<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article
  PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="editorial" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">caracol</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista Caracol</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista Caracol</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">2317-9651</issn>
			<issn pub-type="epub">2317-9651</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9651.i27p14-25</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>PRESENTACIÓN</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Crítica literaria: vueltas, reconfiguraciones y expansiones en América Latina</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Literary criticism: journeys, reconfigurations and expansions in Latin America</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Alves</surname>
						<given-names>Wanderlan</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
					<bio>
						<p>Doutor em Letras pela UNESP, com pós-doutorado pela USP. Professor de Literaturas Hispano-americanas da UEPB, onde também atua na pós-graduação. Desenvolve estudos em teoria, crítica e literaturas modernas e contemporâneas na América Latina. Tem artigos publicados no Brasil e no exterior, além de capítulos de livros. Autor de <italic>O melodrama e outras drogas: uma estética do paradoxo no pós-boom latino-americano</italic> (Eduepb, 2019) <italic>Travessias críticas: temporalidades e territórios na narrativa latino-americana das últimas décadas</italic> (Eduepb, 2022). Líder do Grupo de Estudos de Literatura e Crítica Contemporâneas (GELCCO/CNPq) e membro dos grupos Trânsitos teóricos e cruzamentos epistêmicos: feminismo(s), estudos de gênero e teoria queer (UFSM/CNPq) e Estudos literários interamericanos e transatlânticos (UFRJ/CNPq). É Bolsista de Produtividade do CNPq.</p>
					</bio>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Gutiérrez</surname>
						<given-names>Rafael</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref>
					<bio>
						<p>Rafael Gutierrez e escritor e crítico literário. Professor Adjunto de Literatura Hispano-americana no Departamento de Letras Neolatinas da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autor dos romances: <italic>Como se tornar um autor cult de forma rápida e simples</italic> (2013), <italic>Crimes subli­mes</italic> (2018); do livro de poemas <italic>A orelha de Holyfield</italic> (2017) e do livro de ensaios <italic>Formas hibridas</italic> (2019).</p>
					</bio>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff1">
				<label>1</label>
				<institution content-type="original">Universidade Estadual da Paraíba</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Estadual da Paraíba</institution>
			</aff>
			<aff id="aff2">
				<label>2</label>
				<institution content-type="original">Universidade Federal do Rio de Janeiro</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio de Janeiro</institution>
			</aff>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>19</day>
				<month>07</month>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jan-Jun</season>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
			<issue>27</issue>
			<fpage>13</fpage>
			<lpage>25</lpage>
			<permissions>
				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<counts>
				<fig-count count="0"/>
				<table-count count="0"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="0"/>
				<page-count count="13"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<p>O número 27 da Revista <italic>Caracol</italic> conta com dez artigos e três resenhas. Esse conjunto, por sua vez, divide-se em três blocos. O primeiro deles constitui o dossiê “Crítica literaria: vueltas, reconfiguraciones y expansiones en América Latina”, integrado por nove artigos; o segundo diz respeito a artigos de tema livre no âmbito das literaturas hispânicas; e, por fim, o terceiro compõe-se de três resenhas.</p>
		<p>Os textos reunidos no dossiê exploram diversas aproximações recentes da crítica e da teoria literária no contexto latino-americano e latino-americanista. Desde perspectivas panorâmicas sobre as transformações da crítica a partir de meados dos anos 60 e 70 do século XX ao presente, até análises sobre obras literárias contemporâneas, os artigos do dossiê analisam problemáticas relacionadas aos usos recentes do discurso ensaístico por parte de alguma crítica literária latino-americana; as resistências ancestrais afro-americanas como alternativas às aproximações críticas herdadas da modernidade europeia; as complexas relações entre oralidade e escrita na tradição latino-americana; a discussão sobre a marginalidade histórica das críticas/escritoras latino-americanas em geral e chilenas especificamente; além de passar por questões centrais da nossa contemporaneidade como a glotopolítica, a reflexão sobre o &quot;insílio&quot; na América Latina, as fantasias revolucionárias na obra de Reinaldo Arenas, ou os procedimentos de criação, leitura e uso do arquivo na prosa de María Moreno.</p>
		<p>No primeiro artigo, &quot;O partido da incerteza e as células combatentes: tons e políticas do ensaio na crítica latino-americana&quot;, Gabriel Fernandes de Miranda analisa diversas tendências do ensaio na crítica literária latino-americana dos últimos anos, especialmente em países como Argentina e Brasil. Retomando textos teóricos considerados clássicos sobre o ensaio, como os de Adorno e Lukács, até chegar a propostas mais recentes, entre elas de autores argentinos como Alberto Giordano e Beatriz Sarlo, o artigo propõe um olhar crítico sobre a conceptualização do gênero ensaio, identificando um certo &quot;partido da incerteza&quot; como linha forte que prevalece ao longo do tempo. Ao destacar a indeterminação como característica essencial do ensaio, o texto provoca reflexões sobre as potencialidades, mas também sobre os perigos que podem aparecer quando essa forma se torna institucionalizada. Além disso, o estudo explora as relações complexas entre ensaísmo e política no contexto latino-americano, mesmo nos discursos que tentam dissociar o ensaio da esfera política.</p>
		<p>Partindo de discussões recentes sobre as possibilidades e alcances dos estudos latino-americanistas, Diego Cardoso Perez, em seu artigo, “O latino-americanismo e a crítica literária no século XXI: algumas perspectivas”, realiza um interessante percurso pela história intelectual da região, centrando-se nas transformações tanto do significado do conceito quanto do próprio campo de estudos ao longo da segunda metade do século XX, iniciando no ambiente otimista e utópico dos anos 60, posterior à Revolução Cubana, passando pelo declínio que significou para a intelectualidade latino-americana o período das ditaduras no continente até chegar nos anos 2000. A análise de Cardoso desenha um mapa amplo e complexo que ele divide em duas partes: “Do lado de lá”, quer dizer, os estudos latino-americanistas realizados fora do espaço geográfico latino-americano, especialmente nos Estados Unidos; e “Do lado de cá”, isto é, os estudos realizados a partir do espaço da academia latino-americana. Sua aproximação crítica deixa em evidência as diferenças do tipo de abordagem realizado a partir de cada espaço acadêmico, assim como as desigualdades em relação à infraestrutura, ao número de programas de estudos, às possibilidades de publicação, divulgação, etc. “Do lado de lá” o autor destaca diversas tendencias ou “giros” nos estudos latino-americanistas: o giro da memória; o giro ético; o giro transnacional; o giro neoliberal e populista; o giro subalterno; os giros feministas, dos estudos de gênero e sexualidade; o giro indígena; o giro decolonial; o giro performativo; o segundo giro da desconstrução; o giro afetivo; o giro transatlântico; o giro pós-hegemônico; e o giro das políticas culturais na América Latina. “Do lado de cá” o autor destaca a clara adoção, desde os anos 2000, dos estudos decoloniais, que tem sua origem no exterior, mas que ganharia sua maior originalidade no diálogo com pensadores e pensadoras anteriores à criação dessa corrente crítica como, por exemplo, Lélia González, Sueli Carneiro ou Gloria Anzaldúa.</p>
		<p>Por sua vez, em estudo que retoma uma discussão iniciada em trabalho anterior, Rogério Mendes explora as cosmogonias e cosmovisões originárias africanas no continente americano, em seu artigo &quot;Cosmograma Bakongo e Brujo-Chamanismo como alternativas críticas à modernidade eurocentrada na América Latina”. Através do prisma do &quot;Cosmograma Bakongo&quot; e do &quot;Brujo-Chamanismo&quot;, este texto propõe uma visão crítica que busca redesenhar as fronteiras entre humanidade e natureza, fundamentando-se na resistência ancestral, numa perspectiva descentrada em relação às epistemologias ocidentais legitimadas. O objetivo do autor é catalisar impulsos para projetos críticos e criativos que reconheçam a importância dos povos originários e afrodescendentes na formação das sociedades latino-americanas, contribuindo, assim, para uma historiografia e uma crítica literária comprometidas com sua representatividade histórica e cultural, capaz de abrir um leque de possibilidades de leitura, compreensão e usos da literatura pela crítica latino-americana.</p>
		<p>É, também, para o universo das margens daquilo que a modernidade convencionou incluir no âmbito das literaturas em geral mais legitimadas que se volta o artigo “Oratura, etnotexto, oralitura: origen y destino de la palabra actante”, no qual Laura Destéfanis e Mario Castells fazem uma revisão das abordagens teóricas e críticas realizadas em torno das relações e tensões entre a cultura oral e a cultura letrada na América Latina, lembrando na sua análise que a literatura latino-americana compreende diversas formas literárias (popular e culta, escrita e oral) que são simultâneas e autônomas, com características e funcionalidade próprias. Nesse sentido, para os autores, quando analisamos a produção textual da América Indígena é necessário partir de uma definição ampla que possa incluir a <italic>oralitura</italic>. Reconhecendo as dificuldades dos estúdios literários tradicionais - de herança ocidental - para lidar com as <italic>oraturas</italic>, termo que se opõe ao de <italic>literatura</italic>, os autores sublinham que se trata, aqui, de modos orais de comunicação direta humana, quer dizer, não mediadas tecnicamente, que representam um determinado regime de cognição, expressão e comunicação. Este regime, segundo Destéfanis e Castells, “no descansa sobre signos escritos fijos, sino sobre las variadas y flexibles capacidades de la voz humana: textos, entonación, melismas y melodias”. No espaço hispano-americano o conceito de <italic>oratura</italic> tem cobrado especial relevância no Paraguai, em relação à produção artística verbal guarani. Finalmente, argumentam os autores, aceitar essa definição implica, por sua vez, um compromisso político de questionamento e combate da imposição de critérios ocidentais para outros povos.</p>
		<p>Avançando, o trabalho seguinte, “La crítica literaria chilena y la escritura de las mujeres”, de autoria de Rocío Cano Cubillos, concentra-se em descrever, analisar e discutir o lugar da crítica literária escrita por mulheres dentro do contexto geral da historiografia literária da região e do Chile, em particular. Ao longo do texto, a autora coloca em evidência a cegueira dos intelectuais da escola crítica latino-americana em face aos temas relativos ao gênero e às mulheres. Em sua análise a autora destaca a história de invisibilidade e marginalização baseada no eixo sexo-genérico, explorando diversos contextos históricos e, mais recentemente, a polêmica na crítica literária feminista chilena protagonizada no ano 2019 por um grupo de escritoras e críticas, entre elas, Lorena Amaro, Montserrat Martorell, Lina Meruane e Nona Fernández. Nesta discussão, focada no contexto contemporâneo, os aspectos mais discutidos pelas críticas/escritoras foram: as relações com os meios digitais e a chamada autopromoção; o questionamento sobre se a sororidade é um valor absoluto que deve se proteger em um contexto de desigualdade estrutural; as possibilidades de se criticar outras autoras e qual a melhor forma para fazê-lo; a crítica da lógica neoliberal capitalista em torno a ideia de autoria. Em termos gerais, este ensaio retoma a necessidade permanente de desafiar os paradigmas androcêntricos na construção da representatividade das escritoras e das críticas latino-americanas.</p>
		<p>Já Giovani T. Kurz, no ensaio “Glotopolítica e crítica genética”, tece uma série de considerações sobre a dimensão que o deslocamento, os não pertencimentos, a estrangeiridade, e a língua do outro e demais aspectos ligados ao plurilinguismo apresentam na escrita de Copi e Alejandra Pizarnik. Valendo-se das discussões de Jacques Derrida e Sylvia Molloy, entre outros, sobre o tema, o autor mostra como Copi e Pizarnik operam movimentos diferentes, porém relacionados à mesma problemática que mostra certa relação de tensão e consciência criadora nas suas relações com a língua estrangeira, notavelmente o francês, nesses casos. Segundo Kurz, “Copi joga um jogo de esquecimento do espanhol, apresenta-o a partir do francês, deixa outras línguas - tão estrangeiras quanto o espanhol se tornou para ele - invadirem seu texto”, ao passo que em Pizarnik “é o sabor da sílaba que ocupa sua preocupação principal”. Nesse sentido, a análise se vale, ainda, de elementos constitutivos dos arquivos desses escritores para demonstrar as alterações, as manchas, e os processos de reescrita, que apontam para a complexidade desse jogo com a(s) língua(s) envolvidas no processo criativo de ambos.</p>
		<p>Voltando-se para a problemática dos deslocamentos que afeta os debates sobre a literatura latino-americana moderna e, também, de escritores e intelectuais ao longo da história e, principalmente, no contexto das ditaduras que, no século XX, assolaram diversos países da América Latina, em “O insílio: certa dívida da crítica literária na América Latina”, Cristina Gutiérrez Leal discute o que, como já sugere no título do texto, configura uma problemática e uma dívida da crítica latino-americana. A partir de um apanhado de noções ligadas a esse debate, passando por escritos de Jacques Derrida, Elena Palmero González e Eduardo Lalo, entre outros, a autora procura apontar para a contribuição da noção de insílio no âmbito de um trabalho capaz de levar adiante “um novo mapeamento que permita traçar rotas de compreensão e entendimento da comunidade literária na América Latina e no Caribe”, assim como de levar em conta diversas formas de deslocamento, para além das migrações frequentemente pensadas “para fora” do território. Ao inverter a direção e pensar um deslocamento “(para) dentro dos próprios territórios”, a noção de insílio permitiria recolocar em debate os trânsitos literários e intelectuais latino-americanos, bem como sua história, abrindo novos horizontes de leitura.</p>
		<p>Em “Fantasías revolucionarias: sobre <italic>Otra vez el mar</italic> y <italic>Arturo la estrella más brillante</italic> de Reinaldo Arenas”, Candelaria Barbeira trata desses dois títulos do escritor cubano, discutindo como certo jogo entre o testemunho e a fantasia tanto dão corpo à narrativa, na obra do autor, quanto problematizam a própria noção de revolução e seus enclaves em relação ao gênero e ao marxismo, por exemplo. Na literatura de Arenas, então, a revolução adquiriria não mais o sentido governamental - em relação ao qual, aliás, o autor pode ser visto como um crítico -, mas o sentido de utopia imanente, possibilidade de devir. Nessa perspectiva, o artigo também mostra as ressonâncias de aspectos caros à literatura e à crítica latino-americana da segunda metade do século XX, como o debate sobre o testemunho, suas multiplicidades nos contextos autoritários, e a problemática da ficção enquanto trabalho com a linguagem e suas ambivalências que, concretamente, constituem o texto literário.</p>
		<p>Por fim, encerrando o dossiê, em “Intervenções críticas na/da escrita de María Moreno. Caderno de bitácora”, Miriam V. Gárate aborda certos procedimentos e movimentos constitutivos dos modos de ver e ler arquivos, ideias e, enfim, o mundo na escrita da argentina María Moreno, como o “cartoneirismo epistemológico”, a “bricolagem de textos e teorias”, a “heterogeneidade de registros discursivos”, a “fragmentariedade” e o “autoplágio”. A partir das considerações sobre tais elementos, Gárate realiza uma leitura de dois livros da escritora, a saber: <italic>Black out</italic>, de 2016, e <italic>Oración. Carta a Vicki y otras elegías políticas</italic>, de 2018. Num exercício que se deve tanto ao trabalho de Moreno quanto à habilidade de Gárate para manusear esse vasto arquivo, ela aponta para algumas genealogias possíveis da literatura argentina levantada pela leitura de Moreno, a partir da de títulos, nomes, referências, que acabam por fazer emergir a figura de uma María Moreno também, no âmbito da crítica.</p>
		<p>Na seção de tema livre, encontram-se os artigos “Tradición y renovación en <italic>El Rodrigo</italic>, de Pedro Montengón (1793): ¿novela romántica?”, e, “Porque desde aquella primavera, nunca más estuvimos solos: modos de cooperação cartonera como política da escrita”. Em “Tradición y renovación en <italic>El Rodrigo</italic>, de Pedro Montengón (1793): ¿novela romántica?”, de Javier Muñoz de Molares Galiana, o autor analisa a problemática historiográfico-literária envolvendo a narrativa em questão, frequentemente apontada como um dos primeiros romances do romantismo espanhol. Muñoz demonstra que, ainda que possa fazer ressoar elementos posteriormente lidos como românticos, o relato não se configura como tal se visto da perspectiva criativa de seu autor, bastante pautado nas concepções neoclássicas. A presença de elementos romanescos em <italic>El Rodrigo</italic>, ainda que visível em relação ao diálogo possível entre o romance e o gótico, seria, pois, embrionária e insuficiente para caracterizá-lo. </p>
		<p>No artigo “Porque desde aquella primavera, nunca más estuvimos solos: modos de cooperação cartonera como política da escrita”, Frederico Ranck Lisboa e Phellipy Jacome analisam as experiências de diversas editoras cartoneras na América Latina. Partindo da pioneira Eloísa Cartonera em Buenos Aires, no ano de 2003, os autores propõem em seu texto que tais experiências coletivas têm atuado numa reconfiguração do sensível, tal como entendido por Rancière. Para eles, “as possibilidades cartoneras ligadas às diversas instâncias de cooperação promovem esta reconfiguração do sensível através de uma democratização radical da literatura, principalmente nas esferas da escrita e edição”. Finalmente, se enfatiza como as editoras cartoneras se apropriam de modos de cooperação como uma possibilidade prática para a escrita de outros mundos possíveis.</p>
		<p>Finalmente, a seção de resenhas deste número da <italic>Caracol</italic> é integrada por três textos: o primeiro, de Julio Andrés Gracia Lana, que trata do livro <italic>La narración figurativa. Acercamiento a la especificidad de un medio a partir de la “Bande Dessinée” de expresión francesa</italic>; o segundo, de Gleydson André da Silva Ferreira, acerca de <italic>Lo que vendrá. Una antología</italic> (1963-2013), de Josefina Ludmer, com seleção de Ezequiel de Rosso; e o terceiro, de Xoán Carlos Lagares, sobre o livro <italic>Língua e política. Conceitos e casos no espaço da América do Sul</italic>, de Adrián Pablo Fanjul e María Teresa Celada. Seja no âmbito dos estudos da imagem, seja em relação à trajetória da prática crítica de Ludmer ou, ainda, no que diz respeito às problemáticas contemporâneas do tratamento das línguas no âmbito sul-americano, as três resenhas colocam em debate aspectos relevantes do hispanismo, a partir de temas, nomes e questões que integram a agenda teórica e crítica contemporânea da América Latina e cujos debates encontram-se ainda abertos e em desenvolvimento.</p>
		<p>Como se pode notar, em seu conjunto, este número é amplo e diversificado, contando com colaboradores e colaboradoras de diferentes regiões e diversos focos de interesse que apontam para a miríade de questões que constituem, atualmente, os debates da crítica literária contemporânea; a permanência e atualização crítica de temas já consagrados no hispanismo peninsular; além do esforço de diálogo crítico com a produção acadêmica que vem sendo produzida e divulgada tanto na América Latina quanto na Espanha.</p>
		<p>Aproveitamos para agradecer a todas as pessoas que, direta ou indiretamente, colaboraram para a realização deste número da <italic>Caracol</italic> e desejamos-lhes uma ótima leitura!</p>
	</body>
</article>