Ecos de cultura: música, linguagem e crítica à Universalidade em Performances de Brian Friel

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2595-8127.v28i1p13-30

Palavras-chave:

etnomusicologia, Brian Friel, Performances, cultura, linguagem

Resumo

Este artigo examina Performances (2003), de Brian Friel, como uma crítica sustentada à noção de que a música funciona como uma linguagem universal e transcendental. Através do encontro ficcional entre o compositor checo Leoš Janáček e uma estudante de pós-graduação contemporânea, Friel encena um debate sobre se a música “expressa sentimentos” para além da mediação cultural, histórica e biográfica. Embora Janáček afirme que a música comunica emoções de forma mais direta do que as palavras, a peça complexifica persistentemente essa afirmação ao privilegiar a interpretação, o contexto e a recepção. Recorrendo à etnomusicologia, à teoria cultural e à filosofia, o artigo argumenta que tanto a emoção quanto o significado musical são aprendidos socialmente e situados culturalmente, em vez de serem imediatos ou autoevidentes. O Segundo Quarteto de Cordas de Janáček, longe de funcionar como uma linguagem puramente emocional, demonstra-se inseparável de sua formação linguística, tradições folclóricas, posicionamento político e relação pessoal com Kamila Stösslová. A dramaturgia de Friel expõe a tensão entre a autonomia artística e o enraizamento histórico, alinhando as preocupações modernistas irlandesas com debates europeus mais amplos sobre nacionalismo, identidade e universalidade na arte. Em última análise, Performances rejeita a fantasia da música como um meio neutro ou universalmente inteligível e, em vez disso, a afirma como uma prática culturalmente codificada, cujos significados emergem por meio de tradições, memória e interpretação compartilhadas.

Biografia do Autor

  • Beatriz Kopschitz Bastos, Universidade Federal de Santa Catarina

    Foi agraciada com o Presidential Distinguished Service Award na categoria Artes, Cultura e Esporte, do Governo da Irlanda, em 2023, em reconhecimento por suas contribuições nessa área, no Brasil e no âmbito internacional. É Membro Permanente do Programa de Pós-Graduação em Inglês e Vice-coordenadora do Núcleo de Estudos Irlandeses da Universidade Federal de Santa Catarina. É mestre em Inglês pela Northwestern University, EUA, e doutora em Estudos Linguisticos e Literários em Inglês pela Universidade de São Paulo, com tese na área de teatro irlandês. Realizou dois projetos de pós-doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina, nas áreas de teatro e cinema irlandês. Foi pesquisadora visitante em University College Dublin; University of Galway; e Trinity College Dublin. Atuou, de 2010 a 2025, como membro da diretoria executiva da IASIL - The International Association for the Study of Irish Literatures -, e, de 2000 a 2015, como secretária e diretora da ABEI - Associação Brasileira de Estudos Irlandeses. É dramaturgista e produtora da Cia Ludens, companhia teatral especializada em teatro irlandês. É uma das editoras-chefes da revista ARES - Advanced Research in English Series (PPGI/UFSC) e compõe o conselho editorial da série Global Perspectives of Irish Literary Studies (Bloomsbury). Faz parte do Ulysses Council do MoLI - Museum of Literature Ireland - em Dublin. Fez parte do conselho consultivo internacional da Digital Platform for Contemporary Irish Writing, em University College Dublin até 2020. Suas publicações mais recentes, como co-editora e organizadora, incluem: a série Ireland into Film: Screenplays and Critical Contexts (2011-presente); Coleção Brian Friel (Hedra, 2013); Coleção Tom Murphy (Iluminuras, 2019); Vidas irlandesas: o cinema de Alan Gilsenan em contexto (Insular, 2019); Contemporary Irish Documentary Theatre (Bloomsbury, 2020); Ilha do Desterro 73.2 The Irish Theatrical Diaspora (2020); e uma série de peças irlandesas com foco no protagonismo de pessoas com deficiência (Iluminuras, 2023-2025). Em 2023, foi cocuradora da exposição Irlandeses no Brasil, na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. 

  • Maria Eduarda Dutra Mendonça, Universidade Federal de Santa Catarina

    Possui graduação em Letras - Inglês pela Universidade Federal de Santa Catarina (2022) e graduação em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (2015). Concluiu o Mestrado em 2025 em Língua e Literatura Inglesa pelo Programa de Pós Graduação em Inglês da Universidade Federal de Santa Catarina, atuando principalmente nas temáticas de poesia slam, imigração, discriminação e ativismo. Atualmente cursa doutorado em Língua e Literatura Inglesa pelo Programa de Pós Graduação em Inglês da Universidade Federal de Santa Catarina, com foco em Estudos Irlandeses, som, e tradução teatral. 

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Publicado

20-07-2026

Como Citar

Bastos, B. K., & Mendonça, M. E. D. (2026). Ecos de cultura: música, linguagem e crítica à Universalidade em Performances de Brian Friel. ABEI Journal, 28(1), 13-30. https://doi.org/10.11606/issn.2595-8127.v28i1p13-30