Alternância de identidades na literatura israelense: asquenazes e orientais
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2317-8051.cllh.2025.244992Palabras clave:
Identidades israelenses, Asquenazes, Mizrachim, A.B.Yehoshua, Sucary, YóssiResumen
"Asquenazes", como termo que aponta para a maioria dos judeus que vieram da Europa para Israel nos séculos XIX e XX, denota, no presente contexto, o desejo dos membros do grupo dos judeus israelenses "orientais" (mizrachim/sefarditas) - na década de sessenta do século XX - de marcar o outro grupo do país para fins de crítica e reprovação, e para poder culpá-lo pelas suas privações e pela discriminação sofridos. Asquenazes e orientais em Israel são duas entidades coesas e distintas, e sua relação mútua é experienciada como a de duas etnias diferente. Esse artigo abordará o modo como a literatura lida com a alternância de identidades dentro do grupo étnico marcado como inferior, que se empenha em apresentar-se como pertencente ao grupo hegemônico a fim de evitar identidades estigmatizadas e aproveitar as oportunidades e privilégios reservados a eles. Tornar-se asquenaze é uma performance identitária que judeus orientais assumiram como forma de responder ao discurso nacional da assimilação às exigências da política do melting pot e à reivindicação liberal de garantia de igualdade de semelhança e uniformidade. Todavia, a transição entre identidades aponta para características ambivalentes e enganosas: elas são uma decorrência da subversão e resistência e uma sequela de cancelamento do eu étnico. Essa condição de cancelamento causou um efeito rebote e a anulação da antiga identidade passou a ser vista como inaceitável, resultando em uma dolorosa desconstrução da asquenizidade e sua rejeição. O tema será abordado nos romances Molcho, de A. B. Yehoshua (1987) e Amzaleg (2019), de Yóssi Sucary.
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Referencias
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