Colonial or not colonial, that’s the question: Curt Nimuendajú as collector for Brazilian and European Museums
DOI:
https://doi.org/10.11606/1982-02672025v33e37Palavras-chave:
Colecionismo, História da antropologia, Etnologia alemã, Coleções etnográficasResumo
O antropólogo brasileiro de origem alemã Curt Nimuendajú é considerado um personagem central na história da antropologia brasileira. Sua biografia é caracterizada por múltiplos papéis como um etnógrafo brilhante, um incansável documentarista de línguas indígenas, um pioneiro na arqueologia amazônica e um obstinado defensor de direitos indígenas às suas terras e a sua sobrevivência física, mas ele também ficou conhecido por suas atividades colecionistas para museus brasileiros e europeus. A principal questão deste artigo é: Como caracterizar as atividades colecionistas de Nimuendajú? Elas podem ser interpretadas como típicos empreendimentos coloniais realizados por um homem branco hetero? As respostas só podem ser encontradas ao estudar a documentação detalhada de suas atividades, a qual foi arquivada em vários museus brasileiros, alemães e suecos e foi publicada em partes. Uma reconstrução cuidadosa das circunstâncias e dos itinerários das expedições e pesquisas de campo de Nimuendajú mostra que seu caso não é adequado para confirmar determinados estereótipos sobre práticas colecionistas para museus europeus. Ao contrário de outros casos, Nimuendajú não organizou suas coleções por roubo, pilhagem ou trapaças. Em vez disso, ele preferiu negociações, às vezes bastante demoradas, pagamentos, escambos e estímulos para reproduzir objetos não mais confeccionados, sempre estabelecendo relações simétricas com seus anfitriões indígenas. Isto reforça a posição defendida neste trabalho de que o estudo das práticas históricas de organizar coleções para museus etnológicos precisa ser baseado numa avaliação cuidadosa das biografias dos colecionadores para evitar o risco de repetir uma série de clichês e estereótipos.
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