Entre boiadeiros: uma análise antropológica de A Boiada, de João Guimarães Rosa
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i43p55-%2076Palabras clave:
Antropologia da literatura, Guimarães Rosa, Caderneta de viagem, Memória, Criação Literária, Acervo Guimarães RosaResumen
Esta pesquisa analisa a caderneta de viagem A Boiada (1952), de João Guimarães Rosa, de uma perspectiva antropológica. Objetiva-se compreender como os registros feitos pelo escritor durante a expedição de 1952 pelo sertão mineiro contribuíram para a elaboração de narrativas literárias, que se amparam em procedimentos etnográficos. A pesquisa se baseia em análise do material manuscrito e datilografado disponível no Acervo Guimarães Rosa (IEB/USP), além de revisão bibliográfica. A investigação evidencia a articulação entre experiência vivida, memória, pesquisa e elaboração literária, revelando A Boiada como ferramenta de trabalho e de experimentação, que opera entre oralidade e escrita, realidade e fabulação. O estudo demonstra que o caderno de viagem funciona como uma ferramenta de escuta, registro e composição, no qual Rosa recolhe e reelabora saberes das pessoas e paisagens visitadas, integrando-os à tessitura narrativa e criativa de suas obras.
Descargas
Referencias
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Disponível em:<https://www.academia.org.br/academicos/joao-guimaraes-rosa/biografia>. Acesso em: 20 de agosto de 2025.
BLOCH, P. Pedro Bloch entrevista. Rio de Janeiro: Bloch, 1989.
CAVALCANTE, N. “Cadernetas de viagem de João Guimarães Rosa: fonte de criação literária”. VEREDAS: Revista da Associação Internacional de Lusitanistas, Coimbra, n. 8, p. 303-318, 2007.
CUNHA, O. “Tempo imperfeito: uma etnografia do arquivo”. MANA, Rio de Janeiro, v. 2, n. 10, p. 287-322, 2004.
GALVÃO, W. “O pai, a venda e o nome”. Revista do Centro de Estudos Portugueses, Belo Horizonte, v. 30, n. 22, p. 15-24, 2002.
GAMA, M. Ser-tão Natureza: A natureza em Guimarães Rosa. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.
GARCIA, U. “Sobre o poder da criação: parentesco e outras relações Awá-Guajá”. MANA, Rio de Janeiro, v. 1, n. 21, p. 91-122, 2015.
GUIMARÃES ROSA, J. Diário de Paris. Arquivo IEB-USP, Fundo Guimarães Rosa, JGR-EO-01,03, 1950.
GUIMARÃES ROSA, J. Boiada. Arquivo IEB – USP, Fundo Guimarães Rosa, JGR-CADERNO-07-14, 1952.
GUIMARÃES ROSA, J. A Boiada 1. Arquivo IEB – USP, Fundo Guimarães Rosa, JGR-EO-13,01, 1952a.
GUIMARÃES ROSA, J. A Boiada 2. Arquivo IEB – USP, Fundo Guimarães Rosa, JGR-EO-13,02, 1952b.
GUIMARÃES ROSA, J. Grande Sertão: Veredas. São Paulo: Editora Nova Aguilar, 1994 [1956].
GUIMARÃES ROSA, J. Coletânea Corpo de Baile. São Paulo: Editora Global, 2021 [1956].
GUIMARÃES ROSA, V. Relembramentos: João Guimarães Rosa, Meu Pai. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999 [1983].
LARA, C. “Arquivo João Guimarães Rosa do IEB”. Travessia, Santa Catarina, v. 7, n. 15, p. 153-163, 1987.
MAGALHÃES, D. A história do Sr. Criolo: inspiração para Guimarães Rosa e para uma vida inteira, Circuito das Grutas, Minas Gerais, 19 de março de 2021. Disponível em: <https://www.minasgerais.com.br/pt/blog/artigo/a-historia-do-sr-criolo-uma-inspiracao-para-guimaraes-rosa>. Acesso em: 20 de novembro de 2024.
MARTINS, N. O Léxico Guimarães Rosa. São Paulo: EDUSP, 2021.
MARTINS COSTA, A. L. João Guimarães Rosa: Viator. 284 folhas. Tese de doutorado - Programa de Pós-Graduação em Letras, Instituto de Letras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (2002).
PEIXOTO, F. A viagem como vocação: itinerários, parcerias e formas de conhecimento. São Paulo, FAPESP & EDUSP, 2015.
PEREIRA, R. Ecologizar a memória: Sertão, antropologia e crise ecológica no século XXI. 418. Tese de doutorado - Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Universidade Federal de São Carlos (2023).
VASCONCELOS, S. Puras Misturas: Estórias em Guimarães Rosa. São Paulo: Editora da FAPESP & HUCITEC, 1997.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-CompartirIgual 4.0.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a. Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).