O trabalho à flor da pele: formas contemporâneas do estranhamento nos canaviais e campos de flores
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2595-2536.v24i1p13-36Palavras-chave:
Trabalho Rural, Estranhamento, Subjetividades, Agronegócio canavieiro, Agronegócio das floresResumo
A proposta do artigo é lançar novos olhares para a subjetividade dos trabalhadores e das trabalhadoras empregados nos eitos dos canaviais nos estados de São Paulo e Alagoas e nos campos de flores na região de Holambra/SP. Ao trazer esse elemento para a análise, é possível compreender dois processos que se cruzam, quais sejam, a cisão do ser humano e o processo no qual as mercadorias produzidas vão, paulatinamente, ganhando vida e totalidade. Para tal compreensão, foram utilizados os estudos de Marx sobre o processo de estranhamento e a reflexão arendtiana acerca da destituição da condição humana como característica da modernidade. Além da observação em campo empírico, a metodologia empregada esteve pautada na História Oral, que permite dar visibilidade às experiências objetivas e subjetivas que por vezes são apagadas quando a grandeza e a beleza de determinados setores do agronegócio brasileiro persistem em se apresentar como a única paisagem.
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