As transformações dos quartéis na arquitetura militar luso-brasileira
DOI:
https://doi.org/10.11606/1982-02672026v34e18Palavras-chave:
Patrimônio de origem militar, Memória, Tipologias, ReconhecimentoResumo
Conflitos na Península Ibérica no século XVII ocasionaram na formação de um exército permanente pela Coroa de Portugal. Novas estruturas defensivas e a preocupação com espaços logísticos, como quartéis, objetivaram suprir a demanda. Na tipologia específica da arquitetura militar, os quartéis luso-brasileiros são o foco desta pesquisa, que visa analisar o percurso tipológico. Foi realizado um estudo documental dos tratados militares, sistematização dos preceitos teóricos e representação gráfica comparativa dos reflexos na morfologia dos quartéis na tratadística e nos exemplares representativos utilizados nesta pesquisa. Os resultados apontam que há uma produção militar lusitana, embora seja perceptível a influência francesa nos exemplares do século XVIII, semelhante às estruturas fortificadas, sendo os quartéis classificados em três grupos: 1) os quartéis fortificados erguidos no interior de estruturas fortificadas; 2) os quartéis isolados; e 3) os quartéis em complexo, os quais integram conjuntos militares modernos. Com a perda gradativa da funcionalidade das fortificações, foram os quartéis que assumiram um protagonismo, englobando outras estruturas de logística, como prisões e comandos. Isso se refletiu também em uma estrutura mais elaborada estética e monumentalmente em alguns exemplares representativos.
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