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                <journal-title>Caracol</journal-title>
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                <publisher-name>Universidade de São Paulo</publisher-name>
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                    <subject>Dossiê</subject>
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                <article-title>O passado da língua no cinema: um estudo diacrônico do <italic>pretérito perfecto</italic> na variedade bonaerense</article-title>
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                        <surname>Araujo</surname>
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                <institution content-type="original">Professor da Universidade Federal de Uberlândia. Doutor em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista. Líder do “Núcleo de Estudos da Norma Linguística” NormaLi (CNPq/UFU).</institution>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Uberlândia</institution>
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                <institution content-type="original">Mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Uberlândia (2019). Atualmente, é professora substituta do curso de Letras/Espanhol da Universidade Federal de Uberlândia.</institution>
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                <corresp id="c01">Contato: <email>araujoleandrosilveira@gmail.com</email>
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                <corresp id="c02">Contato: <email>lauracoradi@gmail.coml</email>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>A carência de pesquisas centradas no estudo diacrônico do espanhol portenho e sobre a história dos usos do pretérito perfecto simple(PPS) e pretérito perfecto compuesto(PPC) na Argentina salientam a relevância deste estudo. A partir da comparação de filmes argentinos de dois momentos históricos, separados por um intervalo aproximado de sessenta anos – (a) 1958 (Rosaura a las diez) e (b) 2013 (Corazón de León) – observamos o uso do PPS e PPC e quais fatores poderiam estar por detrás de sua variação. A seguinte pergunta auxiliou o desenvolvimento da pesquisa: Qual é a diferença no uso do PPS e PPC nos dois cronoletos analisados? Verificamos que, apesar da predominância do uso da forma simples, a forma composta não está excluída do uso no espanhol argentino. Ademais, as duas formas assumem valores distintos dos entoados por manuais prescritivos da Língua Espanhola, ou seja, além do valor de passado absoluto, nota-se o uso do PPS com valor de antepresente. Igualmente, o PPC ocorreu no passado, com valor de passado absoluto, para além do uso com valor de antepresente.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>The lack of research on diachronic study of porteño Spanish and reports about the history of the pretérito perfecto simple (PPS) and pretérito perfecto compuesto (PPC) uses in Argentina highlight the importance of this study. Thus, comparing movies from two historical moments – a sixty years interval, approximately– (a) 1958 (Rosaura a las diez) and (b) 2013 (Corazón de León) – we observed if there is some alteration in the use of the tenses and what factors could be generating this variation. In this way, this question has helped us in the research: What is the difference in the use of the PPS and PPC in the two generations analyzed? We have noted that despite the predominance of the use of simple form, PPC is not excluded from Argentinean Spanish. Moreover, both forms assume different values from those found in prescriptive manuals of Spanish, that is, in addition to the absolute past value, the use of PPS with ante present value has been noted. Likewise, PPC occurred with absolute past value, in addition to the ante present value.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>PALAVRAS-CHAVE</title>
                <kwd>Pretérito Perfeito</kwd>
                <kwd>Espanhol portenho</kwd>
                <kwd>Variação linguística</kwd>
                <kwd>Mudança linguística</kwd>
                <kwd>Filme</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>KEYWORDS</title>
                <kwd>
                    <italic>Pretérito Perfecto</italic>
                </kwd>
                <kwd><italic>Porteño</italic> Spanish</kwd>
                <kwd>Linguistic variation</kwd>
                <kwd>Linguistic change</kwd>
                <kwd>Movie</kwd>
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        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>Sejam quais forem os interesses que possam impulsionar o estudo da linguagem, parece que sempre haverá um pressuposto comum entre eles: “as línguas não existem sem as pessoas que as falam” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Calvet, 2002</xref>, 12). Considerando as diferenças dos indivíduos de uma sociedade, torna-se mais fácil compreender a natureza heterogênea da linguagem, haja vista que a sua dinamicidade, variabilidade e mutação respondem ao comportamento observável nas interações sociais. <xref ref-type="bibr" rid="B12">Chambers (2003, 148)</xref> explica-nos que “a classe social a que pertencemos impõe-nos algumas normas de comportamento e as reforça graças à força do exemplo das pessoas com que nos associamos com maior proximidade”.</p>
            <p>A Sociolinguística, disciplina que “define seu objeto de estudo como o recurso mais rico e mais complexo para a comunicação humana, usado pela mente humana a fim de conseguir as formas de organização social e cultural que existem nas sociedades humanas” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Lavandera, 1984</xref>, 156) compreende que toda aproximação analítica da linguagem deve considerá-la dentro do âmbito da “comunidade de fala” – o que, para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Labov (2008)</xref>, corresponde a “um grupo de falantes que compartilham um conjunto de atitudes sociais frente à língua”.</p>
            <p>Na interação com falantes da mesma comunidade, o indivíduo faz uso de traços linguísticos que estão em variação e em processo de mudança linguística. É diante desse pressuposto teórico que nos propomos a observar os usos dos <italic>pretéritos perfecto simple</italic> (PPS - <italic>escribí</italic>) e <italic>compuesto</italic> (PPC - <italic>he escrito</italic>) em dois momentos históricos, separados por um intervalo de quase 60 anos, na variedade bonaerense. Repousa sobre esse objetivo o fato de que desde sua origem, ainda na língua latina, o <italic>perfecto compuesto</italic> estabelece uma relação de competição com o <italic>perfecto simple</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Araujo, 2017</xref>, 2018; <xref ref-type="bibr" rid="B08">Araujo; Berlinck, 2013</xref>) – como exploraremos mais adiante.</p>
            <p>Tendo em vista que nenhuma alteração na língua acontece no vácuo, mas num tempo e lugar específicos (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Labov, 2008</xref>), percebemos que a variação e a mudança se relacionam com fatores de diferentes ordens, tais como origem geográfica, étnica, faixa etária, sexo, profissão, classe social, grau de instrução, situação de enunciação, entre outros. A fim de atender aos interesses deste estudo, observamos fundamentalmente o eixo do tempo, no qual o comportamento da linguagem é estudado através da comparação de diferentes cronoletos.</p>
            <p>Conforme nos explicam <xref ref-type="bibr" rid="B26">Weinreich, Herzog e Labov (2008, 122)</xref>, a mudança na língua “se dá (1) à medida que um falante aprende uma forma alternativa, (2) durante o tempo em que as duas formas existem em contato dentro de sua competência, e (3) quando uma das formas se torna obsoleta”. Naturalmente, a análise do processo ocorrido até a mudança linguística revela-nos a existência de variações, por isso esses teóricos afirmam que “uma mudança linguística começa quando um dos muitos traços característicos da variação na fala se difunde através de um subgrupo específico da comunidade de fala” (2008, 124).</p>
            <p>Voltando-nos para o uso dos pretéritos no espanhol, analisamos alguns estudos descritivos/prescritivos da língua espanhola e identificamos algumas afirmações questionáveis em relação ao uso do <italic>pretérito perfecto</italic>, em suas formas simples e composta, tais como: (i) a forma composta é muito mais frequente na Espanha que na América – como se tratassem de dois blocos homogêneos (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Cartagena, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Moreno de Alba, 2000)</xref>; (ii) a forma composta é somente usada para expressar o valor de antepresente, isto é, a ação terminativa é posta num trecho temporal que também inclui o momento de fala (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Alarcos Llorach, 2005</xref>, 166). Em comum, afirmações muito generalistas que pouco representam a realidade do uso das formas verbais nas muitas variedades da língua.</p>
            <p>Por outro lado, estudos levados a cabo por <xref ref-type="bibr" rid="B23">Schwenter (1994)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">Gutiérrez Araus (2001)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B04">Araujo (2009</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B05">2013</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B06">2017)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B16">Jara Yupanqui (2009)</xref>, entre outros, vêm demonstrando que o uso das formas do <italic>pretérito perfecto</italic> no espanhol envolve questões mais complexas frente às simples comparações entre ocorrência de formas em pontos isolados. Isso se dá, pois o espaço, o gênero discursivo, a idade e sexo dos falantes, entre outros fatores, determinam o uso das formas.</p>
            <p>Por conta desse complexo grupo de fatores imbricados na variação do uso das formas do pretérito perfecto, optamos por observar o aspecto diacrônico da variação no uso do <italic>perfecto simple</italic> (PPS) e do <italic>perfecto compuesto</italic> (PPC) na variedade portenha. Portanto, observamos as diferenças nos usos dessas formas em diálogos de dois filmes argentinos, separados por um intervalo de quase 60 anos: <italic>Rosaura a las diez</italic> (1958) e <italic>Corazón de León</italic> (2012).</p>
            <p>O interesse pela análise histórica justifica-se porque, tanto na língua espanhola como em outras línguas românicas, a forma composta vem sofrendo um processo de mudança (gramaticalização), como apontam os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B02">Alarcos Llorach (1972)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Harris (1982)</xref>, e <xref ref-type="bibr" rid="B06">Araujo (2017</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B07">2018)</xref>. Além disso, nota-se uma carência de estudos diacrônicos sobre o espanhol portenho e, fundamentalmente, sobre a história do <italic>pretérito perfecto</italic> na Argentina. Por conseguinte, esperamos contribuir para a descrição da língua no cinema, alçando a sua importância para estudos linguísticos sincrônicos e diacrônicos – privilegiando as características próprias da oralidade em enunciados gerados nesse domínio discursivo.</p>
            <p>Por tomarmos material cinematográfico como <italic>corpus</italic> de análise, não podemos deixar de mencionar a importância do cinema na identificação social e cultural de uma comunidade, isso porque figuram nos filmes costumes de um povo sócio-historicamente determinado. Se concebemos a produção cinematográfica como “espelho” social (incluindo, evidentemente, os fatos linguísticos), podemos ponderar sobre o comportamento discursivo dos personagens falantes e, desse modo, será possível analisar as características linguísticas próprias do momento em que o filme foi produzido.</p>
            <p>É importante reiterar que somos conscientes de que a variedade linguística presente no cinema pode passar por um processo de revisão (roteiro) que implique um nível de monitoramento linguístico. Contudo, parece-nos que ainda assim o roteirista – motivado pelo desejo de reproduzir uma realidade empiricamente comprável e, desse modo, criar uma atmosfera de identificação com seu enunciatário – vale-se de uma variedade linguística próxima ao vernáculo.</p>
            <p>Desse modo, acreditamos que o uso do cinema pode ser também uma contribuição metodológica para os estudos em Linguística Histórica, pois abrimos mão do típico <italic>corpus</italic> escrito – haja vista que os dados orais antigos dificilmente se conservam – e passamos a observar um material linguístico histórico próprio da oralidade.</p>
            <p>Contudo, antes de introduzirmos a análise dos dados, descreveremos, na seção seguinte, como algumas gramáticas da língua espanhola definem o uso do PPC e do PPS.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>1. Revisão da norma gramatical</title>
            <p>A fim de proceder à análise da temporalidade verbal no cinema argentino, iniciamos a reflexão sobre a expressão do passado em espanhol recuperando o tratamento dado por algumas gramáticas às formas do <italic>pretérito perfecto</italic>. Assim, visamos apresentar os valores canonicamente atribuídos ao PPC e ao PPS. Por sua vez, espera-se que os dados analisados nos filmes refutem ou corroborem o que é apresentado nas gramáticas.</p>
            <sec>
                <title>1.1 Gramática de la Lengua Castellana, de Andrés Bello (2004 [1847])</title>
                <p><xref ref-type="bibr" rid="B09">Bello (2004 [1847])</xref> denomina a forma simples de <italic>pretérito</italic>, que significa a anterioridade do atributo ao ato da palavra (<xref ref-type="bibr" rid="B09">BELLO, 2004</xref>) – o que chamaremos de <bold>passado absoluto</bold>. Conforme a característica aspectual da base verbal, pode-se observar uma situação que chega à sua perfeição e expira ou que subsiste durando. Para o autor, encontramos o primeiro comportamento em verbos desinentes(télicos), e o segundo em verbos permanentes (atélicos) –, tal qual representam os enunciados <xref ref-type="table" rid="t01">(1)</xref> e <xref ref-type="table" rid="t01">(2)</xref>, respectivamente.</p>
                <table-wrap id="t01">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(1)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>29 de enero. María Jesús Rufas, de 74 años, murió asesinada en su chalé de Calviá (Mallorca).<xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref></italic>.</td>
                            </tr>
                            <tr valign="top">
                                <td>(2)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>La fuerte explosión se oyó en toda la ciudad, y los residentes salieron a los balcones de sus hogares […].<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref></italic></td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Por sua vez, o <italic>Perfecto Compuesto</italic>, denominado pelo autor como <bold>antepresente</bold>, envolve situações passadas que mantêm relação com algo que ainda existe. Esse é o caso de <xref ref-type="table" rid="t02">(3)</xref>, em que a precipitação (<italic>ha precipitado</italic>) ocorre em um contexto temporal ainda existente (<italic>hoy</italic>) no ato de enunciação:</p>
                <table-wrap id="t02">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(3)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>[…] <italic>ni hoy se ha precipitado irremediablemente en el infierno de una crisis sin esperanza</italic>.<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref></td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>O autor ainda alerta para a existência de um uso com valor psicológico, como em <italic>ha muerto</italic>, em que fatores emocionais do enunciador influenciam a permanência do luto ocasionado pela situação descrita. Por outro lado, se não há fatores emocionais envolvidos, opta-se pela forma simples, <italic>murió</italic>.</p>
                <p>Em síntese, tem-se com a forma simples a expressão de anterioridade passada, sem qualquer relação com o presente (<bold>passado absoluto</bold>). Por sua vez, com a forma composta, tem-se a expressão de anterioridade presente, isto é, com alguma relação como o momento da fala (<bold>antepresente</bold>), seja porque a referência temporal em que o evento descrito ocorreu ainda está vigente quando se enuncia, seja por uma relação psicológica.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>1.2 Gramática didáctica del Español, de <xref ref-type="bibr" rid="B25">Leonardo Gómez Torrego (2007)</xref></title>
                <p>A <italic>Gramática Didáctica del Español</italic> afirma que o PPS expressa fatos ocorridos numa zona temporal anterior àquela em que se encontra o falante, e os apresenta como já terminados, isto é, com valor de <bold>passado absoluto</bold>. Desse modo, destacam-se duas características dessa forma verbal: a de expressar ações ocorridas em um segmento temporal anterior ao momento da fala e a de possuir um aspecto perfectivo, ou seja, o fim da ação é percebido antes do momento da enunciação. Em <xref ref-type="table" rid="t03">(4)</xref>, o momento em que a ação ocorreu (<italic>ayer</italic>) já está terminado e o estado descrito (<italic>estuvo</italic>) também está concluído, uma vez que podemos supor que hoje <italic>Juan</italic> já não está em Ávila.</p>
                <table-wrap id="t03">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(4)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Juan estuvo ayer en Ávila<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref></italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Quanto ao <italic>perfecto compuesto</italic>, <xref ref-type="bibr" rid="B25">Torrego (2007)</xref> alega que o PPC também assume uma perspectiva de passado, mas que mantém relação com a zona temporal em que se encontra o interlocutor. Ou seja, as ações já estão terminadas, porém, diferentemente do PPS, o momento temporal em que elas ocorreram ainda não está encerrado (<bold>antepresente</bold>), podendo alcançar o instante de fala e, até mesmo, ultrapassá-lo. Assim, em <xref ref-type="table" rid="t04">(5)</xref>, a ação de <italic>pasarlo mal</italic> já ocorreu, contudo, o tempo (<italic>este año)</italic> ainda não acabou, o que permite envolver tanto o momento em que o indivíduo “<italic>lo pasó mal</italic> ”, comoa ocasião em que enuncia.</p>
                <table-wrap id="t04">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(5)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Este año lo hemos pasado mal</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Assim como <xref ref-type="bibr" rid="B09">Bello (2004)</xref>, também <xref ref-type="bibr" rid="B25">Torrego (2007)</xref> identifica o uso da forma composta expressando uma aproximação psico-temporal de fatos cronologicamente distantes, tal como em <xref ref-type="table" rid="t05">(6)</xref>,em que, ainda que o momento da ação – a morte do pai – já esteja terminado quando o enunciado é proferido, o falante cria um tempo psicológico que engloba os momentos da ação e da enunciação em um único segmento. Desse modo, o interlocutor afirma que a morte do ente ainda é próxima psicologicamente e muito sentida.</p>
                <table-wrap id="t05">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(6)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Hace tres años que ha muerto mi padre</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Outro uso do PPC apontado pelo autor relaciona-se à possibilidade de expressar a manutenção das consequências de uma ação. Conforme descreve, “a relação [temporal] com o presente do falante explica que, quando as consequências de uma ação se mantêm nesse presente, usamos também o <italic>pretérito perfecto</italic>.” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Torrego, 2007</xref>, 150). Esse uso é exemplificado em <xref ref-type="table" rid="t06">(7)</xref>, em que os estragos da tempestade (efeitos) são ainda sentidos e observados no momento presente.</p>
                <table-wrap id="t06">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(7)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>La tormenta nos ha hecho mucho daño</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Uma última possibilidade de uso seria a de expressar a ideia de futuro. Nesse caso, o falante percebe que as consequências da ação se manterão no futuro e por isso elege essa forma. Assim, em <xref ref-type="table" rid="t07">(8)</xref>, o falante consegue expressar, com um tempo de passado, um valor futuro, implicando que em pouco tempo a atividade realizada pelo falante estará encerrada.</p>
                <table-wrap id="t07">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(8)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>En un minuto he acabado</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Em síntese, novamente encontramos o PPS relacionado à expressão de uma situação passada ocorrida numa concepção temporal encerrada no momento da enunciação (passado absoluto). Por sua vez, o PPC expressa um acontecimento passado relacionado com o presente, seja porque o momento em que dada situação ocorreu ainda está em vigor (antepresente), seja porque há uma relação de maior proximidade afetiva do evento passado distante (aproximação psico-temporal) ou de um evento num futuro próximo.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>1.3. Manual de la Nueva Gramática de la Lengua Española, de la <xref ref-type="bibr" rid="B22">RAE (2010)</xref></title>
                <p>O <italic>Manual de la Nueva Gramática de la Lengua Española</italic> nomeia a forma composta de <bold>antepresente</bold>. Assim, atribui-lhe a função referencial do pretérito, envolta por uma perspectiva de presente. Afirma ainda que o seu uso se dá em ações <italic>durativas</italic>. A gramática aborda de forma bem abrangente os valoresdo <italic>Pretérito Perfecto Compuesto</italic>, considerando os variados usos e a contribuição dos constituintes oracionais na composição de seus valores, como quando ocorre a opção pelo demonstrativo “<italic>este”</italic>, em <xref ref-type="table" rid="t08">(9)</xref>, no qual o demonstrativo evidencia que o tempo de referência ainda não acabou.</p>
                <table-wrap id="t08">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(9)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>En este año hemos avanzado mucho<xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref></italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>O manual destaca os valores de “interpretação prospectiva”, cujo uso expressa futuro, e de “reiteração”, em que um marcador temporal (<italic>siempre</italic>) enfatiza a manutenção da situação. Esses são os uso observados em <xref ref-type="table" rid="t10">(10)</xref> e <xref ref-type="table" rid="t11">(11)</xref>, respectivamente:</p>
                <table-wrap id="t09">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(10)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Mañana a estas horas, ya han terminado ustedes</italic>.</td>
                            </tr>
                            <tr valign="top">
                                <td>(11)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Siempre que nos han fastidiado</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>O valor de <italic>“</italic>experiência” refere-se àduração de um ato por um tempo incerto quanto ao momento de origem e o fim, uso ressaltado através de marcadores temporais como últimamente, en estos tiempos, en estos días, tal como se observa em <xref ref-type="table" rid="t10">(12)</xref>:</p>
                <table-wrap id="t10">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(12)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Así ha sido hasta ahora</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Por sua vez, o “passado imediato” é exemplificado por meio de <xref ref-type="table" rid="t11">(13)</xref>, em que se nota que o uso trata de ações mais recentes que incluem o momento de fala, podendo ter acontecido “no dia de hoje”. É muito utilizado em notícias jornalísticas.</p>
                <table-wrap id="t11">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(13)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Lo he visto hace un momento</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Já sobre o valor “resultativo”é dito que ocorre em situações que implicam um resultado para o momento da fala, como em <xref ref-type="table" rid="t12">(14)</xref> e <xref ref-type="table" rid="t12">(15)</xref>,em que seobtêm implicitamente informações resultantes do término da ação, já que, na primeira, o objeto está quebrado, e, na segunda, o sujeito está decepcionado.</p>
                <table-wrap id="t12">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(14)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>El jarrón se ha roto</italic>.</td>
                            </tr>
                            <tr valign="top">
                                <td>(15)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Me han decepcionado ustedes</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Quanto ao <italic>Pretérito Perfecto Simple</italic>, assim como nos demais manuais consultados, afirma-se que essa forma verbal apresenta o término de uma situação, com limites iniciais e finais delimitados, como em <xref ref-type="table" rid="t13">(16)</xref></p>
                <table-wrap id="t13">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(16)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Arturo leyó Guerra y Paz el mes pasado</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>A gramática também afirma que a <italic>perfectividade</italic> faz com que o uso da forma simples não seja utilizado em casos de ações repetidas, como em <xref ref-type="table" rid="t14">(17)</xref>. Contudo, pode ocorrer a repetição da ação quando o PPS for acompanhado de um complemento de frequência, como em <xref ref-type="table" rid="t14">(18)</xref>, em que a locução adverbial <italic>todos losdías</italic> intensifica o fato de a mesma ação ter ocorrido outras vezes.</p>
                <table-wrap id="t14">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(17)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Me lo pidió</italic>.</td>
                            </tr>
                            <tr valign="top">
                                <td>(18)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Después de ese breve encuentro, se vieron todos los días.</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>A síntese da análise que faz as três gramáticas sobre o uso do <italic>perfecto compuesto</italic> indica que o valor de <bold>antepresente</bold> é apontado por todos os manuais, definido como o uso mais comummente associado à forma. Os valores de “persistência”, “psicológico” e “futuro” são indicados por dois dos gramáticos, enquanto que os valores de “experiência”, “passado imediato” e “resultativo” são apenas marcados pela <italic>Nueva Gramática de la Lengua Española</italic>, manual com maior indicativo de valores associados ao PPC.</p>
                <p>Quanto à forma simples, observa-se uma concordância em indicar o valor de <bold>passado absoluto</bold> no uso do <italic>perfecto simple</italic>. Apenas <xref ref-type="bibr" rid="B09">Bello (2004)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B22">RAE-ASALE (2010)</xref> identificam algum valor aspectual junto ao uso dessa forma. Concluída a descrição do uso do moderno dos pretéritos no espanhol, passemos a uma breve apreciação de sua evolução.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>2. História do pretérito</title>
                <p>A compreensão do funcionamento da forma composta fica mais clara se a acompanhamos desde sua origem, quando o auxiliar <italic>haber</italic> possuía valor semântico semelhante a <italic>tener</italic>, como descreve <xref ref-type="bibr" rid="B21">Moreno de Alba (2006)</xref>, em que “<italic>he guardado mucho dinero</italic>” equivalia a “<italic>tengo mucho dinero guardado”</italic>. Conforme explica <xref ref-type="bibr" rid="B11">Cartagena (1999)</xref>, desse uso com valor resultativo, a forma composta foi assumindo, pouco a pouco, valores temporais</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>“<italic>a partir de la situación medieval el antepresente ha ido invadiendo paulatinamente el dominio del pretérito en la norma peninsular. De su empleo meramente resultativo en el ámbito del presente pasa paulatinamente a designar acciones concluidas en el pasado que revisten cierta importancia para la actualidad del hablante y acciones concluidas inmediatamente anteriores al momento del habla</italic>”</p>
                        <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">Cartagena, 1999</xref>, 2950).</attrib>
                    </disp-quote></p>
                <p>O processo de evolução dos valores atribuídos ao PPC foram analisados por <xref ref-type="bibr" rid="B14">Harris (1982)</xref>, ao expor os quatro processos evolutivos da forma nas língua românicas – <xref ref-type="fig" rid="f01">figura 1</xref>.</p>
                <fig id="f01">
                    <label>Figura 1</label>
                    <caption>
                        <title>O processo evolutivo do <italic>Perfecto Compuesto</italic> de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B14">Harris (1982)</xref></title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2317-9651-caracol-19-0312-gf01.tif"/>
                </fig>
                <p>No primeiro estágio, referente ao estado presente <bold>resultante</bold> de uma situação passada, a construção não usufruia de um estado de coesão entre <italic>haber</italic> e <italic>particípio</italic>, o que se confirma na concordância de gênero e número do particípio com o complemento verbal, como se pode perceber em <xref ref-type="table" rid="t15">(19)</xref>, em que o particípio (<italic>comparatum/</italic>comprada) está em concordância com o objeto comprado (<italic>cultellum</italic>/faca).</p>
                <table-wrap id="t15">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(19)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Habeo cultellum comparatum</italic> – Tenho a faca comprada</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Na segunda fase, da <bold>duratividade</bold> a situação apresentada tem início no passado e sua permanência estende-se até o presente, quando se enuncia.O valor durativo é observado no uso do PPC em português, como em <xref ref-type="table" rid="t16">(20)</xref>:</p>
                <table-wrap id="t16">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(20)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>O governo de Cuba tem feito gestos de aproximação com os Estados Unidos.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>O valor de <bold>antepresente</bold>, terceiro estágio, manteve-se como o uso mais comum do PPC na língua espanhola - conforme vimos na revisão gramatical. Em <xref ref-type="table" rid="t17">(21)</xref>, nota-se que tanto o evento (<italic>tirar</italic>) comoa enunciação ocorrem na mesma conjuntura temporal (<italic>este año</italic>).</p>
                <table-wrap id="t17">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(21)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>Este año <bold>han tirado</bold> trescientos millones de litros de agroquímicos.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Na etapa final, a forma composta generaliza a referência ao passado, envolvendo toda situação anterior ao presente, seja de antepresente ou de passado absoluto. Nessa fase, o PPC entra em confronto com o PPS - tradicionalmente responsável pelo passado absoluto, podendo o conflito ser resolvido de diferentes maneiras, conforme a língua. Vejamos o caso do francês:</p>
                <table-wrap id="t18">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(22)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Sotheby’s <bold>a vendu</bold> hier soir à Londres un portrait de la comtesse Bismarck</italic></td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>O marcador temporal <italic>hiersoir</italic>(ontem à noite) demonstra que a ação ocorreu em um âmbito anterior ao da enunciação e que, por isso, não mantém relação com ela. Sobre a forma simples no francês, sabe-se que está restrita ao registro literário.</p>
                <p>É pertinente observarmos que nem todas as variedades da língua espanhola apresentam um uso comum do PPC expressando exclusivamente o valor de antepresente. Nesse sentido, o uso variável do PPC e do PPS pode ser uma evidência de um processo de mudança no emprego dessas formas. Na América Latina, por exemplo, <xref ref-type="bibr" rid="B17">Kany (1970)</xref> acusa a preponderância da forma simples sobre a composta em contextos de antepresente, e verifica esse uso na Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, El Salvador, México, Santo Domingo e Cuba. Por sua vez, a atribuição do valor resultativo à forma composta foi verificado no Equador, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Peru e Colômbia. Finalmente, o autor observa o uso do PPC com valor de passado absolutona Bolívia, Peru, e no norte da Argentina.</p>
                <p><xref ref-type="bibr" rid="B15">Howe e Schwenter (2003)</xref>, por seu turno, concluem que a parte sul do continente tem maior preferência pelo <italic>perfecto simple</italic> quando se trata de expressar temporalidade passada, independente da distância existente entre o momento do evento e o momento de fala. Por sua vez, o <italic>perfecto compuesto</italic> assume uma especificação funcional ao ser empregado mais em enunciados sem marcação temporal explícita, incluindo, muitas vezes, situações prototipicamente expressas pela forma simples (passado absoluto).</p>
                <p>Uma vez descritos os estágios de evolução do <italic>perfecto compuesto</italic>, bem como apresentado sucintamente o comportamento sincrônico das formas do <italic>pretérito perfecto</italic>, passemos para análise dos dados provenientes dos dois filmes argentinos – cujas produções se separam no tempo por um intervalo de mais de meio século. Como vimos, espera-se, a partir do cotejamento desse material, verificar se há alguma particularidade no comportamento de ambas formas verbais, associando as informações provenientes do <italic>corpus</italic> cinematográfico às descrições sincrônicas e diacrônicas apresentadas.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>3. O estudo diacrônico do <italic>Perfecto</italic> na variedade do espanhol bonaerense</title>
                <p>Escolhemos os filmes <italic>Rosaura a las diez</italic> (1958) e <italic>Corazón de León</italic> (2012) para compor o <italic>corpus</italic> deste trabalho por (i) serem produções argentinas; (ii) por dialogaremcom o gênero comédia, sendo a primeira produção voltada ao drama cômico e a segunda, à comédia romântica; (iii) por estarem separados por um período de 54 anos. Pretendemos, assim, avaliar se é possível identificar alguma alteração no uso das formas do pretérito perfecto na variedade diatópica em questão. É pressuposto dessa análise o comportamento mutável do PPC e consequente competição com o PPS na expressão do passado.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>3.1 <italic>Rosaura a las diez</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Soffici, 1958</xref>)</title>
                <p>A produção narra a vida de Camilo, um misterioso e pacato restaurador e pintor de quadros, que vive há dez anos em um pensionato, localizado em um bairro bonaerense periférico. Em determinado momento, o personagem começa a receber cartas de uma misteriosa mulher, o que desperta a curiosidade dos moradoresdo pensionato. Com isso, descobrem que a mulher de quem Camilo recebe cartas é Rosaura, filha de um viúvo rico, para quem o protagonista prestou serviço. Pouco tempo depois de descobrirem a misteriosa amada, Rosaura é morta.</p>
                <p>Cabe destacar que essa produção cinematográfica é baseada na obra literária homônima de Marco Denevi – quem também atuou como co-roteirista da versão para o cinema. Desse modo, essa aproximação do texto literário escrito poderá ser uma variável incidente sobre o uso dos pretéritos perfeitos.</p>
                <p>Quanto ao uso das formas verbais, já ao início da obra, contemplamos o depoimento da senhora Milagros acerca do assassinato de Rosaura. Para tanto, a personagem faz uso de formas pretéritas para recuperar os acontecimentos passados, pertencentes à memória dos personagens. Assim, em <xref ref-type="table" rid="t19">(23)</xref>, observamos verbos conjugados na forma do <italic>perfecto simple</italic> (<italic>comenzó</italic> e <italic>empezó</italic>) fazendo referênciaa acontecimentos passados, em um instante temporal igualmente finalizado no momento de enunciação (“<underline><italic>hará unos seis</italic></underline>
                    <underline><italic>meses</italic></underline>” e “<underline><italic>hace doce años</italic></underline>”). Notamos, portanto, o uso do PPS com valor de <bold>passado absoluto</bold> – conforme indicado nos manuais consultados.</p>
                <table-wrap id="t19">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(23)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Todo esto comenzó, señores míos... hará unos seis meses. Quizás será mejor que diga que empezó hace doce años</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>A forma composta também é observada na obra em questão. No enunciado <xref ref-type="table" rid="t20">(24)</xref>, Camilo expressa o seu juízo diante da pintura que retrata a esposa do viúvo para quem o protagonista trabalhou. É uma obra que foi pintada há mais de dez anos. Já em <xref ref-type="table" rid="t20">(25)</xref>, há um comentário acerca de uma das cartas. A personagem comenta que Rosaura se esqueceu de colocar o nome de Camilo. Comum aos dois casos é a recorrência da forma composta fazendo referência à eventos passados sem uma indicação explícita temporal. Contudo, pelo conhecimento compartilhado na obra sobre os eventos descritos, sabemos que dadas situações desenvolveram-se num instante também concluído no momento da fala, criando a ideia do uso do PPC com valor de passado absoluto.</p>
                <table-wrap id="t20">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(24)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Realmente han utilizado materiales de ínfima calidad [en aquel entonces]</italic>.</td>
                            </tr>
                            <tr valign="top">
                                <td>(25)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Se ha olvidado de poner el nombre de Camilo</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Desse modo, aparentemente o PPC apresenta um cenário não previsto pelas gramáticas consultadas, no qual há competição com o PPS pela expressão do passado absoluto. No entanto, é válido destacar que a referência ao passado é feita sem uma marcação explícita da referência temporal assumida – como faz o PPS por meio de advérbios de tempo, em <xref ref-type="table" rid="t19">(23)</xref>.</p>
                <p>O uso do PPC também é feito na expressão do <bold>antepresente</bold>, tal como observado em <xref ref-type="table" rid="t21">(26)</xref> e <xref ref-type="table" rid="t21">(27)</xref>:</p>
                <table-wrap id="t21">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(26)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>¿En qué hospedería ha vivido usted hasta ahora?</italic></td>
                            </tr>
                            <tr valign="top">
                                <td>(27)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Y el mismo perfume de todas esas cartas que ha estado recibiendo [hasta ahora]</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>No enunciado <xref ref-type="table" rid="t21">(26)</xref>, o verbo <italic>ha vivido</italic> indica uma ação que começou em um tempo desconhecido e que perdura até o momento de fala, o que percebemos através do marcador temporal “<italic>hasta ahora</italic>”. Ou seja, atrelado ao valor aspectual durativo, identifica-se uma referência de antepresente, posto que a perspectiva temporal assumida segue vigente no ato da enunciação. Na mesma direção, em <xref ref-type="table" rid="t21">(27)</xref>, o verbo “<italic>ha estado</italic>” vem acompanhado do gerúndio “<italic>recibiendo</italic>”, que, somado à informação contextual de algo que ainda acontece no momento de fala, é compatível com uma leitura temporal de antepresente junto à leitura aspectual continuativa.</p>
                <p>Quanto à forma simples no contexto de antepresente, o enunciado <xref ref-type="table" rid="t22">(28)</xref> põe em evidência a recorrência do PPS expressando uma situação passada ocorrendo próxima ao momento da fala, pois “<italic>llegó</italic>” é usado em um momento de euforia por parte da personagem, pelo fato de a sopa ter ficado pronta naquele momento.</p>
                <table-wrap id="t22">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(28)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>¡La sopa, la sopa! ¡Llegó la sopa! [En este momento]</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Desse modo, identificamos o uso do PPS em embate com o PPC ao avançar no campo semântico reservado à forma composta (antepresente) – segunda descrição normativa considerada previamente.</p>
                <p>A fim de proceder à análise quantitativa da aproximação do PPC e do PPS nos contextos de passado absoluto e antepresente, expomos, no <xref ref-type="fig" rid="f02">gráfico 1</xref>, os usos conformeas concepções temporais na produção cinematográfica. Cabe alertar que foram encontrados no total 272 casos do <italic>pretérito perfecto</italic> na obra. No entanto, não consideramos na análise algumas formas cuja identificação temporal foi duvidosa, de modo que apenas 180 casos foram analisados e computados no gráfico. Desse montante geral, 149 ocorrências (83%) correspondem à forma simples e 31 (17%) à forma composta.</p>
                <fig id="f02">
                    <label>Gráfico 1</label>
                    <caption>
                        <title>Dos valores de passado absoluto e antepresente em Rosaura a lasdiez (1958)</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2317-9651-caracol-19-0312-gf02.tif"/>
                </fig>
                <p>Dirigindo-nos aos contextos temporais específicos, das 56 ocorrências do <italic>pretérito perfecto</italic> encontradas no <bold>antepresente</bold>, 62% (35 casos) correspondem à forma simples, ao passo que 38% (21 casos), à composta. Enquanto ao <bold>passado absoluto</bold>, das 124 ocorrências do <italic>pretérito perfecto</italic>, temos 92% de ocorrências (114 casos) do PPS e 8% (10 casos) do PPC. Em ambos os contextos temporais, a forma simples apresenta maior recorrência que a composta. No entanto, destacamos a expressividade do PPS no antepresente (63% - 35 formas) por ser o contexto identificado pela norma gramatical como próprio do PPC.</p>
                <p>Quanto à forma composta, é importante destacar sua maior recorrência expressando antepresente (38% - 21 formas) – fato que reafirma a tendência diagnosticada pela descrição normativa. No entanto, assinalamos uma recorrência discreta do PPC também no passado absoluto (8% - 10 formas). A importância desse dado reside em não ser previsto pela normatização da língua. Em síntese, apesar de a maior recorrência da forma simples de modo geral e em ambos os contextos, os dados também revelam um uso expressivo da forma composta no filme da década de 1950.</p>
                <p>Contudo, considerando a proximidade já pontuada entre o roteiro do filme e o romance homônimo em que se embasa, é possível conjecturar sobre alguma incidência da modalidade escrita literária acerca da produção cinematográfica. Não obstante, qualquer afirmação nesse sentido, exigirá investigações mais aprofundadas a respeito dessa hipótese.</p>
                <p>Considerando o estudo da evolução do PPC proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B14">Harris (1982)</xref>, parece que o comportamento da forma composta no cronoleto investigado indica um uso compatível com a fase IV, em que não se limita ao antepresente, mas passa a expressar inclusive passado absoluto.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>3.2 <italic>Corazón de León</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Aizensta; Vera; Carnevale, 2012</xref>)</title>
                <p>A obra narra os acontecimentos de León, que, após presenciar um conflito de Ivana com o seu ex-marido pelo telefone, arremessado ao chão pela protagonista, decide encontrá-la para devolver o aparelho e, a partir disso, eles se apaixonam.</p>
                <p>Quanto ao uso dos pretéritos, notamos, nos fragmentos de <xref ref-type="table" rid="t23">(29)</xref> e <xref ref-type="table" rid="t23">(30)</xref>, a recorrência do PPS para referir-se a situações passadas ocorridas no contexto temporal de p<bold>assado</bold> a<bold>bsoluto</bold>, isto é, em um momento já concluído no momento da enunciação (“<italic>ayer”</italic> e “<italic>hace muchos años</italic>”, respectivamente). O uso dessas formas com valor de passado absoluto coaduna o entendimento das gramáticas analisadas acerca do <italic>perfecto simple</italic>.</p>
                <table-wrap id="t23">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(29)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Muchísimas gracias, me salvaste, me salvaste [ayer]</italic>.</td>
                            </tr>
                            <tr valign="top">
                                <td>(30)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Sí, me odia, hace muchos años competimos en un proyecto, un hotel en Cartagena y le gané.</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Por outro lado, os enunciados 31 e 32 evidenciam que o PPS também opera na expressão do antepresente, posto que todos as situações descritas (“<italic>se enteró</italic>”, “<italic>presente</italic>” e “ <italic>fue</italic>”/“<italic>dejó</italic>”/“<italic>pidió</italic>”, respectivamente) ocorrem dentro de uma referência temporal ainda vigente no momento da enunciação, isto é, “<italic>todavía</italic>” e “<italic>esta mañana</italic>”, respectivamente.</p>
                <table-wrap id="t24">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(31)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Él todavía no se enteró. Yo no sé qué hago contándote todo esto, no te conozco</italic>.</td>
                            </tr>
                            <tr valign="top">
                                <td>(32)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Esta mañana no, se fue, dejó todo preparado, me pidió el remis.</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Quanto à forma composta, apenas dois usos foram encontrados, nos quais se identifica o valor de <bold>antepresente</bold>, pois ambos os casos resgatam o registro de secretária eletrônica, apresentando ao ouvinte as últimas gravações do período em que esteve ausente. Cabe pensar que, por se tratar de um enunciado sob forte pressão normativista, apresenta elementos de uma norma mais <italic>standard</italic> e rígida. O enunciado <xref ref-type="table" rid="t25">(33)</xref> elucida a ocorrência.</p>
                <table-wrap id="t25">
                    <table frame="void" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr valign="top">
                                <td>(33)</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Usted ha recebido tres mensajes</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>A análise quantitativa dos dados indicou uma recorrência total de 303 casos do pretérito <italic>perfecto</italic> em <italic>Corazón de León</italic>. No entanto, não consideramos na análise algumas formas cuja identificação temporal foi duvidosa, de modo que apenas 186 casos foram analisados e computados. Desse montante, 184 (99%) ocorrências correspondem à forma simples, e 02 (1%) à forma composta – ambas no contexto de antepresente. Esse cenário revela, na obra mais recente, um uso praticamente absoluto da forma simples, tanto no passado absoluto como no antepresente. Destacamos que apesar de a pujança no uso da forma simples, inclusive na expressão do antepresente, esse comportamento não é mencionado pela norma gramatical.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>3.3 Implicações para o estudo da mudança linguística e descrição da língua</title>
                <p>O dado que primeiro se destaca no cotejamentos dos dois filmes – e talvez o mais importante para este estudo – é o (quase) completo apagamento da forma composta no filme mais recente (<italic>Corazón de León</italic>).</p>
                <p>Conforme pontuado, o <italic>perfecto compuesto</italic> apresenta uma incidência geral significativa em <italic>Rozaura a las Diez</italic> (17% - 31 casos), com maior recorrência na expressão do antepresente (38%) – frente à simples (72%) – e um uso pouco mais discreto no passado absoluto (8%) – contexto em que o PPS é ainda mais expressivo (92%).</p>
                <p>Por sua vez, em <italic>Corazón de León</italic>, observa-se o pleno uso da forma simples, tanto no passado absoluto, como no antepresente – contexto não previsto pela norma gramatical. Como visto, o único uso do PPC corresponde: a fala gravada de uma secretária eletrônica, normatizada, rígida e pré-programada.</p>
                <p>A importância fundamental desse dado reside na possível retratação do processo de mudança de um fato linguístico hoje definitório da variedade bonaerense: o uso ampliado do PPS e o uso restringindo do PPC (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Kany, 1970</xref>; Howe; Schwenter; 2003). Uma vez que nossos dados parecem indicar que até meados do século passado notava-sea recorrência expressiva do <italic>perfecto compuesto</italic>, ao passo que na produção mais recente o uso da forma composta é completamente borrado, parece que o intervalo entre as produções (mais de 50 anos) foi significativo para o progresso do apagamento do PPC.</p>
                <p>Evidentemente que a comprovação dessa inferência exige uma análise mais ampliada a fim de comprová-la com maior detalhamento. Porém, na mesma direção da constatação feita, estão estudos sobre a variedade portenha (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Kany, 1970</xref>; Howe; Schwenter; 2003; <xref ref-type="bibr" rid="B06">Araujo, 2017</xref>), que igualmente descrevem um uso recorrente da forma simples na expressão do passado e a restrição da forma composta a contextos de maior normatização ou com valores aspectuais específicos.</p>
                <p>Quanto ao cenário evolutivo do PPC descrito por <xref ref-type="bibr" rid="B14">Harris (1982)</xref>, parece que em <italic>Rosaura a las Diez</italic>, a forma composta aproxima-se à fase IV – generalizando-se na manifestação do passado. Notamos nessa produção uma competição do PPC com o PPS pela expressão tanto do passado absoluto, como do antepresente. Contudo, em <italic>Corazón de León</italic>, percebe-se que é a forma simples que se generaliza na referência ao passado, tornando a proposta de <xref ref-type="bibr" rid="B14">Harris (1982)</xref> pouco aplicável à realidade linguística bonaerense atual, retratada na obra mais recente.</p>
                <p>Vale pontuar, contudo, que <italic>Rosaura a las diez</italic> foi baseado na obra literária homônima de Marco Denevi. Essa aproximação marca uma diferença relevante em relação a “Corazón de León”, a qual permite conjecturar sobre o fator: incidência da modalidade escrita literária sobre o uso dos pretéritos perfeitos – variável não presente no segundo filme. Não obstante, qualquer afirmação nesse sentido exigirá investigações mais aprofundadas a respeito dessa hipótese</p>
                <p> A inaplicabilidade descritiva está também relacionada às gramáticas consultadas, já que todas polarizam o uso do PPS e do PPC nos polos do passado absoluto e do antepresente, respectivamente. Desse modo, não contemplam a aproximação de uma ou outra forma aos dois contextos temporais – como observado claramente em <italic>Rosaura a las Diez</italic> – nem identificam a possibilidade da generalização do uso do PPS na referência à anterioridade à fala – como se nota em <italic>Corazón de León</italic> e outros estudos descritivos sobre a variedade portenha.</p>
                <p>Dessa feita, cabe questionar o papel da normatização da língua espanhola que parece ainda muito centrada na variedade peninsular (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Araujo, 2009</xref>), desconsiderando outras realidades linguísticas muito presentes no ensino da língua espanhola. Parece necessário, portanto, uma revisão descritiva a fim de que se reconheça fenômenos da língua com relativa expansão e recorrência.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações finais</title>
            <p>De acordo com a revisão que fizemos da norma gramatical, o valor de antepresente está inclinado de maneira generalizada a se associar ao <italic>Perfecto Compuesto</italic>, ao passo que o valor de passado absolutoestá associado ao uso do <italic>Perfecto Simple</italic>. Contudo, por meio da análise dos filmes pudemos questionar a descrição dos usos das duas formas conforme apresentados pelas gramáticas da Língua Espanhola. Isso porque a partir dos dados coletados do filme <italic>Rosaura a las diez</italic> (1958) foi possível observar ambas as formas se sobrepondo ao contexto de ocorrência da outra.</p>
            <p>Além disso, é importante ressaltar a recorrência geral da forma composta no filme mais antigo (17%); percentual que é reduzido bruscamente no filme <italic>Corazón de León</italic> (2012). A aparente restrição no uso do PPC fica também evidenciada pela exclusiva ocorrência do PPS no passado absoluto (100%) e alto índice dessa mesma forma no <bold>antepresente</bold> (99%) – colocando novamente em cheque a descrição gramatical.</p>
            <p>Assim, percebemos um possível registro do processo de mudança no uso dessas formas verbais no espanhol falado na região de Buenos Aires, fazendo-nos crer em uma transformação linguística da metade do século XX até o começo do século XXI, a favor da generalização do uso do PPS na expressão do passado. Contudo, outros estudos, mais extensos e considerando outros gêneros discursivos, são necessários para evidenciar essa tendência apontada e descrever as especificidades desse processo de mudança.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
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            <fn fn-type="other" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>Enunciado retirado da versão eletrônica do jornal espanhol <italic>El País</italic>, de 28/12/2011.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>Enunciado retirado da versão eletrônica do jornal argentino <italic>LaNación</italic>, de 18/02/2016.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>Enunciado retirado da versão eletrônica do jornal espanhol <italic>El País</italic>, de 26/04/2016.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>Este e os demais exemplos apresentados foram coletados do próprio manual consultado.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>Esse e os demais exemplos apresentados foram coletados do próprio manual consultado.</p>
            </fn>
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