Ocupar o patrimônio: apropriações presentes e restaurações possíveis para a “Casa Amarela”, da Rua da Consolação, em São Paulo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1980-4466.v20i39/40p%25pPalavras-chave:
Patrimônio arquitetônico, Restauração, Significância culturalResumo
Este artigo analisa o processo de apropriação do imóvel conhecido como Casa Amarela, na Rua da Consolação, São Paulo, bem tombado como patrimônio cultural do município, para fins de subsídio às ações restaurativas sobre o mesmo. Examina o histórico de ocupação do imóvel, desde residência abastada, nas primeiras décadas do século XX, à ocupação cultural dos últimos anos, identificando quais as principais transformações em sua materialidade e os valores atribuídos pelos sujeitos que com o bem se relacionam, com destaque para o tema da arte urbana, como o “pixo” e o grafite. Como procedimentos metodológicos, foram adotadas a pesquisa bibliográfica, iconográfica e documental sobre o imóvel, além de visitas de campo e entrevistas com atores envolvidos na ocupação. Com base nas teorias e recomendações do restauro, o artigo discute as ressignificações contemporâneas da Casa Amarela conferidas pelos sujeitos e busca identificar como estas podem influenciar e serem eventualmente incorporadas a uma possível restauração do imóvel, visando orientar intervenções físicas projetuais compatíveis com a dimensão simbólica deste bem cultural na atualidade.
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