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                <journal-title>Caracol</journal-title>
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                <publisher-name>Universidade de São Paulo</publisher-name>
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                <article-title>Repensando a (in)visibilidade do tradutor de webnotícias: propostas para o contexto de formação acadêmica em tradução</article-title>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Estadual Paulista “Júlio, de Mesquita Filho”</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos</institution>
                <institution content-type="original">Angélica Karim Garcia Simão Professora na Universidade Estadual Paulista “Júlio, de Mesquita Filho” (Unesp/São José do Rio Preto), no curso de Bacharelado em Letras com habilitação de Tradutor, como responsável pelas disciplinas de Prática de Tradução em Língua Espanhola. Mestre em Estudos Linguísticos pela Unesp de São José do Rio Preto e doutora em Letras - Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e HispanoAmericana pela USP. Atua no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Unesp/SJRP.</institution>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Estadual Paulista</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos</institution>
                <institution content-type="original">Érika Nogueira de Andrade Stupiello Professora na Universidade Estadual Paulista “Júlio, de Mesquita Filho”(Unesp/São José do Rio Preto), no curso de Bacharelado em Letras com habilitação de Tradutor, como responsável pelas disciplinas de Prática de Tradução em Língua Inglesa. Mestre e doutora em Estudos Linguísticos (Unesp/SãoJosé do Rio Preto). Tradutora Pública e Intérprete Comercial de língua inglesa (JUCESP). Atua no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Unesp/SJRP.</institution>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01">Contato: <email>angelicakarim@gmail.com</email>
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                <corresp id="c02">Contato: <email>erika@traducaointerpretacao.com.br</email>
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                <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
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            <abstract>
                <title>Resumen</title>
                <p>O desenvolvimento tecnológico experimentado a partir do final do século XX resultou em transformações não só para o modo de fazer jornalístico como também para o papel que tradutores passaram a desenvolver inseridos nesses contextos emergentes. Tal cenário impôs novos desafios ao tradutor, ao situá-lo em um diálogo direto e imediato com os condicionantes extratextuais (aspectos culturais, sociais, históricos e ideológicos) que estão presentes em sua profissão. Tais desafios exigem que o perfil desse profissional seja mais bem delineado, a fim de capacitá-lo para o desenvolvimento de estratégias de tradução específicas para o âmbito jornalístico. Neste trabalho, pretende-se refletir sobre como se reconfigura o papel do tradutor de textos jornalísticos no século XXI e de que forma esse papel pode ser entendido, dentro de um contexto de formação acadêmica em tradução, a fim de desenvolver habilidades e competências que o capacitem para atuar nesse setor do mercado de trabalho.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>Technological advances in the late 20th century resulted in transformations not only in news writing, but also in the role played by translators working in these emerging contexts. This scenario has defined a new set of challenges for translators working in direct and immediate dialogue with extratextual constraints (cultural, historical and ideological aspects) that have always been part of the translation profession. Such challenges require a better-delineated professional profile to qualify translators to develop specific translation strategies for the journalistic context. In this paper we reflect on the reconfiguration of the role of translators working with journalistic texts in the 21st century, as well as on the way this role can be understood within an academic translation education program aimed at developing skills and competencies that can qualify translators to work in this market segment.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>palavras-chave</title>
                <kwd>tradução</kwd>
                <kwd>jornalismo</kwd>
                <kwd>estratégias</kwd>
            </kwd-group>
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                <title>Keywords</title>
                <kwd>translation</kwd>
                <kwd>journalism</kwd>
                <kwd>strategies</kwd>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>Transformações resultantes da disseminação de novas tecnologias de comunicação, especialmente a internet, promoveram o surgimento e a evolução em popularidade do “jornalismo digital”, também chamado de “webjornalismo” ou “ciberjornalismo” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Squirra, 1998</xref>, 20), desencadeando simultaneamente mudanças profundas de forma e de conteúdo na produção de notícias. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B01">Baroni et al. (2013)</xref>, a evolução do jornalismo digital ofereceu a possibilidade aos leitores de ter acesso diário às mais variadas publicações com os mesmos editoriais de periódicos impressos que, até então, eram praticamente inviáveis devido a custos, dificuldades e demoras no recebimento das edições.</p>
            <p>Sem as limitações que outrora restringiam o contato com informações e fatos ocorridos nos mais distantes locais, o leitor usuário da internet consegue hoje realizar consultas a edições atuais e antigas e pesquisar questões de seu interesse e necessidade. É capaz também de interagir com a notícia que lhe é apresentada, podendo, em muitas situações, comentar e opinar em espaços que lhe são designados. A conveniência da acessibilidade irrestrita a notícias em meio digital com a qual conta o leitor tem reflexos diretos na produção dessas notícias que, pela instantaneidade de sua transmissão, encurtaram consideravelmente os prazos impostos a jornalistas que trabalham com um <italic>deadline</italic> (termo usado para designar o fechamento das edições impressas) que expira a todo o momento, conforme explica <xref ref-type="bibr" rid="B14">Squirra (1998)</xref>.</p>
            <p>A configuração de produção de webnotícias diferencia-se particularmente da produção impressa, na qual apuração, produção e publicação da notícia ocorrem em etapas definidas, bem diferente da digital, em que a produção e publicação inicial da notícia ocorrem concomitantemente à apuração dos fatos a serem noticiados. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B11">Ribeiro e Gonzaga-Pontes (2013, 109)</xref>, a produção da notícia é “continuada” e “sofre reescritas a intervalos curtos, à medida que é melhor apurada” [sic]. As autoras apontam ainda o trabalho colaborativo de vários profissionais nesse processo, inclusive do leitor. No contexto digital, a imagem da “pirâmide invertida” – usada para ilustrar como a notícia é elaborada, priorizando os principais acontecimentos e deixando em segundo plano os detalhes do fato noticiado –, já não mais se aplica com tanto rigor, uma vez que a produção da notícia digital é mais visível ao leitor, que acompanha e até pode participar da composição do texto, não se limitando a tomar contato com o produto acabado. Conforme esclarecem Ribeiro e Gonzaga-Pontes,</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>as modificações do texto webnoticioso vão sendo feitas de forma revelada, à vista do leitor, que pode, inclusive, interferir de forma mais direta na produção da notícia (com um comentário ou uma correção, por exemplo). Não há mudanças drásticas, de modalidade ou de estrutura, mas há inserção de informações, de forma que a notícia vá ganhando unidades significativas, e não apenas uma revisão gramatical.</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">Ribeiro e GonzagaPontes, 2013</xref>, 112)</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Se os fatos noticiáveis hoje são muito mais transitórios e exigem de jornalistas, além das habilidades descritas em manuais de redação (objetividade, correção, concisão, clareza, entre outras), a capacidade de interagir com o leitor e abrir-lhe novos horizontes de leitura alcançados por <italic>links</italic> entre o texto lido, o que se pode esperar de notícias primeiramente produzidas em línguas estrangeiras?</p>
            <p>Embora a internet tenha vencido a distância física e a notícia nesse meio possa ser levada aos lugares mais remotos, há ainda que se transpor a barreira linguística, que continuaria a impedir a comunicação, se não fosse pela tradução. É o trabalho (in)visível de tradutores (e jornalistas que atuam como tradutores) que torna compreensíveis as notícias publicadas em diferentes línguas nos mais variados jornais on-line para leitores das mais diversas nacionalidades. Grande parte desses leitores desconhece as transformações pelas quais passa o trabalho de tradução jornalística, envolvendo a seleção e a síntese das informações relevantes a serem traduzidas e a adaptação do contexto informativo para novos públicos, estratégias discutidas e exemplificadas nos próximos itens.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Do fato ao texto, do texto ao leitor: desafios para tradutores-jornalistas</title>
            <p>Como enfatizam Bielsa e Bassnett,</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>duas línguas nunca são suficientemente semelhantes a ponto de usarem estruturas e vocabulário idênticos para descreverem a mesma coisa. Proximidade geográfica, relações entre línguas, laços estreitos entre sociedades não garantem estruturas linguísticas idênticas.<xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref></p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B03">Bielsa; Bassnett, 2009</xref>, 7)</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Nem mesmo o uso de uma única língua garante tal unidade, como é o caso do castelhano, idioma falado em mais de 20 países de modo heterogêneo, com variações, sobretudo, de nível léxico e fônico.</p>
            <p>As diversidades entre os públicos para os quais são destinadas as notícias e as diferenças culturais envolvidas nos contextos de produção e consumo do fato noticioso também impõem adequações que geram mudanças nos textos. Muitas dessas modificações têm por fim aproximar a notícia da realidade do novo público leitor e, sempre que possível, atender às expectativas desse público. Os poucos trabalhos que abordam a tradução jornalística descrevem algumas das transformações pelas quais passam textos noticiosos e destacam a relevância da urgência de produção dos textos finais no competitivo mercado digital. No livro <italic>Translation in Global News</italic>, Bielsa e Bassnett relatam que, em se tratando de noticiar fatos, opiniões e acontecimentos:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>a tradução é um elemento em um complexo conjunto de processos pelos quais a informação é transposta de uma língua para outra e, então, editada, reescrita, formatada e reacondicionada para um novo contexto, fazendo com que qualquer distinção clara entre os textos de partida e chegada deixe de ser significativa.</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B03">Bielsa; Bassnett, 2009</xref>, 11)</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Essa descrição da tradução de notícias é bastante diversa da imagem que muitos jornalistas têm do trabalho do tradutor, quem consideram responsável por produzir uma “versão literal de um texto que não seria adequado à publicação”. Por essa perspectiva, caberia ao jornalista “reelaborar esse texto para que possa ser utilizado” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Bielsa; Bassnett, 2009</xref>, 15).</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B15">Zisper e Aio (2011)</xref> apresentam uma perspectiva da atividade tradutória no campo jornalístico pela qual o jornalista seria, em primeiro lugar, um tradutor de fatos para o público visado pela reportagem por ele produzida. Como defendem, tanto o tradutor como o jornalista partem de uma fonte – para este, um fato a noticiar e, para aquele, o texto original –, e ambos alvejam o leitor, “que completa o ciclo comunicativo, e que por esta razão influencia o direcionamento do texto final, fechando o ciclo formado na intercomunicação entre texto/fato e leitor” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Zisper; Aio, 2011</xref>, 116).</p>
            <p>Considerar a mediação do tradutor como inerente à transformação pela qual passa uma notícia que será (re)apresentada a um público diferente daquele para o qual ela foi primeiramente pensada parece ir contra o fluxo urgente de transmissão de informações e de comunicação, em que são valorizadas trocas rápidas e presumidamente diretas. Conforme constata Cronin,</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>de fato, a tendência em um mundo de compressão tempo-espaço é favorecer intercâmbios de primeira ordem em vez daqueles de segunda ordem, isto é, favorecer transações rápidas limitadas em tempo e envolvendo contato limitado, em vez de compromissos mais longos, multidimensionais e complexos.</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B05">Cronin, 2003</xref>, 49)</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>A comunicação contemporânea de notícias valoriza “transações rápidas e de tempo limitado” e não mais compromissos duradouros, os quais caracterizariam os “intercâmbios de segunda ordem” mencionados. Conforme argumenta Cronin, a pressão exagerada que a tecnologia da informação exerce sobre o modo como nos comunicamos faz com que a atenção seja deslocada do processo para o produto, e não se consideram os desafios e o tempo que se impõem para que o tradutor construa a comunicação em uma outra língua.</p>
            <p>Na produção de notícias para circulação na internet, em que diversidades culturais e linguísticas se aproximam somente no plano virtual, a tradução intervém já no início do processo, em que as notícias são coletadas e servem como ponto de partida para a elaboração da história pelo jornalista. Como explicam Bielsa e Bassnett, “o constante fluxo de notícias internacionais ao nosso redor oculta as reais dificuldades de se reportar a partir de áreas remotas, em que não falar a língua local é um problema, assim como a dificuldade de acesso e a falta de conhecimento prévio” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Bielsa; Bassnett, 2009</xref>, 59).</p>
            <p>Considerando ser a principal finalidade da tradução de notícias promover a “rápida transmissão de informações de maneira clara, de forma que possa ser comunicada de maneira eficaz aos leitores” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Bielsa; Bassnett, 2009</xref>, 63), e tomando como base as considerações aqui apresentadas acerca da complexidade da atividade tradutória, este trabalho apresenta algumas das transformações pelas quais passam notícias traduzidas do português e do espanhol e propõe um exercício de análise de estratégias que indicam a inevitável intervenção por que passa qualquer notícia traduzida. Visando a orientar a análise pretendida, em um primeiro momento, apresentamos as diferentes ações esperadas para a (re)apresentação de uma notícia para um novo público e, em seguida, expomos e discutimos alguns exemplos de trechos de notícias extraídas de jornais nas línguas espanhola e portuguesa. Em última instância, nosso exercício de análise tem por fim servir de recurso para o desenvolvimento de estratégias tradutórias e autonomia no contexto de formação acadêmica de tradutores.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>A (re)apresentação da notícia: adequando perspectivas para novos públicos</title>
            <p>Se concordamos com a afirmação de <xref ref-type="bibr" rid="B06">Gandon (2013, 1)</xref> de que “a linguagem do jornalismo reflete a cultura e as convenções da sociedade da qual se origina”, somos lembrados da possibilidade de existência de variadas formas de se narrar uma história. Em se tratando de narrações em línguas diferentes, noções como equivalência entre original e tradução e a autoria do texto original, há muito debatidas nos estudos da tradução, são levadas ao extremo pelas transformações promovidas durante o processo de tradução jornalística.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B03">Bielsa e Bassnett (2009)</xref> examinam algumas das intervenções geralmente esperadas na tradução de notícias, listando, entre elas:</p>
            <list list-type="bullet">
                <list-item>
                    <p>Mudança de título e subtítulo: títulos e subtítulos informativos são em geral substituídos por novos que atendam melhor as necessidades do público leitor-alvo ou as exigências da publicação-alvo.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Eliminação de informações desnecessárias: informações que possam se tornar redundantes, seja porque já são conhecidas pelos leitores da língua-alvo ou porque existem detalhes e especificações demais para um leitor que está muito afastado geográfica e culturalmente da realidade descrita.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Adição de informações contextuais importantes: quando mudam os leitores para os quais a notícia é produzida, é necessário acrescentar informações que não serão necessariamente conhecidas no novo contexto.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Mudança na ordem dos parágrafos: a relevância das informações em um novo contexto e o estilo da publicação podem tornar necessária a alteração da ordem dos parágrafos.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Resumo das informações: esse método é empregado com frequência para encaixar o texto de origem no espaço disponível e reduzir parágrafos longos que não sejam relevantes aos leitores-alvo. (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Bielsa; Bassnett, 2009</xref>, 64)</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Para as autoras, o grau de intervenção esperado na tradução de notícias estrangeiras, ao mesmo tempo em que implementa mudanças definitivas no texto de origem, estabelece novos limites para a relação entre texto de origem e tradução. Nesse movimento de recriação da notícia surgem variadas versões para um fato ou acontecimento, que pode ser apresentado de maneiras diversas, dependendo de seu novo contexto. Conforme argumentam Bielsa e Bassnett, o papel transformador do tradutor está “diretamente relacionado a esse poder de mudar, de fato, o ângulo ou ponto de vista prevalentes a partir dos quais eventos são narrados, a fim de produzir um novo texto que pode funcionar mais efetivamente como notícias para um novo público” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Bielsa; Bassnett, 2009</xref>, 93).</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B08">Guerrero (2006, 127)</xref>, utilizando a classificação proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B09">Hurtado Albir (2001, 268-271)</xref>, analisa algumas técnicas específicas da tradução jornalística, as quais considera funcionais, uma vez que “as convenções que regem a confecção de uma variedade textual em um determinado sistema sociocultural não necessariamente coincidem com os padrões textuais de outros sistemas”. Amplificação, compressão e omissão são alguns dos recursos que o tradutor lança mão para reconstruir a notícia em suas novas circunstâncias de recepção.</p>
            <p>A amplificação seria frequentemente utilizada para contextualizar uma informação que, embora conhecida pelos leitores da notícia original, pode não fazer parte do universo do novo público leitor. A compressão linguística consistiria no movimento contrário, uma síntese de notícias que podem requerer “um tratamento mais breve” em um novo contexto situacional de divulgação (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Guerrero, 2006</xref>, 134). Já a omissão (ou elisão), prática que afeta também outras variedades textuais de acordo com a autora, seria empregada como forma de adequar uma notícia ao contexto que lhe é designado. Ainda que o espaço virtual não sofra as restrições da comunicação impressa, uma notícia pode ser limitada por outros condicionantes editoriais do periódico de que faz parte.</p>
            <p>O perfil do tradutor de notícias</p>
            <p>Em contextos de formação superior tem-se como objetivo não só difundir e ampliar, mas também aprofundar o conhecimento de estudantes de tradução sobre a(s) língua(s) estrangeira(s) para a qual ou as quais o tradutor será habilitado. Na contemporaneidade, entende-se que o conhecimento de uma língua estrangeira vai muito além do domínio de suas regras gramaticais ou linguísticas. Na perspectiva atual, entende-se por estudo de língua estrangeira o conhecimento da história, da geografia, da política, da literatura, da cultura, da formação das civilizações que moldam e são moldadas por essas línguas e configuram as identidades dessas sociedades.</p>
            <p>Independentemente do nível de conhecimento que se tenha das línguas estrangeiras envolvidas no processo tradutório, no que se refere ao contato com diversificadas tipologias textuais no decorrer da formação em tradução, entendendo que esse processo se desenvolva majoritariamente durante o período de quatro anos, duração da maior parte dos cursos de graduação em Letras no Brasil, e esse aprendizado ocorre de maneira muito limitada. Esse fato acontece não porque se julgue irrelevante para a formação do tradutor tal contato, mas sim por serem os gêneros textuais compostos por uma infinidade de formatos, o que impossibilita o domínio da amplitude de suas variedades.</p>
            <p>Levando-se em consideração a extensa tipologia textual de áreas muito diversificadas, incluindo-se aqui as de natureza técnica e científica, somada aos inúmeros gêneros que constituem o que chamamos de “textos jornalísticos”, o que engloba outra infinidade de gêneros textuais para os quais o “jornal” é somente plataforma ou meio para sua difusão, podemos afirmar que torna-se difícil a tarefa de mediar o contato do aprendiz com tantas tipologias textuais. Tomando essa situação como ponto de partida para a elaboração de currículos de Letras, torna-se indispensável que tanto o professor, como mediador do conhecimento, como o programa da disciplina, seja ela de qualquer natureza prática que envolva o exercício da tradução, estabeleçam objetivos claros a serem alcançados, visando o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos específicos para o exercício da profissão.</p>
            <p>Dessa forma, priorizam-se atividades que sejam capazes de potencializar a percepção do aprendiz em torno desses gêneros textuais e, ao mesmo tempo, desenvolver habilidades para lançar mão de diferentes estratégias para lidar com os variados projetos de tradução com os quais esse profissional entrará em contato no mercado de trabalho. Entendemos esse conjunto de habilidades como <bold>competência tradutória</bold>, que pode ser definida da seguinte forma:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Embora qualquer falante bilíngue possua competência comunicativa nas línguas que domina, nem todo bilíngue possui competência tradutória. A competência tradutória é um conhecimento especializado, integrado por um conjunto de conhecimentos e habilidades, que singulariza o tradutor e o diferencia de outros falantes bilíngues não tradutores.</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B10">Hurtado Albir, 2005</xref>, 19)</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>De acordo com essa autora, a competência tradutória possui funcionamento complexo e é composta de vários subcomponentes: bilíngues, extralinguísticos, instrumentais, cognitivos (conhecimentos declarativos, epistêmicos, operacionais, entre outros) de diversos níveis, psicofisiológicos e estratégicos. Ela é adquirida fudamentalmente por meio da prática, envolve a reflexão sobre as próprias intuições, desenvolve-se como outros tipos de conhecimento especializado, com papel-chave da habilidade para reconhecer traços situacionais e estratégias apropriadas em diferentes processos que envolvam a tradução. A autora destaca o papel hierárquico do componente estratégico (subcompetência estratégica), pois ele afeta todos os demais componentes, controlando e reparando as deficiências durante o processo.</p>
            <p>Acreditamos que o conhecimento especializado de textos do âmbito jornalístico, sobretudo no que concerne aos diferentes gêneros que integram essa tipologia, associado ao desenvolvimento de estratégias de tradução adequadas para a resolução de problemas provenientes do processo de tradução desses textos, sejam os dois componentes fundamentais que compõem o perfil do tradutor de webnotícias. Por essa razão, o foco das disciplinas que visam a formação do profissional qualificado para essa atividade é centrado no desenvolvimento e aperfeiçoamento desses dois componentes durante a formação de tradutores. Passaremos a discutir agora as características das estratégias para a tradução de textos jornalísticos, tendo em conta especificidades do par espanhol-português.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Análise dos “fatos”: o foco da notícia</title>
            <p>Nas manchetes abaixo, cujas traduções foram feitas para o <italic>site</italic> da UOL (<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.uol.com.br">www.uol.com.br</ext-link>), seção <italic>Internacional</italic>, e publicadas na versão digital do jornal <italic>El Pais</italic> espanhol, podem ser percebidas mudanças realizadas nos títulos que afetam notadamente seu caráter informativo. Observe como as manchetes e notícias podem ser apresentadas de diferentes formas por meio da tradução<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref>:</p>
            <table-wrap id="t01">
                <table frame="void" rules="none">
                    <tbody>
                        <tr align="center">
                            <td><italic>La lucha de géneros llega a Polonia</italic></td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td><bold>Igreja se rebela contra a igualdade de gêneros na Polônia</bold></td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td><italic>Asesinos sin honor</italic></td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td><bold>Vinte mil mulheres são mortas por ano no mundo vítimas de parentes em crimes</bold><break/><bold>de honra</bold></td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td><italic>Cuando no es posible planificar la maternidad</italic></td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td><bold>200 milhões de mulheres não têm acesso a anticoncepcionais</bold></td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
            </table-wrap>
            <p>Pode-se verificar nos enunciados em espanhol a amenização de algumas informações, emitidas em um tom quase hermético, em composições que parecem adquirir, por vezes, matizes metafóricos. Essas informações, explicitadas na tradução para o português por meio do fornecimento de dados sobre os sujeitos, agentes ou pacientes (igreja, parentes, mulheres assassinadas, mulheres privadas de recursos), e dados numéricos (vinte mil, 200 milhões) especificam os elementos que interagem nos contextos em que têm origem as notícias.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B13">Stupiello e Simão (2017, ix)</xref> pontuam que “as manchetes contribuem para que o leitor possa formar uma imagem da identidade do jornal ou de sua linha de informação”, caracterizando-o, dessa forma, de modo estilístico. De fato, algumas recomendações mais objetivas sobre a formatação, escolha léxica e padronização de conteúdos são claramente explicitadas em manuais de estilo e redação jornalísticos, os quais determinam o que deve ser seguido ou condenado nas agências de notícias.</p>
            <p>Embora o modo de organizar um texto tenha caráter subjetivo, o lado social da linguagem atrela esse texto a questões ideológicas, temporais e históricas, elementos culturais que dele são indissociáveis. Todo texto pressupõe a interação comunicativa entre um emissor e um destinatário e, por meio dessa interação, são transmitidos os valores culturais de contextos comunicativos específicos. Como afirmam <xref ref-type="bibr" rid="B12">Santos e Gorovitz (2013, 23)</xref>, a tradução de textos jornalísticos torna esses valores reconhecíveis, uma vez que evidencia os contextos nos quais emissores e receptores se situam, “no campo da tradução jornalística, é razoável afirmar que a escolha do fato a ser noticiado e/ou traduzido reflete os padrões histórico-sociais vigentes, assim como os interesses financeiros e ideológicos por parte de quem os veicula ou patrocina”.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Amplificando e elidindo informações: o que acrescentar e o que tirar da notícia</title>
            <p>Nas notícias anteriores, bem como na próxima, pode-se afirmar que, em termos linguísticos, as manchetes traduzidas para o português se valem do recurso de explicitação – ou amplificação, na terminologia de <xref ref-type="bibr" rid="B09">Hurtado Albir (2001, 269)</xref> –, a fim de contextualizar as informações para os leitores brasileiros.</p>
            <p>A técnica de amplificação da tradução pode envolver recursos variados (delimitações, atualização de datas, especificação de lugares, cidades ou países, identificação de pessoas, cargos ou posições ocupadas, esclarecimentos intratextuais, explicações sobre realidades contextuais específicas, justificativas, interpretações ou manifestações estilísticas, introdução de informações derivadas de outras fontes de notícias, dentre muitos outros recursos) que ocasionam acréscimo de informações no corpo da notícia. O objetivo dessa técnica é explicar, explicitar, localizar ou exemplificar informações ao novo público leitor para o qual está sendo traduzida a informação.</p>
            <p>Veja-se o caso abaixo, extraído do jornal <italic>El País</italic> e também veiculado no <italic>site</italic> de notícias do portal UOL:</p>
            <table-wrap id="t02">
                <table frame="void" rules="none">
                    <tbody>
                        <tr align="center">
                            <td><italic>Un barco para esquivar a Rusia<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref></italic></td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td><bold>Lituânia investe em navio para escapar da dependência russa</bold></td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
            </table-wrap>
            <p>O corpo da notícia, elaborada em língua espanhola, trazia informações sobre a presidente da Lituânia, Dalia Grybauskaite, que cruzou o mundo em fevereiro de 2014 para colocar um barco em um estaleiro da Coreia do Sul. O feito intencionava enviar uma mensagem à Rússia e ao mundo sobre a adesão do país à Otan e à UE.</p>
            <p>Na tradução da manchete foi acrescida não só a referência explícita ao país sobre o qual a manchete tratava (Lituânia), mas também a explicitação do gesto simbólico por trás do conteúdo da notícia: o investimento no navio como uma forma de demonstração de independência à Rússia. Note que a explicitação da informação não se dá somente no nível linguístico, mas deixa perceber os vieses ideológicos e políticos que perpassam a notícia.</p>
            <p>A estratégia de amplificação parte do pressuposto de que o leitor não detém ou não tem acesso a determinados conteúdos, que devem ser adicionados ao texto, de acordo com os critérios estabelecidos pelo redator ou pela redação do jornal (agência de notícias, portal de informações, entre outros), com o objetivo de aumentar ou aprofundar seus conhecimentos sobre o tema tratado e, não seria ousado dizer também, orientar sua visão político-ideológica acerca desses fatos. No âmbito jornalístico é frequente esse acréscimo, uma vez que a circulação de algumas notícias é delimitada por variantes temporais ou espaciais e por agentes que, por seu caráter privado, possuem interesses comerciais e editoriais particulares.</p>
            <p>Observe nos fragmentos de textos abaixo o que foi retirado e o que foi adicionado à notícia:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p><bold><italic>56 heridos en el accidente de un tren de Rodalies en Barcelona</italic></bold></p>
                    <p><italic>Al menos 56 personas han resultado heridas, de las que una se encuentra en estado grave –aunque no se teme por su vida–, al chocar un tren del servicio de Rodalies de Renfe contra el tope final de una vía en la Estación de Francia de Barcelona en una maniobra de estacionamiento. El elevado número de heridos pero que sean de poca gravedad se explica porque el tren ya estaba frenando y muchos pasajeros se habían puesto en pie para bajar e ir hacia el trabajo. Renfe y Adif investigan las causas del accidente.</italic></p>
                    <attrib>(<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.elpais.com">www.elpais.com</ext-link>)</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p><disp-quote>
                    <p><bold>Acidente de trem em Barcelona deixa pelo menos 56 feridos</bold></p>
                    <p>Pelo menos 56 pessoas ficaram feridas − uma delas em estado grave, mas sem risco de morrer – quando um trem do serviço Rodalies da empresa Renfe se chocou contra um muro de proteção no fim de sua linha na Estação França, em Barcelona, na manhã desta sexta-feira. Muitas pessoas ficaram feridas, mas sem gravidade, porque o trem já estava freando e os passageiros já tinham se levantado para descer quando o acidente aconteceu. A Renfe e a empresa estatal que administra o sistema ferroviário, a Adif, investigam as causas do acidente.</p>
                    <attrib>(<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.brasil.elpais.com">www.brasil.elpais.com</ext-link>)</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Na versão da manchete em português não é apresentado o termo <italic>Rodalies</italic>, rede de serviço ferroviário que liga Barcelona à sua área metropolitana e principais localidades da Catalunha, explorado pela <italic>Renfe</italic>, principal operadora ferroviária da Espanha. A palavra do catalão ‘<italic>rodalies</italic>’ significa ‘redondezas’, e um ‘<italic>tren de rodalies</italic>’ é chamado de ‘<italic>tren de cercanías</italic>’, em outras partes da Espanha, ou seja, trata-se de um serviço de trens metropolitanos em Barcelona, e é um dado contextual muito próximo e conhecido para o leitor inserido no contexto espanhol, entretanto desconhecido para o leitor brasileiro, para quem a tradução parece considerar que basta ser contextualizado sobre o local da notícia, com a informação de que o acidente de trem aconteceu na cidade de Barcelona.</p>
            <p>O esclarecimento sobre a empresa é feito no corpo do texto em português, com o acréscimo do termo ‘empresa’ diante de Renfe (serviço Rodalies da <bold>empresa</bold> Renfe), que está ausente na versão espanhola (<italic>servicio de Rodalies de Renfe</italic>). Observe também que no texto veiculado no jornal espanhol não é dada a precisão temporal da notícia como é feito no português por meio do sintagma adverbial “na manhã desta sexta-feira”, no caso, manhã do dia 28 de julho de 2017, data em que ocorreu o acidente.</p>
            <p>Também não é fornecida, na notícia em português, a informação sobre a ação futura dos passageiros que já se encontravam em pé no interior do trem (os passageiros já tinham se levantado para descer quando o acidente aconteceu), como é feito no texto em espanhol (<italic>muchos pasajeros se habían puesto en pie para bajar <bold>e ir hacia el trabajo</bold></italic>). Na sequência, um novo esclarecimento é feito ao leitor brasileiro sobre a Adif, “a empresa estatal que administra o sistema ferroviário”, não fornecida ao leitor espanhol, talvez por ser desnecessária, mas informativa para o leitor brasileiro.</p>
            <p>Note-se como são dadas de formas diferentes as notícias veiculadas sob a mesma manchete nos <italic>sites</italic> da Agência Efe (Edição Brasil) e Agencia Efe (Edición España), ambas publicadas no dia 29 de julho de 2017:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p><bold>Clooney diz que processará revista francesa que publicou foto de seus filhos</bold></p>
                    <p>O ator americano George Clooney anunciou que processará a revista francesa “Voici” por ter publicado fotos de seus filhos gêmeos, tiradas sem permissão, no lago Como, na Itália, informou neste sábado a imprensa local. A última edição da revista francesa publicou as primeiras imagens dos gêmeos de Clooney, Ella e Alexander, que nasceram em Londres no início de junho. Em comunicado, o ator afirmou que as imagens foram tomadas de “forma ilegal” por fotógrafos da revista que escalaram uma árvore próxima à propriedade. “Tenham certeza que os fotógrafos, a agências de fotos e a revista serão levados com todo rigor perante a lei. A segurança dos nossos filhos exige isso”, indicou o ator, casado com a advogada especializada em direitos humanos Amal Clooney. Um portavoz da revista, citado por diversos veículos da imprensa local, indicou que as fotos são de interesse geral, já que os Clooney falaram muito do nascimento dos filhos, um acontecimento muito acompanhado pelo público. Além disso, o porta-voz indicou que as fotos não colocam em risco os pais nem as crianças.</p>
                    <attrib>(<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.efe.com">www.efe.com</ext-link> – Edição Brasil)</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p><italic><bold>Clooney se querella contra la revista gala que publicó fotos de sus gemelos</bold></italic></p>
            <p><italic>El actor estadounidense George Clooney anunció que se querellará contra la revista francesa “Voici” por haber publicado fotos de sus gemelos, tomadas sin permiso en la residencia del intérprete en el lago Como, en Italia, informan hoy medios franceses. El último número del semanario del corazón francés publicaba las primeras imágenes de los gemelos Clooney, Ella y Alexander, nacidos en Londres a principios de junio pasado.</italic></p>
            <p>(<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.efe.com">www.efe.com</ext-link> – <italic>Edición España</italic>)</p>
            <p>Embora os títulos das manchetes sejam os mesmos e ambas tenham sido publicadas no <italic>site</italic> da Agência Efe no mesmo dia, há muitas diferenças entre a edição brasileira e a espanhola no modo de apresentar as notícias, que podem ser entendidas como uma readequação ou atendimento aos diferentes públicos atendidos. Informações que aparecem da edição brasileira, o uso de alguns termos como “comunicado”, “forma ilegal”, “rigor perante a lei”, “segurança”, “agências de fotos”, “porta-voz” e detalhes sobre o ocorrido, como o fato de os repórteres terem “escalado uma árvore próxima à propriedade” e a especificação da profissão da esposa do ator, “a advogada especializada em direitos humanos Amal Clooney”, não aparecem na edição espanhola, que parece se configurar, quando comparada, como uma versão resumida da brasileira.</p>
            <p>Todas essas alterações, mudanças nos títulos das manchetes, eliminação de informações consideradas repetitivas, acréscimo de informações e detalhes que podem ser julgados irrelevantes ou não em diferentes contextos, esclarecimentos e contextualizações para que o novo público compreenda melhor as informações, inversão de parágrafos ou resumos, são intervenções frequentes e estratégias de tradução/versão esperadas no texto jornalístico, como atestam <xref ref-type="bibr" rid="B03">Bielsa e Bassnett (2009)</xref>. O uso dessas estratégias torna o texto jornalístico mais extenso ou mais curto e atende aos novos públicos de diferentes lugares para os quais são traduzidas as notícias.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>A verdade por trás (da tradução literal) da notícia</title>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B12">Santos e Gorovitz (2013)</xref>, além de ressaltarem as influências externas ao texto, de natureza tanto mercadológica como ideológica, também afirmam que, no meio jornalístico, é muito comum que redatores atuem como tradutores e que esse fato tende a ocasionar a tradução consensual ou “fiel à letra”, que tem como foco a transcodificação isenta, objetiva, imparcial, precisa e neutra. Isto é, movidos pelo ideal de “fidelidade” ou “literalidade”, redatores pressupõem que traduções literais, traduzidas palavra por palavra, sejam mais “fiéis” aos seus textos de partida, visão já bastante discutida e questionada pelos Estudos da Tradução.</p>
            <p>Para mostrar como essas premissas são falsas e podem causar efeitos diferentes aos pretendidos, vejamos um exemplo (dentre os vários que circulam diariamente em sites de notícias): as traduções propostas para os textos abaixo, extraídos dos <italic>sites</italic> da agência de notícias Efe, em espanhol para o português (<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.efe.com/america">www.efe.com/america</ext-link> e <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.efe.com/brasil">www.efe.com/brasil</ext-link>):</p>
            <table-wrap id="t03">
                <table frame="void" rules="none">
                    <tbody>
                        <tr align="center">
                            <td><bold>Nadal gana en Madrid por quinta vez</bold></td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td><bold>La mayor experiencia</bold>
                                <italic>y empuje de Rafael Nadal se impuso de nuevo a la</italic><break/><italic>juventud y fuerza del austríaco Dominic Thiem</italic>.</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td><bold>Nadal é pentacampeão em Madri</bold> (14/05/2017)</td>
                        </tr>
                        <tr align="left">
                            <td><bold>A maior experiência</bold> de Rafael Nadal prevaleceu frente à juventude do austríaco<break/>Dominic ftiem.</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
            </table-wrap>
            <p>Além de não retomar o sentido de experiência, ou do conhecimento adquirido pelo tempo de profissão, a tradução de <italic>mayor experiencia</italic> por “maior experiência” na abertura da notícia parece estar calcada na ideia do automatismo da tradução existente entre pares de línguas supostamente próximas, como a que ocorre comumente entre as línguas portuguesa e espanhola, o que evidencia a falta de cuidado e atenção dirigidos ao idioma castelhano. Como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B07">González (2008, 5)</xref></p>
            <p><disp-quote>
                    <p>é perigoso apoiar-se simplesmente no estereótipo da grande semelhança entre o espanhol e o português porque, ainda quando essas semelhanças existem em um nível superficial da língua, outros fatores, tanto de natureza propriamente linguística, gramatical, como de funcionamento discursivo podem conduzir a graves erros de interpretação ou, até mesmo, de incompreensão mútua.</p>
                </disp-quote></p>
            <p>Além da possibilidade de tradução literal entre “línguas “próximas” ser muito questionável, podemos pensar também, nestes casos, na tendência ao automatismo da tradução em pares de línguas que podem ocasionar um possível “efeito hipnótico” no tradutor. Como discute <xref ref-type="bibr" rid="B04">Cintrão (2006)</xref>, motivado pela suposta “proximidade” ou pelo “efeito hipnótico” gerado por essa sensação, o tradutor é levado a manter estruturas sintáticas ou escolhas léxicas da língua original (espanhol), para a tradução proposta para o português, muito diferentes daquelas que circulam comumente nas redes de notícias, consideradas usuais no vernáculo.</p>
            <p>Esses casos refletem uma postura automatizada do tradutor, que é levado a optar por estruturas pouco usuais ou pouco frequentes, que geram no leitor interpretações confusas ou deslocamentos de sentidos, sob o já mencionado rótulo de clareza, concisão e objetividade pressupostos pela tradução literal. Como exemplos desses casos, podemos observar as traduções propostas para as formas <italic>científico de animales</italic> (cientista de animais), <italic>lo mío</italic> (minha coisa), <italic>más bien</italic> (mais bem), <italic>caer sobre</italic> (cair sobre) e <italic>utilizar presiones</italic> (utilizar pressões)<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref> abaixo:</p>
            <table-wrap id="t04">
                <table frame="box" rules="all">
                    <tbody>
                        <tr>
                            <td><italic>[...] que este chaval que de mayor quería ser <bold>científico de animales</bold> cantaba entusiasmado Gun's N'Roses, Deep Purple o Led Zeppelin.</italic></td>
                            <td>[...] este rapaz, quando fosse mais velho, queria ser <bold>cientista de animais</bold> e cantava entusiasmado Guns N'Roses, Deep Purple ou Led Zeppelin.</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td><italic>“Sabía que escribir <bold>era lo mío</bold>”, dice la joven, que considera la bitácora una terapia para sí misma y para sus lectores.</italic></td>
                            <td>“Sabia que escrever <bold>era minha coisa</bold>", diz a jovem, que considera a página uma terapia para si própria e para seus leitores.</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td><italic>“Jamás creeré que se deba dar a una Nación <bold>más bien</bold> del que puede recibir”.</italic></td>
                            <td>“Jamais acreditarei que se deva dar a uma nação <bold>mais bem</bold> do que pode receber”.</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td><italic>Lo hizo cuando Ratzinger <bold>cayó sobre</bold> el teólogo jesuita belga Jacques Dupuis por “desviaciones doctrinales”.</italic></td>
                            <td>Ele o fez quando Ratzinger <bold>caiu sobre</bold> o teólogo jesuíta belga Jacques Dupuis por “desvios doutrinários”.</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td><italic>La votación fue puesta en duda y se le acusó de haber <bold>utilizado presiones</bold> para volver a ocupar el cargo.</italic></td>
                            <td>A votação foi posta em dúvida e ele é acusado de ter <bold>utilizado pressões</bold> para voltar ao cargo.</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
            </table-wrap>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Conclusão</title>
            <p>A compreensão do texto jornalístico, entendido como reprodutor de fatos sociais e como produto e produtor de significados nesse processo, pressupõe o reconhecimento de aspectos culturais presentes nas interações dos falantes envolvidos em diferentes contextos sociais e históricos. Cada vez mais entende-se a influência e a relevância de tais conhecimentos culturais para a compreensão dos textos e para a realização da atividade tradutória. Como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B02">Bassnett (2003, 35)</xref></p>
            <p><disp-quote>
                    <p>De acordo com uma abordagem estritamente linguística, a tradução consistiria em transferir o ‘sentido’ contido num conjunto de signos linguísticos para outro conjunto de signos linguísticos através do recurso competente ao dicionário e à gramática; contudo, o processo envolve também um vasto conjunto de critérios extralinguísticos.</p>
                </disp-quote></p>
            <p>O novo contexto do texto traduzido prevê não só mudanças na elaboração e recepção da notícia pensando em diferentes leitores, mas também, em diferentes casos, na adaptação da notícia a um novo meio de divulgação (digital ou impresso), nas diferenças no registro linguístico e uso de recursos estilísticos, na mudança de escolhas léxicas e sintáticas, nas diferenças entre o grau de aproximação ou distanciamento do leitor e das regras da língua e, sobretudo, diferenças nas percepções das questões culturais dos países e línguas envolvidas no processo tradutório, relacionadas com as crenças, estereótipos e ideologias presentes em tais culturas.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>São da autora esta e as demais traduções de citações em línguas estrangeiras, para textos em que não há tradução publicada em língua portuguesa.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>As três manchetes citadas são de autoria de Lucía Abellán, Carmen Rengel, Mara R. Sahuquillo, respectivamente, e foram traduzidas para o <italic>site</italic> da UOL por Luiz Roberto Mendes Gonçalves.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>Texto de Naiara Galarraga traduzido por Luiz Roberto Mendes Gonçalves.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>Dados pertencentes ao córpus do projeto “Tradução de textos jornalísticos espanhol/português”, de autoria de Flávia dos Santos Silva (Projeto Fapesp: 2011/19302-1), levantado a partir dos sites <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.elpais.com/diario">www.elpais.com/diario</ext-link> e <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.wap.noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais">www.wap.noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais</ext-link>.</p>
            </fn>
        </fn-group>
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            <title>Referências Bibliográficas</title>
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                    <comment>O gênero textual notícia: do jornal impresso ao on-line</comment>
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                    <comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.ufrgs.br/alcar/encontrosnacionais-1/9o-encontro-2013/artigos/gt-historia-da-midia-digital/o-generotextual-noticia-do-jornal-impresso-ao-on-line">http://www.ufrgs.br/alcar/encontrosnacionais-1/9o-encontro-2013/artigos/gt-historia-da-midia-digital/o-generotextual-noticia-do-jornal-impresso-ao-on-line</ext-link>&gt;</comment>
                    <date-in-citation content-type="access-date">17 jul. 2017</date-in-citation>

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                    <comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.revistas.usp.br/tradterm/article/view/52262">https://www.revistas.usp.br/tradterm/article/view/52262</ext-link>&gt;</comment>

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