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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">caracol</journal-id>
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				<journal-title>Revista Caracol</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Revista Caracol</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">2317-9651</issn>
			<issn pub-type="ppub">2317-9651</issn>
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				<publisher-name>Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2317-9651.i28p89-119</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Dossiê - Novos olhares para os estudos da tradução espanhol&lt;&gt;português no século XXI</subject>
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			<title-group>
				<article-title>A vinculação entre os fatores extralinguísticos e o significado lexical na tradução de legendas: o colombianismo hágale em foco</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>The connection between extralinguistic factors and lexical meaning in the translation of subtitles: Colombianism in focus</trans-title>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-8183-9259</contrib-id>
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						<surname>Pontes</surname>
						<given-names>Valdecy Oliveira</given-names>
					</name>
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                    <bio>
                    <p>Professor associado de língua espanhola e de linguística da Universidade Federal do Ceará, Centro de Humanidades, Programa de Pós-Graduação em linguística (PPGLing), Fortaleza, Ceará, Brasil. Pós-doutorado em Estudos da Tradução (UFSC), doutorado em Linguística (UFC), mestrado em Linguística Aplicada (UECE), licenciatura em Letras, Português - Espanhol (UFC). Líder do grupo de pesquisa Línguas e História (CNPq). </p>
                    </bio>
                    <email>valdecy.pontes@ufc.br</email>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-2710-6062</contrib-id>
					<name>
						<surname>Souza</surname>
						<given-names>Roberto Saboya Jorge de</given-names>
						<suffix>Junior</suffix>
					</name>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
                    <bio>
                    <p>Mestrando em Linguística pela Universidade Federal do Ceará, Centro de Humanidades, Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGLing), Fortaleza, Ceará, Brasil. Pesquisador do grupo de pesquisa. </p>
                    </bio>
                    <email>rodrigocampos.rsc@gmail.com</email>
				</contrib>
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			<aff id="aff1">
				<institution content-type="original">Universidade Federal do Ceará, Centro de Humanidades, Programa de Pós-Graduação em linguística (PPGLing), Fortaleza, Ceará, Brasil.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Ceará</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Centro de Humanidades</institution>
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				<country country="BR">Brasil</country>
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				<institution content-type="original">Mestrando em Linguística pela Universidade Federal do Ceará, Centro de Humanidades, Programa de Pós-Graduação em linguística (PPGLing), Fortaleza, Ceará, Brasil.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Ceará</institution>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<season>Jul-Dec</season>
				<year>2024</year>
			</pub-date>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>18</day>
				<month>11</month>
				<year>2024</year>
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			<volume>28</volume>
			<issue>2</issue>
			<fpage>89</fpage>
			<lpage>119</lpage>
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				<date date-type="accepted">
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>É comum que séries audiovisuais contenham em seus discursos a presença de traços culturais que se refletem no uso da língua por meio de marcas de oralidade, circunscritas a determinada comunidade linguística, acarretando dificuldades de acesso semântico por pessoas de outras culturas. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é analisar as escolhas linguísticas dos legendistas ao transporem para o português do Brasil o colombianismo “hágale”, emitido na série colombiana Narcos. Para essa finalidade, basear-nos-emos no dicionário Colômbia (2018), na perspectiva de tradução da variação de Mayoral (1998) e na tradução audiovisual de Díaz Cintas (2003). Como contribuições, trazemos reflexões que colocam frente a frente a teoria de tradução audiovisual e a prática de legendagem, através da análise e proposição de resolução de casos mais sintomáticos de problemas de tradução, contribuindo assim com o aprimoramento da prática de legendagem do espanhol colombiano para o português brasileiro e do resultado dos produtos audiovisuais.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>It is common for audiovisual series to contain cultural traits in their discourse, which are reflected in the use of language through orality signs that are restricted to a particular linguistic community, leading to difficulties in semantic access for people from other cultures. In this sense, the aim of this paper is to analyze the linguistic choices made by subtitlers when translating the Colombian “hágale” used in the Colombian series Narcos into Brazilian Portuguese. For this purpose, we will rely on the Dictionary of Colombia (2018), on Mayoral’s (1998) perspective of variation translation, and on Díaz Cintas’s (2003) audiovisual translation. As contributions, we bring reflections that confront the theory of audiovisual translation and the practice of subtitling, analyzing and proposing solutions to the most symptomatic cases of translation problems, thus contributing to improve the practice of subtitling Colombian Spanish into Brazilian Portuguese and the result of audiovisual products.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Tradução Audiovisual</kwd>
				<kwd>Legendagem</kwd>
				<kwd>Fatores Extralinguísticos</kwd>
				<kwd>Tradução de Colombianismos</kwd>
				<kwd>Português</kwd>
				<kwd>Espanhol</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Audiovisual Translation</kwd>
				<kwd>Subtitling</kwd>
				<kwd>Extralinguistic Factors</kwd>
				<kwd>Translation of Colombianisms</kwd>
				<kwd>Portuguese</kwd>
				<kwd>Spanish</kwd>
			</kwd-group>
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				<table-count count="3"/>
				<ref-count count="23"/>
				<page-count count="31"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>1. Introdução</title>
			<p>Os produtos derivados do mercado cinematográfico ganharam, sobretudo a partir da década de 2010, novas formas de fruição, as quais destoavam consideravelmente dos veículos de reprodução consolidados até então, tais como as salas de cinema, as TVs aberta e paga e as locadoras de filmes, que alugavam a seus clientes inicialmente mídias em fitas cassete e, posteriormente, em DVD. Entretanto, estas alternativas de fruição, devido à natureza intrínseca de seu funcionamento, apresentavam importantes obstáculos para o pleno usufruto dos espectadores. </p>
			<p>Por volta da década mencionada, se sobrelevam as plataformas de <italic>streaming</italic>, culminando em uma revolução na maneira como as pessoas passaram a consumir conteúdo audiovisual. Tal revolução se explica sobretudo pela facilitação do acesso de conteúdo aos usuários: a apenas alguns cliques<italic>,</italic> a partir de suas próprias casas e a custos bastante atrativos se propiciava a experiência do entretenimento. Além disso, a rápida velocidade para disponibilização de conteúdo e a imensa quantidade de obras possíveis de serem veiculadas em um ambiente virtual único são outros atrativos destas plataformas que justificam o impulsionamento do mercado de <italic>streaming</italic>.</p>
			<p>Para fazer frente a esse crescimento, é natural, portanto, o aumento da demanda por produtores, editores, roteiristas, tradutores, entre outras profissões que fazem o mercado audiovisual. Nesse sentido, destacamos o trabalho do tradutor audiovisual, pois é ele quem viabilizará a acessibilidade linguística do conteúdo aos espectadores da cultura de destino.</p>
			<p>É importante discorrermos sobre a matéria-prima com a qual trabalhará esse profissional. Trata-se do texto audiovisual que <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bartoll (Bartoll, 2015</xref>, p. 15, tradução nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> define como “uma mensagem dinâmica no tempo que se pode perceber pelo canal de áudio, pelo canal visual ou por ambos ao mesmo tempo”. Da definição, percebemos que o texto audiovisual não se constitui apenas da informação escrita, mas também da visual, através da qual as imagens devem ser consideradas no processo tradutório. </p>
			<p>Com relação às modalidades de tradução audiovisual, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bartoll (2015</xref>), as mais populares são a dublagem, a legendagem e o <italic>voice-over</italic>. <xref ref-type="bibr" rid="B6">Bartoll (2015)</xref> esclarece que na dublagem ocorre a substituição da parte sonora de origem pelo áudio produzido por atores dubladores, enquanto na legendagem, se preservam as falas dos personagens e se traduz sinteticamente estas falas em linhas de textos. Já na modalidade <italic>voice-over</italic>, o som original é mantido, no entanto, sua intensidade é reduzida no momento em que se inicia a voz na língua de destino, não se atendo à sincronia labial do personagem com a voz do ator ou atriz, como ocorre na dublagem. </p>
			<p>Na presente pesquisa, analisamos a tradução por legendagem do colombianismo <italic>hágale</italic> da série Narcos, fundados nos pressupostos sociolinguísticos em que se considera a vinculação entre os fatores extralinguísticos e o significado lexical. Escolhemos a modalidade de legendagem, porque, em linha com <xref ref-type="bibr" rid="B15">Díaz Cintas (2003</xref>), o trabalho do tradutor é mais evidente quando o comparamos à dublagem, uma vez que preserva a língua estrangeira emitida na enunciação oral do personagem. O <italic>voice-over</italic> não seria aplicável ao nosso caso - que analisa a tradução de uma série audiovisual - porque é uma modalidade mais direcionada a produtos específicos, tais como documentários e entrevistas, em que a sincronia (de entrada e saída) entre o texto de partida e o texto de destino não é relevante para o propósito a que se destina.</p>
			<p>O enredo da série que escolhemos (Narcos) aborda o contexto sócio-histórico e político da Colômbia das décadas de 1980 e 1990, em que o país enfrentava diversas dificuldades, entre as quais se destacavam as desigualdades sociais e o crescimento desenfreado do tráfico de drogas, especialmente para os Estados Unidos. A corrupção sistemática de uma infinidade de atores sociais destes dois países - policiais, juízes, embaixadores, políticos - delata no transcurso da série o estabelecimento de uma complexa rede de negociações para sustentar o negócio do tráfico. A história conta com um narrador onisciente (que por ocasiões contextualiza o enredo) e as cenas da obra são intercaladas com noticiários oficiais do período, como forma de trazer verossimilhança ao enredo. Muitas cenas retratam situações e eventos que de fato ocorreram na época, no entanto, em grande parte delas, as motivações, os personagens envolvidos e a forma como aconteceram destoam da realidade, evidenciando a adição de componentes imaginários próprios das obras de ficção. Percebemos também que a série explorou intensamente a cultura e a vida em sociedade da população em geral, através de cenas que incluem locais frequentados pelos colombianos como praças, ruas, igrejas, discotecas, bares, entre outros lugares. </p>
			<p>Retornemos então à modalidade de tradução por legendagem, cujo pressuposto básico é proporcionar ao espectador uma velocidade de leitura das legendas que lhe permita ler e assimilar confortavelmente a informação audiovisual. Tal preocupação ocorre porque o fluxo de informações audiovisuais é inexorável e a velocidade de leitura humana, em geral, é limitada e definida em termos da quantidade máxima de palavras lidas por minuto. Por essas razões, a tradução por legendagem se diferencia da tradução de textos em modo de discurso simples e deve atender também a critérios técnicos audiovisuais, a que denominamos também parâmetros técnicos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2. Tradução audiovisual por legendagem</title>
			<p>Uma das premissas fundamentais da legendagem, que decorre da necessidade de proporcionar uma velocidade de leitura cômoda, é a de construir legendas em espaços limitados. Assim, uma técnica que reduza a informação de partida é uma condição quase <italic>sine qua non</italic> utilizada na modalidade de legendagem, conforme pontua <xref ref-type="bibr" rid="B15">Díaz Cintas (2003</xref>).</p>
			<p>Decorrente desse processo de redução, inevitavelmente surgem perdas de palavras ou sintagmas pertencentes aos enunciados emitidos pelos personagens. Caberá ao legendista, portanto, decidir que tipos de informações serão transpostas e as que serão eliminadas. <xref ref-type="bibr" rid="B15">Díaz Cintas (2003</xref>) expõe alguns métodos que subsidiam os legendistas nesta tarefa de eliminação material. De modo geral, Días Cintas (2003) afirma que cabe ao legendista avaliar se as perdas estabelecidas nesse processo de redução não prejudicam a compreensão do enredo nem impactam negativamente a mediação da informação com relação aos níveis semântico, pragmático e estilístico.</p>
			<p>Como regra geral, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Díaz Cintas (2003</xref>) recomenda que seja atendida a proporção de 2 linhas de 35 espaços de legendas a cada janela de 6 segundos de duração correspondente, conforme regra conhecida como regra dos seis segundos. A <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref> apresenta essa correspondência, por meio da qual podemos extrair a quantidade máxima de caracteres para representar uma legenda qualquer, de acordo com seu tempo de duração.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title>Equivalências entre segundos/quadros e espaços</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="center">Segundos: quadros</th>
								<th align="center">Espaços</th>
								<th align="center">Segundos: quadros</th>
								<th align="center">Espaços</th>
								<th align="center">Segundos: quadros</th>
								<th align="center">Espaços</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="center">00:04</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">2:04</td>
								<td align="center">26</td>
								<td align="center">04:04</td>
								<td align="center">49</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">00:06</td>
								<td align="center">3</td>
								<td align="center">02:06</td>
								<td align="center">27</td>
								<td align="center">04:06</td>
								<td align="center">50</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">00:08</td>
								<td align="center">4</td>
								<td align="center">02:08</td>
								<td align="center">28</td>
								<td align="center">04:08</td>
								<td align="center">51</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">00:10</td>
								<td align="center">5</td>
								<td align="center">02:10</td>
								<td align="center">29</td>
								<td align="center">04:10</td>
								<td align="center">52</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">00:12</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">02:12</td>
								<td align="center">30</td>
								<td align="center">04:12</td>
								<td align="center">53</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">00:14</td>
								<td align="center">7</td>
								<td align="center">02:14</td>
								<td align="center">31</td>
								<td align="center">04:14</td>
								<td align="center">54</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">00:16</td>
								<td align="center">8</td>
								<td align="center">02:16</td>
								<td align="center">32</td>
								<td align="center">04:16</td>
								<td align="center">55</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">00:18</td>
								<td align="center">9</td>
								<td align="center">02:18</td>
								<td align="center">33</td>
								<td align="center">04:18</td>
								<td align="center">56</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">00:20</td>
								<td align="center">10</td>
								<td align="center">02:20</td>
								<td align="center">34</td>
								<td align="center">04:20</td>
								<td align="center">57</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">00:22</td>
								<td align="center">11</td>
								<td align="center">02:22</td>
								<td align="center">34</td>
								<td align="center">04:22</td>
								<td align="center">58</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">01:00</td>
								<td align="center">12</td>
								<td align="center">03:00</td>
								<td align="center">35</td>
								<td align="center">05:00</td>
								<td align="center">59</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">01:02</td>
								<td align="center">13</td>
								<td align="center">03:02</td>
								<td align="center">36</td>
								<td align="center">05:02</td>
								<td align="center">60</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">01:04</td>
								<td align="center">14</td>
								<td align="center">03:04</td>
								<td align="center">37</td>
								<td align="center">05:04</td>
								<td align="center">61</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">01:06</td>
								<td align="center">15</td>
								<td align="center">03:06</td>
								<td align="center">38</td>
								<td align="center">05:06</td>
								<td align="center">62</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">01:08</td>
								<td align="center">16</td>
								<td align="center">03:08</td>
								<td align="center">39</td>
								<td align="center">05:08</td>
								<td align="center">63</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">01:10</td>
								<td align="center">17</td>
								<td align="center">03:10</td>
								<td align="center">40</td>
								<td align="center">05:10</td>
								<td align="center">64</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">01:12</td>
								<td align="center">18</td>
								<td align="center">03:12</td>
								<td align="center">41</td>
								<td align="center">05:12</td>
								<td align="center">65</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">01:14</td>
								<td align="center">19</td>
								<td align="center">03:14</td>
								<td align="center">42</td>
								<td align="center">05:14</td>
								<td align="center">66</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">01:16</td>
								<td align="center">20</td>
								<td align="center">03:16</td>
								<td align="center">43</td>
								<td align="center">05:16</td>
								<td align="center">67</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">01:18</td>
								<td align="center">21</td>
								<td align="center">03:18</td>
								<td align="center">44</td>
								<td align="center">05:18</td>
								<td align="center">68</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">01:20</td>
								<td align="center">22</td>
								<td align="center">03:20</td>
								<td align="center">45</td>
								<td align="center">05:20</td>
								<td align="center">69</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">01:22</td>
								<td align="center">23</td>
								<td align="center">03:22</td>
								<td align="center">46</td>
								<td align="center">05:22</td>
								<td align="center">70</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">02:00</td>
								<td align="center">24</td>
								<td align="center">04:00</td>
								<td align="center">47</td>
								<td align="center">06:00</td>
								<td align="center">70</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center">02:02</td>
								<td align="center">25</td>
								<td align="center">04:02</td>
								<td align="center">48</td>
								<td align="center"> </td>
								<td align="center"> </td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN1">
							<p>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B15">Díaz Cintas (2003</xref>, p. 118).</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>3. A tradução da variação linguística</title>
			<p>Como forma de buscar retratar a realidade, as obras audiovisuais costumam apresentar diálogos entre seus personagens produzidos em situações da vida cotidiana. Esse tipo de contexto conduz quase sempre à preferência pelo uso de um registro linguístico mais coloquial. A esse respeito merecem destaque as considerações de <xref ref-type="bibr" rid="B7">Briz Gómez (2018)</xref>, quando afirma que os traços coloquializadores - responsáveis por produzir o registro coloquial, tais como cotidianidade temática, proximidade entre interlocutores etc. - favorecem a utilização de léxico mais natural e menos preciso e tornam o desenlace semântico muito dependente do contexto. Por essas razões, a tradução de termos coloquiais, dos quais fazem parte os colombianismos, representa um desafio para os legendistas, dada a opacidade semântica que tais termos carregam.</p>
			<p>Diante desses desafios relacionados à transposição de coloquialismos - boa parte dos quais são constituídos por referentes culturais - pesquisas como as de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Furtado (2013</xref>) apontam que algumas estratégias de legendagem desses termos optam pelo apagamento ou neutralização desses referentes, resultando em algum prejuízo na compreensão argumental. <xref ref-type="bibr" rid="B17">Furtado (2013)</xref> acrescenta que pesquisas simples poderiam solucionar alguns dos casos em que são omitidos e que não são levadas a cabo pelo legendista.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B15">Díaz Cintas (2003</xref>) frisa que a estratégia de eliminação material utilizada não deve acarretar desequilíbrio na compreensão do desenvolvimento argumental ou no nível de verossimilhança da cena. Entendemos que há comprometimento da verossimilhança quando o que se apresenta nas legendas destoa do que se percebe pela sucessão das cenas, pela caracterização dos personagens ou pelo enredo que marca o fragmento.</p>
			<p>Uma interface fundamental para a solução de problemas de tradução que envolvem marcas culturais é, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B22">Mayoral Asensio (1998</xref>), o que classicamente se tem denominado tradução cultural. Esta é uma perspectiva que tem ganhado espaço nos estudos da tradução por ser uma interface que viabiliza a conexão entre as culturas envolvidas no processo. <xref ref-type="bibr" rid="B22">Mayoral Asensio (1998)</xref> revela que uma estratégia de tradução pode variar de acordo com as culturas envolvidas. Por exemplo, quando existe um referente cultural equivalente na cultura alvo, tal equivalente pode ser utilizado. Quando, no entanto, não existe, pode ser utilizada a estratégia de explicitação, para dar a entender uma expressão que é exclusiva da cultura de partida.</p>
			<p>A perspectiva da sociolinguística variacionista, proposta por Labov, é outra perspectiva aplicável às soluções dos problemas de tradução, que relatamos no início deste artigo. Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B18">Freitag e Lima (2010</xref>) aportam, o objeto da sociolinguística variacionista ou laboviana é “a língua, observada, descrita e analisada em seu contexto social, isto é, em situações de uso”. Um dos princípios revelados por <xref ref-type="bibr" rid="B21">Labov (2003)</xref> se traduz pelo compartilhamento das mesmas tendências de estilo por um determinado grupo social, em que as pessoas compartilham modos de falar específicos dentro da comunidade a que pertencem, os quais são regidos por crenças, juízos de valor e atitudes preservados pelo grupo, comportamentos que <xref ref-type="bibr" rid="B21">Labov (2003)</xref> conceitua como comportamento sociolinguístico. <xref ref-type="bibr" rid="B18">Freitag e Lima (2010)</xref> apontam que esta é a razão pela qual grupos distintos como <italic>rappers</italic>, internautas etc. não falam igual, mas adotam entre si uma norma linguística homogênea, que são reflexo dos valores que compartilham. Esta homogeneidade ocorre, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B19">Labov (1972)</xref>, quando uma variável se converte em um marcador, uma espécie de norma definida por uma comunidade linguística. </p>
			<p>Ao falar sobre as distintas formas de falar e sobre a homogeneidade linguística dentro de uma comunidade de fala, cabe-nos trazer conceitos sobre variação, variante e variável linguística. Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Freitag e Lima (2010</xref>, p. 46), “às diferentes maneiras de falar, a Sociolinguística reserva o nome de variedades linguísticas”. <xref ref-type="bibr" rid="B20">Labov (1978</xref>, p. 2) afirma que são variantes os enunciados que possuem o mesmo significado referencial, ou seja, o mesmo significado representacional ou estado de coisas: “dois enunciados que se referem ao mesmo estado de coisas têm o mesmo valor de verdade”. O autor ratifica o princípio da equivalência semântica e destaca ser necessário que, como variantes de uma variável, se aceitem enunciados que possuam o mesmo valor de verdade, no mesmo contexto, mas não rigorosamente o mesmo significado. </p>
			<p>Seguindo esta lógica, pode haver diferenças em matizes de sentido, desde que o significado referencial não seja afetado. Labov separa o significado referencial em um nível, considerado como primário, e as funções de identificação do falante e de acomodação do ouvinte em outro nível (secundário) que contemplaria os aspectos sociais e estilísticos. Dessa forma, variantes que portam diferenças de cunho pragmático, podem ter o mesmo significado referencial. <xref ref-type="bibr" rid="B20">Labov (1978)</xref> argumenta, ainda, que a Sociolinguística é “sócio” não só porque lida com fatores estilísticos e sociais, mas por analisar a língua como componente social. A partir desse argumento, <xref ref-type="bibr" rid="B20">Labov (1978)</xref> propõe que a análise linguística deve focalizar, primeiramente, o significado referencial e, em um segundo momento, seguir para as funções de identificação e acomodação. </p>
			<p>Por variável, entendemos como o elemento que sofrerá variação dentro do sistema, cujo efeito pode estar situado em algum nível, morfológico, lexical, fonológico etc. Aportamos como exemplo a variação sobre o nível lexical, tipo sobre o qual nos deteremos no curso deste trabalho, que ocorre em função do lugar geográfico e que tem como efeito variações no nível lexical. Por exemplo, coloquialmente, <italic>pibe(ba),</italic> conforme Rae (2023), é um termo usado para designar uma pessoa jovem na Argentina: “<italic>m y f. coloq. Arg. Bol. Ur. Niño o joven</italic>”. Já na Colômbia, consoante ainda a Rae (2023), o termo <italic>pelado(da)</italic> costuma ser empregado para essa acepção: “<italic>m. y f. coloq. Bol. Y Col. Niño, muchacho</italic>”. </p>
			<p>A respeito dos aspectos lexicais, <xref ref-type="bibr" rid="B8">Coelho et al. (2010</xref>) afirmam que, na classificação dos dialetos, eles “estão intimamente ligados a fatores extralinguísticos, de caráter cultural, sobretudo, etnográficos e históricos” (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Coelho et al. 2010</xref>, p. 52). O que diferencia uma variante em relação às demais, para <xref ref-type="bibr" rid="B8">Coelho et al. (2010)</xref>, é essencialmente o valor social atribuído à variante pelo grupo que a utiliza. Tal valor, conforme as autoras, em vez de ocorrer ao acaso, é sistematizável, ou seja, é possível identificar os fatores determinantes para a ocorrência de uma variante em detrimento de outras. Entre os fatores extralinguísticos concorrentes para a emergência da variação podemos destacar idade, sexo, classe social, escolaridade, grupo social, lugar geográfico, entre outros. Tais fatores podem condicionar a escolha de uma ou outra variante pelo falante.</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B11">Coseriu (1980</xref>), existem quatro tipos de variação linguística. São eles: a) variação diacrônica ou temporal - se refere ao eixo temporal; b) variação diatópica ou regional -se relaciona com a região geográfica; c) variação diastrática ou social -se refere ao grupo social; d) variação diafásica ou estilística - se refere ao registro verbal. </p>
			<p>Por exemplo, no tocante à variação diatópica e o uso das formas de tratamento na Venezuela, <xref ref-type="bibr" rid="B1">Álvarez Muro e Freites Barros (2010</xref>) relatam que as formas tú e usted são utilizadas com variações, dependendo de determinadas regiões.</p>
			<p>Conforme relatamos, a sociolinguística exerce papel fundamental para determinar a avaliação social do uso da língua em associação com os fatores extralinguísticos supracitados, pois ajuda a analisar “o uso da fala em situações cotidianas por parte dos membros de uma sociedade com o propósito de determinar a avaliação social que têm as variantes linguísticas empregadas por seus falantes” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Díaz-Campos, 2014</xref>, p. 3).</p>
			<p>Esta relação de influência dos fatores extralinguísticos na direção do valor social desemboca, em última instância, na dimensão significativa que se atribui ao vocábulo. Neste sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Areiza Lodoño e Flórez Ospina (2016)</xref> contextualizam a relevância que o significado assume entre as diversas disciplinas correlatas.</p>
			<p>O significado deixou o aspecto marginal da linguagem para se tornar a preocupação da linguística, da pragmática, da própria semântica com novos enfoques, o que tem dado lugar a pensar o sentido contextual como a transformação do significado quando abandona o nicho do sistema e ingressa no contexto situacional para adotar sua dimensão social. (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Areiza Lodoño; Flórez Ospina, 2016</xref>, p. 88, tradução nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B22">Mayoral Asensio (1998</xref>) corrobora essa visão, ao pontuar que ao longo dos anos o significado passou a ser objeto de estudo de diversas disciplinas como a estilística, a pragmática e a semântica, e que “com a influência da lógica a ideia de variação se traslada do sistema linguístico à significação, com a distinção dos tipos de significados diversos, especialmente os de significado conotativo e denotativo” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Mayoral Asensio, 1998</xref>, p. 21, tradução nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>.</p>
			<p>Conforme relatamos, por ser o significado léxico principalmente afetado pela variação diatópica e pelos desafios de transposição cultural se concentrarem em questões que envolvem o significado lexical - muitas vezes opaco e com problemas de acesso por pessoas de outras culturas - o enfoque deste trabalho buscará entender a vinculação entre os fatores extralinguísticos e o significado lexical e oferecer possibilidades semânticas que se aproximam à realidade que vivenciam os personagens dentro do ambiente em que se desenvolve o enredo.</p>
			<p>Um caminho apropriado para a compreensão dos fenômenos de variação lexicais reside nos registros linguísticos que contêm acepções de termos como os dicionários, os atlas linguísticos, entre outras ferramentas lexicográficas. Nesse sentido, apresentamos nossa justificativa para a escolha da ferramenta lexicográfica através da qual nos basearemos, o Diccionario de Colombianismos<italic>,</italic><xref ref-type="bibr" rid="B9">Colômbia (2018)</xref>. Tal dicionário é fruto do trabalho conjunto entre a Academia Colombiana de La Lengua e o Instituto Caro y Cuervo, o qual tem como uma de suas principais funções “impulsionar iniciativas de promoção, difusão e apropriação do patrimônio imaterial, em especial, idiomático do país” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Colômbia, 1999</xref>, p. 11, tradução nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>. A versão da ferramenta lexicográfica que selecionamos “recolhe cerca de 8.000 definições, 6.000 entradas e 1.500 entradas do dialeto do espanhol falado na Colômbia” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Colômbia, 2018</xref>, p. 16, tradução nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>. Por ser descritivo - uma vez que inclui gírias, coloquialismos, termos culturais - e por conter numerosa quantidade de entradas, oferece um universo semântico com possibilidades de abranger as lexias que se apresentam no universo não planejado, incidental e peculiar (característicos do falar coloquial), que se apresentam nas falas de personagens colombianos de seriados, em sua tentativa de reproduzir a verossimilhança da história contada na medida em que estes produtos audiovisuais incluem a fala coloquial nos roteiros de seus enredos.</p>
			<p>Ao estudarmos os fatores extralinguísticos, verificamos que há uma diversidade considerável, a depender do objeto de estudo e da comunidade analisada. Faixa-etária (idade), sexo, grau de escolaridade e classe social estão entre as que são mais empregadas nas pesquisas sociolinguísticas. Por essa razão as incluímos em nossa análise. No entanto, não encontramos correlação entre esses fatores e a variação linguística, no tocante aos enunciados tomados para análise. Com relação à escolaridade e à classe social, percebemos a inexistência de correlação porque o termo foi empregado tanto por narcotraficantes com escolaridade e classe social baixas, como Pablo Escobar, quanto por Jorge Salcedo - um engenheiro que era bem-sucedido, antes mesmo de ingressar como chefe de segurança do cartel. Em uma discussão com sua esposa, Paola, ela reclama que Salcedo não teria necessidade financeira para ingressar no mundo do crime. Acerca do fator idade, também o colombianismo se reproduz entre diferentes faixas etárias, ou seja, desde o jovem David, filho do narcotraficante Gilberto Rodriguez, até Pablo Escobar que tinha 44 anos ao falecer. Sobre o fator sexo, não é possível pelas amostras chegar a uma conclusão devido à predominância de narcotraficantes do sexo masculino e escassez de mulheres retratadas à frente dos carteis.</p>
			<p>Por outro lado, baseados em <xref ref-type="bibr" rid="B22">Mayoral Asensio (1998</xref>), focalizamos nos fatores extralinguísticos que mais se relacionam com a variação lexical, que são situação de uso e variação conotativa de significado. A análise dos fatores de influência está descrita ao longo da seção posterior. </p>
			<p>Do exposto, o objetivo desta investigação é verificar como foram realizadas as transposições dos enunciados - que contêm como colombianismo o vocábulo <italic>hágale</italic> - do seriado Narcos para o português brasileiro. A análise se funda nos pressupostos teóricos da tradução da variação ou perspectiva sociolinguística de tradução, da tradução audiovisual e da lexicologia e lexicografia. Esperamos contribuir com a prática profissional do trabalho de legendagem na medida em que propomos um diálogo entre a teoria supracitada e cada caso em concreto que ora se apresenta.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>4. Análise da legendagem do colombianismos hágale</title>
			<p>Primeiramente, discorreremos sobre a metodologia para coleta de nosso <italic>corpus.</italic> Visualizamos todo o seriado pela primeira vez na condição de espectador, sem nos preocuparmos com os termos colombianismos, já que tínhamos como objetivo inicial internalizar o contexto do seriado. A partir da segunda visualização, à medida que os colombianismos surgiam, detivemos o curso do seriado e anotamos o enunciado em que o termo aparecia. Na sequência, transcrevemos para a <xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref> o áudio original, a legenda em português, um resumo do contexto da cena e os tempos de entrada e saída do enunciado. Seguimos esse procedimento para cada colombianismo identificado. Para caracterização da palavra como colombianismo, nos apropriamos do <xref ref-type="bibr" rid="B9">Dicionário de Colombianismos Colômbia (2018)</xref> baseados em sua definição diferencial: “termo, expressão ou sentido considerado colombianismo se usa em qualquer região da Colômbia, <italic>mas não no espanhol peninsular</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Colômbia, 2018</xref>, p. 17, tradução e destacados nossos)<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>. Fundados neste aspecto diferencial, procedemos à coleta de uma série de termos colombianismos, os quais foram classificados em ordem descrescente em termos de frequência de aparição em todo o seriado. As cinco palavras mais frequentes foram <italic>berraco, chimba, hágale</italic> e <italic>sapo</italic>. Por limitações do espaço disponível neste trabalho, selecionamos o colombianismo que se mostrou mais versátil - ofereceu possibilidades e situações de uso mais diversas - em relação aos demais: o termo <italic>hágale</italic>. </p>
			<p>A configuração selecionada para exibição da obra na plataforma Netflix foi <italic>Português</italic> para <italic>Legendas</italic> e <italic>Espanhol (América Latina)</italic> para <italic>Idioma</italic>, a fim de fazer refletir a cultura de origem em que o seriado estava situado.</p>
			<p>Iniciemos pela análise dos parâmetros técnicos gerais de exibição. Baseamo-nos no guia de requisitos <xref ref-type="bibr" rid="B23">Netflix (2024)</xref> para legendas em espanhol da América Latina e Espanha, pois a companhia reuniu as duas variantes em um só documento. Tal documento orienta que as legendas ocupem o máximo de 42 caracteres por linha, mantendo preferencialmente legenda em linha única, quando possível; do contrário, recomenda seguir a estrutura piramidal, com no máximo 2 linhas e fonte na cor branca. Também orienta que o hífen (antes dos diálogos) seja utilizado somente quando houver mais de um interlocutor. </p>
			<p>Com relação a nossa avaliação dos parâmetros citados, percebemos que todos os enunciados tomados para análise apareceram centralizados em tela, na cor branca e constituíram legenda em linha única, pois continham quantidade de caracteres inferior a 42 (<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>). Para verificarmos a adequação do parâmetro espaço-temporal com relação aos enunciados tomados para análise, subtraímos o “tempo de saída” pelo “tempo de entrada” da <xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref>. Contamos a quantidade de caracteres e o tempo de duração correspondentes a cada enunciado e os inserimos na <xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>.</p>
			<p>Ao confrontarmos a contagem de caracteres de cada enunciado com o limite proposto pela <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref> de <xref ref-type="bibr" rid="B15">Días Cintas (2003)</xref>, percebemos que o parâmetro espaço-temporal foi atendido. Notamos que nenhum dos enunciados ultrapassou o limite de 23 caracteres correspondentes à unidade de segundo, conforme indicado na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t2">
					<label>Tabela 2</label>
					<caption>
						<title>Correspondência espaço-temporal</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="left">Legenda</th>
								<th align="center">Caracteres</th>
								<th align="center">Tempo</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">Vão em frente!</td>
								<td align="center">14</td>
								<td align="center">1</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Andem logo!</td>
								<td align="center">11</td>
								<td align="center">1</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Isso é tudo! Podem ir!</td>
								<td align="center">22</td>
								<td align="center">1</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Entre!</td>
								<td align="center">6</td>
								<td align="center">1</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN2">
							<p>Fonte: elaborada pelos autores.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>
				<table-wrap id="t3">
					<label>Tabela 3</label>
					<caption>
						<title>Colombianismo hágale / háganle</title>
					</caption>
					<table>
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="left">Trans. áudio original</th>
								<th align="left">Legenda PT-BR</th>
								<th align="left">Descrição da cena</th>
								<th align="left">Temp.: Epis.</th>
								<th align="left">Tempo entrada</th>
								<th align="left">Tempo saída</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="left">¡Háganle!</td>
								<td align="left">Vão em frente!</td>
								<td align="left">(1) Coronel Carrillo, ao assentir que um grupo de vítimas de Escobar voltasse a golpear Gustavo por se recusar a delatar seu primo.</td>
								<td align="left">T1:E8</td>
								<td align="left">36:22</td>
								<td align="left">36:23</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">¡Hágale, hágale!</td>
								<td align="left">Andem logo!</td>
								<td align="left">(2) Davi, um dos chefes do cartel de Cali, apressando seus homens para carregarem um caminhão com tanques de gás tóxico cujo conteúdo acabara de ser despejado nas tubulações públicas do bairro.</td>
								<td align="left">T3:E2</td>
								<td align="left">00:46</td>
								<td align="left">00:47</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">Eso es todo, ¡háganle!</td>
								<td align="left">Isso é tudo! Podem ir!</td>
								<td align="left">(3) Salcedo, chefe de segurança do cartel de Cali, após anunciar as últimas ordens a seus comandados em uma reunião, irrumpe o silêncio e os manda embora.</td>
								<td align="left">T3:E6</td>
								<td align="left">10:41</td>
								<td align="left">10:42</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">¡Hágale!</td>
								<td align="left">Entre!</td>
								<td align="left">(4) Salcedo, ao abrir a porta da casa e acenar para Palomari, tesoureiro do cartel de Cali, que entrasse no local que lhe serviria de esconderijo.</td>
								<td align="left">T3:E6</td>
								<td align="left">17:22</td>
								<td align="left">17:23</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN3">
							<p>Fonte: elaborada pelos autores.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Passemos agora a descrever os campos que constituem a <xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref>. Sua primeira coluna contêm o termo colombianismo, com destaques nossos em negrito para a grafia do termo. A segunda coluna contém a respectiva opção da legenda em português do seriado. Na terceira coluna, expomos uma breve descrição do contexto em que a cena em torno do enunciado se insere, antecedida entre parênteses por um número que a identifica. A quarta coluna situa a temporada (Temp.) e o episódio (Epis.) em que transcorre a respectiva cena. As últimas colunas recebem, respectivamente, os tempos de entrada e saída de aparição da legenda. </p>
			<p>O colombianismo que analisaremos se apresenta sob a forma do verbo “fazer” em espanhol conjugado no imperativo afirmativo - <italic>hága</italic> (para Usted) e <italic>hágan</italic> (para Ustedes) - apocopado do pronome complemento indireto <italic>le</italic> do espanhol. À primeira vista, o lexema pode ser compreendido como uma mera ordem para realização de uma ação. No entanto, alinhados com a constatação de Bosque <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B13">De la Hoz Fernandéz (2005</xref>, p. 4), ao afirmar “que devemos questionar o fato de que o raro atraia e o que é comum se omita e se dê por explicado ou entendido”<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>, nos propusemos a desdobrar uma análise mais aprofundada do termo colombianismo. A escolha do termo atendeu aos seguintes fatores: maior frequência de ocorrência no seriado e versatilidade de uso em contextos diversos. </p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">Bogaards e Laufer (2004</xref>, p. 10, tradução nossa) alertam que “palavras frequentes podem ser usadas em um sentido menos frequente e não relacionado, ou ainda ser parte de uma expressão idiomática que deve ser compreendida como um todo”<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>. Os autores frisam que quando o sentido adicional não é considerado, vazios de compreensão podem ocorrer.</p>
			<p>A fim de acessar a semântica em torno da expressão “sentido adicional”, recorremos às aportações de <xref ref-type="bibr" rid="B22">Mayoral Asensio (1998</xref>) sobre os estudos da variação linguística - em seu macro sentido - e sua relação com os fatores extralinguísticos, em que descreve essencialmente duas linhas de trabalho: uma que estuda a relação dos fatores extralinguísticos com o sistema linguístico e outra que estuda a relação dos fatores extralinguísticos com o significado léxico.</p>
			<p>Em assonância com esta segunda linha, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Mayoral Asensio (1998</xref>, p. 21, tradução nossa) acrescenta que “a ideia de homogeneidade linguística se associa aos significados denotativos, enquanto a variação se associa aos significados conotativos”<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref>, os quais são entendidos por esta corrente teórica como valores suplementares e que levam à ampliação da significação das palavras. Mounin <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B22">Mayoral Asensio (1998</xref>, p. 24, tradução nossa) conceitua estas conotações como valores “particulares da linguagem que informam ao ouvinte sobre o falante, sua personalidade, seu grupo social, sua origem geográfica, seu estado psicológico no momento do enunciado”<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref> e acrescenta que as conotações ou se incorporam à significação ou acrescentam algo a ela. </p>
			<p>Nesse sentido, conforme aponta <xref ref-type="bibr" rid="B22">Mayoral Asensio (1998</xref>), os valores conotativos de significado constituem um fator extralinguístico de influência da variação, alterando a semântica ou adicionando valores suplementares. Tal fator também será levado em consideração ao realizarmos nossa análise.</p>
			<p>Uma vez trazidas à tona as discussões sobre a relação entre variação e significado, gostaríamos de discorrer sobre a nossa análise. Do ponto de vista lexicográfico, o termo colombianismo apresenta duas acepções, conforme vemos no dicionário <xref ref-type="bibr" rid="B9">Colômbia (2018)</xref>:</p>
			<disp-quote>
				<p>|| hágale! </p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>1 inf. Se usa para animar a alguien a realizar uma acción. (...)</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>2. Se usa para mostrar aceptación o acuerdo frente a um trato. (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Colômbia, 2018</xref>, p. 249-250).</p>
			</disp-quote>
			<p>Na mesma linha, o dicionário <xref ref-type="bibr" rid="B4">ASALE (2010)</xref> nos mostra as seguintes possibilidades:</p>
			<disp-quote>
				<p>c.|| hágale.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>i. fórm. CR, Co. Se usa para incitar a alguien a la acción. pop.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>ii. Co. Se usa para aceptar algo. pop. (<xref ref-type="bibr" rid="B4">ASALE, 2010</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Resta evidente que o colombianismo emerge do fator extralinguístico lugar geográfico, conforme se depreende da entrada lexicográfica, que aporta o país de origem onde se registra o termo (Co).</p>
			<p>Ao olharmos para a cena (1), vemos que Carrillo promove “um encontro” entre o primo de Pablo Escobar, o narcotraficante Gustavo (recém-capturado pelo coronel e com as mãos atadas por cordas) e diversos familiares das vítimas de Escobar. Na ocasião, o policial permite que os presentes, em sequência, desfiram no bandido uma série de golpes, como forma de forçá-lo a revelar o esconderijo de Pablo Escobar, principal alvo do policial. Na sequência, pede ao grupo que suspendam os golpes e pergunta novamente ao narco: <italic>-Onde está Escobar?</italic> Pela recusa de Gustavo a entregá-lo, o policial então profere ao público: <italic>-</italic>¡<italic>Háganle!,</italic> como um claro sinal de que continuassem o que haviam começado anteriormente, ou seja, de espancar o traficante até a morte.</p>
			<p>Percebemos então que a acepção lexicográfica de <italic>hágale</italic> que se identifica com o contexto assinalado é a segunda, para mostrar anuência ou acordo frente a um trato. O trato, nesse caso, seria o coronel permitir que continuassem a espancar Gustavo, pois a sessão havia sido suspensa a mando do coronel. Nessa circunstância, a opção do legendista <italic>- Vão em frente</italic> se mostra bastante adequada, pois está alinhada com a acepção de seguir o previamente acordado e está devidamente correlacionada com o contexto em que transcorre a cena, de continuar uma ação anterior. Esse é um caso característico de desenlace semântico muito dependente do contexto - conforme pondera <xref ref-type="bibr" rid="B7">Briz Gómez (2018)</xref> a respeito do desenlace de termos coloquiais - e acreditamos que a escolha do tradutor seguiu essa direção, de deixar a semântica a cargo do contexto situacional, em vez de designar um sinônimo em que explicitaria a ordem do coronel, ocasião em que poderia ter optado por <italic>Podem bater!</italic>, por exemplo. </p>
			<p>Na cena (2), o vocábulo emitido por Davi a seu bando tem por objetivo apressá-los a que carregassem um caminhão com vários tanques esvaziados de gás cloro. A pressa de Davi se deve ao fato de que o gás, que fora esvaziado dos tanques, é extremamente tóxico e foi despejado exatamente dentro das tubulações públicas. Como corria o risco de ser pego em flagrante, desejava escapar o mais breve possível. Os tanques serviriam posteriormente para transportar drogas sem levantar suspeitas, uma vez que o gás, supostamente contido nos tanques, por se tratar de substância perigosa, provavelmente traria maiores dificuldades às equipes de inspeção aduaneira e, por isso, passaria mais facilmente pela fiscalização.</p>
			<p>Neste caso, <italic>hágale</italic> assume a primeira acepção do dicionário <xref ref-type="bibr" rid="B9">Colômbia (2018)</xref>, ou seja, a de animar alguém a realizar uma ação que, neste caso, é a de carregar o caminhão. <italic>Hágale</italic> se revela então como a ordem para seguir com a ação já iniciada, porém, revestida de valor fático, de pressa, de urgência. A expressão <italic>Andem logo</italic>, utilizada pela legendista para transpor o vocábulo ao português brasileiro, atende, portanto, aos dois valores, tanto o semântico (de carregar) quanto o fático (de fazê-lo rapidamente) e, em nossa perspectiva, acomoda-se perfeitamente ao contexto situacional da cena. É interessante destacar a observação de Fowler apud <xref ref-type="bibr" rid="B16">Duro Moreno (2010)</xref> ao designar o significado extra como aquele que não emerge das estruturas gramaticais de um texto. O valor fático de pressa alçado pelo colombianismo, no caso em epígrafe, de fato não emerge de sua estrutura gramatical, mas do contexto situacional no qual está inserido. Corrobora essa ideia a observação de <xref ref-type="bibr" rid="B2">Araújo (2021)</xref>, ao revelar que a tradução audiovisual pressupõe considerar também o conteúdo interlinguístico, em que a intersemiose entre som e imagem é fundamental para a modalidade tradutora. </p>
			<p>Uma evidência do potencial desta intersemiose para direcionar o conteúdo semântico pode ser ilustrada no primeiro caso analisado, em que o colombianismo se distancia, sob nossa perspectiva, da acepção de incitar alguém a realizar uma ação, pois o jogo de imagens e sons não delata engajamento por parte do policial: voz branda, seguida da ação de acender e tragar um cigarro. Tal atitude revela muito mais desprezo pelo narcotraficante do que uma incitação aos presentes para que continuassem a espancá-lo. Na realidade, o policial conhecia a sede de vingança dos presentes em continuar a ação e, portanto, não precisava incitá-los. <xref ref-type="bibr" rid="B22">Mayoral Asensio (1998</xref>) releva a importância do fator situacional na construção do sentido, ao afirmar que a tradução que interessa ao tradutor se relaciona com o contexto social e situacional. O contexto social, neste caso, se revela através de uma sociedade vítima de uma série de ataques violentos na Colômbia, cujos efeitos são percebidos através dos comportamentos e atitudes do policial, na cena em destaque, que se refletirão em sua fala e, consequentemente, na semântica do termo empregado. </p>
			<p>A análise desses aspectos é essencial para a compreensão do uso de uma forma ou outra (variante) pelo usuário da língua. Nessa esteira, <xref ref-type="bibr" rid="B20">Labov (1978</xref>), ao tratar do valor referencial, pontuou a importância das funções de identificação do falante e de acomodação do ouvinte em outro nível (secundário), ou seja, dos aspectos sociais e estilísticos.</p>
			<p>Na cena (3), Salcedo dá as instruções sobre como devem agir seus comandados numa festa de gala que ocorreria naquela noite, a fim de garantir a segurança do chefe do cartel, Miguel Rodriguez, que estaria nela presente. Assim que dá a última instrução, Salcedo permanece em silêncio, como se indicasse, tacitamente, que todos deveriam ir embora. Ao dar-se conta de que todos permaneciam estáticos, irrompe o silêncio: - <italic>Eso es todo,</italic> ¡<italic>háganle!</italic> Nesse caso, algumas possibilidades no espanhol <italic>standard</italic> para expressar a ordem de mandar alguém embora, conforme enunciado por Salcedo, são: <italic>váyanse</italic>, <italic>lárguense</italic>, ou ainda, <italic>márchense</italic>. Apesar dessas possibilidades, o roteirista, no entanto, opta por um termo regional, o colombianismo <italic>hágale</italic>.</p>
			<p>A emissão do termo no contexto assinalado está associada à primeira acepção do dicionário Colômbia (2018): incitar alguém a realizar uma ação. É interessante destacar que a entrada do verbete é genérica em sua definição, isto é, não indica a realização de uma ação específica e por isso relega o plano semântico do colombianismo a uma infinidade de possibilidades, cujo desenlace somente é possível por meio do contexto situacional. Nesse caso, para uma transposição adequada é fundamental a coesão intersemiótica, conforme relatamos anteriormente, em que a remissão à cena anterior é necessária para que o colombianismo se semantize, ou seja, para que o verbo deixe sua dimensão genérica e assuma a significação de uma ação precisa (sair, ir embora).</p>
			<p>No entanto, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Dias Cintas (2003)</xref> recomenda ao legendista avaliar se uma expressão representa algum estado anímico para que busque um equivalente semântico na língua meta. Nesta mesma linha, segue a recomendação da <xref ref-type="bibr" rid="B23">Netflix (2024)</xref> para que “corresponda o tom do conteúdo de origem, quando resultar relevante ao público de referência (por exemplo, replique tom, registro, classe, formalidade, etc. na língua de referência de maneira equivalente)”<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref>. Estas recomendações estão em linha com a de <xref ref-type="bibr" rid="B21">Labov (2003</xref>), ao preconizar que o comportamento sociolinguístico deve se refletir no estilo utilizado por um grupo de indivíduos. Por isso, para manter o mesmo tom de informalidade e aspereza evocado pelo chefe de segurança, propomos a expressão em português brasileiro <italic>vazem</italic>! no lugar de <italic>podem ir</italic>, opção que nos pareceu bastante formal e tímida para um colombianismo carregado de estado anímico, de ênfase e de traços coloquializadores, características que, sob nossa perspectiva, podem ter motivado a presença - já no roteiro - do colombianismo <italic>hágale</italic> em detrimento das diversas formas do espanhol padrão para expressar a ação de mandar alguém embora. A alternativa proposta em português brasileiro tem o sentido estendido em todo o Brasil e é descrita como do tipo popular, tal como vemos na entrada correspondente do <xref ref-type="bibr" rid="B12">Dicionário Informal (2024)</xref>, que apresenta duas definições equivalentes para o caso analisado: <italic>ir-se após algum evento (pop)</italic> e <italic>ir embora (pop).</italic></p>
			<p>Na cena (4), Salcedo sobe as escadas de um apartamento acompanhado por Palomari - o tesoureiro do cartel, que era procurado pela polícia por ser testemunha-chave no processo que envolvia diversos cúmplices da organização criminosa e necessitava, portanto, ser escondido - e ao chegar à porta de entrada, acena assertivamente com o olhar e diz: - <italic>Hágale!.</italic> A intenção de Salcedo é ceder passagem a Palomari, ordenando sua entrada no local, tanto que o tesoureiro entra primeiro no apartamento e só depois Salcedo.</p>
			<p>A acepção de <italic>hágale</italic> também se enquadra em incitar a realizar uma ação, a qual fica subentendida pelo aceno de Salcedo a Palomari e se arremata com a enunciação do colombianismo. Aqui, tal como na cena anterior, temos um exemplo de significado afetado pelo fator extralinguístico contexto situacional em que o transcurso da cena possibilita identificar a semântica do termo: <italic>- Entre!</italic></p>
			<p>Com base no que foi exposto no decorrer de nossa análise, podemos verificar que a polissemia do colombianismo não está limitada às acepções presentes no dicionário, mas às possibilidades situacionais em que ele pode ser inserido.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>5. Conclusões</title>
			<p>Este trabalho buscou analisar a transposição de legendas do seriado Narcos para verificar como a teoria da tradução audiovisual, da sociolinguística e da lexicográfica se interrelacionam para a solução de problemas de tradução. Para esse fim, tivemos como ponto de partida as legendas fornecidas pelo referido seriado que contivessem o termo <italic>hágale</italic> ou <italic>háganle</italic>. Como resultado, percebemos que nas cenas (1) e (2) as opções de legendas relegaram a semântica do colombianismo a cargo da internalização do contexto pelo próprio espectador, uma vez que a opção de legenda sugerida foi genérica, não específica <italic>(-Vão em frente</italic> e <italic>-Andem logo</italic>) e não explicitou o termo. Já nas cenas (3) e (4), as opções de legendas seguiram na direção contrária, isto é, de explicitar o que semanticamente o vocábulo sugere, pois há concretamente em (3) a ordem de <italic>ir embora</italic> e em (4), a de <italic>entrar</italic>. Em (3) verificamos oportunidade de melhoria, pois percebemos que o fator variação conotativo de significado, expressado pelo tom e modo de enunciação do personagem ao enunciar o colombianismo, causou variação no nível lexical e precisava ser transposto segundo os pressupostos que aportamos, considerando a preservação de tom, estilo, registro e conteúdo semântico. </p>
			<p>Após análise dos enunciados, emitimos apenas uma sugestão, pois, sob nossa perspectiva, as demais legendas analisadas se apresentaram bastante alinhadas às recomendações de tradução audiovisual, da tradução sociolinguística e da lexicográfica. Como nosso enfoque foi refletir e aplicar a teoria incidente sobre cada caso sintomático em que o colombianismo aparece, relevando a prática de tradução audiovisual, esperamos contribuir com o trabalho dos legendistas com as reflexões trazidas por meio desta investigação.</p>
		</sec>
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					<publisher-name>University of Pennsylvania</publisher-name>
					<year>1972</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B20">
				<mixed-citation>Labov, Willian. Where does the Linguistic variable stop? A response to Beatriz Lavandera. <italic>Sociolinguistic Working Paper</italic>, 44. Texas, 1978.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Labov</surname>
							<given-names>Willian</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Where does the Linguistic variable stop? A response to Beatriz Lavandera</article-title>
					<source>Sociolinguistic Working Paper</source>
					<volume>44</volume>
					<publisher-loc>Texas</publisher-loc>
					<year>1978</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B21">
				<mixed-citation>Labov, W. Some Sociolinguistic Principles. In: Paulston, C.B.; Tucker, G. R. (orgs.) <italic>Sociolinguistics. The essential Readings</italic>. Blackwell Publishing, 2003.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Labov</surname>
							<given-names>W</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Some Sociolinguistic Principles</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>Paulston</surname>
							<given-names>C.B.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Tucker</surname>
							<given-names>G. R</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Sociolinguistics. The essential Readings</source>
					<publisher-name>Blackwell Publishing</publisher-name>
					<year>2003</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B22">
				<mixed-citation>Mayoral Asensio, Roberto. <italic>La traducción de la variación lingüística</italic>. 1998. Tese (Doutorado em Estudos da Tradução) - Universidade de Granada, Granada, 1998.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Mayoral Asensio</surname>
							<given-names>Roberto</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>La traducción de la variación lingüística</source>
					<year>1998</year>
					<comment content-type="degree">Doutorado em Estudos da Tradução</comment>
					<publisher-name>Universidade de Granada</publisher-name>
					<publisher-loc>Granada</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B23">
				<mixed-citation>Netflix. <italic>Spanish (Latin America &amp; Spain) Timed Text Style Guide</italic>. Disponível em: <comment><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://partnerhelp.netflixstudios.com/hc/en-us/articles/217349997-Spanish-Latin-America-Spain-Timed-Text-Style-Guide">https://partnerhelp.netflixstudios.com/hc/en-us/articles/217349997-Spanish-Latin-America-Spain-Timed-Text-Style-Guide</ext-link>
					</comment>. Acesso em: 09. jan. 2024.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>Netflix</collab>
					</person-group>
					<source>Spanish (Latin America &amp; Spain) Timed Text Style Guide</source>
					<comment><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://partnerhelp.netflixstudios.com/hc/en-us/articles/217349997-Spanish-Latin-America-Spain-Timed-Text-Style-Guide">https://partnerhelp.netflixstudios.com/hc/en-us/articles/217349997-Spanish-Latin-America-Spain-Timed-Text-Style-Guide</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2024-01-09">09. jan. 2024</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
        <fn-group>
		<fn fn-type="other" id="fn1">
			<label>1</label>
			<p>Así pues, se puede definir texto audiovisual como un mensaje dinámico en el tiempo que se puede percibir por el canal audio, por el visual o por ambos a la vez (Bartoll, 2015, p.15).</p>
		</fn>
		<fn fn-type="other" id="fn2">
			<label>2</label>
			<p>(...) el significado ha dejado de un aspecto marginal del lenguaje para convertirse en la preocupación de la lingüística, de la pragmática, de la misma semántica con nuevos enfoques, lo que ha dado lugar a pensar en el “sentido contextual” como la transformación del significado cuando abandona el nicho del sistema e ingresa al contexto situacional para adoptar su dimensión social.</p>
		</fn>
		<fn fn-type="other" id="fn3">
			<label>3</label>
			<p>Con la influencia de la lógica, la idea de variación se traslada del sistema lingüístico a la significación, distinguiéndose tipos de significado diversos, especialmente los de significado connotativo y significado denotativo.</p>
		</fn>
		<fn fn-type="other" id="fn4">
			<label>4</label>
			<p>Impulsar iniciativas de promoción, difusión y apropiación del patrimonio inmaterial y en especial idiomático del país.</p>
		</fn>
		<fn fn-type="other" id="fn5">
			<label>5</label>
			<p>(...) recoge cerca de 8.000 definiciones, 6.000 entradas, 1.500 expresiones y 4.500 ejemplos.</p>
		</fn>
		<fn fn-type="other" id="fn6">
			<label>6</label>
			<p>(...) término, expresión o sentido considerado colombianismo se usa em qualquier región de Colômbia, pero no em el español peninsular.</p>
		</fn>
		<fn fn-type="other" id="fn7">
			<label>7</label>
			<p>(...) que lo raro atraiga y lo común se omita, se desdeñe o se dé por explicado o entendid<italic>o.</italic></p>
		</fn>
		<fn fn-type="other" id="fn8">
			<label>8</label>
			<p>(...) frequent words can be used in a less frequent, possibly non-related sense, or else be a part of an idiomatic expression that has to be understood as a whole.</p>
		</fn>
		<fn fn-type="other" id="fn9">
			<label>9</label>
			<p>la idea de la homogeneidad lingüística se asocia a los significados denotativos (...) en tanto que la variación se asocia a los significados connotativos.</p>
		</fn>
		<fn fn-type="other" id="fn10">
			<label>10</label>
			<p>Existen efectivamente valores particulares del lenguaje que informan al oyente sobre el hablante, su personalidad, su grupo social, su origen geográfico, su estado psicológico en el momento del enunciado.</p>
		</fn>
		<fn fn-type="other" id="fn11">
			<label>11</label>
			<p>Always match the tone of the original content, while remaining relevant to the target audience (e.g. replicate tone, register, class, formality, etc. in the target language in an equivalent way).</p>
		</fn>
         </fn-group>
	</back>
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