A Jangada: a Amazônia no olhar de Júlio Verne
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2595-2536.v37i1p04-15Palabras clave:
literatura juvenil, viagens extraordinárias, educação literáriaResumen
O presente artigo analisa a trajetória intelectual de Júlio Verne e o caráter pedagógico do romance A Jangada: oitocentas léguas pelo Amazonas (1881), destacando como a obra articula ciência, literatura juvenil, circulação cultural franco-brasileira e construção ficcional da Amazônia a partir de fontes documentais. A relevância do estudo decorre do papel que Verne e Hetzel, seu editor, desempenharam na formação leitora de jovens ao redor do mundo; da inserção do autor na cultura impressa do século XIX e da importância de compreender como A Jangada combina entretenimento e instrução para representar a Amazônia. Por meio de pesquisa bibliográfica, o texto tem como objetivos apresentar a trajetória biográfica, profissional e editorial de Júlio Verne; discutir a parceria estruturante com Pierre-Jules Hetzel e a consolidação das Voyages Extraordinaires e examinar A Jangada como narrativa pedagógica, científica e moral. As considerações finais demonstram que a formação de Verne resulta da interseção entre curiosidade científica, rigor documental e forte intervenção editorial de Hetzel. Na obra analisada, esses elementos convergem na criação de uma Amazônia “inventada”, sustentada por fontes europeias e por uma visão enciclopédica da natureza que suscitam críticas ligadas ao cientificismo, ao colonialismo, à naturalização da hierarquia racial e à “literatura de gabinete”, mas que auxilia a pensar a circulação do conhecimento, a formação do leitor e a função educativa da literatura juvenil no século XIX.
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Referencias
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