Autobiografias de prostitutas e prática etnográfica: diálogos com as antropologias feministas
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v35i1pe239995Palavras-chave:
Grafias de vida, Prostituição, Antropologias feministas, experiênciaResumo
Este trabalho discute como as grafias de vida de Gabriela Leite (2009) e Lourdes Barreto (2023) podem ser compreendidas como campo etnográfico. Partindo das contribuições de Suely Kofes acerca das escritas de si e das grafias de vida, analiso os modos pelos quais essas autobiografias articulam informação, evocação e reflexão na elaboração de interpretações sobre a prostituição e sobre si mesmas. A partir do eixo analítico do afirmar-se puta/prostituta, examino como essa identidade é construída de forma relacional, situada e discursivamente produzida, evidenciando os processos de negociação, contestação e ressignificação dos regimes normativos que atravessam suas trajetórias. Sustento que essas grafias de vida não apenas registram experiências individuais, mas constituem formas de produção de conhecimento e intervenção política, permitindo compreender as autobiografias como uma também modalidade de prática etnográfica.
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eISSN: 2316-9133