A técnica de José Wasth Rodrigues à entrada do Museu Paulista: brasões das mais velhas cidades bandeirantes

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.11606/1982-02672026v34e22

Palabras clave:

José Wasth Rodrigues, Museu Paulista, Museu do Ipiranga, Brasões, Taunay

Resumen

À entrada do Museu Paulista, encontram-se nove brasões das primeiras cidades paulistas de tradição bandeirante (São Paulo, Santos, São Vicente, Itanhém, Porto Feliz, Sorocaba, Itu, Taubaté e Parnaíba), inaugurados em 1926. Destes, apenas os cinco últimos foram concebidos por Affonso D’Escragnolle Taunay, então diretor do Museu Paulista, porém todos foram pintados por José Wasth Rodrigues. São pinturas a óleo, em tela semicircular, sobre as quais existem escassas informações em termos dos materiais e técnicas empregadas, aspectos esses relevantes tanto para a documentação da produção do pintor quanto para a conservação dessas obras e que, por isso, foram investigadas neste trabalho. Os resultados revelaram que os brasões foram executados sobre douramento que recobre integralmente a superfície das telas, feito com folhas de ouro de boa qualidade e com técnica de douramento à base de água. Apenas nos brasões de Sorocaba e Porto Feliz foi detectada uma liga menos nobre, talvez empregada em intervenções feitas posteriormente. As regiões prateadas foram executadas com tintas à base de prata, com exceção do Brasão de Taubaté, no qual alumínio foi empregado. A paleta de cores, limitada pelas regras da heráldica, baseia-se predominantemente em pigmentos inorgânicos tradicionais, entretanto a detecção do pigmento sintético PR 3 em algumas tintas indica que Wasth Rodrigues fazia uso de produtos comerciais. As informações aqui reportadas ampliam o conhecido sobre a produção artística de José Wasth Rodrigues e serão certamente úteis na definição de estratégias de conservação preventiva, dando suporte às decisões a serem tomadas em futuras intervenções de restauro.

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Biografía del autor/a

  • Isabela Ferreira Sodré dos Santos, Universidade de São Paulo

    Especialista em Laboratório no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP). Pós-doutorado no Laboratório de Microarqueologia (LabMicro) no MAE-USP, com o projeto “Microarqueologia de fogueiras em contextos tropicais por microscopia FTIR em alta resolução” (Fapesp 2024/02117-7). Pós-doutorado no Museu Paulista da USP, com projeto intitulado “Pinturas em aquarela e guache de José Wasth Rodrigues: materialidade, técnica e preservação” (2022-2024) (Fapesp 2020/13970-1), e no Laboratório de Espectroscopia Molecular do Instituto de Química da USP (2019-2020), com o projeto de pesquisa “Investigação espectroquímica de Bens Culturais: desafios químicos, forenses e museológicos de abordagens não destrutivas”. Doutora em Química (Físico-Química) pelo IQ-USP, especializando-se na investigação e caracterização de materiais e produtos de degradação de obras de arte por espectroscopia Raman e espectroscopia de absorção FTIR. Durante o doutoramento, realizou dois estágios no exterior: Doutorado sanduíche na Universidade de Leicester, Reino Unido e Laboratório de Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda (HERCULES) da Universidade de Évora, Portugal. É Mestre em Química pelo IQ-USP e Bacharel em Química com habilitação em Química Forense pela FFCLRP-USP. E-mail: isodre@usp.br.

  • Dalva Lucia Araújo de Faria, Universidade de São Paulo

    Professora associada aposentada do Departamento de Química Fundamental do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e atualmente Professora Sênior no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE-USP). Bacharel em Química, mestrado e doutorado em Química (Físico-Química) pela USP, e pósdoutorado pela Universidade de York (Reino Unido). Especialista em aplicações de espectroscopia Raman nos problemas do patrimônio histórico e artístico, arqueologia e química forense. E-mail: dlafaria@iq.usp.br.

  • Yara Ligia Mello Moreira Petrella, Universidade de São Paulo

    Arquiteta e Urbanista pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), mestrado e doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela USP. Foi restauradora no Museu Paulista da USP por mais de 30 anos, foi também Supervisora de Serviço do Laboratório de Conservação e Restauração. Atualmente é restauradora. E-mail: yarapetrella@gmail.com.

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Publicado

2026-04-30

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Número

Sección

Conservación y Restauración

Cómo citar

SANTOS, Isabela Ferreira Sodré dos; FARIA, Dalva Lucia Araújo de; PETRELLA, Yara Ligia Mello Moreira. A técnica de José Wasth Rodrigues à entrada do Museu Paulista: brasões das mais velhas cidades bandeirantes. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 34, p. 1–29, 2026. DOI: 10.11606/1982-02672026v34e22. Disponível em: https://revistas.usp.br/anaismp/article/view/235949. Acesso em: 3 jun. 2026.