“Mais tortura que literatura”: os 175 arquivos da censura e a recepção de Samuel Beckett na Espanha Franquista (1950-1978)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2595-8127.v28i1p31-48

Palavras-chave:

Samuel Beckett, Censura, Espanha Franquista, Recepção, Censura teatral

Resumo

Este artigo explora o impacto da censura Franquista na recepção de Samuel Beckett durante a segunda metade do século XX na Espanha. A questão já foi parcialmente abordada por diversos estudos, que se concentraram na censura teatral, mas deixaram de lado a recepção da ficção de Beckett, oferecendo, assim, um panorama importante, porém incompleto. Por meio da análise de 175 processos de censura relacionados à encenação das peças de Beckett e à publicação de sua obra dramática e ficcional, este estudo propõe um escopo mais amplo. O trabalho revela como o aparato ideológico e moral do Estado espanhol limitou a presença de Beckett na esfera pública, especialmente no teatro, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, permitiu uma maior tolerância em relação às traduções publicadas em formato de livro. Embora a censura à obra de Beckett não tenha sido exclusiva da Espanha, os resultados demonstram que a recepção espanhola — tardia e por vezes distorcida — não se deveu à suposta obscuridade de seus textos, mas sim a uma política cultural voltada ao controle do sentido, da moral e do acesso a estéticas dissidentes.

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Publicado

20-07-2026

Como Citar

Fernández-Quesada, N. (2026). “Mais tortura que literatura”: os 175 arquivos da censura e a recepção de Samuel Beckett na Espanha Franquista (1950-1978). ABEI Journal, 28(1), 31-48. https://doi.org/10.11606/issn.2595-8127.v28i1p31-48