>4</issue>
					<fpage>40</fpage>
					<lpage>44</lpage>
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					<fpage>288</fpage>
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					<comment content-type="degree">Tese (Doutorado</comment>
					<publisher-name>Universidade do Minho</publisher-name>
					<publisher-loc>Braga, Portugal</publisher-loc>
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				<mixed-citation>SVARTMAN, R. <italic>A telenovela e o futuro da televisão brasileira</italic>. Rio de Janeiro: Cobogó, 2023.</mixed-citation>
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				<p> Esta pesquisa foi apresentada inicialmente no IV Simpósio da Rede Metacrítica na UFOP de Mariana (MG), em novembro de 2024. Parte inicial deste artigo discute resultados de pesquisa desenvolvida na dissertação de mestrado “O sexo LGBTQIAPN+ na TV: a representatividade na transição de uma novela da TV aberta ao <italic>streaming</italic>”, defendida com louvor pelo primeiro autor, com orientação do segundo autor, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo em janeiro de 2025.</p>
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