Entre o Paraíso Perdido e a Civilização: palmeiras em representações de paisagens do Rio de Janeiro nas décadas de transição do Império para a República
DOI :
https://doi.org/10.11606/1982-02672026v34e24Mots-clés :
Paisagem Carioca, “Cidade Maravilhosa”, Palmeiras Imperiais, Marc Ferrez, Félix-Émile TaunayRésumé
Ao reconhecer a representação da paisagem do Rio de Janeiro como uma criação simbólica baseada na relação estética entre cidade e natureza, este trabalho analisa um de seus elementos mais representados, para além do reconhecido Pão de Açúcar: as palmeiras. Para isso, parte-se do princípio de que a representação dessas espécies de plantas, que funcionaram como emblema da nação durante o Império, não foi abandonada em fotografias da capital nas décadas de transição para a República. A fim de interpretar as relações que possibilitaram essa preservação, o trabalho articula, em um primeiro momento, descrições do Paraíso Perdido de John Milton com a formação acadêmica neoclássica de pinturas de paisagem no Brasil. Por fim, analisa-se como essas relações podem também ser visualizadas em fotografias de Marc Ferrez – fotógrafo comissionado tanto pelo Império quanto pela República – nas últimas décadas do século XIX. Verifica-se, portanto, a transposição simbólica de palmeiras das telas e fotografias da paisagem para os espaços construídos da cidade, e vice-versa. Embora as duas faces da antiga capital no final do século XIX pareçam paradoxais – uma natureza intocada, mas arrasada por obras urbanas de engenharia –, as palmeiras, que compuseram representações de um paraíso imaginado e de uma nação erguida nos trópicos, parecem funcionar como elementos que articulam ambas.
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