Entre boiadeiros: uma análise antropológica de A Boiada, de João Guimarães Rosa
DOI :
https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i43p55-76Mots-clés :
Antropologia da literatura, Guimarães Rosa, Caderneta de viagem, Memória, Criação Literária, Acervo Guimarães RosaRésumé
Esta pesquisa analisa a caderneta de viagem A Boiada (1952), de João Guimarães Rosa, de uma perspectiva antropológica. Objetiva-se compreender como os registros feitos pelo escritor durante a expedição de 1952 pelo sertão mineiro contribuíram para a elaboração de narrativas literárias, que se amparam em procedimentos etnográficos. A pesquisa se baseia em análise do material manuscrito e datilografado disponível no Acervo Guimarães Rosa (IEB/USP), além de revisão bibliográfica. A investigação evidencia a articulação entre experiência vivida, memória, pesquisa e elaboração literária, revelando A Boiada como ferramenta de trabalho e de experimentação, que opera entre oralidade e escrita, realidade e fabulação. O estudo demonstra que o caderno de viagem funciona como uma ferramenta de escuta, registro e composição, no qual Rosa recolhe e reelabora saberes das pessoas e paisagens visitadas, integrando-os à tessitura narrativa e criativa de suas obras.
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