Escrever entre línguas: a autotradução como um gesto crítico em Nancy Huston
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i41p131-154Palabras clave:
autotradução, plurilinguismo literário, multilinguismo, Nancy HustonResumen
Este artigo examina a autotradução como um gesto crítico em Nancy Huston, especialmente a partir dos ensaios, Nord Perdu (1999) / Losing North (2002). Articulando os Estudos da Tradução, a Filosofia da Linguagem e a Crítica Literária, propomos que a autotradução, longe de ser mera transposição entre línguas, é um princípio poético, como em Samuel Beckett, além de um gesto político, em Nancy Huston, capaz de desestabilizar hierarquias linguísticas e revelar tensões identitárias. A análise demonstra como a escritora canadense anglófona, ao escrever diretamente em francês e autotraduzir-se para o inglês, performatiza o "perder o norte" teórico que descreve. A autotradução torna-se, assim, parte constitutiva do funcionamento textual interno da obra, questionando noções fixas de "original" e "tradução". Ao ressaltar a dimensão criativa, e não apenas técnica, da autotradução, pretende-se ampliar o debate sobre plurilinguismo literário, destacando seu potencial para repensar fronteiras disciplinares e limites da tradução. Finalmente, a perspectiva de “perder o norte” é o ponto de partida para discutir a autotradução, em sua dimensão política, sem obscurecer as contradições que lhe são inerentes.
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