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				<journal-title>Rumores</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">RuMoRes - Revista Online de Comunicação, Linguagem e Mídias</abbrev-journal-title>
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				<publisher-name>Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.1982-677X.rum.2025.238323</article-id>
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					<subject>EDITORIAL</subject>
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				<article-title><italic>Crítica e reconstrução</italic>: como vislumbrar outros mundos possíveis?</article-title>
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						<surname>Rodrigues</surname>
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					<bio>
						<p>Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do curso de Jornalismo da UFOP. Doutor em Comunicação: meios e processos audiovisuais pela ECA-USP. Coordenador  do grupo de pesquisa Quintais: cultura da mídia, arte e política (CNPq/UFOP). Realizou pesquisas de pós-doutoramento na ECA/USP e na PUC Minas.</p>
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					<bio>
						<p>Jornalista, doutora em Ciências Sociais com estágio pós-doutoral em Ciência Política pela UFMG, professora do Curso de Jornalismo da UFOP e membro do Grupo de Pesquisa Quintais: cultura da mídia, arte e política.</p>
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				<institution content-type="original"> Jornalista, doutora em Ciências Sociais com estágio pós-doutoral em Ciência Política pela UFMG, professora do Curso de Jornalismo da UFOP e membro do Grupo de Pesquisa Quintais: cultura da mídia, arte e política. Brasil.</institution>
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				<institution content-type="original"> Professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e do curso de Jornalismo da UFOP. Doutor em Comunicação: meios e processos audiovisuais pela ECA-USP. Coordenador do grupo de pesquisa Quintais: cultura da mídia, arte e política (CNPq/UFOP). Realizou pesquisas de pós-doutoramento na ECA/USP e na PUC Minas. Brasil.</institution>
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				<year>2025</year>
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			<volume>19</volume>
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		<p>Inspirado na ideia de reconstrução de novos tempos, lugares e modos de ser, o IV Simpósio de Crítica da Mídia, realizado na cidade de Mariana (MG), entre 28 e 29 de novembro de 2024, partiu de uma indagação central: <italic>como vislumbrar outros mundos possíveis a partir da reconstrução e da crítica?</italic> O debate proposto pela Rede Metacrítica - Rede de Pesquisa em Cultura Midiática, então constituída pelos grupos de pesquisa MidiAto (USP), Mídia e Narrativa (PUC Minas) e Quintais: cultura de mídia, arte e política (UFOP) - envolve não apenas as perspectivas da crítica de mídia diante de certos produtos culturais, considerando aspectos atinentes à identidade, à representação e às narrativas construídas, mas também questões diretamente ligadas a importantes concepções destruídas na última metade desta década e que precisam ser reedificadas. </p>
		<p>No ensaio “Três motivos para uma linguagem da esperança”, que abre esta edição, Juarez Guimarães (UFMG) faz uma reflexão sobre o caráter alentado da esperança como força subversiva e como linguagem política em cenários marcados pela crise civilizatória decorrente do fortalecimento do neoliberalismo e do avanço da extrema-direita. O autor oferece pelo menos três razões para sustentar essa esperança: a crise da dominação neoliberal, a resistência histórica das classes trabalhadoras e populares no Brasil, e a consciência democrática da sociedade. A construção de uma nova linguagem, capaz de dar lugar a alternativas políticas e econômicas mais justas e inclusivas, é o desafio posto.</p>
		<p>O trabalho “Intervenções de torcidas organizadas contra atos golpistas: circulação de sentidos de democracia em acontecimentos midiáticos”, de Nara Lya Cabral Scabin (PUC Minas), Amanda Souza de Miranda (USP/UFSC) e Fernanda Elouise Budag (FECAP/UFSM), examina a repercussão midiática de intervenções de torcidas organizadas contra atos golpistas no Brasil, destacando a atuação da Gaviões da Fiel em dois episódios: a manifestação convocada por Jair Bolsonaro em São Paulo, em 25 de fevereiro de 2024, em resposta à sua investigação por envolvimento no 8 de janeiro de 2023; e os bloqueios bolsonaristas em estradas paulistas em novembro de 2022. Considerando o diferencial de essas intervenções se apresentarem como <italic>cenas dissensuais</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Rancière, 1996</xref>), o artigo busca compreender como tais eventos foram enquadrados no jornalismo e em publicações desinformativas nas redes sociais. Entre as tantas contradições expostas, destaca-se o componente dissensual dessas ações no fato de colocarem, no centro da cena midiática, um sentido de <italic>democracia como movimento popular</italic>.</p>
		<p>Em “Políticas da narrativa em produções não ficcionais sonoras sobre crimes contra mulheres”, Thiago Siqueira Venanzoni (FMU/Fiam-Faam) e Rosana de Limas Soares (ECA-USP) abordam, em perspectiva crítica, a crescente produção de podcasts de não ficção, buscando problematizar aspectos políticos implicados nessas narrativas. Com o aumento de produções sonoras que se autodenominam “investigativas” ou “jornalísticas”, abre-se espaço para a circulação de reportagens ou documentários em áudio que pretendem participar de um gênero discursivo comumente nomeado como <italic>true crime</italic>. Diante desse fenômeno de circulação atual, que envolve realizadores e públicos, o texto irá debater quais os parâmetros éticos e estéticos acionados por essas produções e o lugar da política em suas narrativas. Como recorte analítico, a escolha se baseia em três produções jornalísticas que investigam crimes contra mulheres no período da ditadura civil-militar, construindo ênfase nas histórias das personagens - mulheres vítimas de assassinato: <italic>Praia dos Ossos</italic> (2020), da Rádio Novelo, <italic>Leila</italic> (2022), da Globoplay e <italic>O Caso (Últimos Passo)</italic> (2023), da Criatura Multimídia.</p>
		<p>Carlos Jáuregui (UFOP), em “Onde, quando e quem: cronotopos e imaginários do <italic>true crime</italic> brasileiro”, analisa podcasts brasileiros sobre crimes reais a partir da noção bakhtiniana de cronotopo. Desse modo, irá abordar configurações espaço-temporais, assim como representações sobre a imagem humana, em quatro produções: <italic>A mulher da Casa Abandonada</italic>, <italic>O Ateliê</italic>, <italic>Pico dos Marins</italic> e <italic>Projeto Humanos</italic>. Como resultado, identifica e debate cinco cronotopos: a residência antiga marcada pelo passado, a natureza hostil, o depoimento desconfortável, a rotina que antecede os crimes e a produção do <italic>true crime</italic> como um acontecimento em si, capaz de reescrever a cronotopia de casos criminais.</p>
		<p>O artigo “Visibilidade e crítica da sexualidade: pedagogias eróticas e representatividade LGBTQIAPN+ em <italic>Verdades Secretas 2</italic>”, de Ivan Paganotti (ECA-USP) e Carlos Felipe Carvalho da Silva (Umesp), analisa como a novela - ao continuar sendo um produto audiovisual de sucesso na TV aberta da Globo, exibida no <italic>streaming</italic> Globoplay em 2022 - pôde exibir cenas e temáticas que ainda não encontram espaço na programação televisiva. Esta pesquisa avalia como a novela pode expandir os limites históricos da visibilidade sexual de grupos LGBTQIAPN+ no audiovisual brasileiro, examinando também como a crítica jornalística destacou as cenas de práticas sexuais entre esses personagens na apreciação da trama e da estética da novela.</p>
		<p>Em “Protagonismo e raça na telenovela brasileira: um estudo das protagonistas das telenovelas das 21 horas da década de 2010”, Mariana Gonçalves (UFOP) propõe abordar as diferentes representações raciais a partir das personagens protagonistas das telenovelas das 21h da Rede Globo de Televisão que estavam no ar durante a década de 2010. Para isso, busca compreender como um ideal de branquitude parece estar inserido como um valor social nas telenovelas e na sociedade, bem como as interseccionalidades nas representações de mulheres não brancas e o entrelaçamento entre raça, classe e outros marcadores da diferença, influenciando suas vivências.</p>
		<p>Samuel Paiva (UFSCar), em “Crítica de cinema e realização cinematográfica: considerações sobre documentários de Kleber Mendonça Filho”, propõe uma reflexão sobre documentários de Kleber Mendonça Filho, a saber, <italic>Crítico</italic> (2008) e <italic>Retratos Fantasmas</italic> (2023), percebidos como complementares em termos de uma compreensão sobre crítica de cinema e realização cinematográfica. Nesse sentido, algumas hipóteses são investigadas, por exemplo, a ideia de que esses filmes são reveladores da autoria de Kleber Mendonça Filho tanto em sua formação como crítico quanto em seu trabalho como diretor de filmes.</p>
		<p>No artigo “Alteridade e política em <italic>The Amazing World of Gumball</italic>: perspectivas de coabitação a partir do episódio <italic>The Shell</italic>”, Pedro Lavigne (UFMG/UFOP) faz uma breve análise sobre como uma política cotidiana se manifesta na narrativa do episódio <italic>The Shell</italic>, da terceira temporada do desenho animado <italic>The Amazing World of Gumball</italic>. Propõe refletir sobre o desenho animado em suas dimensões estéticas e poéticas, com o objetivo de compreender tanto os sentidos construídos na narrativa quanto o modo como esses sentidos se entrelaçam ao cotidiano e às relações que se formam no viver-juntos. Trata-se de um estudo de caráter exploratório que visa aferir as possibilidades de entendimento da presença dos desenhos animados no cotidiano.</p>
		<p>Sofia Franco Guilherme (FMU/Fiam-Faam) e Eduardo Paschoal (FAU-USP), em “O papel da crítica de arte em circulação midiática”, analisam visões sobre o papel da crítica, em específico a crítica de arte, a partir da coluna de Rafael Cardoso na <italic>Folha de S.Paulo</italic>, em outubro de 2023, e da resposta a ela realizada por Daniele Machado. No diálogo público, ambos refletem sobre os limites e a situação da crítica contemporânea, com base em exposições recentes de instituições culturais hegemônicas. Nesses textos e em circulações nas redes sociais de seus autores e dos veículos, propõem mapear as concepções acerca do papel da crítica institucionalizada, a aparente dicotomia entre popularidade e qualidade das obras, a circulação de uma discussão sobre crítica de arte e sua inserção em um debate público ainda restrito, além das redes sociais em sua atuação como potencializadoras de uma crítica em circulação midiática.</p>
		<p>Frederico Tavares (UFOP), em “Intempestividades editoriais, entornos impressos e sociais no <italic>Anuário Todavia</italic>”, afirma a existência de uma latente sensação de “fim do mundo” como sentimento contemporâneo globalizado, o que se tornou objeto, assim como em outras partes do mundo, de atenção do mercado editorial. Tendo isso em vista, o trabalho visa, em diálogo com concepções relacionadas a reflexões sobre almanaques e temporalidades (em sentido conceitual e contextual), analisar o <italic>Anuário Todavia</italic> 2018/2019 - <italic>Apocalipse?</italic>, publicado pela editora Todavia em 2018, focando em algumas questões interligadas: os recursos editoriais usados na conexão e no arranjo dessa leitura; os sentidos temporais construídos sobre uma certa temática; e o atravessamento de tais sentidos ao longo de um produto de periodicidade anual; a natureza editorial do anuário e sua dimensão relacional com contextos histórico-sociais.</p>
		<p>Fechando o Dossiê, “Cartas e acolhimentos”, de Cláudio Coração e Hila Rodrigues, apresenta uma correspondência intimista e reflexiva em que cultura, política e existência se cruzam. Ao misturar versos, memórias e análises críticas, Cláudio e Hila lembram que o real não é dado, mas construído, mesmo em cenários obscuros. O afeto se enlaça ao político, e arte e amizade emergem como faróis.</p>
		<p>No mais, é no bojo desses fios aqui articulados que o Dossiê “Crítica e reconstrução: como vislumbrar outros mundos possíveis?” aponta, reflete, busca e revela possíveis brechas, resoluções e temporalidades civilizatórias, na mídia e além dela.</p>
		<p>Completando a edição, os três artigos sobre temas livres amplificam os debates sobre resistências, reexistências e suas representações nas mídias, especialmente em formatos digitais. O primeiro deles, “Estéticas do <italic>world cinema</italic> em plataformas globais e periféricas de <italic>streaming</italic>: a emergência do <italic>worldly cinema</italic>”, de Felipe Munais (UFJF), pretende discutir a constituição de filmes periféricos no <italic>world cinema</italic>, em contraponto a um <italic>world cinema</italic> mundializado, distribuído por plataformas globais de <italic>streaming</italic>. O autor afirma que, para além das plataformas globais, é importante perceber ainda um determinado tipo de <italic>world cinema</italic> mais artesanal e menos <italic>mainstream</italic>, que ocupa prioritariamente plataformas de nicho e não globais. Na sequência, o artigo “Ficção seriada e arqueologia transmídia: uma análise da <italic>X-Files Magazine</italic>”, de Gustavo Furtuoso (UFJF) e Gabriela Borges (Universidade do Algarve), examina a revista <italic>X-Files Magazine</italic>, objeto selecionado para uma análise de conteúdo que visa entender como se dava a relação entre produtores e público na expansão do universo de <italic>The X-Files</italic> no final do século XX, utilizando o conceito de arqueologia transmídia para investigar como se davam tais estratégias em contextos históricos prévios à popularização da cultura digital. Finalmente, Lívia de Souza Vieira (UFBA) e Rogério Christofoletti (UFSC), em “Erro jornalístico ou <italic>fake news</italic>: tensões técnico-conceituais no ecossistema digital”, analisam dois casos ilustrativos do jornalismo - a notícia do “Brasil inabitável em 50 anos” e o “vídeo do encontro de Pablo Marçal com Trump” - a fim de identificar falhas no processo de correção de erros por parte de veículos jornalísticos digitais de diferentes regiões do país, linhas editoriais, grupos empresariais e alcance em termos de audiência.</p>
		<p>Em mais uma edição da <italic>RuMoRes</italic>, reafirmamos o compromisso com a análise crítica das mídias, desejando a todos e todas ótimas leituras!</p>
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				<mixed-citation>Rancière, J . <italic>O desentendimento: política e filosofia</italic>. Campinas: Editora 34, 1996.</mixed-citation>
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