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				<journal-title>Revista Caracol</journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">2317-9651</issn>
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				<publisher-name>Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9651.i27p28-64</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>DOSSIER: CRÍTICA LITERARIA: VUELTAS, RECONFIGURACIONES Y EXPANSIONES EN AMÉRICA LATINA</subject>
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				<article-title>O partido da incerteza e as células combatentes: tons e políticas do ensaio na crítica latino-americana</article-title>
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					<trans-title>The uncertainty party and the combatant cells: tones and politics of the essay in Latin-American criticism</trans-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-0789-2107</contrib-id>
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						<surname>Miranda</surname>
						<given-names>Gabriel Fernandes de</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
					<bio>
						<p>Doutor em Estudos de Literatura pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Mestre em Estudos de Literatura na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), licenciado em Letras pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Se interessa pelas interfaces entre teoria literária e teoria política. Atualmente é professor na rede da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC-RJ). </p>
					</bio>
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					<label>1</label>
					<institution content-type="original">Universidade Federal Fluminense (UFF) Contato: gd.miranda1@gmail.com Brasil</institution>
					<institution content-type="orgname">Universidade Federal Fluminense</institution>
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					<email>gd.miranda1@gmail.com</email>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>19</day>
				<month>07</month>
				<year>2024</year>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jan-Jun</season>
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			<issue>27</issue>
			<fpage>26</fpage>
			<lpage>64</lpage>
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					<day>15</day>
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					<day>04</day>
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					<year>2023</year>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Este artigo pretende delimitar algumas tendências do uso e da conceptualização do ensaio na crítica literária latino-americana, mais especificamente na intercessão entre Argentina e Brasil. Por meio da leitura de alguns textos seminais acerca do ensaio como gênero e de outros, latino-americanos, publicados nas últimas duas décadas, argumenta-se pela existência de um “partido da incerteza” que insiste na indeterminação como característica da forma ensaio. Argumentaremos, no entanto, que uma ilimitada potencialidade do ensaio, quando institucionalizada, pode levar a uma perda de potencial político da forma. Buscaremos apontar, portanto, algumas relações possíveis entre ensaio e política que reaparecem mesmo nos discursos que buscam afastar a forma ensaística da disputa política.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This article tries to define some tendencies of use and conceptualization of the essay in Latin-American literary criticism, more specifically in the intercession between Argentina and Brazil. Through the reading of some seminal texts on the essay as a genre and some Latin-American texts published on the last two decades, we argue that there is an “uncertainty party” that insists on the indetermination as a defining feature of the essay form. We argue, however, that an unlimited potentiality of the essay, when institutionalized, can lead to a loss of political potential for this form. Therefore, we will try to point to some possible relations between essay and politics that reappear even in those discourses that try to push away the essay form from the political dispute.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>PALAVRAS-CHAVE:</title>
				<kwd>Ensaio</kwd>
				<kwd>Crítica latino-americana</kwd>
				<kwd>Alberto Giordano</kwd>
				<kwd>Políticas da crítica</kwd>
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				<title>KEYWORDS:</title>
				<kwd>Essay</kwd>
				<kwd>Latin-american criticism</kwd>
				<kwd>Alberto Giordano</kwd>
				<kwd>Politics of criticism</kwd>
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		<sec>
			<title>GENEALOGIAS E APROXIMAÇÕES</title>
			<p>A história do ensaio como gênero é bastante conhecida, sua origem tende a ser situada na publicação inaugural dos <italic>Essais</italic> de Michel de Montaigne na França em 1580. O retorno histórico até sua figura de origem parece ser um dos tropos que habitam o ensaísmo contemporâneo. No texto presente, no entanto, buscarei um percurso mais recente que permita reler as ligações da forma ensaística com a política. A figura do ensaísta original, aliás, já dava pistas de uma ligação próxima entre esses campos, já que Montaigne exerceu o cargo de prefeito de Bordeaux logo depois de publicar suas famosas reflexões<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>. Distanciando-me de Montaigne e da cena originária do gênero, me interessam as discussões contemporâneas que circundam a forma-ensaio. Essa outra genealogia, que podemos resumir como ensaios sobre o ensaio, aparece com força mais ou menos intensa desde o século XX e funda um campo no qual se disputam a validade do ensaio como modelo de escrita, sua relação com o pensamento e, sobretudo, sua utilidade diante da cristalização dos modos de expressão da crítica e da teoria literárias.</p>
			<p>Uma outra cena adâmica - que pode ser contraposta por outra, “evânica”, como pensa Danielle <xref ref-type="bibr" rid="B20">Magalhães (2023</xref>) - se abre, um pouco distante do território latino-americano que nos interessa: o pontapé dado por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno (2012</xref>) em “O ensaio como forma”, texto que integra o primeiro volume de <italic>Notas de Literatura</italic>. Situando sua discussão no cenário intelectual alemão que desvalorizava o ensaio, o filósofo escrevia escolhendo de modo preciso a figura antagônica em oposição à qual o ensaio se definiria: o método herdado de René Descartes. Para o frankfurtiano, o ensaio, por meio de seu mergulho no objeto, se afastaria da proibição de pensamento sobre o efêmero e da tendência à abstração dessa outra matriz (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno, 2012</xref>, p. 25-27). O desvio em relação ao método cartesiano se daria em três passos. Contra as indicações de Descartes, a forma ensaística não dividiria o objeto de seu conhecimento, nem avançaria seguindo um percurso crescente de problemas que vão do fácil ao difícil, funcionando, ao inverso, pelo mergulho inicial na dificuldade (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno, 2012</xref>, p. 32). Tampouco teria o ensaio a pretensão de exaustividade exigida pela herança científica cartesiana (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno, 2012</xref>, p. 34).</p>
			<p>Se a insistência de Adorno na defesa do ensaio como alternativa ao método teria ressonâncias políticas na medida em que encaminhava uma defesa da liberdade do pensamento contra os modos engessados existentes na sociedade, a política do ensaio poderia ser lida de outro modo em “O ensaio como forma”. Recolhendo conceitos que aparecem na tangente do argumento de Adorno, imagino poder propor uma série de perguntas acerca do ensaio que o colocam mais próximo do pensamento político. Afinal, para ele, o ensaio é um modo de pensamento que não pretende alcançar “algo para além das mediações” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno, 2012</xref>, p. 27), mediações essas que seriam, Adorno adiciona, “históricas”. Ainda no mesmo texto, a aparição da ideia de uma “rebelião estética” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno, 2012</xref>, p. 34) contra o método conclama a pensar em uma política do ensaio que enfatiza tanto a forma - estética - quanto o modo de ação - rebelião.</p>
			<p>Contudo, a radicalidade rebelde do ensaio se encontra com o entendimento de Adorno de que a lógica ensaística não seria de todo oposta à lógica discursiva da filosofia. Seu funcionamento se daria como um passo ao lado do modelo hierarquizante legado pela tradição, por meio de uma coordenação de seus elementos (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno, 2012</xref>, p. 43). O caráter coordenador do ensaio completaria, desde uma leitura política, sua relação com a criação e com a totalidade. Avesso à concepção do homem como criador e da criação como ato <italic>ex nihilo</italic>, o ensaio trabalharia uma “totalidade do que não é total, uma totalidade que, também como forma, não afirma a tese de compatibilidade entre pensamento e coisa” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Adorno, 2012</xref>, p. 36). Se não há identidade entre esses elementos e o ensaio seria o privilégio da expressão da linguagem, a mediação retorna como palavra que pode sintetizar os efeitos do gênero ensaístico no pensamento. </p>
		</sec>
		<sec>
			<title>DISPUTAS ENSAÍSTICAS: ENTRE A INDEFINIÇÃO E A MEDIAÇÃO</title>
			<p>Em ensaio sobre a literatura do futuro, o escritor argentino Sergio <xref ref-type="bibr" rid="B9">Chejfec (2005</xref>) apontava para a centralidade da contiguidade no porvir literário. Distante das designações imediatas do território e da nacionalidade que seguem regendo nossos modos de organizar as letras, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Chejfec (2005</xref>, p. 32) imaginava a escrita como um avizinhamento, uma geografia separada, mas próxima, na qual as fronteiras nacionais se diluem não em benefício de um universalismo da aldeia global, mas de uma outra relação com o território. A imagem da contiguidade permite sair de Frankfurt para adentrar o cenário da vizinhança sul-americana e mais especificamente argentina. Dentro da tradição de ensaios sobre o ensaio, dois críticos argentinos têm compilações de textos que exploram o espaço literário da América Latina. Alberto Giordano, unindo textos da década de 1980 até o início dos anos 2000, pensa os “modos do ensaio”, e Ana Cecília Olmos, lendo sobretudo os ensaios de escritores de ficção das neo-vanguardas setentistas à primeira década do século XXI, busca entender a funcionalidade da forma ensaística no interior da cena da escrita. Ambos, me parece, convergem na valoração positiva de alguns aspectos do ensaio que aponta para uma continuidade dos argumentos adornianos.</p>
			<p>Em <italic>Modos del ensayo</italic>, Giordano, cuja pesquisa tem circulado em torno do ensaio, da escrita de diários e da experimentação formal na crítica literária, compila alguns textos de interesse para o problema da política ensaística. Um deles, “<italic>La crítica de la crítica y el recurso al ensayo</italic>”, é tanto uma reflexão geral acerca de modos de compreensão do ensaio em relação à função social do intelectual, quanto uma recuperação do debate em torno do gênero e do fazer crítico na conjuntura pós-ditatorial na Argentina. Naquele cenário de mudança de regime político, Giordano vê uma apelação “<italic>al ensayo como valor no sólo para apreciar desde él sus indigencias actuales, sino también para señalar, en su dirección, posibles vías de experimentación que le permitirían no cerrarse</italic> [a crítica] <italic>sobre sí misma</italic> […]”. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Giordano, 2005b</xref>, p. 250). O destaque desse texto particular do crítico rosarino se dá também pelos textos que elenca na tentativa de compreender definições antagônicas do ensaio. Trabalhando com reconhecidos nomes da intelectualidade argentina, Giordano elenca duas publicações sobre o ensaio surgidas no intervalo dos anos 1980 e 1990. A primeira, uma conferência de Beatriz Sarlo apresentada em 1984 e publicada no mesmo ano na revista da UBA <italic>Espacios</italic>. A outra, uma série de intervenções publicadas em dossiê sobre o ensaio aparecido no número 18 da revista <italic>Babel</italic>, em 1990, nas quais estavam, entre outras, as assinaturas de Nicolas Casullo, Horacio González e Héctor Schmucler<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>.</p>
			<p>Na montagem de Giordano, o argumento de Sarlo aparece como aquele a ser evitado já que sua perspectiva do ensaio seria utilitária, imaginando-o como ferramenta para sair do isolamento e da perda de relevância da atuação intelectual na Argentina dos 80. A forma do ensaio funcionaria, então, como antídoto à perda de possibilidade de intervenção política da figura intelectual (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Giordano, 2005b</xref>, p. 251). Monta-se uma “<italic>estrategia de</italic> resistencia <italic>a los poderes reductores de la academización</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Giordano, 2005b</xref>, p. 252. Grifo do autor). Contudo, se pudermos vislumbrar uma politização imediata do ensaio através de uma possível funcionalidade democratizante, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Giordano (2005b</xref>, p. 253) nota que a abordagem de Sarlo se dava por um ponto de vista retórico: o ensaio seria uma técnica e um instrumento a serviço de valores políticos e éticos alheios à sua forma. A atenção à forma dava lugar a uma concepção do modo ensaístico como um “<italic>medio de transmisión de conocimientos, un instrumento adecuado para que el crítico recupere su rol de ‘portador de la mediación’ (Hauser, citado por Sarlo) entre el autor y el público</italic>”. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Giordano, 2005b</xref>, p. 253). O retorno da ideia de mediação aqui proposta colocava uma função política bem delimitada ao ensaio, ao mesmo tempo que reforçava não o caráter exploratório da escrita - presente na indefinição defendida por Adorno -, mas sim a própria <italic>posição</italic> do crítico que o escreve. A fidelidade à escritura se transmuta, no lugar encampado por Sarlo, em uma fidelidade à política como manejo do discurso. No campo de batalha cultural, o ensaio é uma das armas possíveis que permitiriam retomar uma interação entre intelectualidade e massa perdida, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B34">Sarlo (2015b</xref>), desde a década de 1960 na Argentina.</p>
			<p>Desviando de Sarlo, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Giordano (2005b</xref>, p. 253) aponta a ausência da singularidade da forma ensaio, “<italic>su excentricidad, su marginalidad y incluso su inutilidad</italic>” e apela, por meio de citação a Raúl Beceyro, para uma definição do ensaio como pensamento sem compromisso com o mundo e sem outra lógica que a sua própria (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Giordano, 2005b</xref>, p. 254). A autoridade da citação encerra rapidamente as proposições da crítica que dirigiu a lendária revista <italic>Los Libros</italic>, fechando o ensaio na sua indefinição e apostando na sua autonomia formal de modo a indicar para uma <italic>imunização</italic>, no sentido dado por Roberto <xref ref-type="bibr" rid="B11">Esposito (2003</xref>) de um rompimento dos laços sociais, da escrita ensaística. A rebeldia do ensaio é recuperada aqui como uma liberdade absoluta e ilimitada. Vista a partir da Teoria, a indeterminação como elemento distintivo da literatura já foi criticada por Jacques <xref ref-type="bibr" rid="B10">Derrida (2014</xref>), que sublinhava a maleabilidade da instituição literária e sua possível deriva em uma irresponsabilidade, e Marcos <xref ref-type="bibr" rid="B25">Natali (2020c</xref>), que revelava o uso da indeterminação da Literatura como argumento de desconexão entre a literatura e a comunidade leitora no caso da literatura de Monteiro Lobato. Na leitura de Giordano sobre o ensaio de Sarlo, a reivindicação da indefinição e da singularidade da forma passa a se confundir com uma <italic>debilidade política</italic>.</p>
			<p>Nos textos de <italic>Babel</italic>, Giordano lia uma convergência com Sarlo no diagnóstico de uma perda decorrente da especialização da linguagem crítico-acadêmica. Ao mesmo tempo, ele apontava a discordância dos autores do dossiê no seu embate com o encarceramento acadêmico da crítica. Para o crítico, os textos em questão opunham à debilidade crítica o ensaio como questionamento da eficácia como fiel da balança. Ele resume:</p>
			<disp-quote>
				<p>Lo que se busca, apelando al ensayo, no es la posibilidad de establecer nuevos pactos de lectura, sino de ampliar y potenciar las posibilidades de la crítica liberándola de la compulsión al entendimiento, de la exigencia de justificarse por el consenso. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Giordano, 2005b</xref>, p. 254).</p>
			</disp-quote>
			<p>A escolha de palavras aqui permite remeter, talvez a contragosto de Giordano, à conjuntura política do pós-ditadura, resumida pela noção de consenso e compartilhada em maior ou menor grau nos cenários do Cone Sul (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B31">Richard, 2021</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B1">Acselrad, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Casullo, 2006</xref>). A remissão ao passado político permite ver que a disposição antagônica dos textos de <italic>Babel</italic> e de Sarlo não se limita às definições do ensaio, mas parece adentrar o campo da atuação política institucional. O conhecido apoio de Sarlo ao governo de Raúl Alfonsín (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B30">Pires, 2011</xref>), que comandou a transição e cujo legado foi tanto o informe <italic>Nunca Más</italic> quanto a promulgação de leis que cessavam a judicialização dos crimes da ditadura, pode ser lido nos interstícios do “consenso” ao qual os escritos de Casullo, González e Schmucler se oporiam. As distintas definições do ensaio nessa série montada por Giordano seriam disputas também em torno da política e, sobretudo, dos usos e tabus na relação entre intelectualidade e Estado. Nessa perspectiva, os argumentos de Sarlo ganham contornos mais nítidos, de maneira que a busca por uma funcionalidade política do ensaio é também uma investigação de mecanismos discursivos capazes de reatar laços comunitários erodidos desde pelo menos o golpe de Estado de 1966 e definitivamente estilhaçados durante a ditadura de 1976. A reconstrução da comunidade nacional parece ser o subtexto da linhagem utilitária de Sarlo que Giordano mantém de fora da análise. Sua reemergência permitiria historicizar as disputas críticas e teóricas mais além de um pertencimento exclusivo aos meandros do campo acadêmico.</p>
			<p>Na outra aparição do ensaio em <italic>Babel</italic>, Giordano sublinha a visão compartilhada entre os autores que definem a forma originada em Montaigne como uma língua do equívoco, cujo sentido político estaria mais a serviço de uma quebra dos modelos vigentes de transmissão do conhecimento - a língua acadêmica, os meios de comunicação massiva - do que em sua capacidade propositiva. A forma ensaística se configura, escreve <xref ref-type="bibr" rid="B14">Giordano (2005b</xref>, p. 255), como “<italic>un campo de resistencia a la homogenización y el disciplinamiento porque no niega, sino que explota las posibilidades de su ineficacia</italic>”. Contrastando, portanto, com a instrumentalidade política presente na posição de Sarlo, a busca contínua representada pelo ensaio se moveria também como um modo de ocupar “disposições éticas” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Giordano, 2005b</xref>, p. 256). A regra ética à qual o ensaio obedeceria, em contraponto à pressão da eficácia e dos resultados advinda da crítica universitária, seria a de “<italic>no escribir sobre ningún problema, si ese escribir no se constituye también en problema</italic>”. (González, p. 29 <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B14">Giordano, 2005b</xref>, p. 256).</p>
			<p>Caracterizado por sua reflexão acerca do modo de escrever, na versão de Horácio González, então professor de Ciências Sociais da UBA e, posteriormente, diretor da Biblioteca Nacional, o ensaio seria um encontro entre as linguagens das ciências sociais e da estética, encontro que se dá “en <italic>la escritura (desinteresada de su función mediadora, convertida en exploración de lo desconocido)</italic>”. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Giordano, 2005b</xref>, p. 257. Grifo do autor). Nessa encarnação, o ensaio suspende “<italic>exigencias institucionales</italic>” e recobra a ligação com a experiência na mesma medida em que carrega o “<italic>fracaso de la función mediadora del lenguaje crítico</italic>”. Fugindo das instituições e dos limites da academia, o ensaio se configura, nessa leitura de <italic>Babel</italic> 18 por Giordano, em um meio sem fim, cuja única função parece ser a disposição ética de tudo questionar. A ênfase do crítico rosarino<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> recai sobre uma política de resistência total aos empurrões em direção à cristalização do saber e da escrita acadêmica. No entanto, o próprio texto de González, ainda que se declare partidário de uma liberdade exploratória da escritura, já buscava imaginar formas de relação entre a singularidade da forma ensaística e a multidão leitora. Ele escrevia: “<italic>Pero, en vez de una comunicación sin comprensión, preferimos nosotros una inteligibilidad sin comunicación</italic>”. (<xref ref-type="bibr" rid="B17">González, 2005</xref>, p. 88). A comunicação seria um dos modos possíveis da ligação entre leitores e a matéria do ensaio, mas não a única. No argumento do futuro diretor da Biblioteca Nacional, a singularidade do ensaio não implicava um isolamento do tecido social, mas uma outra política de inteligibilidade que se equilibraria entre o “<italic>placer yoísta y un texto que busca ávidamente lectores que lo adoptarán o lo abandonarán</italic>”. (<xref ref-type="bibr" rid="B17">González, 2005</xref>, p. 89). Legibilidade, conexão entre o si mesmo e os outros, lados que pareciam incomunicáveis no relato de Giordano tinham já pontos de intercessão no ensaísmo publicado em <italic>Babel</italic>.</p>
			<p>A direção dada por Giordano aos sentidos do ensaio se utiliza, então, do gênero como modo defensivo. É embarcando na aventura da escrita que a forma-ensaio permite que o crítico possa se livrar do acosso de exigências alheias - institucionais, políticas, comunitárias. O que resta por fora dessa definição do ensaio é precisamente sua política. Se a fidelidade do ensaísta deve ser sempre à experimentação da língua, as intervenções no presente e no ordenamento imaginário da sociedade que o ensaio produz seriam apenas frutos do acaso. Com uma fuga da noção de “mediação”, o ensaio recai no vício da saída pelo encerramento imunitário. Resistindo às pressões de ordenamento discursivo e institucional, ele se afirma como trabalho negativo, espaço de exploração do pensamento sem amarras. Não por acaso, em outros dos textos que compõem <italic>Modos del Ensayo</italic>, Giordano escreve sobre uma “<italic>legalidad propria de la literatura</italic>” que se desenrolaria no palco da forma ensaística (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Giordano, 2005a</xref>, p. 225). Neste outro artigo, o diálogo com Blanchot, Barthes e Benjamin fundamenta uma perspectiva do ensaio como exercício de uma força contrária. Contra as limitações da teoria (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Giordano, 2005a</xref>, p. 232), das fronteiras disciplinares (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Giordano, 2005a</xref>, p. 233), ou da completude da obra (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Giordano, 2005a</xref>, p. 237), o ensaio escapa e opera na negativa de todo exercício de poder.</p>
			<p>Imagino, todavia, que a repetição da forma informe do ensaio desde o texto de Adorno não poderia ser tomada apenas como modelo de resistência. Afinal, a duração desse tipo de (in)definição do ensaio indica um devir-hegemônico que entra em contradição com seus próprios argumentos. A ambivalência adotada como valor supremo da forma seria um modo, como nota Jackson <xref ref-type="bibr" rid="B3">Arn (2022</xref>) em texto recente sobre o cenário ensaístico estadunidense, de escapar de críticas. A permanência e a reiteração da singularidade do ensaístico e de sua potencialidade resistente abre espaço para uma pergunta que poderia ser formulada como: o que ocorre quando o recurso à indefinição se torna, ele mesmo, institucionalizado?<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>
			</p>
			<p>O problema poderia ser glosado, ainda, com um escrito posterior de Giordano que apareceu como prólogo à sua compilação <italic>El discurso sobre el ensayo en la cultura argentina de los 80</italic>. Nesse texto, os argumentos já presentes em “La crítica de la crítica y el recurso al ensayo” se expandem e o crítico adota um ponto de vista panorâmico, que apresenta os textos compilados, diverso da encenação anterior que se limitava à leitura de Sarlo e dos ensaístas de <italic>Babel</italic>. O “discurso sobre o ensaio” por ele delimitado não contém os ensaios de escritores, mas apenas as produções ensaísticas de autores ligados à crítica literária e cultural. Naquela oportunidade, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Giordano (2015</xref>) evidenciava ainda mais sua própria posição. Para ele, o elogio do ensaio seria uma linha que atravessa a história se opondo à arrogância do conhecimento (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Giordano, 2015</xref>, p. 12) e a enunciação do nome próprio exigida pelo gênero serviria como uma ferramenta de renúncia aos poderes e privilégios da função autor (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Giordano, 2015</xref>, p. 13). Uma vez mais, ele divide as facções que disputam as “políticas do ensaio” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Giordano, 2015</xref>, p. 16) entre um grupo que busca no gênero um modelo retórico de inteligibilidade e outro que o prefere “<italic>como experiencia irónica de los límites de lo comunicable</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Giordano, 2015</xref>, p. 16). O primeiro grupo seria aquele fundado pela já mencionada comunicação de Sarlo de 1984; e o segundo, originado com um texto de Eduardo Gruner do ano seguinte, seria aquele no qual se localizam as contribuições já mencionadas do n. 18 de <italic>Babel</italic>.</p>
			<p>A divisão dos polos em combate evidencia a disputa no interior da crítica pelos usos e funções da textualidade ensaística, sublinhando, portanto, a dimensão política das diversas delimitações do gênero. Modo prioritário da “crítica da crítica” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Giordano, 2015</xref>, p. 22), o discurso sobre o ensaio é também um campo no qual se decidem as funções e operações daquilo que chamamos de crítica literária. Nessa revisitação mais recente do tema - seus ensaios anteriores haviam sido publicados inicialmente em 1998-, Giordano admite um fundo político e institucional para aquelas intervenções que insistiram na indefinição e na singularidade do ensaio. Logo, ainda que o recurso à filosofia de Maurice Blanchot leve o crítico ao elogio da indeterminação e da liberdade experimental da escritura, sua própria visão sobre o campo permite vislumbrar a inevitável conexão entre o ensaísmo e a política na crítica.</p>
			<p>Ao mesmo tempo em que posso sublinhar os efeitos e entornos políticos das disputas em torno do ensaio, a divisão, ainda que funcional, dos grupos da controvérsia parece ser minada pela aproximação dos textos que os simbolizam. Se for possível situar o debate em termos distintos, os grupos se dividiriam entre um “partido da incerteza”, no qual as leituras do pós-estruturalismo francês levam a uma defesa recorrente dos benefícios da indeterminação, da singularidade e da liberdade do ensaísmo diante das exigências do campo institucionalizado da crítica literária; e algumas “células de combate”<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>, nas quais o ensaio é uma das ferramentas possíveis para o exercício da polêmica como forma principal da relação entre um crítico e seus pares. Essa cisão, no entanto, deve reconhecer a interconexão e o compartilhamento de problemas entre os polos da querela.</p>
			<p>Afinal, o texto fundacional no qual Sarlo desenvolvia a defesa do ensaio como ferramenta retórica capaz de superar o provincianismo universitário se abria com a admissão da incerteza que, na visão de Giordano, caracterizaria o núcleo oposto. A criadora de <italic>Punto de Vista</italic> escrevia: “<italic>Por momentos me veo asaltada por las</italic> dudas <italic>de la utilidad del trabajo que producimos.</italic> Me pregunto <italic>si los que nos identificamos como críticos literarios</italic> tenemos un saber y un discurso o si tenemos solamente un discurso”. (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Sarlo, 2015b</xref>, p. 43. Grifo nosso). No trecho, a crítica se coloca na instável posição da dúvida, questionando-se acerca da validade e da produtividade do saber dos estudos literários. Admitindo a incerteza ensaística no próprio fazer da crítica, Sarlo define o objeto dos seus estudos, a literatura, como um “objeto evanescente” ao qual o crítico adiciona um discurso lateral (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Sarlo, 2015b</xref>, p. 44). O caráter tangencial do discurso da crítica, seu déficit de rigor científico, mesmo em comparação com os campos mais próximos das humanidades como a linguística e as ciências sociais, coloca ao sujeito que a exerce uma “<italic>identidade problemática</italic>”.</p>
			<p>A defesa do papel mediador do sujeito da crítica, que aparece em Giordano como uma utilização indevida do ensaio como meio em vista de fins que lhe são heterogêneos, é pensada desde o início a partir de uma posição instável. Sarlo escreve:</p>
			<disp-quote>
				<p>El crítico literario vendría a ser un distribuidor del saber (en un sentido amplio, como conjunto de disposiciones, o “savoir-faire”) necesario para leer ese universo discursivo que es la literatura. Si esto es así, también tendría razón Hauser cuando afirma que el crítico literario es una especie de hombre de dos mundos -de esquizofrénico, podría decirse también-. Porque el crítico literario es alguien que representa al público frente al escritor y al escritor frente al público. El crítico literario, enfrentado con el escritor, en realidad menta al público, dado que hace una lectura del texto que supone un movimiento de ese texto hacia el público. Pero enfrentado con el público, en realidad menta a la literatura, habla de la literatura y de sus procesos de producción. (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Sarlo, 2015b</xref>, p. 45).</p>
			</disp-quote>
			<p>Ainda que a menção à distribuição do saber direcione o enunciado para uma singularização da crítica literária como saber especializado na trama social, os efeitos dos enfrentamentos entre o sujeito da crítica e os polos representados por escritores ou leitores levam-na a uma oscilação que não é devidamente percebida por Giordano. Sarlo escreve, denunciando o caráter divergente de sua própria prática: “<italic>El crítico, oscilante, un poco histérico, entre estos dos polos, coquetea con uno y otro sin decidir nunca del todo donde está su lugar y su relación constitutiva.</italic> El crítico es alguien definido por la ausencia de lugar”. (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Sarlo, 2015b</xref>, p. 45. Grifo nosso). O elogio da posição intersticial e a ênfase da incerteza aparecem aqui como elementos constitutivos da definição “utilitarista” do ensaio. Compartilhando o tema da indefinição, os grupos da contenda se aproximam mais do que a divisão deixada por Giordano deixaria supor. O que os diferiria, então, seria o local reservado à indeterminação. Em Sarlo, esse elemento aparece como ponto de partida desde o qual se pode propor uma intervenção enquanto, nos representantes do “partido da incerteza”, ele ocupa um local conclusivo, um ponto de chegada a partir do qual já não se pode seguir. A circulação dos mesmos termos estabelece um campo de conflito compartilhado no qual agem os blocos em litígio. Dentro desse espaço, a contenda se dá pela reorganização da disposição da incerteza, montando uma imagem da política da crítica como um jogo de armar informado intensamente pela conjuntura.</p>
			<p>Ainda nas encarnações da discussão acerca do ensaio, damos um passo contíguo à cena elencada em <italic>Modos del Ensayo</italic>. Ana Cecília Olmos, crítica argentina radicada no Brasil, apresenta em <italic>Escritas descentradas: o ensaio dos escritores na América Latina</italic> uma concepção do ensaio que reabre as possibilidades cerradas pelo embate textual montado até aqui via Giordano. Os ensaios que lhe interessam, escritos por autores de ficções latino-americanas e, portanto, distintos da distinção entre ensaísmo literário e “discurso sobre o ensaio” com a qual opera Alberto Giordano, apresentariam uma especificidade na medida em que se encaminham para uma crítica literária voltada para a pergunta sobre a criação:</p>
			<disp-quote>
				<p>Os escritores, portando, debruçam-se sobre a letra dos textos, não para submetê-los ao rigor conceitual e à objetividade dos estudos filológicos, mas para atravessá-los em um movimento de leitura aleatório, fragmentário e provisório que não abandona o desejo de linguajem que os impulsiona para a literatura. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 10).</p>
			</disp-quote>
			<p>Para Olmos, ao deslocar-se para o local da escrita literária, o ensaio usa do seu caráter inacabado para uma pergunta sobre o desejo de escrita ficcional. O exame daquilo que se lê é também direcionado àquele que escreve, apontando para uma dimensão autorreflexiva do ensaístico. Suplementando esse modo de exploração subjetiva, Olmos pensa o ensaio em ligação à dimensão social, histórica e cultural: os ensaios de escritores “deriva[m] da vontade de participar nos debates que se instauram e no âmbito cultural de sua época” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 11), admitindo, portanto, a dinâmica interventora defendida por Sarlo em 1984.</p>
			<p>Dividindo os artigos de seu livro em blocos cronológicos e teóricos dos 1970 e 1990, Olmos enfatiza, em relação ao primeiro bloco, o poder opositor dos ensaios, que desmantelam “os discursos ideologizados sobre a literatura” e “liberam a literatura de qualquer função de representatividade”. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 13). Assim, as escrituras dos autores que elege - os argentinos Luís Gusmán e Héctor Libertella, o brasileiro Osman Lins e a chilena Diamela Eltit - agem como provocações e contraposições ao marco antagônico do <italic>boom</italic> latino-americano, desconstruindo as pretensões continentais e a ligação da literatura com o território.</p>
			<p>No bloco dos anos 1990, protagonizado por Sergio Chejfec, Juan Villoro e Jorge Volpi, o uso do ensaio se daria como um modo de crítica literária e, paralelamente, se contaminaria com a tendência autobiográfica da literatura, na qual a linguagem perde protagonismo em benefício do sujeito (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 14). Mais uma vez, o <italic>boom</italic> aparece como figura fantasmática que estrutura a argumentação e é em relação a ele que os ensaios daqueles escritores se posicionariam, dessa vez acompanhados por desvios em relação a “perspectivas teóricas culturalistas e pós-coloniais que, formuladas nos centros acadêmicos metropolitanos, pautavam a reconfiguração do mapa mundial”. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 14). Combatendo em duas frentes - o essencialismo latino-americanista e a desterritorialização mercadológica - os ensaios demarcam “cartografias” que tendem não à dissolução das fronteiras nacionais e linguísticas, mas a um “ordenamento outro da literatura mundial”. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 15).</p>
			<p>Olmos tenta se distanciar da delimitação cronológica que sua divisão de blocos pareceria propor, afirmando, ao invés disso, que as questões presentes nos ensaios desses escritores ganham diferentes modulações e sempre retornam (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 15). Entretanto, as relações das teorias com as conjunturas que são por elas constituídas não podem ser de todo excluídas sem que percamos a materialidade das disputas em torno do gênero. Ao escrever sobre os autores neovanguardistas dos anos 1970, a crítica destaca o modo desviante com que o ensaio se insere no interior do projeto literário em circulação. Alinhados à noção de “escritura”, que “questionava, deliberadamente, os pressupostos da universalidade e inteligibilidade da instituição literária” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 21), esses escritores apareciam na cena literária latino-americana como forças de ruptura com as tendências regionalistas, realistas ou do realismo mágico (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 22). Suas ficções produziam um “efeito teórico” que circulava em torno da ideia de ilegibilidade, horizonte de uma literatura que se queria distinta das múltiplas transparências das linhagens supracitadas.</p>
			<p>Nos trabalhos de Osman Lins, Diamela Eltit e Luís Gusmán, o ensaio é, para Olmos, um desdobramento das práticas estéticas da ficção. Ele não é, portanto, “o reverso comunicativo da ficção” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 31), mas uma continuação da liberação dos jogos significantes que caracterizavam a geração. Na mesma medida, como instância de interrogação sobre o fazer da escrita, o ensaio reafirmaria a não coincidência pronominal entre os autores, a subjetividade e os processos de escritura, deixando a produção ficcional como dimensão incognoscível. E, no entanto, Olmos, acompanhando a trajetória de Eltit e Gusmán, lê no abandono da radicalidade das propostas da escritura e da ilegibilidade a aproximação paralela com as “pautas específicas do ensaio”, estabelecendo com a ficção “uma relação de interferência, de sobreimpressão, diria Barthes, que deixa adivinhar nele uma ficção de escritura”. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 37). A incidência do ensaio funcionaria como uma saída do impasse colocado pelo projeto da ilegibilidade. Diminuída a força da novidade empunhada pela vanguarda, a escrita ensaística carregaria um grau menor da energia disruptiva da escritura. Ainda que essa indicação não seja explorada pela crítica, seus efeitos parecem ser mais amplos do que os limites do <italic>corpus</italic> do estudo. Seguindo a pista da passagem da escritura ao ensaio, posso imaginar o movimento como uma transformação da vanguarda como modelo de funcionamento compartilhado pela política e pela arte. O devir-ensaístico da geração subversiva dos anos 1970 poderia ser lido como um uso “não vanguardista da vanguarda”, como pensa Rodrigo <xref ref-type="bibr" rid="B26">Nunes (2014</xref>) em relação às dinâmicas políticas da última década. Para o filósofo, a disseminação da “função vanguarda” pelo tecido social deslocaria a suposição de transcendência que acompanhava o vanguardismo político do começo do século XX. Abandonando a tendência a se imaginarem como sujeitos que agem de fora sobre uma determinada situação político-estética, os autores lidos por Olmos teriam operado, <italic>avant la lettre</italic>, uma modificação na concepção de vanguarda característica, no campo das lutas políticas, da conjuntura dos anos 2010<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>.</p>
			<p>A interligação entre política e ensaísmo não se encerra aqui. Em mais um dos artigos compilados, Olmos se aproxima do gesto de Giordano na leitura de <italic>Babel</italic>. Interessada em ler o lugar ocupado pelo ensaio no interior das revistas <italic>Literal</italic> e <italic>Sitio</italic> a partir das contribuições de Luís Gusmán a ambas, ela aponta, com Josefina Ludmer, para a função polêmica da escrita dessas revistas. O ensaio adentra mais diretamente nas disputas de poder, na política da literatura e em torno do campo literário. Nesse cenário, ele abandona sua liberdade formal que o isolava das exigências externas para descer de novo ao mundo dos vivos. Desviando da transcendência da autonomia, a leitura de Olmos dos ensaios de Gusmán compreende uma efetividade política da forma que, se não repete a concepção mediadora de Sarlo, parece tocá-la suavemente. </p>
			<p>Em <italic>Literal</italic>, a política psicanalítica de desmontagem do sujeito, aplicada com a ausência de assinatura de autoria aos textos, impede - pelo menos até seu último número, em 1977, quando os textos apresentam autoria pela primeira vez - pensar no ensaio como forma descolada da noção mais ampla de escritura (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 58-59). Em <italic>Sitio</italic>, no entanto, publicada já na convulsa década de 1980 de saída da ditadura militar, a intervenção cultural era central, permitindo “vozes dissidentes ao concerto uníssono das ideologias dominantes”. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 61). Destacando um dossiê acerca do ensaio, forma valorizada pela sua capacidade de fundamentar uma ética das diferenças, Olmos traz à cena a convocação dos editores da revista por uma recomposição do ensaio em sua capacidade desafiante, polêmica, um “resgate do ensaio com a <italic>convicção</italic> de que a escritura é um campo de batalha”. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 63. Grifo da autora). O consenso, tal como pensavam os escritores de <italic>Babel</italic>, aparece como o inimigo natural do ensaio, destacando, uma vez mais, a potência de uma política opositora da forma ensaística.</p>
			<p>A contribuição de Gusmán ao dossiê abandona a indefinição da escritura para defender uma relação de diferença entre literatura e crítica. <xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos (2019</xref>, p. 64) destaca que é no interior dessa diferença que o ensaio pode funcionar, já que seria um suplemento textual imbuído da marca subjetiva. Lendo também outras aparições de Gusmán em <italic>Sitio</italic>, Olmos finaliza seu texto com aceno a Blanchot, escrevendo que a literatura “não sabe o que pode resultar politicamente dela”. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 67). Nessa abertura, no entanto, o não saber se mostra limitado de um dos lados, afinal haveria uma “necessidade de não estar mais do que em relação indireta com o político”. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 67). </p>
			<p>Nessa concepção, a hegemonia da indefinição nos modos de caracterizar a forma ensaística devém uma política da literatura fechada em si mesma erigindo, no lugar do mandato do compromisso, uma outra prescrição cuja formalização pós-estruturalista escamoteia seu caráter <italic>posicional</italic>: a relação indireta com a política. Para manter o paralelismo, uma questão alternativa àquela surgida diante de Giordano pode ser enunciada aqui: o que acontece quando, de fato, a forma ensaística se dirige e se ocupa da política?</p>
			<p>A tendência a uma saída da política e a um apagamento de horizontes programáticos aparece uma vez mais no texto “Escrituras ilegíveis e comunidade literária”. Alinhando-se com o pensamento comunitário francês de Jean-Luc Nancy e Maurice Blanchot, Olmos lê Eltit e Libertella como expoentes de uma linha contrária à representatividade do “latino-americano” na literatura. Eles colocariam em seu lugar uma “rede geográfica de uma tradição própria”. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 78). Essa rede, realizada por meio da escritura, seria “Uma comunidade, <italic>não de organização, nem sujeita a programas</italic>, mas de articulação de singularidades expressivas que se abrem ao diálogo”. (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Olmos, 2019</xref>, p. 82. Grifo meu). O programa da ausência de programa se afirma aqui sem pudores, recostando na filosofia de Jean-Luc Nancy e sua “comunidade inoperante” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Nancy, 2016</xref>). A curiosa indefinição formal do ensaio dá esteio a uma saída dos dogmatismos, dos essencialismos geográfico-culturais, mas também empurra a política para fora. A expulsão dos poetas da República platônica se reverte em um gesto vingativo: dessa vez é a política a esfera proscrita. Esse modo de pensar o ensaio, ainda que reitere sua dimensão inacabada, funciona como um impedimento moral à sua politização.</p>
			<p>A abertura e a indefinição, que um dia foram conceitos e lógicas capazes de fazer frente ao encerramento teórico da literatura ou sua sobredeterminação por meio de rótulos mercadológicos, hoje se cristalizam como pressuposto e ponto de chegada incontestável. Afinal, o que Damián Selci, em livro que se propõe uma antifilosofia política, chama de <italic>ethos</italic> pós-estruturalista se caracterizaria precisamente pelo déficit de horizonte político que declina da insistência na “<italic>prevención automática contra el esencialismo</italic>&quot;. (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Selci, 2020</xref>, p. 19). No projeto de Selci para uma teoria da “organização permanente”, a indefinição e a insubstancialidade afirmadas pela filosofia pós-estruturalista não devem ser abandonadas, mas servir como pontos de partida, tal como eu apontava anteriormente em relação ao ensaio oitentista de Beatriz Sarlo. O problema seria, reeditando o modelo de pergunta leninista, “o que fazer com a insubstância?”. A posição de Selci poderia ser deslocada para o campo literário - ao qual, aliás, Selci não é nenhum estranho, tendo escrito romances, organizado antologias de poesia contemporânea argentina, e editado a revista <italic>Planta</italic> - de modo a compreender a indefinição do ensaio como um dado irrevogável, mas que não impediria interrogar seus efeitos políticos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>OUTROS TONS: AS DESVIRTUDES DA POLÊMICA</title>
			<p>Se um dos tons possíveis no universo do ensaio seria o da polêmica, visível no uso beligerante do ensaio nas revistas literárias lidas por Olmos, ela parece se reproduzir na própria distribuição dos blocos da disputa entre “partido da incerteza”/“células de combate”. Para desviar da retórica destrutiva da polêmica, talvez fosse preciso colocar em cena uma sugestão de um outro ensaio de Alberto Giordano. No texto, intitulado “<italic>Un intento frustrado de escribir sobre David Viñas</italic>”, o modelo de leitura de Viñas permite repensar os modos de relação entre a crítica e os escritores. Em “<italic>Después de Cortázar: literatura y privatización</italic>”, o crítico, reconhecido na intelectualidade argentina por sua atuação na revista <italic>Contorno</italic>, resistia à recepção da nova geração de narradores argentinos de meados dos anos 1960, entre os quais estavam Ricardo Piglia e Manuel Puig (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Viñas, 1969</xref>). Ele lia-os como continuadores da prosa de Júlio Cortázar e seus textos como sintomas históricos dos efeitos da ditadura de Juan Carlos Onganía, instalada em 1966, não mais do que indícios de uma esfera pública encolhida pelo autoritarismo. Nessa (in)disposição para a leitura, os textos só podem ser marcas de uma conjuntura que lhes é exterior e imprime sobre eles seu poder. Para Viñas, a literatura sofre com a opressão autoritária e perde seu potencial na medida em que se recolhe ao espaço privado.</p>
			<p>Giordano contrapõe a impostura dessa leitura com o procedimento de um outro leitor, cuja posição política, na esquerda em que também estava Viñas, não se traduzia em uma má vontade na leitura. Esse outro autor era Rodolfo Walsh, em cujo texto Giordano encontra outro modo de ler o contemporâneo, distinto do moralismo presente em David Viñas<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>. Ali, o autor de <italic>Operación Masacre</italic> invertia o sinal da operação de Viñas, preferindo ler nos textos dos mesmos autores a iminência da rebelião, de “<italic>impulsos de desenmascaramiento, crítica y destrucción de la realidad</italic>”. (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Giordano, 2005c</xref>, p. 205). A abertura ao novo, que Walsh demonstrava, configurava “<italic>una interesante lección de crítica ideológica, la de la</italic> generosidad <italic>como virtud política</italic>”. (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Giordano, 2005c</xref>, p. 206. Grifo do autor). Aqui, esboça-se uma política da crítica como desvio da tendência hermenêutica, contra o desejo do mergulho profundo na obra, que prometeria a descoberta do núcleo secreto da história política - o golpe de Onganía de 1966 que explicava as debilidades e a <italic>privatização</italic> da literatura, segundo Viñas. Em seu lugar, Giordano ressalta uma fidelidade à literatura do futuro, uma disposição ética que intervém para tornar sensível um movimento ao invés de interrompê-lo.</p>
			<p>No ensaio de Giordano, a distância entre os dois críticos, à esquerda do espectro político ainda que divididos na fidelidade ao Peronismo, é também uma distância no seu próprio modo de leitura. A intensão fracassada que aparece no título se desenrola na admissão do ensaísta de um sentimento de aversão e recusa que ia tomando conta de sua leitura dos textos de David Viñas. O ensaio serve para desviar do tom beligerante e moralista, abrindo em seu lugar a possibilidade de uma leitura aberta à novidade. Ao encontrar a ética-política da leitura generosa, o ensaísta performa em si mesmo a mudança de perspectiva simbolizada pelo contraste entre os dois autores lidos. Nesse ensaísmo crítico, o gênero é uma experiência de espiritualidade de chave foucaultiana, ou seja, uma modificação de si mesmo, como escreve <xref ref-type="bibr" rid="B15">Giordano (2015</xref>, p. 9) em outra ocasião, que permite uma transformação da subjetividade em jogo. A mudança, no entanto, não se atém apenas àquele que escreve, mas engendra toda uma política dos estudos literários.</p>
			<p>A menção à generosidade, mais do que amenizar a polêmica que surge na minha leitura dos diferentes balanços do ensaísmo latino-americano, serve também como lembrança de que um outro modo de ler, distante da crítica ácida, é possível e efetivo no interior do campo da esquerda e na linhagem walsheana de escrita política da literatura. A tentativa de achar o ponto justo em que leitura, política e generosidade se encontram é, talvez, um dos desafios colocados pela leitura conjunta dos ensaísmos do “partido da incerteza” e das “células de combate”. A “virtude” que Giordano via em Walsh serve como ponte entre esses pólos da discussão em torno do sentido do ensaio. O tom generoso e a atenção à política não seriam regidos pela disjunção, mas podem ser compostos em um tipo de crítica que é combatente <italic>e</italic> incerta. A leitura generosa funcionaria, então, como uma alternativa, e não uma antagonista, à postura interventora encarnada por Beatriz Sarlo em seu ensaio de 1984 e por David <xref ref-type="bibr" rid="B39">Viñas em 1969</xref>.</p>
			<p>No instante da suspensão da polêmica, um outro texto poderia ser adicionado à série de reflexões latino-americanas sobre o ensaio, dessa vez introduzindo uma instância a mais no jogo dos ensaios sobre o ensaio. Em “<italic>Escenas institucionales. Sobre Modos del ensayo de Alberto Giordano</italic>”, Jorge <xref ref-type="bibr" rid="B28">Panesi (2018</xref>) lê a compilação de Giordano seguindo a indicação da modalidade generosa de leitura, que permeia todo o livro <italic>La seducción de los relatos</italic>. Nesse ensaio sobre ensaios, Panesi destaca a linha compartilhada nos textos de Giordano: o ponto inicial do qual deriva a exploração ensaística são os episódios bastante materiais que ele, Panesi, chama de “<italic>escenas institucionales</italic>”. Nessas cenas, o ensaísta Giordano encontra detalhes e novas leituras nas franjas do hábito da atuação universitária (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Panesi, 2018</xref>, p. 284). Muitas vezes por acaso, outras por lampejos de atenção que permitem fugir da ritualística das aulas de literatura, Giordano, escreve Panesi, encontra o elemento que chama ao exercício barthesiano da escrita como derivação da leitura, que por sua vez exige um levantar da cabeça (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Barthes, 2012</xref>, p. 26).</p>
			<p>A <italic>mise en abyme</italic> ensaística proposta por Panesi apresenta também sua própria teoria política do ensaio. Desviando da tendência “autocomplacente” da polêmica, que opera simplificações, o ensaio traz uma</p>
			<disp-quote>
				<p>[…] difícil ética que es también su política difícil e inestable, una ética de no decisión, o mejor, de decisión en retardo, retrasada, que hace justicia tanto al evanescente objeto que se quiere conocer, como al otro (el otro con el que se polemiza, pero también el otro en tanto lector, el no menos difícil e inestable lector de ensayos). (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Panesi, 2018</xref>, p. 88).</p>
			</disp-quote>
			<p>A política ensaística encosta nos temas derridianos da indecidibilidade e de um particular conceito de justiça, mobilizado na “estranha instituição” da literatura (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Derrida, 1994</xref>). Contudo, seria preciso atentar para o desvio da não decisão presente na escolha de Panesi. A prevenção ao exercício da soberania que circula nas teses do indecidível e da indeterminação se transforma em uma decisão atrasada, uma tomada de tempo que subverte a ligação restritiva entre decisão e poder soberano. Agindo pelo adiamento da deliberação, que não é igual, apesar da indicação disjuntiva no trecho acima, à sua ausência, o ensaio alarga o tempo da política.</p>
			<p>O leitor de ensaios, escreve Panesi com Giordano, espera apenas o momento extático e instantâneo do “levantar a cabeça”. O gesto barthesiano suporia “<italic>un plus, una plusvalía incalculable</italic>”. (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Panesi, 2018</xref>, p. 289). O caráter desviante do ensaio o coloca entre a polêmica e o método, operando por uma abertura ao acaso “<italic>de un futuro abierto que recogerá lo irreductible</italic>”. (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Panesi, 2018</xref>, p. 289). A abertura futura do ensaio se completa tanto com sua oposição aos ditames morais quanto com sua valorização da “discrição”, na qual o apagamento da presença autoral é o movimento que permite o espaço para o desejo de escrever do leitor. Desse modo, o que está em jogo no ensaísmo é uma espécie de contágio positivo, a partir do qual a singularidade ensaística é sempre a transmissão de algo que poderíamos chamar de desejo de escrita. A busca por uma legitimidade comunicativa do ensaio que anima a postura de Sarlo se transforma. O gênero passa a ser um outro modo de estar juntos, cujo desdobramento da generosidade como procedimento político de escritura constrói um campo mais do que resiste a forças externas. Escrever, então, com Olmos e Giordano parece ser um modo de ser conduzido pela política do ensaio, cuja disposição de multiplicar-se em escritas múltiplas o aproximaria da figura do Comum, multiplicidade de singularidades (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Hardt; Negri, 2016</xref>).</p>
			<p>Contrariando as insistências de Adorno, Olmos ou de Giordano, o ensaio seria legível, partindo de sua indefinição, como um modo de mediação. Sua forma, mais afim da arte e desviante da linguagem acadêmica feita para iniciados, abriria a possibilidade de uma comunalização do saber, mas também da política, dos afetos e da “<italic>felicidad de la lectura</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Panesi, 2018</xref>, p. 293), prometendo uma transmissão do pensamento que rompe seus enclausuramentos. No entanto, se a obstinação dos ensaístas na indefinição é, ao mesmo tempo, uma concepção possível para o ensaio, seria preciso admitir um desvio da essencialização positiva da efetividade política da forma ensaística. Antes, seus efeitos e suas ligações com a política não seriam generalizáveis, mas indicações que dependem da contingência da obra e do momento de seu estudo.</p>
			<p>A interdependência entre as políticas da crítica e a história política do território latino-americano se confirma se voltarmos a Beatriz Sarlo. Apesar de ser a fundadora de um certo modo combatente do ensaio, determinado como arma retórica em favor da revalorização do papel do intelectual, ela também assinou, décadas depois, no significativo ano de 2001, um texto que atentava para a forma do ensaio sem pensá-lo como meio para um fim. Em nota de rodapé do seu prólogo à coletânea <italic>El discurso sobre el ensayo</italic>, Giordano já ressaltava a curiosa “oscilação” posicional de Sarlo no campo de discussão do gênero. Para o crítico rosarino: “<italic>Sarlo detenta el privilegio de ser, al mismo tiempo, referente histórico de una de las orientaciones del discurso sobre el ensayo y partícipe de la otra</italic>”. (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Giordano, 2015</xref>, p. 19). Ao colocar esse enunciado no espaço anexo ao seu texto, Giordano também escamoteia as consequências do duplo pertencimento de Sarlo, que faz erodir a validade da divisão tentada por Giordano e aqui continuada em outros termos. Através de “<italic>Del otro lado del horizonte</italic>”, sua segunda investida na batalha pela forma-ensaio, a diretora de <italic>Punto de Vista</italic> frisa o caráter maleável da escrita ensaística. Ali, o ensaio se metaforiza como um improviso musical que “<italic>se cambia de dirección, se inventan atajos o se dan rodeos</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Sarlo, 2015a</xref>, p. 134) e “<italic>Así como no se resume en sus partes, un ensayo no se resume en sus hipótesis.</italic>” (p. 135). Os argumentos se transformam e muda a posição ocupada pela crítica: o ensaio já não é mais uma ferramenta que comunica melhor o saber oscilante dos estudos literários, mas é uma forma singular, sempre resistente às capturas do discurso da eficácia. </p>
			<p>A distância entre os textos de Sarlo pode ser vista como uma mudança nas afiliações teóricas de quem assina o texto. A crítica dos anos 1980, ligada à divulgação de Raymond Williams e Pierre Bourdieu na Argentina (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Gerbaudo, 2010</xref>, p. 52), passa a integrar o partido da incerteza. Em outra leitura possível, a crítica permanece a mesma e o que muda é a intensidade da presença de certos elementos de seu argumento, afinal a indeterminação da posição do crítico literário já estava presente no texto fundacional de “<italic>La crítica: entre la literatura y el público</italic>”. As perspectivas me parecem válidas, mas me interessa sublinhar o lugar da conjuntura na aparente passagem de Sarlo de um bloco a outro da querela ensaística. Se nos anos 1980 a transição era o problema que se infiltrava nas discussões intelectuais, solicitando modos de reorganização da sociedade, da nação e do Estado, a passagem pela experiência de desencanto com a FREPASO<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Sarlo, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B30">Pires, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Sebrian, 2016</xref>) modifica o modo de relação entre a intelectualidade e a sociedade. Diante da crise dos projetos por ela apoiados, a crítica reinventa a si mesma e ao ensaio. Nessa mudança de posição, tudo se dá como se a “ausência de lugar” que caracterizava a crítica literária em 84 retornasse como elemento dominante na definição do ensaio como forma singular de escrita.</p>
			<p>A atenção à forma, se admite uma maleabilidade do gênero, não se encaminha para uma defesa da ausência de definição. Antes, o texto do novo milênio busca elencar e exemplificar os recursos retóricos do ensaio como a polêmica, a metáfora ou o paradoxo, montando um corpus heterogêneo de escrita ensaística. A deriva é melhor verificável na frase que encerra “<italic>Del otro lado del horizonte</italic>”: “<italic>No hay tipologías, hay solamente modos del ensayo</italic>”, escreve <xref ref-type="bibr" rid="B33">Sarlo (2015a</xref>, p. 153). O dilema se resolve por um rebaixamento da capacidade de tipificação da escrita ensaística. Sem recorrer a tipos, só se pode falar em modos intercambiáveis e interconectados. A presença da formulação que dava nome ao livro de Giordano ainda em 1991 funciona como um aceno de Sarlo ao grupo opositor. Adentrando as fileiras desse outro polo da discussão, Sarlo também parece modificar seu procedimento usual da polêmica. Nesse outro modo da crítica, o ensaio reaparece como o lugar do exercício de uma certa generosidade, visível pelo empréstimo da expressão de Giordano. A funcionalidade política do gênero modifica sua direção e a disputa pelo seu sentido é, agora, um modo de convivência.</p>
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			<title>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</title>
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				<mixed-citation>Selci, Damián. La organización permanente. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Editorial las Cuarenta; El río sin orillas, 2020.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Tresoldi, Maria Caroline Mermerolli. Crítica cultural como “esporte de combate”: notas sobre o ensaísmo de Roberto Schwarz e de Beatriz Sarlo. Tese de doutorado. IFCH, Unicamp, Campinas: 2019.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Viñas, David. “Después de Cortázar: historia y privatización”. In: Cuadernos Hispanoamericanos, 234, jun. 1969, 734-738.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>Ximenes, Vinícius. Ler na extração, ler a extração. Estudos com Josefina Ludmer (Argentina-Brasil, 1966-2016) [ou: Pedagogias de leitura, poesia e impasses na América Latina]. Tese de doutorado. Instituto de Letras, UFF, Niterói: 2023.</mixed-citation>
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					<source>Ler na extração, ler a extração. Estudos com Josefina Ludmer (Argentina-Brasil, 1966-2016) [ou: Pedagogias de leitura, poesia e impasses na América Latina]</source>
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		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>A lembrança do cargo estatal do ensaísta vem de uma comunicação de Felipe <xref ref-type="bibr" rid="B8">Charbel (2023</xref>), intitulada “O ensaísta aposentado”, no evento “A Partilha da Incerteza”, realizado na PUC-Rio em Junho de 2023.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Os textos lidos nessa ocasião foram compilados pelo próprio Giordano mais recentemente em <italic>El discurso sobre el ensayo en la cultura argentina desde los 80.</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Giordano, 2015</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>O epíteto vem de um belo ensaio de Antonio Marcos <xref ref-type="bibr" rid="B29">Pereira (2021</xref>) que homenageia Giordano e reflete sobre seu próprio percurso de tornar-se um crítico literário.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>O tom dessa pergunta é uma homenagem e um empréstimo das formulações polêmicas de Marcos <xref ref-type="bibr" rid="B23">Natali (2020a</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B24">2020b</xref>) acerca da Literatura como valor universal ao qual se deve uma fidelidade absoluta.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>A expressão reabilita o vocábulo “célula”, corrente nas décadas de 1960 e 1970 no âmbito das esquerdas revolucionárias latino-americanas, e o liga à expressão “crítica cultural como esporte de combate”, mobilizada por Maria Caroline Tresoldi para conectar os ensaísmos de Beatriz Sarlo e Roberto Schwarz (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Tresoldi, 2019</xref>). A proposição de Tresoldi, que me parece captar a centralidade de recursos que fomentam a polêmica e a disputa nos escritos destes dois intelectuais, se baseia, por sua vez, em enunciado do sociólogo Pierre Bourdieu que resumia a Sociologia como “esporte de combate” no documentário <italic>La sociologie est un sport de combat</italic>, dirigido por Pierre Carles (<xref ref-type="bibr" rid="B19">La Sociologie, 2001</xref>). Uma reflexão acerca do filme e da consigna que lhe serve de título aparece ainda em verbete de Afrânio Mendes <xref ref-type="bibr" rid="B7">Catani (2017</xref>) no volume <italic>Vocabulário de Bourdieu</italic>, no qual se frisa a conexão do sociólogo com os movimentos sociais e uma visão política da disciplina sociológica.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Explorações das interseções entre as colocações de Nunes acerca da “função vanguarda” e das “práticas não vanguardistas da vanguarda” e o campo literário têm aparecido na cena teórica brasileira. Em sua recente tese de doutorado, Vinícius Ximenes argumenta por uma capacidade da instituição universitária de “acolher ao menos algumas moléculas da energia das vanguardas, prolongando, por outros meios, sua batalha contra as pedagogias burguesas, mantendo ligado um espaço agonístico no qual se discute (e se disputa) explicitamente o valor de uso dos corpus [sic] e a relação entre os usos do valor e os usos da vida”. (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Ximenes, 2023</xref>, p. 302. Grifo do autor). Em minha própria tese, o pensamento de Nunes é pensado com alguns romances contemporâneos que exploram as últimas ditaduras do cone-sul: “No plano dos romances, a incorporação de traços que deformam o gênero, como as anotações, os documentos ou a performance do fracasso da trama, permitem pensar na sobrevivência de uma pulsão disruptiva nesses textos. Essa pulsão, no entanto, convive e depende de um apelo democratizante ao relato familiar como registro hegemônico do passado ditatorial.”. (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Miranda, 2023</xref>, p. 155).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Lembro que Walsh simboliza toda uma vertente da literatura argentina: ele é tanto o nome que resume uma ligação próxima entre literatura e realidade política quanto o modelo do escritor militante. Seu destino trágico como um dos desaparecidos políticos da ditadura argentina e seu pertencimento à organização de esquerda armada Montoneros o singularizam na cena literária ao mesmo tempo em que o inserem na série anônima da desaparição forçada. Para Paloma <xref ref-type="bibr" rid="B38">Vidal (2006</xref>, p. 15): “seu assassinato pela ditadura traz a marca simbólica de um momento de virada a partir do qual se tornou necessário reformular a relação entre literatura e política.”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Frente partidária fundada em 1994 como alternativa de esquerda ao peronismo neoliberal de Carlos Saúl Menem, mas que fracassou ao manter o apoio à presidência de Fernando de la Rúa durante a insurreição de dezembro de 2001.</p>
			</fn>
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