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                <journal-title>Caracol</journal-title>
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                <publisher-name>Universidade de São Paulo</publisher-name>
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                <article-title>Legendagem e transferência intercultural: investigação e prática docente</article-title>
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                        <surname>Sanchis</surname>
                        <given-names>María Dolores Lerma</given-names>
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                <institution content-type="orgname">Universidade do Minho</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Departamento de Estudos Românicos</institution>
                <institution content-type="original">Professora do Departamento de Estudos Românicos da Universidade do Minho (UMinho), Portugal. Doutora e Mestre em Linguística pela Universidade do Minho. Áreas de investigação de interesse: tradução, tradução audiovisual, didática do Espanhol como Língua Estrangeira (ELE), linguística contrastiva, estudos culturais.</institution>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01">Contato: <email>llerma@ilch.uminho.pt</email>
                </corresp>
            </author-notes>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Neste artigo, apresentamos uma investigação sobre a tradução de referentes culturais para legendagem entre as línguas e culturas espanhola e portuguesa. O objetivo é identificar as técnicas de tradução preferidas e detectar tendências de tradução no <italic>corpus</italic> analisado. Paralelamente, refletimos sobre a aplicação didática de pesquisas deste género em unidades curriculares de ensino e aprendizagem da tradução para legendagem. Neste contexto, os estudantes devem atingir um bom domínio da competência cultural ou extralinguística.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>In this article we present a research on the translation of cultural references for subtitling between the Spanish and Portuguese languages and cultures. The goal is to identify preferred translation techniques and to detect translation norms in the <italic>corpus</italic>. Simultaneously, we reflect on the didactic application of this kind of researches in teaching and learning subtitling translation. In this context, students must achieve a good command of the cultural or extralinguistic competence.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>palavras-chave</title>
                <kwd>legendagem</kwd>
                <kwd>elementos culturais</kwd>
                <kwd>português-espanhol</kwd>
                <kwd>didática</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords</title>
                <kwd>translation</kwd>
                <kwd>teaching</kwd>
                <kwd>naturalness</kwd>
                <kwd>comparison Portuguese-Spanish</kwd>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>1. Introdução</title>
            <p>Desde finais do século passado, a sociedade atravessa momentos de rápidas mudanças devidas à globalização e à implementação das tecnologias de informação e comunicação no quotidiano. Neste novo contexto, a Tradução Audiovisual (TAV), quer na ótica da investigação quer na perspetiva da didática, tem vindo a conquistar um espaço próprio que revela o papel central que desempenham no dia-a-dia as diferentes modalidades de TAV<xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref>. O aumento de publicações e pesquisas sobre a matéria e o número representativo de centros de ensino superior que têm vindo a incorporar nos seus <italic>curricula</italic> unidades curriculares que formem profissionais na modalidade<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref> é produto dessa circunstância.</p>
            <p>Com o objetivo de aproximar a investigação às práticas pedagógicas, pretendemos refletir a respeito de problemáticas sobre as quais investigámos e que podem ser incorporadas na prática docente. Referimo-nos especificamente à tradução de elementos culturais entre as línguas e culturas portuguesa<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref> e espanhola na modalidade de legendagem.</p>
            <p>Sobre o peso da combinação linguística em foco, lembramos os indicadores que situam o espanhol e o português dentro das cinco línguas mais usadas em internet e, principalmente, os dados sobre os fluxos comerciais entre Espanha e os países lusófonos que suportam o mercado para a tradução entre as duas línguas (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Diaz Fouces, 2012</xref>). A proximidade geográfica, a facilidade de intercompreensão e o peso relativo das trocas comerciais entre países de expressão portuguesa e países de expressão espanhola justificam o interesse pelo conhecimento das duas língua e culturas. Nessa medida, Esperança (2016) indica como é valioso conhecer idiomas partilhados por comunidades amplas, sublinha a ideia de que nem todos os idiomas têm a mesma utilidade e sugere que conhecer a língua dos vizinhos é mais importante do que conhecer uma língua distante.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>2. Transferência intercultural e legendagem</title>
            <sec>
                <title>2.1. Descrição da pesquisa</title>
                <p>Objetivo principal é identificar as técnicas de tradução empregues na transferência dos elementos culturais (EC) presentes num <italic>corpus</italic> constituído por sete filmes do realizador Pedro Almodóvar<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>, cujos resultados permitirão conhecer o comportamento dos tradutores perante uma dificuldade concreta num <italic>corpus</italic> específico.</p>
                <p>Para a seleção do <italic>corpus</italic>, seguimos o critério de homogeneidade quanto à procedência das produções, quanto à língua de origem e de chegada, quanto ao género e quanto à delimitação espaço-temporal (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Barambones, 2009</xref>), e tivemos em consideração os seguintes critérios:</p>
                <list list-type="roman-lower">
                    <list-item>
                        <p>A perspetiva empírica e descritiva adotada determina usar um <italic>corpus</italic> representativo, no sentido de facultar resultados significativos; e autêntico, na medida em que operamos com legendas profissionais de DVD.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>Almodóvar é o realizador espanhol com maior reconhecimento internacional. Em consequência, o estatuto de canonização atingido pela obra e pelo cineasta pressupõe uma legendagem executada com profissionalismo.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>A cinematografia de Almodóvar reflete aspetos significativos do quotidiano da cultura espanhola.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>Os filmes apresentam homogeneidade de género, situando-se entre o melodrama e a comédia.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>As obras estrearam em salas de cinema portuguesas.</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>A Teoria dos Polissistemas e os Estudos Descritivos de Tradução (EDT) conformam o quadro teórico para estudar a tradução de EC, já que oferecem uma estrutura vasta, flexível e adaptável a contextos de investigação diversos, entre os quais à Tradução Audiovisual (Karamitroglou, 2000; <xref ref-type="bibr" rid="B08">Delabastita, 1989</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B09">Díaz-Cintas, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B03">Chaume, García de Toro, 2010</xref>). Aplicamos a teoria das normas (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Toury, 1995</xref>), em particular focamonos nas normas linguístico-textuais que regem a seleção do material do repertório próprio que irá formular o texto traduzido e ocupará o lugar do material linguístico e textual do texto original, ou seja, as normas que afetam ao nível microtextual.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p><italic>Sólo a partir de ejemplos reales, que existen y se han visto integrados en la sociedad de acogida, podemos extraer conclusiones que nos hagan avanzar en el conocimiento de la traducción. Y las normas son, precisamente, los útiles que nos ayudarán en esa tarea</italic></p>
                        <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B09">Díaz-Cintas, 2005</xref>, 14).</attrib>
                    </disp-quote></p>
                <p>Para efeitos desta pesquisa, entendemos por elementos culturais os elementos linguisticamente não transparentes referidos a diferentes âmbitos e cuja interpretação não se deduz diretamente do seu significado de dicionário, mas sim do seu significado enciclopédico, ou seja, do conjunto de conhecimentos compartilhados pelos membros de uma comunidade particular, que não coincide necessariamente com o conjunto de pessoas que falam uma determinada língua. Incluímos elementos extralinguísticos vinculados à geografia, hábitos, história, modos de vida, etc., com um valor específico numa cultura concreta que, quando são transpostos para uma outra, podem originar problemas de tradução, seja porque não existem, seja porque lhes são associadas conotações diferentes nas duas culturas, daí a dificuldade em identificá-los e traduzi-los. Na medida em que o conhecimento enciclopédico é variável e pode alterar-se, as relações interculturais também são vistas numa ótica dinâmica. Nessa linha de pensamento, os EC têm carácter relacional e existem ou não em relação às culturas concretas.</p>
                <p>A partir dos contributos sobre as técnicas para a tradução de EC propostas por diversos autores<xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref>, mas sobretudo a partir da observação e análise pormenorizada do <italic>corpus</italic> estudado, distinguimos seis categorias que correspondem às soluções encontradas no <italic>corpus</italic><xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref>. As técnicas identificadas são: a <bold>repetição</bold>, a <bold>tradução literal</bold>, a <bold>tradução oficial</bold>, a <bold>explicitação</bold>, a <bold>adaptação cultural</bold> e a <bold>omissão</bold>, todas organizadas num <italic>contimuum</italic> que vai de acordo com a maior aproximação à cultura de origem ou à de chegada, evidenciando mais ou menos visibilidade do tradutor na manipulação do texto original durante o processo tradutório.</p>
                <p>1 − Chamamos <bold>repetição</bold> à técnica que consiste em conservar ou repetir, sem qualquer modificação, o termo do texto original (TO) no texto traduzido (TT). Esta técnica é tradicionalmente muito usada na legendagem portuguesa, pelo que o público está habituado e não costuma manifestar estranheza ante a presença de EC que lhe são alheios e desconhecidos, como acontece nos exemplos descritos a seguir, mesmo comportando perda de informação.</p>
                <p>No primeiro exemplo, o referente da <italic>Casa de Campo</italic> funciona como mais uma marca que proporciona pistas para caracterizar a personagem. Se o espectador desconhece que este espaço foi um foco de prostituição em Madrid, perde parte da informação que o realizador usa na caracterização da personagem, dado que a técnica escolhida não amplia ou especifica a informação.</p>
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                    <table frame="box" rules="groups">
                        <thead>
                            <tr align="center">
                                <th colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Volver − Voltar // Volver</italic></th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td><bold>TT</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><bold>TO</bold></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>− Vai para onde?</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>− <italic>¿Adónde vas?</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>− Para a <bold>Casa de Campo</bold>, mas se</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>− A la <bold>Casa de Campo</bold></italic>, <italic>pero con que</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>me deixar no centro já é fixe.</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>me dejes en el centro me viene bárbaro</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>No segundo caso, o EC surge num diálogo mantido à saída do hospital entre uma mulher e o homem que acaba de receber o transplante do coração de Esteban, os <italic>escaldadillos</italic><xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref> irão compor a refeição para festejar a alegria da família. Escolhemos esta interação para mostrar como neste caso a função do EC permanece graças ao contexto e à expressividade das falas. Trata-se de um referente ‘difícil’ inclusive para o espectador original do filme, mas como o público de produtos legendados lê, ouve e vê em simultâneo, a possibilidade de intuir o significado pelo contexto, mesmo desconhecendo o EC, é maior.</p>
                <table-wrap id="t02">
                    <table frame="box" rules="groups">
                        <thead>
                            <tr>
                                <th colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Tudo sobre a minha mãe // Todo sobre mi madre</italic></th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td><bold>TT</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><bold>TO</bold></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Os <bold>escaldadillos</bold> que te faço</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>¡Qué</italic>
                                    <bold>escaldadillos</bold>
                                    <italic>te voy a hacer</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>mal cheguemos!</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>cuando lleguemos!</italic></td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>2 − <bold>A tradução literal</bold> consiste na transposição palavra por palavra de um termo ou sintagma. No momento de interpretar o fragmento traduzido, o sucesso da técnica depende da transparência da solução encontrada, do contexto e do apoio da imagem que acompanha a legenda. Ou seja, dos mesmos elementos que condicionam o tradutor na escolha da técnica. A preferência pela tradução literal manifesta uma vontade de alterar o mínimo possível do TO, uma vez que preserva as opções do realizador.</p>
                <p>Nos exemplos escolhidos, a tradução literal é propiciada pela proximidade das línguas e a transparência dos termos. No primeiro caso, se trata do nome de um programa de televisão, uma espécie de <italic>reality show;</italic> no segundo, o tradutor opta pela tradução literal, apesar de existir em Portugal uma instituição equivalente que desenvolve atividades similares, a Organização Portuguesa de Transplantação (OPT).</p>
                <table-wrap id="t03">
                    <table frame="box" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                                <td colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Volver</italic> − <italic>Voltar // Volver</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td><bold>TT</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><bold>TO</bold></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Sabes que ela é colaboradora</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Ya sabes que ella es colaboradora</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>do “<bold>Onde Quer Que Esteja!</bold>”</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>de <bold>Donde quiera que estés</bold>.</italic></td>
                            </tr>
                            <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                                <td colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Tudo sobre a minha mãe // Todo sobre mi madre</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td><bold>TT</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><bold>TO</bold></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td><bold>Organização Nacional</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Hola</italic>, <italic><bold>Organización Nacional de</bold></italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td><bold>de Transplantes</bold>, faça favor?</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic><bold>Trasplantes</bold></italic>, <italic>dígame</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>3 − Na <bold>tradução oficial</bold>, o tradutor opta por utilizar um equivalente pré-fixado já existente e aceite na cultura recetora. Esta técnica é usada em uma variedade de âmbitos culturais: topónimos, acontecimentos históricos, títulos de filmes, livros, etc.</p>
                <table-wrap id="t04">
                    <table frame="box" rules="none">
                        <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Fala com ela // Hable con ella</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td><bold>TT</bold></td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><bold>TO</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>Passa-se na <bold>1ª Grande Guerra.</bold></td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>Es de la <bold>Primera Guerra Mundial</bold>.</td>
                        </tr>
                        <tr style="border-left:hidden;border-right:hidden;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                            <td colspan="3">&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                            <td colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Abraços desfeitos //Los abrazos rotos</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td><bold>TT</bold></td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><bold>TO</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>Procura <italic><bold>Fim-de-semana no Ascensor</bold></italic>,</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>Busca</italic>
                                <bold>Ascensor para el cadalso</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>do Louis Malle.</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>de Louis Malle</italic>.</td>
                        </tr>
                        <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                            <td colspan="3">Título original: <italic>Ascenseur pour l&#39;échafaud</italic> (Malle, 1958)</td>
                        </tr>
                        <tr style="border-left:hidden;border-right:hidden">
                            <td colspan="3">&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                            <td colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Fala com ela // Hable con ella</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td><bold>TT</bold></td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><bold>TO</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>O meu preferido é o de <bold>Havana</bold>.</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>Mi guía favorita es la de <bold>La Habana</bold></italic>.</td>
                        </tr>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>4 − A <bold>explicitação</bold> ocorre quando a tradução apresenta um termo mais compreensível, através da especificação, da generalização ou da adição de informação. A técnica visa ultrapassar os obstáculos que possam surgir na compreensão de EC menos reconhecíveis. O recetor não perde informação, embora possa perder pormenores. As ocorrências apresentadas mostram situações do uso da técnica em diferentes campos culturais: na alimentação, em marcas comerciais e nomes de personagens.</p>
                <p>Destacamos o primeiro exemplo, que retrata uma transferência com explicitação de uma alcunha assumida pela personagem como nome próprio. Em todo o <italic>corpus</italic>, é a única ocasião em que é usado este género de explicitação ou glosa, marcada e destacada graficamente na legenda com o uso do parêntese. Este comportamento não é estranho na legendagem portuguesa, costumando ser utilizada em contextos que implicam duplos sentidos ou em jogos de palavras com termos homófonos ou homógrafos, e normalmente decorre da necessidade de tornar acessível ao público-alvo um significado ou uma ilação que, sendo bastante transparente no texto original, não o é na tradução.</p>
                <table-wrap id="t05">
                    <table frame="box" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                                <td colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Tudo sobre a minha mãe // Todo sobre mi madre</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td><bold>TT</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><bold>TO</bold></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Comecei a fumar por culpa</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Empecé a fumar por culpa</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>da Bette Davis, para a imitar.</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>De Bette Davis. Por imitarla.</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>E aos dezoito já fumava</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>A los dieciocho años, ya fumaba</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>como um camionista.</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>como un carretero.</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td colspan="3">&nbsp;</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Por isso me chamo <bold>Huma</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Por eso, me puse <bold>Huma</bold>.</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>(<bold>Fuma</bold>).</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>É um nome bonito...</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Es un nombre bonito.</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>O fumo é a única coisa</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Humo es lo único</italic></td>
                            </tr>
                            <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                                <td>que tenho de meu.</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>que ha habido en mi vida.</italic></td>
                            </tr>
                            <tr style="border-left:hidden;border-right:hidden">
                                <td colspan="3">&nbsp;</td>
                            </tr>
                            <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                                <td colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Volver - Voltar // Volver</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td><bold>TT</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><bold>TO</bold></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Uns <bold>bolinhos de manteiga</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Unos <bold>mantecados</bold> que se deshacen en el</italic></td>
                            </tr>
                            <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                                <td>que se desfazem na boca!</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>paladar.</italic></td>
                            </tr>
                            <tr style="border-left:hidden;border-right:hidden">
                                <td colspan="3">&nbsp;</td>
                            </tr>
                            <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                                <td colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Os amantes passageiros // Los amantes pasajeros</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>TT</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>TO</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Espera, deixa ver a <bold>pulseira Cartier</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>Espera, a ver ese <bold>Cartier</bold>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>5 − A <bold>adaptação cultural</bold> acontece quando o EC original é substituído por outro pertencente à cultura recetora, porquanto o original dificilmente será compreendido na cultura de chegada. A mensagem adapta-se, assim, às necessidades da cultura-alvo.</p>
                <table-wrap id="t06">
                    <table frame="box" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                                <td colspan="3"><bold>FILME</bold><italic>: Fala com ela // Hable con ella</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td><bold>TT</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><bold>TO</bold></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>Não te preocupes,</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>No te preocupes tanto tú,</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>a haver alguma coisa,</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>si pasara cualquier cosa,</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>hoy en día</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>no <bold>TGV</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>con el <bold>AVE</bold></italic></td>
                            </tr>
                            <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                                <td>pões-te cá em duas horas.</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>en dos horas estás aquí.</italic></td>
                            </tr>
                            <tr style="border-left:hidden;border-right:hidden">
                                <td colspan="3">&nbsp;</td>
                            </tr>
                            <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                                <td colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Tudo sobre a minha mãe // Todo sobre mi madre</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td><bold>TT</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><bold>TO</bold></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>A minha amiga e o marido</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Mi amiga y su marido</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>das mamas montaram um <bold>quiosque</bold>,</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>con tetas, se montaron un</italic>
                                    <bold>chiringuito</bold></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>ali mesmo, na Barceloneta.</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>aquí en la Barceloneta</italic>.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>6 − A <bold>omissão</bold> diz respeito à supressão de um EC. Em legendagem, uma referência cultural pode apresentar-se omitida por vários motivos: porque é obscura, porque é redundante, por necessidade de condensar o texto ou porque o tradutor desconhece a tradução correta (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Chaume, 2012</xref>). Igualmente, a falta de um referente equivalente na cultura de chegada pode constituir um fator que imponha esta opção.</p>
                <p>Na primeira ocorrência o referente cultural SAMUR, <italic>Servicio de Asistencia Municipal de Urgencia y Rescate</italic> de Madrid, é uma instituição semelhante ao INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica) em Portugal. É possível que a omissão, embora pouco usada na legendagem portuguesa, seja uma opção que tente evitar a estranheza que produziria encontrar num texto estrangeiro uma instituição portuguesa como o INEM.</p>
                <table-wrap id="t07">
                    <table frame="box" rules="none">
                        <tbody>
                            <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                                <td colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Abraços desfeitos // Abrazos rotos</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td><bold>TT</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><bold>TO</bold></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>− Diego, como te sentes?</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>− Traz gelo, por favor.</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>− ¡Trae hielo!</italic></td>
                            </tr>
                            <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic>Por favor, llamar al <bold>SAMUR</bold>.</italic></td>
                            </tr>
                            <tr style="border-left:hidden;border-right:hidden">
                                <td colspan="3">&nbsp;</td>
                            </tr>
                            <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                                <td colspan="3"><bold>FILME</bold>: <italic>Tudo sobre a minha mãe // Todo sobre mi madre</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td><bold>TT</bold></td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td><italic><bold>TO</bold></italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>- Então vem tu lá para casa.</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>− <italic>Pues, vente a casa.</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td>− Eu quero ficar sozinha. </td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>− <italic>Quiero estar sola, <bold>Mamen</bold>.</italic></td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
            </sec>
        </sec>
        <sec>
            <title>3. Alguns casos particulares</title>
            <p>Embora não seja o procedimento habitual, o mesmo referente mencionado diversas vezes no texto pode receber distinto tratamento tradutório em função da sua relevância na trama, da funcionalidade atribuída, de se é transmitido por diferentes canais de significação (som e imagem) em simultâneo, da extensão do termo, do grau de transculturalidade, etc.</p>
            <p>Em <italic>Los amantes pasajeros</italic> circunscrevemos oito ocorrências de um mesmo referente que, na versão portuguesa, é transposto mediante três técnicas diferentes: a omissão (duas vezes), a tradução literal (três), e a explicitação com generalização (em três ocasiões). Se trata da referência a uma bebida a <italic>agua de Valencia</italic>, originária e popular na cidade de Valência. Nesta ocasião, a opção do tradutor é orientada em cada momento de acordo com a funcionalidade, os constrangimentos de espaço e tempo, a imagem que facilita a contextualização. O termo surge com tradução literal no início e é omisso apenas quando é referido em momentos consecutivos. Finalmente, o mesmo EC é explicitado com o hiperónimo <italic>cocktail</italic> em circunstâncias em que pesam mais as limitações espaço-temporais. O resultado final responde a uma ótica funcional em que o público-alvo não é privado de informação, num contexto em que este já se tinha apercebido, graças às imagens, de que a bebida é um <italic>cocktail</italic> elaborado com sumo de laranja, <italic>cava</italic> e outras bebidas alcoólicas.</p>
            <table-wrap id="t08">
                <table frame="box" rules="none">
                    <tbody>
                        <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td colspan="3" align="center"><bold>Tradução literal</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td><bold>TT</bold></td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><bold>TO</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td>00:42:32,287 --&gt; 00:42:35,245<break/>− Estamos a fazer <bold>Água de Valência</bold>.<break/>− Excelente ideia!</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td valign="top"><italic>Estamos haciendo <bold>agua de Valencia</bold>.</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td valign="bottom">&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td>00:45:50,287 --&gt; 00:45:52,482<break/>Esta <bold>Água de Valência</bold> está bem boa.</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td valign="bottom"><italic>Oye, está muy buena esta <bold>agua de Valencia</bold>.</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>00:46:11,127 --&gt; 00:46:14,597</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>O Sr. Comandante desculpe,</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>Disculpe usted, señor comandante,</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>mas acho piada ver dois machões</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>que me hace gracia ver</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>a dos hombretones como ustedes</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>00:46:15,007 --&gt; 00:46:17,646</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>a falar de descontrair</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>hablando de desparramar,</italic></td>
                        </tr>
                        <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td>e de <bold>Água de Valência</bold></td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>de <bold>agua de Valencia</bold>,</italic></td>
                        </tr>
                        <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td colspan="3"><bold>Omissão</bold></td>
                        </tr>
                        <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>¡Uy, <bold>agua de Valencia</bold>, qué buena idea!</italic></td>
                        </tr>
                        <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td>00:50:01,607 --&gt; 00:50:03,359<break/>Um copinho, Sr. Mas?</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td valign="bottom"><italic>¿Un vasito de <bold>agua de Valencia</bold>, Sr. Mas?</italic></td>
                        </tr>
                        <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td colspan="3" align="center"><bold>Explicitação</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>00:42:54,207 --&gt; 00:42:57,802</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>Mas eu não, deixei o álcool.</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>¡Yo no! Yo he dejado el alcohol.</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>O <italic><bold>cocktail</bold></italic> é para os passageiros.</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>El <bold>agua de Valencia</bold> la estamos</italic></td>
                        </tr>
                        <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>haciendo para los pasajeros.</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>00:50:26,167 --&gt; 00:50:29,000</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>− Menos mal...</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>− Adorava esse <italic><bold>cocktail</bold></italic></td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>− <italic>Me encantaba el <bold>agua de Valencia</bold></italic></td>
                        </tr>
                        <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td>nos anos 80.</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>en los 80.</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>01:06:47,527 --&gt; 01:06:50,280</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>− Estou maldisposta.</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>− <italic>Tengo arcadas.</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>− Não admira, com o que bebeste.</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>− <italic>¡Normal! Te has puesto ciega</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>a <bold>agua de Valencia</bold>.</italic></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>01:06:50,367 --&gt; 01:06:53,245</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>− O que tem o <italic><bold>cocktail</bold></italic> a ver?</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
            </table-wrap>
            <p>A mesma indefinição acompanha a tradução do termo <italic>mantecado</italic>, um doce típico espanhol, especialmente do Natal, que não faz parte da doçaria tradicional portuguesa. No filme <italic>Volver</italic> (2006), das três ocorrências em que é referido, em duas é usada a explicitação e na terceira, a repetição. Uma vez que a imagem não mostra o referente, a técnica da repetição pode provocar estranhamento nos espectadores.</p>
            <table-wrap id="t09">
                <table frame="box" rules="none">
                    <tbody>
                        <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td colspan="3"><bold>Explicitação</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td><bold>TT</bold></td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><bold>TO</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>00:31:18,528 --&gt; 00:31:21,167</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>Uns <bold>bolinhos de manteiga</bold></td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>Unos <bold>mantecados</bold></italic></td>
                        </tr>
                        <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td>que se desfazem na boca!</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>que se deshacen en el paladar.</italic></td>
                        </tr>
                        <tr style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid">
                            <td>00:46:03,288 --&gt; 00:46:06,758<break/>E a ti pago-te 4 caixas de <bold>doces</bold>,<break/>em vez de 3.</td>
                            <td valign="bottom">&nbsp;</td>
                            <td valign="bottom"><italic>Y a ti, en vez de tres cajas de <bold>mantecados</bold>,</italic><break/><italic>te voy a pagar cuatro.</italic></td>
                        </tr>
                        <tr align="center" style="border-bottom-width:thin;border-bottom-style:solid;border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                            <td colspan="3"><bold>Repetição</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>00:31:23,448 --&gt; 00:31:25,723<break/>parece impossível<break/>que tenhas trazido <bold>mantecados</bold>!</td>
                            <td>&nbsp;</td>
                            <td><italic>¡Parece mentira que traigas <bold>mantecados</bold>!</italic></td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
            </table-wrap>
        </sec>
        <sec>
            <title>4. Síntese de dados</title>
            <p>No <italic>corpus</italic> foram identificadas um total de 483 ocorrências de EC pertencentes aos dezoito campos seguintes: nomes próprios, espaços públicos ou edifícios sociais, produções ou formas artísticas, alimentação, âmbito taurino, presença de outras línguas, músicas, instituições, educação, festividades, história, meios de comunicação social, habitação, rituais sociais, moda, elementos da natureza, marcas comerciais e âmbito político. <italic>A posteriori</italic>, constatamos que os campos incluídos na nossa categorização coincidem com os descritores apresentados no capítulo do <italic>PCIC</italic> sobre referentes culturais.</p>
            <p>Os resultados da análise revelam a existência de uma tendência bastante uniforme em todo o <italic>corpus</italic>, que se manifesta na preferência pela <bold>repetição</bold> (59,2%) como técnica mais usada, seguida pela tradução oficial (21,8%). As restantes técnicas ocupam lugares mais discretos: a explicitação, em terceiro lugar (9,8%); a tradução literal, em quarto (4,1%); a omissão, em quinto (3,6%); e, por último, a adaptação cultural (1,42%). Estes dados permitem retirar as seguintes conclusões em relação com o uso das técnicas de tradução aplicadas aos EC do <italic>corpus</italic>:</p>
            <p>A <bold>repetição</bold>, a técnica mais usada, garante a conservação do referente cultural e revela uma vontade de exotização, de aproximar o recetor à cultura de origem do texto e, em última instância, de fidelidade ao original. Todavia, se o recetor não reconhece o EC, a função que desempenha no texto original perde-se no texto de chegada. Por um lado, pode ser vista como uma solução fácil e de pouco risco; por outro, o seu uso tem de ser ponderado para não provocar excessivo desconforto nos recetores ao sentirem que perdem informação importante para a narrativa. Neste ponto não podemos esquecer a centralidade da imagem que acompanham as legendas, bem como a presença simultânea da língua original. Ambos elementos de significação contribuem para explicitar e recuperar o papel exercido pelo EC. Não obstante, a proximidade linguística e cultural e as novas tecnologias fazem com que o público esteja cada vez mais familiarizado com outras culturas.</p>
            <p>A <bold>tradução oficial</bold> é a segunda técnica mais utilizada. Inevitavelmente a proximidade cultural justifica o facto de que uma boa parte dos EC sejam comuns, tendo a sua própria designação em cada língua. Encontramos abundantes exemplos na transposição de topónimos, dado que em português, como acontece noutras línguas, quando existe uma tradução oficial de um topónimo, opta-se pelo nome sancionado. A mesma técnica é usada também para transpor as referências às formas artísticas provenientes de culturas estrangeiras, concretamente, quando são referidos títulos de filmes, peças de teatro, músicas etc., exceto no caso de se referirem a títulos fictícios, em que se opta sempre pela tradução literal.</p>
            <p>Surpreende positivamente o baixo número de ocorrências de <bold>traduções literais</bold>. A solução é pouco usada, mas está distribuída pelos diferentes campos culturais. A técnica é empregue nas referências relativas a produções artísticas sem existência fora do filme, como no exemplo a referência ao filme <italic>Chicas y maletas &gt;</italic> Miúdas e malas (<italic>Los abrazos rotos</italic>), onde é feita uma velada alusão a um filme anterior do realizador, <italic>Mujeres al borde de un ataque de nervios</italic> (1988), mas a intertextualidade não nos parece transparente nem para o público original nem para o português. Surge também no inesperado caso em que o título de um filme estrangeiro<sup>8</sup> é transposto literalmente de espanhol para português, <italic>Cómo casarse con un millonario &gt;</italic> Como Casar com um Milionário, em vez da tradução oficial, <italic>Como se conquista um milionário</italic> (<italic>Todo sobre mi madre</italic>). A tradução literal é um recurso considerado fácil, que origina decalques, e não é estranho em traduções na combinação linguística de espanhol e português em qualquer uma das direções. Poderemos, pois, interpretar esta baixa densidade de ocorrências como sinal de cuidado por parte dos tradutores.</p>
            <p>Mediante a <bold>explicitação</bold>, o tradutor procura um termo mais próximo e transparente para a cultura de chegada. Em todo o <italic>corpus</italic> existem exemplos de variados campos: desde a alimentação, <italic>Benjamines de champán</italic> &gt; Garrafinhas de champanhe (<italic>Los amantes pasajeros</italic>); o âmbito taurino, <italic>albero</italic> &gt; arena (<italic>Hable con ella</italic>); elementos da natureza, <italic>viento solano</italic> &gt; vento de leste (<italic>Volver</italic>); no campo da habitação, <italic>pazo</italic> &gt; casarão (<italic>La piel que habito</italic>) etc. A explicitação aproxima o texto do recetor. Dentro do <italic>continuum</italic> em que situamos as técnicas identificadas no <italic>corpus</italic>, implica uma solução de tradução inclinada para a cultura de chegada, que aproxima o texto do recetor e permite a preservação do referente por meio de um termo mais compreensível. Esta prática costuma ser útil e segura quando não existe uma tradução oficial e quando não é boa opção o recurso a soluções extremas desnecessárias, seja mediante repetição ou a omissão.</p>
            <p>Não nos admira o recurso mínimo à <bold>adaptação cultural</bold>, que provoca a naturalização do EC, já que a experiência e a observação atenta às legendagens portuguesas de produtos de ficção habituaram-nos a essa regularidade nos procedimentos dos tradutores. Ao contrário da dobragem, a legendagem é uma modalidade menos propensa ao uso da adaptação cultural, a qual levada ao extremo implica uma tendência domesticadora da versão traduzida que linguística e culturalmente minimiza os elementos caracterizadores da obra original e do estilo do autor. No <italic>corpus</italic> localizámos ocorrências como por exemplo <italic>chiringuito</italic> &gt; quiosque (<italic>Todo sobre mi madre)</italic>; <italic>chalé</italic> &gt; casita de campo (<italic>Volver</italic>); ou ainda <italic>guardia civil</italic> &gt; brigada de trânsito (<italic>Má educação</italic>).</p>
            <p>Na legendagem para português, a <bold>omissão</bold> é uma opção pouco usada, apenas diz respeito a 3,5% dos exemplos. Visto que o público português está habituado a ouvir línguas estrangeiras e sente facilidade em comunicar facilmente em inglês e em espanhol, o tradutor pondera o uso para evitar a crítica fácil do espectador que está à espera de ler os diálogos completos das personagens. De facto, na tradução entre línguas próximas é habitual uma tendência para soluções mais imediatas e literais. O <italic>corpus</italic> contém omissões variadas, designadamente, em traduções de termos que ocupam muito espaço ou que já surgiram noutro momento e têm o apoio da imagem.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>5. Aplicação didática</title>
            <p>Do ponto de vista da didática da tradução a competência intercultural, também chamada de extralinguística ou cultural, assume um lugar relevante dentro das competências do tradutor profissional (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Kelly, 2002</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B04">Cerezo, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Gutiérrez, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14">PACTE, 2003</xref>, entre outros). Tanto é assim que, a partir da revisão das propostas de diversos autores sobre as competências em TAV, <xref ref-type="bibr" rid="B04">Cerezo (2012)</xref> elabora uma listagem de trinta competências genéricas e vinte e sete específicas, consideradas significativas para o exercício da tradução audiovisual profissional. Os resultados obtidos mostram que, entre as competências genéricas, a relativa ao conhecimento da cultura e hábitos de outros países ocupa o quinto lugar, na opinião dos professores de TAV; o décimo primeiro, para os tradutores e o nono lugar para os empregadores. No que se refere às competências específicas, a competência cultural é indicada em sexto lugar pelos docentes, em quarto pelos tradutores e em décimo primeiro pelos empregadores.</p>
            <p>Especificamente para a didática da legendagem, <xref ref-type="bibr" rid="B16">Skuggevik (2009)</xref> distingue cinco níveis de competências. O conhecimento dos aspetos culturais e sociais e a perceção do seu valor surge em terceiro lugar. Numa perspetiva holística, o quinto nível pertence a uma macrocompetência que agrupa as anteriores e estabelece os procedimentos adequados para formular as legendas em cada situação.</p>
            <p>Os dados anteriores evidenciam a importância do conhecimento das realidades culturais e do domínio dos processos de transferência dessas mesmas referências culturais.</p>
            <p>Por outra parte, no âmbito do ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras, próximo ao da tradução, existem dois importantes documentos: o <italic>Quadro europeu comum de referência para as línguas</italic> (<italic>QECRL</italic>), para o espaço europeu, e o <italic>Plan Curricular del Instituto Cervantes</italic> (<italic>PCIC</italic>), especificamente para a língua espanhola. Em concreto, no <italic>QECRL</italic> são abordadas questões relacionadas com o ensino e aprendizagem das competências gerais, que dentro do conhecimento declarativo incluem os saberes culturais, socioculturais e interculturais<xref ref-type="fn" rid="fn09">9</xref>. Por sua vez, o <italic>PCIC</italic> destina três capítulos ao desenvolvimento da dimensão cultural, nesta ocasião, com descritores específicos: o capítulo dedicado a referentes culturais, o centrado nos saberes e comportamentos socioculturais e o último, em que aborda as habilidades e atitudes interculturais.</p>
            <p>O grupo PACTE (Procés d’Adquisició de la Competència Traductora i Evaluació) trabalha num projeto designado “Nivelación de competencias en la adquisición de la competencia traductora (traducción escrita)”<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>, onde propõe, à semelhança do <italic>Quadro europeu comum de referência para as línguas</italic>, estabelecer os níveis de competência na adquisição de competências de tradução. Os investigadores sugerem descrever e definir as competências específicas que intervêm na competência tradutora, bem como os resultados de aprendizagem de cada nível. A proposta indica três níveis e cada um deles incluiria a competência linguística, a extralinguística, a instrumental, a estratégica e os conhecimentos de tradução. Tal como acontece com <italic>QECRL</italic>, a adoção e aplicação didática de uma descrição deste género proporcionaria um quadro comum com critérios unificados para ser aplicado na formação de tradutores, com orientações curriculares, programas, critérios de avaliação, materiais de ensino, etc.</p>
            <p>As investigações sobre a tradução de EC proporcionam um interessante e inexplorado potencial de aplicação na formação de tradutores, porquanto são um elemento de documentação em contexto profissional e de formação. Encontramos vantagens na utilização das pesquisas como apoio documental útil para consulta de estudantes e docentes, já que o recurso a dados e referências concretas permite a tomada de decisões fundamentadas com base nos estudos, abandonando o lugar de crenças ou intuições individuais. Aliás, as investigações garantem elementos concretos extraídos de <italic>corpora</italic> e orientam sobre as normas de tradução vigentes numa determinada modalidade de tradução, em contextos culturais e espaçotemporais concretos. Podem operar como bases de dados e deste modo completar a indicação sobre o significado e o valor de um EC obtida através de internet, dicionários, textos paralelos, etc. Além de tudo, fornecem exemplos de casos representativos e significativos sobre técnicas de tradução usadas na resolução de problemáticas semelhantes.</p>
            <p>Em contexto de aula, principalmente em níveis superiores, sugerimos a realização de tarefas e projetos em grupos reduzidos de três ou quatro elementos. A dinâmica de trabalho é o método colaborativo, que comporta um alto grau de responsabilidade e autonomia do estudante na sua aprendizagem. O trabalho se realiza em ambiente de negociação, não prescritivo.</p>
            <p>Como exemplo de uma aplicação, descrevemos uma possível tarefa, que consiste em legendar um fragmento de um filme que contenha uma alta densidade de EC. Começamos por distribuir pelos grupos fragmentos de filmes em versão original. O primeiro desafio será identificar os EC, o que implicará que os estudantes tenham consciência da sua presença e os reconheçam. A seguinte tarefa será investigar o significado e o valor dos EC desconhecidos, a fim de poder valorar a funcionalidade no texto. A seguir, cada grupo discutirá as opções de tradução para cada ocorrência, até chegar a soluções consensuais. O momento seguinte será dedicado a apresentar o resultado do trabalho para o resto da turma, que terá trabalhado com fragmentos semelhantes (pertencentes ao mesmo realizador e idêntico contexto linguístico e cultural) e poderá intervir na discussão. Seguidamente, os grupos contrastarão as suas propostas com as legendas feitas por profissionais, que serão vistas apenas como um possível texto final e não como um modelo único válido. Na fase final, o professor extrairá do <italic>corpus</italic> resultante da investigação as ocorrências que considere oportunas e apresentará dados quantitativos resultantes da pesquisa.</p>
            <p>Como indicámos, esta é apenas a proposta de uma unidade didática estruturada em pequenas tarefas conducentes a uma tarefa final.</p>
            <p>Para finalizar, queremos insistir na ideia de que há uma perceção de proximidade entre o espanhol e o português maior da que realmente existe, o que potencia o grau de interferência nas traduções e alguma intrusão profissional. Para corrigir a tendência, Cintrão sugere “um treinamento contrastivo mais ostensivo nos níveis sintático, discursivo e cultural” (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Cintrão 2006</xref>, 101), onde se trabalhem habilidades e estratégias cognitivas que contrabalancem a tendência. De facto, na didática de línguas próximas, <xref ref-type="bibr" rid="B02">Calvo (2006)</xref> propõe o recurso à tradução como meio de conscientização contrastiva para diminuir as interferências entre as duas línguas.</p>
        </sec>
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        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>Principalmente dobragem, legendagem e o <italic>voice-over</italic>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>Numa busca pela base de dados da Universitat d’Alacant BITRA (Bibliografia de Interpretación y Traducción), selecionámos como palavra-chave o termo ‘audiovisual’ e restringimos a procura ao período de anos entre 2000 e 2017, obtivemos um total de 3.083 entradas (Consulta em 10 de junho 2017). Por outo lado, sobre os centros de ensino superior, num levantamento que efetuámos em 2015 através da consulta das páginas das universidades portuguesas, constatámos a existência de treze Unidades Curriculares relacionadas com a TAV, em sete estabelecimentos de ensino superior portugueses.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>A investigação apresentada se foca no espaço linguístico e cultural do português europeu.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>O <italic>corpus</italic> é composto pelas seguintes sete longas-metragens e as respetivas legendagens para português europeu: <italic>Todo sobre mi madre / Tudo sobre a mina mãe</italic> (1999), <italic>Hable con ella / Fala com ela</italic> (2002), <italic>La mala educación / Má educação</italic> (2004), <italic>Volver / Volver – Voltar</italic> (2006), <italic>Los abrazos rotos / Abraços desfeitos</italic> (2009), <italic>La piel que habito / A pele onde eu vivo</italic> (2011) <italic>e Los amantes pasajeros / Os amantes passageiros</italic> (2013).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>Especialmente dos autores que abordam a problemática das técnicas de tradução de EC em textos audiovisuais como, Nedergaard-Larsen (1993), Tomaszkiewicz (2001), <xref ref-type="bibr" rid="B09">Díaz-Cintas &amp; Remael (2007)</xref>, Gottlieb (2009), Leppihalme (2011), Pedersen (2011) e Chaume (2012).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p>Coincidimos com Martí Ferriol (2006) ao assinalar que uma classificação das técnicas de tradução entendida como aproximação a um problema particular, numa situação concreta, pode requerer uma categorização especificamente organizada para o estudo de um caso concreto.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn07">
                <label>7</label>
                <p>Expressão galega usada para referir um guiso galego com batatas e couve-galega ou <italic>berzas</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Poyato, 2007</xref>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn08">
                <label>8</label>
                <p>Trata-se do filme norte-americano <italic>How to Marry a Millionaire</italic> realizado por Jean Negulesco (1953).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn09">
                <label>9</label>
                <p>Especialmente nos capítulos 2.1. e 5.1.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn10">
                <label>10</label>
                <p>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://ddd.uab.cat/pub/presentacions/2016/166679/PACTE_didTRAD2016.pdf">http://ddd.uab.cat/pub/presentacions/2016/166679/PACTE_didTRAD2016.pdf</ext-link>&gt;.</p>
            </fn>
        </fn-group>
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            <title>Referências Bibliográficas</title>
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                    <comment> Tese de doutoramento da Euskal Herriko Unibertsitatea</comment>
                    <year>2009</year>
                    <comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://addi.ehu.es/ bitstream/10810/12182/1/barambones.pdf">https://addi.ehu.es/ bitstream/10810/12182/1/barambones.pdf</ext-link>&gt;</comment>
                    <date-in-citation content-type="access-date">10 jul. 2017</date-in-citation>

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                    <comment> Tese de doutoramento</comment>
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                    <comment>Disponível em: &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.tesisenred.net/handle/10803/83363">http://www.tesisenred.net/handle/10803/83363</ext-link>&gt;</comment>
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