Repertórios Ameríndios e poéticas Translíngues no Brasil: tradução, criação e suas inflexões glotopolíticas
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i41p70-91Palabras clave:
repertórios ameríndios , poéticas translíngues , Tradução, criação, glotopolíticaResumen
É possível perceber, nos últimos anos, o crescimento da reflexão em torno das dimensões glotopolíticas das práticas culturais na agenda dos estudos latino-americanos. Tal movimento vai ao encontro do questionamento do paradigma monolíngue na literatura atual, além de acentuar o papel político da presença das línguas e cosmologias indígenas na cena cultural contemporânea. Partindo do pressuposto de que literatura e tradução funcionam como importantes agentes das políticas de línguas, proponho a elaboração conceitual de uma perspectiva glotopolítica do literário, a fim de, por um lado, debater as formas de silenciamento do plurilinguismo e do translinguismo no campo literário brasileiro, e por outro, visibilizar a performatividade crítica que as zonas de contato/fricção entre múltiplas línguas-culturas vêm trazendo para o discurso poético. Desse modo, busco discutir as correlações e tensões entre criação e tradução, encetadas pelas estratégias de apropriação estética de repertórios linguístico-poéticos ameríndios, desenvolvidas via procedimentos de citação, seleção/montagem e (auto)tradução por autores indígenas e não-indígenas atuais. Nesse sentido, analiso poemas de Graça Graúna e Márcia Wayna Kambeba, além de transcriações do repertório mbya-guarani realizadas pelos poetas-tradutores Douglas Diegues e Josely Vianna Baptista.
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