Prevalência de maus-tratos em cães e gatos atendidos em estabelecimento veterinário privado
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1678-4456.bjvras.2024.218009Palavras-chave:
Abuso animal, Bem-estar animal, Negligência, Clínica veterináriaResumo
Os maus-tratos aos animais são considerados crime no Brasil. Os médicos veterinários têm papel relevante na promoção do bem-estar dos animais e enfrentamento desse crime. Objetivou-se conhecer os casos de maus-tratos aos animais de estimação atendidos em clínicas veterinárias. Das dez clínicas veterinárias convidadas, somente uma seguiu as recomendações e foi incluída. Foi preenchida ficha segmentada em quatro seções (dados gerais dos animais, comportamento do animal, inspeção física dos animais e as condutas do tutor com os animais) para cada animal consultado. Durante 3 meses foram atendidos 148 animais, 77,70% cães (115/148) e 22,30% gatos (33/148); a maioria possuía entre 0 e 2 anos; 66,1% (76/115) dos cães tinham raça e 97,0% (32/33) dos gatos eram sem raça definida. Houve diferença estatística significativa entre espécie e raça (χ2 (1)=0,001; P≤0,05) e entre espécie e idade (χ2 (1)=0,037; P≤0,05). As condições físicas mais frequentes foram doença periodontal grau III ou IV (16,5% cães e 3,0% gatos), desidratação (7,8% cães e 18,2% gatos) e escore corporal baixo (6,9% cães e 15,2% gatos). Houve diferença estatística significativa entre espécie e doença periodontal grau III ou IV (χ2 (1)=0,047; P=0,046). Em relação às condutas do responsável pelo animal, as mais frequentes foram a recusa do tutor para realização de exames complementares (5,2% cães e 18,2% gatos) e atraso na procura do médico veterinário (6,9% cães e 3,0% gatos). Houve diferença estatística entre espécie e recusa do tutor para realização de exames complementares (χ2 (1)=0,027; P≤0,05). As suspeitas de maus-tratos em cães associaram-se à doença periodontal e ao atraso na busca de tratamento; em gatos, à desidratação e à recusa para realização de exames adicionais.
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