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                <journal-title>Caracol</journal-title>
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                <publisher-name>Universidade de São Paulo</publisher-name>
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                    <subject>Vária</subject>
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                <article-title>Contribuições da semântica argumentativa para o delineamento da expressão da anterioridade passada em espanhol</article-title>
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                        <surname>Araujo</surname>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Uberlândia</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Instituto de Letras e Linguística</institution>
                <institution content-type="orgdiv2">Universidade Estadual Paulista</institution>
                <institution content-type="original">Leandro Silveira de Araujo Professor no Instituto de Letras e Linguística (ILEEL) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Doutor e mestre em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista (UnespAraraquara), instituição em que também se licenciou e bacharelou em Letras (Português e Espanhol). Manteve estágio acadêmico com a Universidad Nacional de Cuyo, Argentina, e foi bolsista Capes de doutoradosanduíche no Departamento de Filología Española da Universidad Autónoma de Madrid, Espanha.</institution>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01">Contato: <email>araujoleandrosilveira@gmail.com</email>
                </corresp>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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                <season>Jul-Dec</season>
                <year>2017</year>
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                <license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Este trabalho apresenta algumas contribuições da semântica argumentativa ao estudo do funcionamento do <italic>perfecto simple</italic> (PPS) e <italic>compuesto </italic> (PPC) na língua espanhola. Com esse propósito, discutimos como essa disciplina concebe a argumentação e a insere no próprio sistema linguístico. Em seguida, encontramos no conceito de Operador Argumentativo forte evidência de que os elementos da língua abrigam um valor que indica a direção argumentativa que se pode construir em um enunciado. A partir desse quadro teórico demonstramos como, em algumas situações, o PPS e o PPC conduzem a diferentes posicionamentos argumentativos, funcionando, portanto, como Operadores Argumentativos. Em complemento, avaliamos a aplicabilidade das propostas de Benveniste (2005) e Weinreich (1968) para o estudo da temporalidade verbal sob a perspectiva da intencionalidade comunicativa, isso para sustentar a hipótese de que o uso de uma ou outra forma pode ser definido por questões argumentativas.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This paper presents some contributions of argumentative semantics to the study of the functioning of the <italic>perfecto simple</italic> (PPS) and <italic>compuesto</italic> (PPC) in Spanish. With this purpose, we discuss how this discipline conceives the argumentation and inserts it into the linguistic system. Next, we find in the Argumentative Operator concept a strong evidence that the linguistic elements present a value that indicates the argumentative direction that can be constructed in an utterance. From this theoretical framework, we show how, in some situations, the PPS and the PPC lead to different argumentative positions, functioning, therefore, as Argumentative Operators. In addition, we evaluate the applicability of Benveniste (2005) and Weinreich (1968) proposals for the study of verbal temporality from the perspective of communicative intentionality, to support the hypothesis that the use of one form or another can be defined by argumentative issues.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>palavras-chave</title>
                <kwd>perfeito composto</kwd>
                <kwd>perfeito simples</kwd>
                <kwd>língua espanhola</kwd>
                <kwd>semântica argumentativa</kwd>
                <kwd>operadores argumentativos</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords</title>
                <kwd>compound perfect</kwd>
                <kwd>simple perfect</kwd>
                <kwd>argumentative semantics</kwd>
                <kwd>argumentative operators</kwd>
            </kwd-group>
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    <body>
        <sec>
            <title>1. A argumentação na língua</title>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B12">Ducrot (1989, 17)</xref> identifica na visão tradicional da argumentação uma concepção de língua formada por “um conjunto de frases semanticamente descritas” que, em princípio, não desempenha um papel argumentativo essencial, posto que, para essa abordagem, a intenção argumentativa é explicada, entre outros, pelo momento da enunciação e por princípios lógicos, psicológicos, sociológicos, isto é, por razões sempre externas à língua. Assim, ao observar como um locutor produz um enunciado (A) a fim de justificar outro enunciado (C), a concepção tradicional da argumentação identifica no argumento A uma representação da realidade (F), que é tomada como verdadeira e sob a qual se assentará a verdade e a validade da conclusão C – conforme ilustra a <xref ref-type="fig" rid="f01">figura 1</xref>:</p>
            <fig id="f01">
                <label>Figura 1</label>
                <caption>
                    <title>Da concepção tradicional da argumentação..</title>
                </caption>
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                <attrib> Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B12">Ducrot (1989, 17)</xref></attrib>
            </fig>
            <p>No entanto, ao observar frases<xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref> como (1), o autor mostra que a argumentação pode estar “diretamente determinada pela frase, e não simplesmente pelo fato que o enunciado da frase veicula”; ou seja, a argumentação, a partir desse ponto de vista, passa a ser percebida como interna à língua, já que as frases são tidas como argumentativas<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref>.</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p>Maria estudou um pouco.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>(1’) Maria estudou pouco (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Ducrot, 1989</xref>).</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Sob a nova perspectiva, a descrição semântica da linguagem passará necessariamente por dois compartimentos de processamento do significado/sentido. O primeiro, referente ao <bold>componente da descrição semântica linguística</bold>, “atribuiria a cada enunciado, independentemente de qualquer contexto, uma certa significação” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Ducrot, 1987</xref>, 16). Caberá, por sua vez, ao <bold>componente retórico</bold> processar as informações de ordem psicológica, lógica e sociológica referentes aos diferentes usos da língua em dada comunidade de fala. Assim, estaria pressuposto nessa dicotomia que “as circunstâncias da enunciação são mobilizadas para explicar o sentido real de uma ocorrência particular de um enunciado, somente depois que uma significação tenha sido atribuída ao próprio enunciado, independentemente de qualquer recurso ao contexto” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Ducrot, 1987</xref>, 16). Ademais, destacamos que a orientação argumentativa já seria encontrada no primeiro processamento, de ordem estritamente linguística, posto que a argumentação se instaura na língua.</p>
            <p>Subjaz a essa abordagem uma percepção da linguagem concebida como forma de ação sobre o mundo, dotada de intencionalidade, pois o homem, em interação, avalia, julga, categoriza e forma juízo de valor. Assim, pelo discurso, tenta influir sobre o comportamento do outro ou fazer com que compartilhe de suas opiniões. Em outros termos,</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Ao produzir um discurso, o homem se apropria da língua não só com o fim de veicular mensagens, mas, principalmente, com o objetivo de atuar, de interagir socialmente, intuindo-se como EU e constituindo, ao mesmo tempo, como interlocutor, o outro, que é por sua vez constitutivo do próprio EU, por meio de representações e imagens recíprocas [...]</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B15">Koch, 1984</xref>, 21).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Desse modo, observamos a argumentação instaurando-se em todo discurso, possibilitando a continuidade da produção discursiva graças às articulações argumentativas estabelecidas em um texto ou entre mais de um texto (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Koch, 1984</xref>). Especialmente nesse ponto é possível estabelecer uma relação teórica com o dialogismo bakhtiniano, posto que poderíamos encontrar na argumentatividade presente em todo discurso a força impulsionadora para a manutenção de um “diálogo”<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref>.</p>
            <p>Assim, baseando-nos na estruturação dialógica, ao constituir enunciados, agregamos um caráter responsivo, configurando, por isso, um cenário comunicativo em que todos os enunciados em circulação nas diferentes esferas de ação humana respondem a enunciados anteriores e, ao mesmo tempo, provocam respostas (em enunciados) posteriores. Ou seja, dentro dos pressupostos teóricos do círculo de Bakhtin, o conceito de <bold>diálogo</bold> expande-se para além da ideia de comunicação sincrônica, na qual se verifica, simultaneamente, uma troca constante de respostas. Numa dimensão ampliada, a resposta buscada por um enunciado pode ser dada numa “temporalidade mais extensa”. Isso porque os enunciados pertencem a um “diálogo social mais amplo” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Marchezan, 2006</xref>, 117), que pode ser sustentado por um entrelaçamento promovido pela orientação argumentativa instaurada na linguagem e pela linguagem – uma vez que “faz parte do sentido de um enunciado pretender indicar a direção da continuação do diálogo” (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Cabral, 2011</xref>, 15).</p>
            <p>Particular à Teoria da Argumentação na Língua, no entanto, é a percepção do caráter argumentativo eminente à estrutura linguística, pois a força argumentativa não é algo que se acrescenta ao significado da frase, mas faz parte do emprego daquela frase no enunciado em que ela ocorre. Nesse sentido é que se afirma:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>O sistema linguístico põe à disposição do falante diferentes arranjos sintáticos para a expressão de relações semânticas, lógicas e argumentativas. Por mais requintado e complexo que seja seu pensamento, ele deverá procurar, no repertório de sua língua, os mecanismos sintáticos que lhe permitam exprimi-lo</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B09">Carone, 1993</xref>, 77).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Salientamos que a língua dispõe de orientações argumentativas naturais de seu funcionamento; contudo, é na enunciação que ela encontra a força argumentativa que aponta o sentido que se deseja construir no discurso. Assim, consideramos esse potencial como um ato ilocucional, que “associa uma força à enunciação, considerando a língua como um meio para se atingir um fim”, sendo esse o meio pelo qual “não apenas se diz algo, mas também se faz algo” (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Cabral, 2011</xref>, 24). A síntese dessa breve discussão deve mostrar que, se para a Retórica a argumentação encontra-se fundamentalmente na organização do discurso e na escolha dos argumentos, na Teoria da Argumentação na Língua “a argumentação encontra-se marcada nas escolhas linguísticas; ela está na língua, embora possa servir de instrumento para a argumentação retórica” (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Cabral, 2011</xref>,15).</p>
            <sec>
                <title>1.1 Operadores argumentativos</title>
                <p>Os Operadores Argumentativos (OA) são os mecanismos “da gramática de uma língua que têm por função indicar (“mostrar”) a força argumentativa dos enunciados, a direção (sentido) para o qual apontam” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Koch, 1992</xref>, 30). Para <xref ref-type="bibr" rid="B12">Ducrot (1989)</xref>, a identificação desses operadores se dá pela definição da função argumentativa que ele possui em comparação com outro elemento – como em um par mínimo oracional. Assim, será considerado um OA o morfema X que em uma frase P tem três condições preenchidas:</p>
                <list list-type="roman-lower">
                    <list-item>
                        <p>Pode-se construir a partir de P uma frase P’ pela introdução de X em P. O que descrevo “P’ = P+X”. Mas deve-se entender que a introdução de X pode fazer-se não somente por adição, mas também por uma substituição acompanhada eventualmente de certas modificações sintáticas [...].</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>Em uma situação de discurso determinada, um enunciado de P e um enunciado de P’ têm valores argumentativos nitidamente diferentes: não se pode argumentar da mesma maneira a partir de um e a partir do outro.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>Esta diferença argumentativa não pode ser derivada de uma diferença factual entre as informações fornecidas na situação de discurso considerada, pelos enunciados P e P’ [...] (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Ducrot, 1989</xref>, 18-19).</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>A aplicação dessas condições ao par mínimo de frases (1), mostra-nos que “pouco” é um OA em relação à frase P “Maria estudou um pouco”, haja vista que se satisfazem os três critérios propostos por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Ducrot (1989)</xref>, ou seja, a partir da substituição de “um pouco” (1) por “pouco”, é possível construir uma nova frase (1’), que, por sua vez, possibilitará outra direção argumentativa, posto que numa tese de que o “estudo leva à aprovação”, “pouco” (1’) indica a possível reprovação de Maria, ao passo que “um pouco” (1), aponta para uma aprovação mais provável que em (1’). Por fim, sabe-se ainda que “esta diferença argumentativa não pode ser derivada de uma diferença factual” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Ducrot, 1989</xref>, 19).</p>
                <p>Quando aplicado ao estudo da anterioridade em espanhol, julgamos encontrar nesse referencial teórico uma importante ferramenta para proceder à análise das formas simples (PPS – <italic>hice</italic>) e composta (PPC – <italic>he hecho</italic>) do pretérito perfecto em frases como (2) –ambas tomadas da canção “Unicornio”, do músico cubano <xref ref-type="bibr" rid="B19">Silvio Rodríguez (1982)</xref>. Partimos da hipótese de que o PPS pode apontar uma direção argumentativa diferente da orientação apresentada por PPC, quando em um mesmo âmbito temporal.</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p><italic>(2) Mi unicornio azul ayer se me <bold>perdió</bold></italic>.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p><italic>(2’) Mi unicornio azul se me <bold>ha perdido</bold> ayer.</italic></p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>Para além da pequena alteração de posição do marcador temporal (<italic>ayer</italic>), julgamos encontrar nas duas frases um par mínimo que permite a aplicação das condições descritas por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Ducrot (1989)</xref> como fundamentais para identificação de um Operador Argumentativo. Não obstante, antes de apresentarmos – na seção 4 – a discussão referente à aplicabilidade das três características do OA, passemos por uma rápida avaliação sobre o funcionamento das formas do <italic>pretérito perfecto</italic> na língua espanhola.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec>
            <title>2. O sistema temporal espanhol: o caso do <italic>pretérito perfecto compuesto</italic> e <italic>simple</italic></title>
            <p>Conforme descreve a norma-padrão, cada umas das formas do <italic>pretérito</italic> possui um uso próprio e categórico, que as diferencia fundamentalmente pela concepção temporal que possuem. Assim, por um lado, encontramos a forma do PPS (<italic>tocó, protagonizó, habló</italic>) expressando canonicamente o sentindo de <bold>passado absoluto</bold>:</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p><italic>(3) La niña que <underline>ayer</underline></italic> tocó con él “Get Back” y protagonizó uno de los momentos más lindos del recital, habló con varios medios [...]<italic><xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref></italic>".</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B05">Bello e Cuervo (1954)</xref>, esse valor significa a anterioridade do atributo ao ato de fala. Em outras palavras, trata-se da expressão de um fato anterior à origem (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Rojo, 1974</xref>), que é o próprio momento de enunciação. No entanto, uma observação do sistema espanhol nos mostra que há outros valores temporais que, de algum modo, também expressam uma anterioridade ao ato de fala. A fim de definir os traços do <bold>passado absoluto</bold>, atentemo-nos ao esboço da expressão da temporalidade verbal no espanhol, proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B20">Rojo (1974</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B21">1990)</xref>:</p>
            <fig id="f02">
                <label>Figura 2</label>
                <caption>
                    <title>Da expressão da temporalidade verbal no espanhol.</title>
                </caption>
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                <attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B20">Rojo (1974</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B21">1990).</xref></attrib>
            </fig>
            <p>Observemos que se representa a forma <italic>llegué</italic> por <bold>O-V</bold><sup>5</sup>. Dado que nos indica que a relação de anterioridade ao momento de enunciação (<bold>O</bold>) é construída a partir de uma relação direta com <bold>O</bold> – daí decorre o caráter absoluto que possui o PPS quando expressando o valor <bold>passado absoluto</bold>. Ainda analisando o comportamento dessa forma, porém já com vistas à observação do PPC, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Cartagena (1999)</xref> explica-nos que o PPS, da mesma maneira que as demais formas de valor temporal <bold>absoluto</bold>, delineia, a partir do ponto zero, um <bold>segmento temporal primário</bold>. Assim,</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>...] <italic>el presente marca la coexistencia ámbito primario de coexistencia], el paralelismo del hablar con un punto del tiempo real, respecto del cual las formas de pretérito perfecto simple y de futuro indican anterioridad ámbito primario de retrospectividad] y posterioridad ámbito primario de prospectividad], respectivamente</italic><xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref></p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B10">Cartagena, 1999</xref>, 2937).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Notemos que a atribuição do sentido de <bold>passado absoluto</bold> ao PPS devese a que essa forma verbal assume como referência a envoltura temporal que abarca aquilo que já não faz parte do presente, mas que pertence ao <bold>âmbito primário de retrospectividade</bold> (<bold>APre</bold>). O enunciado (4) mostranos um situação inserida nessa concepção temporal:</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p>(4) [...] <italic>ayer hablé con los periodistas</italic> [...]<xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref>.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>É pertinente comentarmos o papel dos marcadores temporais em ressaltar o sentido aportado pela forma verbal. Isso porque ao dizer “<italic>ayer</italic>”, indica-se a abrangência <bold>APre</bold>. Em outras palavras, ao usar esse marcador, destacase que a situação descrita já não faz parte do <bold>âmbito de coexistência</bold> – “hoje”. É nesse sentido que <xref ref-type="bibr" rid="B01">Alarcos Llorach (1972, 25)</xref> aponta o uso do PPS com os advérbios que indicam que a ação se produz num período de tempo no qual não está incluído o momento presente da fala. Esta breve descrição do valor de <bold>passado absoluto</bold> tende a adquirir maior clareza a partir do estudo do PPC – forma a que se associa canonicamente o valor de <bold>antepresente</bold>:</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p>(5) [...] este año se han tirado trescientos millones de litros de agroquímicos en esta sola campaña<italic><xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref></italic></p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Cartagena (1999, 2939)</xref> mostra-nos que as formas compostas por <italic>haber + particípio</italic> apresentam um comportamento semelhante às formas simples <bold>absolutas</bold>, pois criam fragmentos temporais <bold>secundários</bold> de perspectiva retrospectiva em cada um dos âmbitos primários instaurados pelas formas simples. Ou seja, as estruturas compostas não guardam relação direta com o momento de enunciação, mas com as referências instauradas pelas formas simples. Assim, “...] <italic>he hecho</italic>, <italic>hube hecho</italic>, <italic>habré hecho</italic> indicam anterioridade ...] em relação ao ponto central de cada âmbito temporal gerado pelas formas simples, apareçam, ou não, expressamente aludidas nos textos”<xref ref-type="fn" rid="fn09">9</xref>.</p>
            <p>Diante dessa síntese de funcionamento do sistema verbal da língua espanhola, conseguimos averiguar como se instaura o <bold>antepresente</bold> no PPC: um valor <bold>relativo</bold> de anterioridade (em um âmbito secundário) ao <bold>presente</bold>, que lhe serve de referência dentro do âmbito primário. Reparemos que tanto o evento descrito quanto a referência no <bold>presente</bold> estão contidas no <bold>âmbito primário de coexistência</bold> (<bold>APco</bold>) ao momento de fala.</p>
            <p>Esse sentido fica melhor apreciado por meio da reprodução da <xref ref-type="fig" rid="f03">figura 3</xref>, na qual se expõe parte das formas verbais do indicativo. Em destaque, o PPC (<italic>he hecho</italic>) representa a expressão de uma anterioridade (no âmbito secundário), que está contida no <bold>APco</bold><xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>.</p>
            <fig id="f03">
                <label>Figura 3</label>
                <caption>
                    <title>Da temporalidade nas formas verbais do indicativo.</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="2317-9651-caracol-14-0338-gf03.tif"/>
                <attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B10">Cartagena (1999, 2938)</xref></attrib>
            </fig>
            <p>Desse modo, diferentemente da forma do PPS (<italic>hice</italic>), canonicamente responsável pela expressão de situações <bold>pretéritas</bold> envolvidas por um <bold>APre</bold>, com o PPC (<italic>he hecho</italic>), apresenta-se canonicamente um evento passado envolvido por uma percepção de <bold>presente</bold> (<bold>APco</bold>) e que, por isso, guarda uma relação temporal de coexistência com o momento da fala (<bold>antepresente</bold>). Diante dessa descrição, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Cartagena (1999)</xref> resume o uso do PPC com esse valor afirmando que sua função é</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>indicar que uma ação se realiza antes de um ponto zero que nos serve de referência para medir o tempo, mas dentro do âmbito que tem como centro a coexistência ou a simultaneidade de tal ponto com o momento de fala<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>.</p>
                </disp-quote></p>
            <p>A fim de melhor entender o valor de <bold>antepresente</bold>, muitos autores valem-se da observação de elementos linguísticos recorrentes no contexto de uso da forma composta. Assim, apontam o uso do PPC de <bold>antepresente</bold> com os advérbios que indicam que a ação se deu em um período de tempo no qual se encontra compreendido o momento presente do que fala ou escreve, tal como “hoje”, “agora”, “estes dias”, “esta manhã”, “este mês”, “atualmente”, “na minha vida” etc. (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Alarcos Llorach, 1972</xref>, 24).</p>
            <p>Observemos que com qualquer uma dessas expressões conseguimos envolver em um mesmo âmbito temporal (<bold>APco</bold>) tanto a situação descrita como o momento de fala. A síntese da descrição gramatical do PPS e do PPC nos indica regras categóricas no uso de cada uma das formas, isso porque, conforme nos explicam esses materiais, a cada uma das formas se associa um valor próprio: <bold>passado absoluto</bold> e <bold>antepresente</bold>, respectivamente. Em outras palavras, se a situação pretérita ocorre em uma concepção temporal que já não é a mesma do ato de fala, observa-se a expressão do valor de <bold>passado absoluto</bold> (<bold>V-O</bold>) – PPS. Por sua vez, se a situação passada é <bold>relativa</bold> e envolta pela mesma concepção temporal que abarca o momento de enunciação, tem-se a expressão do <bold>antepresente</bold> (<bold>(VoO)-V</bold>) – PPC.</p>
            <p>No entanto, devido à pequena nuança de significação que diferencia o comportamento de ambos os pretéritos, parece ser provável que as formas que canonicamente foram descritas como portadoras dos respectivos valores se entrecruzem e passem a expressar o valor da outra. Além disso, é necessário tomar consciência da existência de mais sentidos associados ao PPC e ao PPS<xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref>. De fato, a observação empírica da expressão desses valores tem acusado um estado bastante heterogêneo do uso das formas compostas e simples do <italic>pretérito perfecto</italic> sob as mais diversas perspectivas de análise da variação (diacrônica, diafásica, diastrática, diatópica).</p>
            <p>Nessa direção, como tem demonstrado uma série de estudos descritivos - sobretudo com um caráter diatópico –, o uso efetivo das formas do <italic>pretérito perfecto</italic> nas variedades do espanhol nem sempre se comporta de forma tão categórica como retrata parte da norma-padrão. De tal modo que, conforme a variedade diatópica analisada, as formas do <italic>pretérito perfecto</italic> podem funcionar como variantes na expressão de um dos valores de passado que discutimos. Nessa direção, é possível observar em algumas variedades dialetais da Argentina a neutralização das particularidades das formas do <italic>pretérito perfecto</italic>. Na variedade patagônica, por exemplo, encontram-se ambas as formas verbais expressando o valor de <bold>antepresente</bold> – canonicamente associado ao PPC.</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p>(6) <italic><underline>Hoy</underline> se han escuchado algunas voces de los representantes de las asociaciones de taxista que bueno han dejado... [...]</italic>.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>(7) <italic>El hincha de Huracán posó por esta <underline>mañana de hoy</underline><xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref></italic>.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Na mesma direção, os enunciados abaixo mostram que as duas formas também são coocorrentes na expressão do <bold>passado absoluto</bold> (<italic>ayer</italic>), na variedade central da Argentina:</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p>(8) ...] <italic><underline>ayer</underline> hablé con los periodistas</italic>.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>(9) <italic><underline>Ayer</underline> ha habido algo diferente en la escena política argentina "></italic>.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Na mesma direção, os enunciados abaixo mostram que as duas formas também são coocorrentes na expressão do <bold>passado absoluto</bold> (<italic>ayer</italic>), na variedade central da Argentina:</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p>(8) ...] <italic><underline>ayer</underline> hablé con los periodistas</italic>.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>(9) <italic><underline>Ayer</underline> ha habido algo diferente en la escena política argentina <xref ref-type="fn" rid="fn14">14</xref></italic>.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Não obstante, antes de qualquer afirmação que assegure as aparentes variações mencionadas, devemos refletir sobre uma nova postura investigativa do <italic>pretérito perfecto</italic>. Orientados por essa nova perspectiva, passou-se a inserir no quadro de análise questões de ordem aspectual e pragmático-discursiva. Graças a essa abordagem, é possível proceder melhor ao estudo do uso de ambas as formas, delimitando situações em que, de fato, elas compõem regra(s) variável(is) e situações em que atuam como operadores argumentativos, diferenciando, portanto, o uso de uma forma da outra. A fim de melhor ponderarmos sobre a aplicabilidade do conceito de Operador Argumentativo ao estudo das formas do <italic>pretérito perfecto</italic> em espanhol, consideremos brevemente os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B06">Benveniste (2005)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B22">Weinreich (1968)</xref> sobre o funcionamento discursivo das formas temporais. Esperamos, ademais, encontrar nesses postulados base suficiente para analisar em que medida podemos diferenciar o uso das formas em um mesmo contexto temporal e discursivo.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>3. O tempo soB a orientação da intencionalidade comunicativa: uma especial atenção à expressão da anterioridade passada</title>
            <p>Ao analisar o sistema temporal da língua francesa, <xref ref-type="bibr" rid="B06">Benveniste (2005)</xref> afirma que as informações de valor temporal e aspectual não são suficientes para uma completa apreciação do uso das formas verbais. Isso porque, para o autor, os tempos verbais:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>...] não se empregam como os membros de um sistema único; distribuemse em dois sistemas distintos e complementares. Cada um deles compreende apenas uma parte dos tempos do verbo; todos dois estão em uso concorrente e permanecem disponíveis para cada locutor. Esses dois sistemas manifestam dois planos de enunciação diferentes, que distinguiremos como o da história e o do discurso</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B06">Benveniste, 2005</xref>, 261-262).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>O primeiro plano, da <bold>história</bold>, caracteriza-se pela narrativa dos acontecimentos pretéritos, apresentando objetivamente fatos passados, sem qualquer intervenção do locutor e excluindo, por conseguinte, toda forma linguística tida como autobiográfica. Nas palavras do autor: “os acontecimentos são apresentados como se produziram, à medida que aparecem no horizonte da história. Ninguém fala aqui; os acontecimentos parecem narrar-se a si mesmos” (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Benveniste, 2005</xref>, 267). Na língua francesa, esse sistema comportaria três tempos: o aoristo (<italic>passé simple</italic>), o imperfeito e o mais-que-perfeito.</p>
            <p>O plano do <bold>discurso</bold>, por sua vez, é encontrado em “toda enunciação que suponha um locutor e um ouvinte e, no primeiro, a intenção de influenciar, de algum modo, o outro”. Notamos, portanto, um maior grau de subjetividade nessa perspectiva, posto que se empregam todas as formas pessoais do verbo e se marca a relação de pessoa ao longo de todo o texto. Caracterização que se observa em “correspondências, memórias, teatro, obras didáticas, enfim, todos os gêneros nos quais alguém se dirige a alguém, se enuncia como locutor e organiza aquilo que diz na categoria da pessoa” (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Benveniste, 2005</xref>, 267).</p>
            <p>Nessa perspectiva, aceitam-se todos os tempos verbais, com exceção do aoristo – forma própria do plano da enunciação <bold>histórica</bold>. O perfeito, no entanto, surge como uma forma correferente ao aoristo no plano do <bold>discurso</bold>, com a particularidade de estabelecer</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>um laço vivo entre o acontecimento passado e o presente no qual a sua evocação se dá. É o tempo daquele que relata os fatos como testemunha, como participante; é, pois, também o tempo que escolherá todo aquele que quiser fazer repercutir até nós o acontecimento referido e ligá-lo ao presente</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B06">Benveniste, 2005</xref>, 268).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B06">Benveniste (2005)</xref>, o perfeito pertence ao sistema linguístico do discurso porque sua referência temporal encontra-se no momento de enunciação, ao passo que o aoristo tem sua referência temporal estabelecida no momento em que se dá o acontecimento, caracterizando esse tempo no plano da história. Conforme vimos na breve descrição que fizemos sobre o funcionamento do PPC e PPS no espanhol, parece ser possível estabelecer uma relação com a proposta de <xref ref-type="bibr" rid="B06">Benveniste (2005)</xref>, isso porque o PPC, ao expressar canonicamente o valor de <bold>antepresente</bold>, estabelece uma referencia temporal de anterioridade relativa ao momento da enunciação, ao passo que o PPS perde essa relação de dependência, expressando de modo absoluto a anterioridade da situação descrita. Desse modo, esperamos encontrar – ao menos em alguns usos – o PPC operando no plano do <bold>discurso</bold> e o PPS, no plano da <bold>história</bold>.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B22">Weinreich (1968)</xref> também julga encontrar todos os tempos da língua estruturando-se sob a lógica de dois sistemas temporais: o do <bold>mundo narrado</bold> e o do <bold>mundo comentado</bold>. As formas da primeira perspectiva são encontradas no romance e em todo tipo de narração – exceto nas partes dialogadas que eventualmente possam ser intercaladas. Por sua vez, as formas verbais do <bold>mundo comentado</bold> predominam na lírica, drama, diálogo, jornalismo, ensaio literário, exposição científica, deliberações, monólogos, descrições, cartas, comentários, sermões, discussões, entre outros.</p>
            <p>Nota-se no <bold>mundo narrado</bold> a intenção de informar ao ouvinte que dada comunicação é um relato. Assim, numa atitude “distensa”, o locutor “se distancia do seu discurso, não se compromete com relação ao dito: simplesmente relata fatos, sem interferência direta” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Koch, 1992</xref>, 51). Por outro lado, no <bold>mundo comentado</bold> “o locutor responsabiliza-se, compromete-se com aquilo que enuncia, isto é, há uma adesão máxima do locutor ao seu enunciado, o que cria uma ‘tensão’ entre os interlocutores que estão diretamente envolvidos no discurso” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Koch, 1992</xref>, 51).</p>
            <p>Em síntese, para <xref ref-type="bibr" rid="B22">Weinreich (1968)</xref>, existe tanto o tempo para comentar como o tempo para narrar, e o sistema da língua dispõe de formas temporais gramaticalizadas para cada um desses tempos. Mais uma vez, encontramos nessa diferenciação de atitudes comunicativas uma base para sustentar uma possível diferenciação no uso do PPS e do PPC, isso porque, conforme observou o autor em diferentes línguas e como desejamos apontar no sistema temporal espanhol, o PPS pertence ao sistema verbal do <bold>mundo narrado</bold>, já que possibilita uma leitura objetiva e distensa dos fatos descritos, isto é, com um certo distanciamento por parte do narrador, que apenas relata, sem se comprometer com o apresentado. Já com o PPC, o enunciador instaura a leitura do <bold>mundo comentado</bold> à medida que apresenta uma atitude de maior proximidade à situação descrita, responsabilizando-se pelo apresentado e marcando maior familiaridade com ela.</p>
            <p>A fim de esclarecer como as formas do PPS e do PPC surgem no discurso para instaurar um ou outro posicionamento comunicativo descrito por <xref ref-type="bibr" rid="B06">Benveniste (2005)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B22">Weinreich (1968)</xref>, observaremos seus usos em alguns enunciados. Desse modo, esperamos também apontar como essas formas poderiam ser vistas como um Operador Argumentativo.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>4. O <italic>pretérito perfecto</italic> espanhol: a relação entre suas formas e o posicionamento comunicativo que instauram</title>
            <p>Nesta seção, analisamos três enunciados em que o PPS e o PPC instauram-se num mesmo contexto temporal de anterioridade (tempo), fazendo referencia a situações passadas pontuais e terminadas (aspecto). Soma-se às características em comum a narrativa construída em primeira pessoa ou em estreita relação com ela. O material analisado consiste em (i) um fragmento de uma canção (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Rodríguez, 1982</xref>) marcada por uma linguagem poética em que, como tal, os elementos têm seus sentidos aguçados, (ii) um fragmento de um filme (El Crimen, 2002) coproduzido entre México, Argentina e outros países e, por fim, (iii) dois fragmentos retirados de entrevistas radiofônicas argentinas (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Araujo, 2017</xref>).</p>
            <p>O primeiro fragmento, previamente introduzido na primeira seção por meio dos enunciados de (2), recupera uma canção de <xref ref-type="bibr" rid="B19">Silvio Rodríguez (1982)</xref>. Nessa narrativa, expõe-se o pranto de um alguém que perde o único e precioso bem que possui: um unicórnio – símbolo da esperança. Num lamento inconsolável, narra a relação que tinha com o animal, a forma de seu desaparecimento e sua disposição em pagar o que for para tê-lo de volta. Pertinente aos objetivos de nosso trabalho, no entanto, é a construção de toda narrativa com o uso da forma do PPS (<italic>perdió, dejé, desapareció, fue, extravió, hicimos</italic>) para fazer referência a situações passadas. Não obstante, salta aos olhares mais atentos a ocorrência da forma <italic>ha perdido</italic>, no PPC, também fazendo menção a uma ação pretérita. É evidente que todos os fatos descritos ocorrem num mesmo âmbito temporal passado: <italic>ayer</italic>.</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p>(10) <italic>Mi unicornio azul ayer se me <bold>perdió</bold></italic></p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p><italic>Pastando lo <bold>dejé</bold> y <bold>desapareció</bold> ...]</italic></p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p><italic>No sé si se me <bold>fue</bold>, no sé si se <bold>extravió</bold> ...]</italic></p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p><italic>Mi unicornio y yo <bold>hicimos</bold> amistad ...] </italic></p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p><italic>Mi unicornio azul se me <bold>ha perdido</bold> ayer, se <bold>fue</bold></italic></p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>(<xref ref-type="bibr" rid="B19">Rodríguez, 1982</xref>).</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Julgamos encontrar nas propostas de <xref ref-type="bibr" rid="B06">Benveniste (2005)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B22">Weinreich (1968)</xref> uma forte sustentação teórica para a justificação da pontual aparição da forma composta no fragmento (10). Isso porque, conforme brevemente apresentado, está na base da organização do sistema temporal duplo (plano da história <italic>vs</italic>. plano do discurso; mundo narrado <italic>vs</italic>. mundo comentado) a percepção de uma intencionalidade comunicativa que acomoda as formas verbais em um ou outro plano, conforme se estabelece ou não uma conexão direta entre a enunciação e as situações.</p>
            <p>Assim, por um lado (<bold>plano da história/mundo narrado</bold>), cria-se uma percepção temporal distante e independente do enunciador e do momento em que se encontra; característica que permite a apresentação dos acontecimento por si mesmos, isto é, de modo mais objetivo. Por outro lado, no <bold>plano do discurso/mundo comentado</bold>, recupera-se uma percepção temporal mais subjetiva dos fatos, marcada por uma forte relação com o enunciador, quem se apresenta, no ato de fala, como um alguém afetado, de alguma maneira, pela situação retratada.</p>
            <p>Especificamente em (10), observa-se um narrador que estabelece certo grau de distanciamento dos acontecimentos passados, ao valer-se do PPS (<italic>perdió, dejé, desapareció, fue, extravió, hicimos</italic>) – forma que pertence ao <bold>plano da história</bold> ou ao <bold>mundo narrado</bold>. É a partir dessa perspectiva que a história do unicórnio e sua relação com o narrador são apresentadas ao interlocutor. Não obstante, ao fim do texto, o narrador move-se para o <bold>plano do discurso/mundo comentado</bold> ao valer-se do PPC (<italic>ha perdido</italic>) e, assim, provoca um efeito de sentido, haja vista que com essa forma se marca uma maior adesão ao fato descrito, mostrando, por isso, que a perda do animal (símbolo da esperança) ainda é sentida no momento de referência dessa nova perspectiva: a própria enunciação.</p>
            <p>Desse modo, parece que a seleção do PPS ou do PPC pode também estar relacionada às intenções argumentativas que organizam o próprio funcionamento da língua (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Ducrot, 1989</xref>). Isso porque, conforme introduzimos por meio dos “pares-mínimos” oracionais (2) e na análise de seus contextos de uso (10), há compartilhamento do momento objetivo em que a perda descrita ocorreu (<italic>ayer</italic>); no entanto, as ocorrências diferem por serem observadas a partir de diferentes planos temporais, cujos interesses conversacionais são também particulares, como já apontamos. Isso posto, parece ser esse o caso do uso da forma composta atuando como um <bold>Operador Argumentativo</bold>, uma vez que cumpre os três critérios apresentados por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Ducrot (1989)</xref>, isto é:</p>
            <list list-type="roman-lower">
                <list-item>
                    <p>Pode-se construir a partir de P uma frase P’, pela introdução de X em</p>
                    <p>P. Em outros termos:</p>
                    <p>(P) Mi unicornio azul ayer se me perdió</p>
                    <p>(P’) Mi unicornio azul se me ha perdido ayer</p>
                    <p>X = ha perdido</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>P e P’ têm valores argumentativos diferentes em dada situação do discurso, tal como asseguramos na análise do contexto de uso das frases em (10), pois (P) instaura o <bold>plano da história/mundo narrado, enquanto (P’), o plano do discurso/mundo comentado</bold>.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>A diferença argumentativa não deriva de uma diferença factual entre as informações fornecidas na situação de discurso considerada, mas da intencionalidade argumentativa, posto que efetivamente os acontecimentos descritos ocorrem na mesma envoltura temporal ayer e apontam para o mesmo fato do mundo: a perda do unicórnio.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Uma vez caracterizado o PPC como um operador argumentativo pelo tipo de relação que estabelece, em alguns contextos, com a forma simples, passemos a avaliar dois outros textos em que PPC se diferencia do PPS pela intenção argumentativa que a forma composta recupera. O segundo fragmento analisado é retirado da produção cinematográfica mexicana intitulada <xref ref-type="bibr" rid="B13"><italic>El crimen del padre Amaro</italic></xref> – uma adaptação da clássica obra do romancista português Eça de Queirós. No enunciado em questão, o padre Amaro, num discurso flagelativo, confessa seu delito: haver-se deitado com uma virgem.</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p><italic>(11) Confieso que <bold>he pecado</bold>, padre. Ave María purísima. <bold>He mentido</bold>. <bold>He pecado</bold> de soberbia. <bold>Abusé</bold> de la confianza de gentes que me <bold>abrieron</bold> su casa. Como Herodes, <bold>corté</bold> cabezas de inocentes. <bold>Ofendí</bold> a Dios. <bold>He pecado</bold> de lujuria. ¡<bold>Forniqué</bold> con una virgen, que era una niña! (01h23’28’’01h22’50’’) (El Crimen, 2002).</italic></p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Conforme se nota, tem-se novamente um discurso em primeira pessoa, no qual o locutor vale-se, ora do PPS (<italic>abusé, abrieron, corté, ofendí, forniqué</italic>), ora do PPC (<italic>he pecado, he mentido</italic>) a fim de construir diferentes efeitos de sentido. Ao valer-se da forma simples, instaura-se o <bold>plano da história/mundo narrado</bold>, o que, como já sabemos, implica observar os fatos mais objetivamente, isto é, como encerrados no passado. Assim, o locutor conduz seu interlocutor à observação de uma fato histórico até então oculto e convida-o a emitir seu próprio julgamento.</p>
            <p>Por sua vez, ao transitar no início e no final de sua fala pelo <bold>plano do discurso/mundo comentado</bold> – por meio do uso da forma composta – o locutor estabelece uma relação entre o fato consumado no passado e o estado atual decorrente de seu erro; instaurando, assim, uma perspectiva mais subjetiva, em que a enunciação é tomada como referência e que, por isso, os fatos passados alcançam o presente. De modo prático, diferente da descrição feita do pecado por meio do PPS, ao lançar mão do PPC o enunciador não só afirma haver pecado ou mentido, mas se define no ato de fala como um pecador ou um mentiroso. Assim, o que em espanhol expressa-se por meio de uma forma de anterioridade passada (<italic>he pecado</italic>, <italic>he mentido</italic>), em português seria mais bem expresso por uma construção com o verbo <italic>ser</italic> no presente do indicativo, seguido de um particípio (sou pecador, sou mentiroso) – conforme sugerem <xref ref-type="bibr" rid="B14">Fonseca (2006)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B07">Bruno (2015)</xref>.</p>
            <p>Parece-nos mais uma vez evidente que, apesar de se tratar de duas formas destinadas à expressão de acontecimentos temporalmente coincidentes (passado concluso), elas instauram diferentes efeitos de sentido. Assim, o PPC opera argumentativamente, permitindo que o locutor estabeleça uma forte ligação entre os fatos e a enunciação, onde o EU se encontra afetado, de algum modo, pela situação passada descrita. Por sua vez, o PPS permite uma quebra na relação subjetiva entre o evento descrito e o enunciador. Nos termos da Teoria da Argumentação na Língua, percebemos que, além da referência ao tempo passado, ambas as formas verbais apontam direcionamentos argumentativos próprios, funcionando, portanto, como operadores argumentativos.</p>
            <p>Por fim, o terceiro caso aqui analisado apresenta enunciados retirados de entrevistas radiofônicas de duas importantes cidades argentinas (Buenos Aires e San Miguel de Tucumán). Novamente, observamos o PPC coocorrendo com o PPS num contexto temporal comum e num discurso de primeira pessoa:</p>
            <list list-type="simple">
                <list-item>
                    <p>(12) ...] <italic>yo prácticamente me <bold>he criado</bold> en el Teatro Avenida, luego <bold>dirigí</bold> espectáculo de café con sed y de niños</italic> ...]<xref ref-type="fn" rid="fn15">15</xref>.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>(13) ...] <italic>ustedes saben cuando yo me hice cargo del PAMI, hace aproximadamente un año y medio, un año y medio hice efectivamente, yo he recibido el padrón de seis mil afiliados y a la fecha tenemos un padrón de ciento treinta mil afiliados<xref ref-type="fn" rid="fn16">16</xref>.</italic></p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Percebe-se em (12) que a forma composta (<italic>he criado</italic>) salienta a familiariade que tem o locutor com o Teatro Avenida, o que lhe resulta na possibilidade de dirigir muitas obras naquele espaço. Observamos que essa familiaridade é ainda sentida no momento de enunciação, mas que a direção dos espetáculos é retratada como algo ordinário, objetivamente terminada e pertencente ao <bold>plano da história</bold>, mesmo podendo se repetir no futuro. Por último, em (13) nota-se explicitamente que todos os acontecimento descritos ocorrem num <bold>passado absoluto</bold> (“<italic>hace aproximadamente un ano y medio, un año y medio</italic>”). Contudo, ao considerar a perspectiva da intencionalidade comunicativa que possui o locutor, nota-se novamente o PPS fazendo a descrição objetiva de uma situação passada (<italic>hice cargo</italic>), que é interrompida pela perspectiva de relevância presente criada pelas formas temporais do <bold>mundo comentado/plano do discurso</bold>. Assim, marca-se a importância para o enunciador de ressaltar a relevância que tem dado fato frente aos demais. Isso porque se deseja marcar no instante da enunciação o contraste entre o que era e o que se tem atualmente – um número muito maior de afiliados.</p>
            <p>Em comum, observamos mais uma vez as duas formas do <italic>pretérito perfecto</italic> expressando situações passadas coincidentes experimentadas pelo próprio enunciador. Contudo, específico ao uso de cada uma delas é o direcionamento argumentativo produzido pela escolha de uma ou outra forma. Isto é, ao estabelecer uma relação subjetiva com o presente (no <bold>mundo comentado/plano do discurso</bold>), encontramos o uso do PPC. Do contrário, ao descrever as situações como objetivamente de passado (<bold>mundo comentado/plano do discurso</bold>), encontramos a forma simples. Em outros termos, também nos enunciados (12) e (13) o PPC e o PPS funcionam como operadores argumentativos.</p>
            <p>Por fim, é importante observar que os dados analisados compõem apenas fragmentos de um <italic>corpus</italic> muito diversificado e pouco descrito quanto às suas características e especificidades linguísticas, extralinguísticas e discursivas, de tal modo que a análise aqui realizada apenas aponta para potenciais usos de formas do <italic>pretérito perfecto</italic>, convidando-nos a estender nossa investigação de forma mais sistemática sobre um <italic>corpus</italic> previamente estendido e bem descrito.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações finais</title>
            <p>Em suma, parece bastante oportuna a leitura que nos permite a teoria temporal desenvolvida por <xref ref-type="bibr" rid="B06">Benveniste (2005)</xref> e por <xref ref-type="bibr" rid="B22">Weinreich (1968)</xref> quando aplicada ao estudo das formas do <italic>pretérito perfecto</italic> espanhol. Isso porque, contrariando o que afirmam muitos trabalhos sobre a variação no uso dessas formas, podemos encontrá-las coocorrendo em um mesmo contexto, instaurando, no entanto, perspectivas temporais particulares às intenções comunicativas que possui o enunciador. Em especial, essas formas parecem funcionar como Operadores Argumentativos nos termos de <xref ref-type="bibr" rid="B12">Ducrot (1989)</xref>, posto que, ao menos nos casos tratados, o PPC reflete uma intencionalidade argumentativa diferente da que apresenta o PPS.</p>
            <p>Finalmente, parece-nos que as formas verbais também podem evidenciar como a argumentatividade está inserida no próprio sistema linguístico, uma vez que a seleção de uma ou outra forma pode implicar diferentes posicionamentos argumentativos, isto é, intencionalidades comunicativas. Não obstante, é importante salientar que nem sempre a relação criada entre as formas do <italic>pretérito perfecto</italic> podem ser descritas pelos parâmetros propostos por esse estudo, já que o comportamento dessas formas na língua espanhola pode alterar-se diacronicamente, diatopicamente, diafasicamente e diastrasticamente. Tanto é assim que afirma <xref ref-type="bibr" rid="B18">Paiva Boléo (1936, 38)</xref> que “de todas as línguas românicas, a espanhola é aquela em que se torna mais difícil estabelecer com precisão a diferença de emprego e de sentido de um e outro tempo”.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>Segundo explica <xref ref-type="bibr" rid="B11">Ducrot (1987)</xref>, a frase é um objeto teórico, não pertencente ao domínio do observável, que se define “como uma estrutura lexical e sintática, e da qual se supõe que ela é subjacente”. O enunciado, por sua vez, é “considerado como a manifestação particular, como a ocorrência hic et nunc de uma frase” (p. 164), e que traz consigo a qualificação da enunciação.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>Se “o estudo leva à aprovação”, então (1) poderá ser aprovada e (1’) não será aprovada, por ter estudado menos do que o suficiente.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>Segundo Bakhtin, na prática humana de interação mediada pela língua, assumimos naturalmente “o diálogo, por sua clareza e simplicidade, como] a forma clássica da comunicação verbal” (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Bakhtin, 1997</xref>, 294).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>Enunciado retirado da versão eletrônica do jornal argentino La Nación, de 18/05/2016. Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.lanacion.com.ar/1899897-leila-lacaze-sobre-cantar-con-paul-mccartney-me-dio-muchos-nervios">http://www.lanacion.com.ar/1899897-leila-lacaze-sobre-cantar-con-paul-mccartney-me-dio-muchos-nervios</ext-link>&gt;. Acesso em 18 maio 2016.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>“<bold>O</bold>” significa “ponto zero”, o momento que serve como referência para a estruturação de todo o sistema temporal da língua. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B06">Benveniste (2005)</xref>, esse seria o momento de enunciação. “<bold>V</bold>”, por sua vez, significa “vetor”, isto é, o momento do próprio evento, o qual, por seu turno, se estrutura, em relação ao ponto zero (<bold>O</bold>), como <bold>anterior</bold> (<bold>–</bold>), <bold>concomitante</bold> (<bold>o</bold>) ou <bold>posterior</bold> (<bold>+</bold>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p>&lt;Tradução nossa&gt; “...] o presente marca a coexistência âmbito primário de coexistência], o paralelismo do falar com um ponto do tempo real, em relação ao qual as formas do <italic>pretérito perfecto simple</italic> e de <italic>futuro</italic> indicam anterioridade âmbito primário de retrospectividade] e posterioridade âmbito primário de prospectividade], respectivamente” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Cartagena, 1999</xref>, 2937).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn07">
                <label>(7)</label>
                <p>Enunciado retirado de uma entrevista radiofônica difundida pela rádio Cadena 3, de Córdoba/ Argentina (13/06/2010).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn08">
                <label>(8)</label>
                <p>Enunciado retirado de uma entrevista radiofônica difundida pela rádio Cadena 3, de Córdoba/ Argentina (13/06/2010).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn09">
                <label>9</label>
                <p>“...] <italic>He hecho, hube hecho, habré hecho indican ...] anterioridad, pero en relación con el punto central de cada ámbito temporal generado por las formas simples, aparezca este o no expresamente aludido en los textos”</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Cartagena, 1999</xref>, 2939).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn10">
                <label>10</label>
                <p>Na <xref ref-type="fig" rid="f02">figura 2</xref>, AP quer dizer Âmbito Primário; AS, Âmbito Secundário e RE, CO e PR, respectivamente, REtrospectividade, COexistência e PRospectividade.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn11">
                <label>11</label>
                <p>“...] indicar que una acción se realiza antes del punto cero que nos sirve de referencia para medir el tiempo, pero dentro del ámbito que tiene como centro la coexistencia o simultaneidad del dicho punto con el momento del habla” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">CARTAGENA, 1999</xref>, 2941).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn12">
                <label>12</label>
                <p>A título de exemplo, o estudo dos valores atribuídos ao PPC nas variedades dialetais da Argentina (<xref ref-type="bibr" rid="B02">Araujo, 2013</xref>) mostrou a existência de pelo menos sete valores associados à forma composta: antepresente, passado imediato, resultado, experiencial, persistência, passado absoluto e antepretérito.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn13">
                <label>13</label>
                <p>Enunciados (6) e (7) retirados de uma entrevista radiofônica difundida pela rádio Visión, de Comodoro Rivadavia/Argentina (10/06/2010).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn14">
                <label>14</label>
                <p>Enunciados (8) e (9) retirados de uma entrevista radiofônica difundida pela rádio Cadena 3, de Córdoba/Argentina (13/06/2010).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn15">
                <label>15</label>
                <p>Enunciado retirado de uma entrevista radiofônica difundida pela rádio Palermo, de Buenos Aires/Argentina (29/09/2010).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn16">
                <label>16</label>
                <p>Enunciados (8) e (9) retirados de uma entrevista radiofônica difundida pela rádio LV7, de Córdoba/Argentina (30/11/2010).</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>Referências Bibliográficas</title>
            <ref id="B01">

                <mixed-citation>Alarcos Llorach, Emilio. “Perfecto simple y compuesto”. In:______. <italic>Estudios de gramática funcional del español</italic>. Madrid: Gredos, 1972, 13-49.</mixed-citation>

                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Alarcos Llorach</surname>
                            <given-names>Emilio</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <chapter-title>Perfecto simple y compuesto</chapter-title>
                    <source>Estudios de gramática funcional del español</source>
                    <publisher-loc>Madrid</publisher-loc>
                    <publisher-name>Gredos</publisher-name>
                    <year>1972</year>
                    <fpage>13</fpage>
                    <lpage>49</lpage>

                </element-citation>
            </ref>
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                <mixed-citation>Araujo, Leandro Silveira de. <italic>O pretérito em espanhol: usos e valores do perfecto compuesto nas regiões dialetais argentinas</italic>. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2013.</mixed-citation>

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                </element-citation>
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            <ref id="B03">

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                    <article-title>O gênero entrevista radiofônica em comunidades hispânicas: um aporte da Análise Textual Automática</article-title>
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                    <volume>11</volume>
                    <publisher-loc>Uberlândia</publisher-loc>
                    <year>2017</year>
                    <fpage>289</fpage>
                    <lpage>312</lpage>
                    <comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/36254">http://www.seer.ufu.br/index.php/dominiosdelinguagem/article/view/36254</ext-link> &gt;</comment>
                    <date-in-citation content-type="access-date">10 maio 2017</date-in-citation>

                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B04">

                <mixed-citation>Bakhtin, Mikhail. <italic>Estética da criação verbal</italic>. 2. ed. Trad. Maria Ermantina Galvão G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes, 1997.</mixed-citation>

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