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                <journal-title>Caracol</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Caracol</abbrev-journal-title>
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            <issn pub-type="ppub">2178-1702</issn>
            <issn pub-type="epub">2317-9651</issn>
            <publisher>
                <publisher-name>Universidade de São Paulo</publisher-name>
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                    <subject>Dossiê</subject>
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                <article-title>Revisão de Textos Traduzidos: uma experiência na formação de tradutores de português-espanhol</article-title>
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                        <surname>Bevilacqua</surname>
                        <given-names>Cleci Regina</given-names>
                    </name>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do Sul</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Departamento de Línguas Modernas</institution>
                <institution content-type="orgdiv2">Programa de Pós-Graduação em Letras</institution>
                <institution content-type="original">Professora do Departamento de Línguas Modernas (Setor de Espanhol) e do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Coordenadora do Projeto Termisul e do Grupo de Pesquisa Termisul no CNPq.</institution>
            </aff>
            <author-notes>
                <corresp id="c01">Contato: <email>cleci.bevilacqua@ufrgs.br</email>
                </corresp>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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                <year>2021</year>
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                <season>Jul-Dec</season>
                <year>2017</year>
            </pub-date>
            <issue>14</issue>
            <fpage>82</fpage>
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                    <year>2017</year>
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                    <year>2017</year>
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                <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>O objetivo deste artigo é oferecer um panorama da disciplina de Revisão de Textos Traduzidos Espanhol/Português no contexto de formação de tradutores em um curso de nível universitário. Busca-se apresentar a relação da disciplina com as competências e habilidades propostas no projeto pedagógico do curso, sua inserção no currículo e seus conteúdos programáticos. Do mesmo modo e com base na proposta de Parra Galiano (2005, 2007), elencam-se, de forma sintetizada, os princípios e parâmetros que orientam as atividades práticas de revisão desenvolvidas no curso. Espera-se poder mostrar a necessidade de uma formação mínima em revisão de textos traduzidos para os futuros profissionais da tradução e motivá-los a serem não apenas revisores de seus próprios textos, mas também de textos de outros profissionais da área. Assim, sua atuação estaria, por um lado, garantindo uma maior qualidade na tradução final e, por outro, abrindo uma possibilidade de inserção em um processo maior, o de edição e publicação de traduções.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>The aim of this paper is to draw an overview of the discipline Revision of Spanish/Portuguese Translated Texts in the context of the translators training in a university level course. It is intended to present the relationship of the subject to the skills and abilities proposed in the course pedagogical program, its insertion in the curriculum and its programmatic contents. In the same way, the principles and parameters guiding the practical activities developed in the course are synthesized from Parra Galiano’s proposal (2005, 2007). It is hoped to be able to show how future professional translators need a minimal training in text revision as well as to motivate them to be not only proof-readers of their own texts but also of texts of other professionals in the area. Thus, their performance would in one hand ensure a better quality for the final translation, on the other open a possibility of entering a wider process, that of translation editing and publishing.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>palavras-chave</title>
                <kwd>tradução</kwd>
                <kwd>revisão</kwd>
                <kwd>língua espanhola</kwd>
                <kwd>língua portuguesa</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords</title>
                <kwd>didactics of translation</kwd>
                <kwd>translation process</kwd>
                <kwd>task-based approach</kwd>
                <kwd>Spanish Portuguese translation</kwd>
            </kwd-group>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>O presente texto tem o objetivo de apresentar um panorama da disciplina de Revisão de Textos Traduzidos Espanhol/Português, destacando seus conteúdos e as atividades práticas realizadas. A disciplina integra o currículo do Curso de Bacharelado em Letras – Tradutor Português-Espanhol, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que entrou em vigor em 2012. Além de formar tradutores, o novo currículo busca também formar profissionais capazes de trabalhar com a produção e revisão de textos em português e na sua língua estrangeira de trabalho, no caso, o espanhol. Busca-se, desse modo, formar um profissional do texto que possa atuar em diferentes áreas. Por essa razão, várias disciplinas foram introduzidas com esse fim, entre elas a que trataremos neste texto.</p>
            <p>No contexto de ensino e formação de tradutores é raro incluir disciplinas que preparem os estudantes para desempenhar atividades de revisão. Embora nas disciplinas de prática de tradução e de versão se ressalte a importância da revisão final dos textos traduzidos ou vertidos, nem sempre se consegue oferecer os conhecimentos necessários para que os alunos possam revisar adequadamente seus textos. Nesse contexto, é fundamental poder oferecer uma disciplina que trate especificamente das questões de revisão de textos traduzidos com o propósito de dar um embasamento teórico e prático mínimo, que permita aos estudantes realizar tal tarefa de forma mais segura e consciente. Acredita-se, portanto, que é possível desenvolver determinadas habilidades que assegurem o desenvolvimento da competência de revisão de textos traduzidos, posto que ela requer competências diferenciadas da revisão de textos produzidos em língua materna. Ao desenvolver essa competência, espera-se que os futuros profissionais possam atuar como revisores tanto no mercado editorial como em agências de tradução, entre outras possibilidades.</p>
            <p>Para atender o objetivo aqui proposto, inicialmente, apresentamos um panorama geral do projeto pedagógico e do novo currículo do curso, para que se possa compreender o contexto em que se insere a disciplina de Revisão de Textos Traduzidos Espanhol/Português. Em seguida, discorremos sobre o objetivo da disciplina, seu conteúdo programático e as atividades práticas realizadas, indicando os princípios e parâmetros seguidos a partir da proposta de Parra <xref ref-type="bibr" rid="B09">Galiano (2005</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B08">2007)</xref>. Finalmente, trazemos nossas considerações finais, buscando mostrar a importância da formação em revisão de textos traduzidos.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>1. Panorama do currículo do Curso de Bacharelado em Letras – Tradutor (UFRGS)</title>
            <p>Em 2012, passou a vigorar o novo projeto pedagógico do Curso de Bacharelado em Letras – Tradução<xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref>, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e com ele o novo currículo. Esse currículo foi o resultado de cerca de seis anos de discussão entre os professores do curso que almejavam uma reformulação do currículo anterior com vistas a dar conta dos novos avanços teóricos e práticos ocorridos na área, bem como das demandas do mercado de trabalho. É importante ressaltar que esse grupo de professores faz parte do Núcleo de Estudos de Tradução Olga Fedessejeva (NET)<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref> que, após a reformulação do currículo, continua promovendo diversas atividades destinadas aos estudantes, entre elas oficinas, palestras e a Semana de Estudos de Tradução (SET).</p>
            <p>Estabeleceu-se como perfil do profissional a ser formado, não apenas o de tradutor, mas também o de um profissional do texto, ou seja, de um profissional capaz de não apenas traduzir da língua estrangeira para a língua materna (tradução) e da língua materna para a estrangeira (versão), mas também de produzir e revisar textos em língua materna e estrangeira, gerenciar e elaborar projetos terminográficos, prestar assessoria linguística, gerenciar projetos de tradução e de terminologia, localizar <italic>softwares</italic>, entre outras atividades relacionadas à linguagem.</p>
            <p>Além desse perfil mais amplo, um dos princípios que guiaram a reformulação foi a busca de um maior equilíbrio entre teoria e prática para o desenvolvimento da competência tradutória (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Hurtado Albir, 2001</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B05">2005</xref>) e suas subcompetências – linguística, extralinguística, instrumental, de conhecimentos sobre tradução, estratégica –, considerando que o currículo anterior dava primazia às disciplinas de Letras em geral<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref>. Também ficou estabelecido que haveria uma redução no período de realização do curso – de 9 semestres para 8 – e que as disciplinas e o número de créditos totais no semestre deveriam poder ser realizados no turno da manhã.</p>
            <p>Definidos os princípios norteadores da reformulação, foram delineadas as seguintes habilidades a serem desenvolvidas pelos estudantes como futuros profissionais da Tradução:</p>
            <list list-type="alpha-lower">
                <list-item>
                    <p>traduzir e verter textos especializados e não especializados de diferentes gêneros: significa estar apto a traduzir nos dois sentidos – de língua estrangeira para língua materna e vice-versa – e atuar tanto em textos literários como nos científicos e técnicos;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>revisar textos em língua materna, língua estrangeira e traduções: equivale a dominar tanto a norma culta quanto seus diferentes registros e variantes nas línguas de trabalho, além dos conhecimentos necessários sobre o processo tradutório em si;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>produzir e/ou assessorar a produção de textos de diferentes gêneros: indica que esse profissional pode auxiliar na redação de textos diversos em português e na língua estrangeira;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>produzir e avaliar materiais terminográficos e/ou lexicográficos: significa estar apto a elaborar glossários, dicionários e obras afins, assim como bancos e bases de dados;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>gerenciar projetos de tradução e de terminologia: requer que o profissional seja capaz de assumir um papel central em empreendimentos mais amplos que envolvam vários profissionais (de áreas diversas) e várias fases de produção (tradução, revisão, pós-edição, etc.), bem como as atividades desenvolvidas nas agências de tradução;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>reconhecer, gerir e mediar informações básicas de áreas diversas de conhecimento: implica saber lidar com novas áreas do saber, fazendo uso de conhecimentos anteriores e adaptando-os às novas situações;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>prestar serviços profissionais com qualidade, pontualidade, valor econômico agregado: requer uma formação que valorize qualidades como disciplina, ética e comprometimento profissional com o cliente e com o destinatário final do texto encomendado;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>autoavaliar-se: requer senso crítico e conhecimento aprofundado de sua área de atuação.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>O estabelecimento dessas habilidades permitiu correlacionar as disciplinas oferecidas e as subcompetências tradutórias implicadas em cada uma delas. Assim, as disciplinas foram distribuídas em cinco grupos principais, como vemos a seguir:</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>aquisição de conhecimentos aprofundados e reflexão sobre estudos da linguagem, teorias de texto, teorias de tradução, teorias de leitura, estudos literários, estudos de cultura e de língua materna e línguas estrangeiras: supõem as subcompetências linguística, extralinguística e de conhecimentos sobre tradução;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>aquisição de competência em leitura e em produção textual, de maneira a posicionar-se de modo reflexivo, ético e crítico: implica a subcompetência linguística;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>desenvolvimento da capacidade de usar recursos informáticos e tecnológicos, dicionários <italic>on-line</italic>, bases de dados, ferramentas de busca e de processamento de linguagem, memórias de tradução, etc., e de organizar e prover o posto de trabalho com equipamentos, materiais de consulta e suporte necessários à atividade e à prestação de serviços qualificada e ágil, tanto em nível corporativo como em nível individual: requerem as subcompetências extralinguística e instrumental;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>essa mesma competência está igualmente presente na capacidade de apropriação do seu lugar social e de conscientização de seu papel nas associações de classe, grupos de pesquisa e grupos de trocas de informação sobre a atividade profissional;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>desenvolvimento da habilidade de desempenhar atividades em equipe, tanto com profissionais de sua própria área quanto com aqueles de outros campos de conhecimento: entram em jogo os componentes psicofisiológicos - cognitivos (memória, atenção), comportamentais (empatia, perseverança, espírito crítico, rigor científico), habilidades (raciocínio lógico, capacidade de análise e síntese).</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Além das subcompetências anteriores, a subcompetência estratégica deve administrar as demais, e sua aquisição e desenvolvimento devem permear todo o processo de formação do aluno, tanto no que tange às competências específicas à atividade profissional quanto no que diz respeito àquelas individuais.</p>
            <p>Para dar uma ideia da representação das subcompetências tradutórias nas disciplinas propostas, apresentamos o <xref ref-type="table" rid="t01">Quadro 1</xref>.</p>
            <table-wrap id="t01">
                <label>Quadro 1</label>
                <caption>
                    <title>Subcompetência predominante por grupo de disciplinas</title>
                </caption>
                <table frame="box" rules="all">
                    <thead>
                        <tr align="left" valign="top">
                            <th>Disciplinas</th>
                            <th>Subcompetências</th>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr valign="top">
                            <td valign="top" style="border-bottom:hidden">Departamento de Línguas Clássicas e Vernáculas Estudos de Língua Portuguesa (LP), Leitura e Produção de Textos em LP I e II, Teoria do Texto, Sintaxe do Texto, Semântica do Texto, Revisão de Textos em LP, Latim: noções básicas</td>
                            <td rowspan="3" valign="middle">Linguística</td>
                        </tr>
                        <tr valign="top" style="border-bottom:hidden">
                            <td><bold>Departamento de Línguas Modernas</bold><break/>Língua Estrangeira I a VIII, Produção de Textos em Língua Estrangeira I, Revisão de Textos Traduzidos</td>
                        </tr>
                        <tr valign="top">
                            <td><bold>Departamento de Linguística, Filologia e Teoria Literária</bold><break/>Conceitos Básicos de Linguística, Estudos Linguísticos I e II, Teorias de Leitura</td>
                        </tr>
                        <tr valign="top">
                            <td valign="top" style="border-bottom:hidden">Departamento de Línguas Clássicas e Vernáculas Literatura Brasileira (2 disciplinas de um bloco de 12 alternativas), Estudos Portugueses I<break/><break/></td>
                            <td rowspan="3" valign="middle">Extralinguística</td>
                        </tr>
                        <tr valign="top">
                            <td valign="top" style="border-bottom:hidden"><bold>Departamento de Línguas Modernas</bold><break/>Literatura em Língua Estrangeira (3 disciplinas de um bloco de 7 alternativas), Cultura em Língua Estrangeira (2 disciplinas de um bloco de 4 alternativas)</td>
                        </tr>
                        <tr valign="top">
                            <td valign="top"><bold>Departamento de Linguística, Filologia e Teoria Literária</bold><break/>Literatura Comparada</td>
                        </tr>
                        <tr valign="top">
                            <td>Departamento de Línguas Modernas<break/>Revisão de Textos Traduzidos, Tradução I a III, Versão I a III, Estágio Supervisionado de Tradução I e II, Estudos de Tradução</td>
                            <td valign="middle">Conhecimentos sobre tradução</td>
                        </tr>
                        <tr valign="top">
                            <td>Departamento de Linguística, Filologia e Teoria Literária<break/>Terminologia I e II, Léxico e Dicionários</td>
                            <td valign="middle">Instrumental</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn>
                        <p>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B01">Bevilacqua; Reuillard, 2017</xref>, 204.</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p>Para os fins deste trabalho, não apresentaremos todo o currículo<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>, mas apenas situamos a disciplina de Revisão de Textos Traduzidos. Essa disciplina é oferecida na oitava e última etapa, após o aluno ter realizado 7 disciplinas de Linguística, incluindo as de Teoria da Leitura, de Terminologia Teórica e Aplicada; 7 disciplinas relacionadas à Língua Portuguesa, entre elas Revisão de Textos em Língua Portuguesa; 4 relativas à Literatura de Língua Portuguesa; 7 de Língua Espanhola; 2 de Cultura de Língua Espanhola (1 Espanhola e 1 Hispano-Americana); 3 de Tradução (espanhol-português); 2 de Versão (português-espanhol), 1 Estágio Supervisionado de Tradução, além de 1 disciplina de Latim e uma de Literatura Comparada. Considerando esse conjunto de disciplinas e que o aluno está no final de sua formação, espera-se que tenha adquirido as subcompetências mencionadas. Tem, portanto, os conhecimentos necessários para poder realizar a contento as atividades propostas na disciplina de Revisão de Textos Traduzidos. A seguir, tratamos especificamente da disciplina de Revisão de Textos Traduzidos Espanhol/Português.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>2. A disciplina de Revisão de Textos Traduzidos Espanhol/Português</title>
            <p>Todas as súmulas do novo currículo foram elaboradas pelo conjunto de professores do Curso de Tradução. Assim, há súmulas com princípios comuns para as várias línguas, que são complementadas com as especificidades de cada uma das seis línguas oferecidas. Para a disciplina de Revisão de Textos Traduzidos Espanhol/Português propôs-se a seguinte súmula:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Cotejo do texto escrito em língua espanhola e em língua portuguesa, com vistas à adequação ao receptor e aos objetivos da tradução. Edição e critérios de correção gramatical, estilística, terminológica, idiomática e pragmática. Prática de gerenciamento de projeto de tradução</p>
                    <attrib>(UFRGS<xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref>).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>A partir dessa súmula, o objetivo que consta no programa da disciplina prevê a “Introdução à prática de revisão textual voltada à tradução, com ênfase no reconhecimento e manutenção de traços estilísticos, convenções dos gêneros textuais e normas editoriais”. Entre os conteúdos programáticos a serem desenvolvidos encontram-se: os sistemas internacionais de normalização, principalmente normas brasileiras e dos países hispanofalantes; as normas editoriais; as diferentes etapas do processo editorial; os princípios e parâmetros em revisão de tradução; os recursos de revisão do Word, além de atividades práticas de revisão. Desse modo, espera-se que os alunos tenham uma formação básica que permita: a) revisar suas próprias traduções e b) revisar a tradução realizada por outros tradutores.</p>
            <p>A metodologia proposta inclui aulas expositivas sobre o referencial teórico da disciplina; discussão em grupo das revisões de textos traduzidos realizadas pelos alunos e uso de recursos de revisão do Word, entre outros recursos informáticos. Sempre que possível, busca-se simular situações reais de revisão. Assim, em 2016, os alunos revisaram textos de literatura uruguaia traduzidos para o português, publicados na <italic>Revista Pontis</italic>, n. 4<xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref>, da Universidad de la República (Uruguai), conforme explicamos mais adiante.</p>
            <p>Em relação à distribuição das atividades teóricas e práticas, considerando que a disciplina tem uma carga de 30h/a, enfocam-se mais as atividades voltadas para a prática de revisão do que as dirigidas ao conteúdo teórico. Assim, dos 15 encontros previstos, 5 (10h/a) são voltados à leitura e discussão de textos teóricos, bem como à sistematização dos princípios e parâmetros de revisão propostos por <xref ref-type="bibr" rid="B09">Parra Galiano (2005</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B08">2007)</xref>; e os 10 encontros restantes são destinados à prática de revisão de textos propriamente dita.</p>
            <p>O referencial teórico inclui, além da autora acima citada, <xref ref-type="bibr" rid="B07">Mossop (1982)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Reuillard (2014)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B06">Morin-Hernandez (2009)</xref>, normas e diretrizes de revisão, como o manual de revisão da<xref ref-type="bibr" rid="B11"> União Europeia (2010)</xref>.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>3. Revisão de Textos Traduzidos: da teoria à prática</title>
            <p>Antes de iniciar a leitura do referencial teórico, é feito um levantamento inicial para identificar se os alunos já tiveram experiência com revisão de textos em geral e de tradução em particular e se tiveram contato com leituras específicas sobre o tema. Em geral, a única experiência dos estudantes é com a disciplina de Revisão de Textos em Língua Portuguesa, oferecida na sexta etapa do curso. Portanto, os alunos iniciam a disciplina com um conhecimento básico relativo à revisão de textos em língua materna.</p>
            <p>Cabe destacar que, em suas respostas, sempre aparece a dúvida a respeito do papel do revisor, ou seja, até onde ele pode e deve intervir no texto traduzido por outro profissional. Levando em conta essas informações, consideramos fundamental dar uma base teórica mínima que oriente os estudantes para a tomada de decisões no momento da revisão de textos traduzidos.</p>
            <p>Assim, em relação aos limites da revisão de tradução, é importante apresentar aos estudantes a proposta de <xref ref-type="bibr" rid="B07">Mossop (1982</xref>, 1 – tradução nossa) que afirma que “o objetivo na revisão é identificar os problemas mais importantes e resolvê-los. Em outras palavras, revisão não é retradução”<sup>7</sup>. Segundo o autor a pergunta que deve ser feita é: o que precisa ser melhorado? E não: isso pode ser melhorado? (id., 2).</p>
            <p>Além disso, são apresentados e discutidos os princípios e parâmetros que orientam a revisão de textos traduzidos, os quais sintetizamos a seguir, a partir de <xref ref-type="bibr" rid="B08">Parra Galiano (2007</xref>, 201-207):</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>Conhecer a encomenda de tradução: implica conhecer sua finalidade, destinatário, meio de difusão, autor do original, sua função, prazo para realização da revisão e pagamento.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Ler o Texto Traduzido (TT) como se fosse um texto escrito originalmente na Língua de Chegada (LC): pode-se ler o texto completo ou amostras procurando assumir o papel do leitor do TT. Esse procedimento agiliza</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>o processo de revisão e, caso o revisor tenha que voltar ao original, indica que a tradução não está cumprindo com sua função, qual seja, a de promover uma comunicação eficaz.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Analisar a rentabilidade da revisão, isto é, a partir da revisão de uma amostra da tradução definir se é possível revisar todo o texto, parte dele ou ainda se é necessário devolvê-la ao tradutor para revisá-la e melhorá-la.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Definir a modalidade da revisão<xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref> e o grau de revisão (ver abaixo) que requer o TT: para tomar essa decisão, o revisor deve considerar a encomenda de tradução, o tempo disponível para realizar a revisão, a experiência e qualificação do tradutor e os conhecimentos que ele próprio possui para realizar a tarefa.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Minimizar as modificações no TT: dependendo do tempo disponível para realizar a revisão, o revisor deve definir o tipo de melhoria que fará no TT. Se o tempo for escasso, deve se ater à correção de erros.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Justificar as correções: o revisor deve saber justificar todas as correções ou melhorias feitas, independentemente de serem solicitadas pelo cliente ou não.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Decidir sobre a qualidade do TT: o revisor é responsável por decidir sobre a qualidade da tradução, principalmente nos casos em que o tradutor nem sempre tem a oportunidade de discutir com o cliente as correções feitas. Contudo, há casos em que há o diálogo entre tradutor e revisor; nessas ocasiões, o tradutor pode responsabilizar-se pelas alterações e, consequentemente, pela qualidade final do texto traduzido.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Além de seguir esses princípios, Parra Galiano considera fundamental seguir parâmetros ou critérios de revisão, pois são eles que permitem ao revisor explicar as correções ou melhorias feitas e estabelecer o limite entre revisão e retradução.</p>
            <p>A autora (<italic>idem</italic>, 202-207), a partir da proposta de <xref ref-type="bibr" rid="B07">Mossop (2001a</xref>
                <italic>apud</italic>
                <xref ref-type="bibr" rid="B08">Parra Galiano, 2007</xref>, 202), agrupa os parâmetros em quatro grupos, considerando os aspectos gerais a serem verificados no TT. Sintetizamos os parâmetros propostos pela autora abaixo.</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p><bold>Conteúdo:</bold></p>
                    <list list-type="alpha-lower">
                        <list-item>
                            <p>Lógica: relaciona-se à construção do texto considerando os aspectos formais e semânticos (coesão e coerência), bem como a clareza e a concisão do TT;</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p>Dados: refere-se ao uso adequado de dados, cifras e números;</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p>Linguagem especializada: relativo à terminologia, à fraseologia e à própria estrutura do texto, posto que cada gênero textual caracteriza-se pelo uso de recursos léxicos, sintáticos e retóricos específicos e que podem ser diferentes no Texto de Partida (TP) e no TT.</p>
                        </list-item>
                    </list>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p><bold>Aspectos linguísticos:</bold></p>
                    <list list-type="alpha-lower">
                        <list-item>
                            <p>Norma e uso da LC: refere-se à norma e ao uso vigentes na LC e inclui aspectos como diversidade linguística, idioletos, registro e estilo;</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p>Adaptação ao destinatário: busca identificar se o leitor do TT é o mesmo que o leitor do TP. Caso não sejam os mesmos leitores, o tradutor precisa fazer as adaptações necessárias, e o revisor deve estar atento às mudanças para verificar se a coerência e fluência foram mantidas, assegurando a compreensão do texto pelos leitores do TT.</p>
                        </list-item>
                    </list>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p><bold>Finalidade e usuário do TT:</bold></p>
                    <list list-type="alpha-lower">
                        <list-item>
                            <p>Exatidão: garante que o TT tem o mesmo sentido que o TP; relaciona-se também à sua legibilidade por parte dos seus leitores;</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p>Integridade: assegura que o TT contém todas as informações presentes no TP, exceto quando o pedido de tradução seja outro, por exemplo, um resumo do TP.</p>
                        </list-item>
                    </list>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p><bold>Apresentação do TT:</bold></p>
                    <list list-type="alpha-lower">
                        <list-item>
                            <p>Edição: refere-se à estrutura do texto, à disposição da informação geral e por páginas, a fim de que seja clara para o leitor. Também inclui a revisão de margens, espaço, entre outros aspectos de formatação;</p>
                        </list-item>
                        <list-item>
                            <p>Ortografia e código tipográfico: abrange o uso correto dos elementos tipográficos (itálico, negrito, sublinhado etc.) e, caso o cliente solicite uma edição diferenciada, para atender determinadas normas de edição, é preciso revisar o TT de acordo com as normas solicitadas.</p>
                        </list-item>
                    </list>
                </list-item>
            </list>
            <p>A autora chama a atenção para que alguns dos parâmetros – como os de conteúdo – podem não ter sido seguidos no próprio original ou ter ocorrido por falha do tradutor. No primeiro caso, Parra Galiano aconselha que o revisor entre em contato com o cliente para tentar resolver o problema. No segundo, sugere que o revisor deve apontar o problema para o tradutor, justificando a correção ou melhoria proposta.</p>
            <p>Além de discutir os princípios e parâmetros com os alunos, é importante mostrar que há graus de revisão. Parra Galiano (<italic>idem</italic>, 211) apresenta o <xref ref-type="table" rid="t02">quadro</xref> seguinte (tradução nossa):</p>
            <table-wrap id="t02">
                <label>Quadro 2</label>
                <caption>
                    <title>Graus de revisão</title>
                </caption>
                <table frame="box" rules="all">
                    <thead>
                        <tr align="center">
                            <th>Procedimentos de valoração</th>
                            <th>Parte do TC revisada</th>
                            <th>Comparação TC/TP</th>
                            <th>Grau de revisão</th>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr align="center">
                            <td>Revisão comparativa</td>
                            <td>Completo – 100%</td>
                            <td>Sempre</td>
                            <td>Revisão completa – grau superior</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>Revisão unilíngue</td>
                            <td>Completo – 100%</td>
                            <td>Às vezes</td>
                            <td>Revisão parcial – grau intermediário</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>Revisão de amostras</td>
                            <td>Amostras – 10%</td>
                            <td>Sempre</td>
                            <td>Revisão parcial – grau inferior</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn>
                        <p>Fonte: Parra Galiano (2007, 211).</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p>Assim, é possível fazer uma revisão completa, comparando a totalidade do TT com o TP; uma revisão a partir da leitura total do TT, ou ainda uma revisão de amostras do TT em comparação com o TP. A definição sobre o tipo de revisão a ser realizada depende, entre outros fatores, da solicitação do cliente e do tempo disponível para realizar a revisão.</p>
            <p>Após a apresentação, discussão e exemplificação dos aspectos anteriores, passa-se à prática de revisão propriamente dita de textos de diferentes gêneros (acadêmicos, literários etc.). Esses textos podem ter sido traduzidos e já publicados e são utilizados para fins de exercício ou podem ser textos que ainda serão publicados. Neste último caso, busca-se reproduzir situações reais de trabalho. Um exemplo disso foi a revisão de textos para a <italic>Revista Pontis – Práticas de Tradução</italic> já referida anteriormente. Em 2016, foi feita a revisão do conto “Hombre en el zaguán” / “Homem no saguão”, do escritor Hugo Burel<xref ref-type="fn" rid="fn09">9</xref>. As etapas seguidas na revisão, aplicadas em todos os demais textos revisados na disciplina, são:</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>Leitura individual do TT a fim de identificar alguns problemas iniciais, como problemas ortográficos e de adequação idiomática ao português brasileiro, e propor correções e melhorias para os problemas identificados.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Identificação e discussão das características dos textos, considerando a funcionalidade do TT. No caso da revisão em questão, ao ser um texto literário, foi importante identificar as características dos personagens, entre elas sua forma de falar, posto que incidia nas escolhas lexicais relativas às suas falas.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Revisão comparativa de todo o TT com o TP (revisão completa) e discussão conjunta das soluções propostas por cada um dos alunos.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Estabelecimento de consenso das correções e melhorias a serem feitas, com base nas discussões realizadas na etapa anterior.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Elaboração das justificativas para cada uma das correções e melhorias propostas, enviadas, posteriormente, aos tradutores.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>As correções e sugestões de melhoria foram feitas utilizando-se o modo de revisão do Word, inclusive o recurso de comentários que possibilitou a inserção das justificativas das correções propostas. O arquivo resultante foi compartilhado com os tradutores pelo <italic>Google Drive</italic>. Isso permitiu acompanhar as correções feitas e também resolver as dúvidas dos tradutores, mantendo-se o diálogo entre tradutores e revisores até a conclusão do processo de revisão.</p>
            <p>Destacamos que a possibilidade de revisar textos em uma situação real, isto é, de um texto que efetivamente é publicado, é fundamental para os estudantes, não apenas porque eles devem cumprir as tarefas propostas para levar a cabo o processo de revisão, mas também porque devem aplicar os parâmetros e critérios de revisão, além de cumprir os prazos estabelecidos.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações finais</title>
            <p>Neste texto, buscamos apresentar um panorama geral dos conteúdos e atividades da disciplina de Revisão de Texto Traduzidos Espanhol/ Português, inserida no currículo do Curso de Bacharelado em Letras – Tradutor Português-Espanhol, da UFRGS. Indicamos sua relação com as habilidades e competências estabelecidas para o perfil do profissional almejado, sua inserção no currículo do curso e seus conteúdos. Sistematizamos os parâmetros e princípios que norteiam as atividades de revisão realizadas em aula e as etapas seguidas nesse processo. Destacamos a importância de propor aos alunos atividades concretas de revisão para que desenvolvam capacidade de planejamento do processo, a fim de dar conta dos prazos estabelecidos pelos clientes. Além disso, é fundamental destacar a necessidade de saber justificar as correções e melhorias propostas, fato que contribui para identificar e estabelecer o limite entre revisão e retradução.</p>
            <p>Esperamos, assim, ter oferecido subsídios que auxiliem na inclusão da disciplina de Revisão de Textos Traduzidos nos currículos de outros cursos de Tradução do Brasil. Esperamos ainda ter motivado a formação dos futuros tradutores também como revisores, tornando-os conscientes não somente sobre o processo de revisão, mas também de que este processo é uma etapa de um processo maior, a tradução, que deve ter como produto um texto de qualidade.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>As ênfases oferecidas são: alemão, espanhol, francês, japonês, inglês e italiano. Ao ingressar no curso, o aluno escolhe a língua que deseja cursar.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>&lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.ufrgs.br/net">http://www.ufrgs.br/net</ext-link>&gt;.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>Para mais detalhes, ver <xref ref-type="bibr" rid="B02">Bevilacqua e Reuillard, 2013</xref> e 2017.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>O currículo completo para a ênfase de espanhol encontra-se disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.ufrgs.br/ufrgs/ensino/graduacao/cursos/exibeCurso?cod_curso=334">http://www.ufrgs.br/ufrgs/ensino/graduacao/cursos/exibeCurso?cod_curso=334</ext-link>&gt;.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>Pode-se acessar a súmula da disciplina em &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.ufrgs.br/ufrgs/ensino/graduacao/cursos/exibeCurso?cod_curso=334">http://www.ufrgs.br/ufrgs/ensino/graduacao/cursos/exibeCurso?cod_curso=334</ext-link>&gt;. É preciso clicar em grade curricular e, e seguida, no código da disciplina (LET 02112, no caso da disciplina aqui referida) e aparecerão, à direita da tela, as informações básicas da disciplina, inclusive sua súmula.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p>&lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.revistapontis.com/p/es/4/6">http://www.revistapontis.com/p/es/4/6</ext-link>&gt;.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn07">
                <label>7</label>
                <p>No original: “fte goal in revision is to determine the most important problems and resolve them. In other words, revision is not retranslation [...]”</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn08">
                <label>8</label>
                <p>A partir dos parâmetros de revisão, Parra Galiano (<italic>idem</italic>, 209) propõe quatro modalidades: a) revisão de conteúdo, que deveria ser realizada por um especialista na área do TT; b) revisão de linguagem, que deveria ser feita por um revisor linguístico; c) revisão funcional que verifica se o TC cumpre sua função, considerando seus leitores, e que deveria ser feita por um revisor-tradutor; e d) revisão da apresentação do texto, realizada por um revisor tipográfico.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn09">
                <label>9</label>
                <p>Em <xref ref-type="bibr" rid="B03">Bevilacqua, Lucena e Ramos (2016)</xref>, é feito o relato dessa experiência.</p>
            </fn>
        </fn-group>
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            <title>Referências Bibliográficas</title>
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                    <comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/scriptorium/issue/view/1123/showToc">http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/scriptorium/issue/view/1123/showToc</ext-link>&gt;</comment>
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                    <comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/178886">https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/178886</ext-link>&gt;</comment>
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                    <comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.revistapontis.com/p/es/6/8">http://www.revistapontis.com/p/es/6/8</ext-link>&gt;</comment>
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