Por uma memória negra e feminina do ativismo brasileiro: o caso do Acervo Sueli Carneiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v34i1pe234370

Palavras-chave:

memória negra, politicas públicas, acervos-afrobrasileiros

Resumo

O artigo apresenta os processos de criação e organização do Acervo Sueli Carneiro, como um caso emblemático de preservação da memória negra no Brasil. A Casa Sueli Carneiro, instituição dedicada ao legado da filósofa e ativista, desenvolveu um processo de arquivamento inovador que alia a formação de profissionais negras, digitalização e acesso público. O texto destaca, em sua primeira e segunda seções, as especificidades do acervo, que reúne documentos pessoais, registros do movimento negro e feminista, além da produção intelectual de Sueli Carneiro. Adiante, na terceira seção, discutimos a importância dos acervos pessoais e arquivos comunitários na construção de narrativas históricas contra hegemônicas, e a necessidade de políticas públicas específicas para sua manutenção e disseminação. Por fim, argumentamos que a memória negra deve ser compreendida como patrimônio coletivo, e que a promoção de mecanismos de fomento para sua preservação são passos fundamentais para reequilibrar as O artigo apresenta os processos de criação e organização do Acervo Sueli Carneiro, como um caso emblemático de preservação da memória negra no Brasil. A Casa Sueli Carneiro, instituição dedicada ao legado da filósofa e ativista, desenvolveu um processo de arquivamento inovador que alia a formação de profissionais negras, digitalização e acesso público. O texto destaca, em sua primeira e segunda seções, as especificidades do acervo, que reúne documentos pessoais, registros do movimento negro e feminista, além da produção intelectual de Sueli Carneiro. Adiante, na terceira seção, discutimos a importância dos acervos pessoais e arquivos comunitários na construção de narrativas históricas contra hegemônicas, e a necessidade de políticas públicas específicas para sua manutenção e disseminação. Por fim, argumentamos que a memória negra deve ser compreendida como patrimônio coletivo, e que a promoção de mecanismos de fomento para sua preservação são passos fundamentais para reequilibrar as narrativas históricas e fortalecer a democracia e os Direitos Humanos.

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Biografia do Autor

  • Natália Neris, Casa Sueli Carneiro

    Doutora em Direitos Humanos pela Universidade de São Paulo (USP). Tem experiência em ensino, pesquisa e gestão pública e privada nas áreas de políticas públicas e Direitos Humanos. É autora do livro "A voz e a palavra do Movimento Negro na Constituinte de 1988" (2018) e coautora do livro "O Corpo é o Código: estratégias jurídicas de enfrentamento ao revenge porn" (2016). Atualmente é coordenadora de Incidência Política na Casa Sueli Carneiro.

  • Ionara Lourenço, Casa Sueli Carneiro

    Bibliotecária formada em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), com experiência em classificação, catalogação e indexação de acervos bibliográficos, gestão de bases de dados e sistemas de gerenciamento de bibliotecas. Atuou como conselheira do Conselho Regional de Biblioteconomia do estado de São Paulo e atualmente é Coordenadora de acervos da Casa Sueli Carneiro.

Referências

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Publicado

2025-12-05

Edição

Seção

Dossiê Acervos Afro-Brasileiros em Rede: ações em perspectiva

Como Citar

Santos, N., & Lourenço, I. (2025). Por uma memória negra e feminina do ativismo brasileiro: o caso do Acervo Sueli Carneiro. Cadernos De Campo (São Paulo - 1991), 34(1), e234370. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v34i1pe234370