Transficcionalidade e crítica de arte
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.v1i25p36-47Resumo
Partindo do conceito de transficcionalidade proposto por Richard Saint-Gelais (2011), segundo o qual toda obra opera a partir da possibilidade de expansão da ficção, seja em forma de continuações (sequels), seja em forma de narrativas anteriores (prequels) à ficção apresentada, este trabalho focaliza o modo como Gonzaga Duque extrapola os limites da materialidade dos quadros, inserindo a ficção em descrições picturais de suas críticas de arte. Farei algumas reflexões acerca dos modos como o escritor e crítico de arte brasileiro descreve e narra de forma transficcional os quadros que comenta, valendo-se de uma linguagem a meio caminho entre a ficção e a crítica narrativa.Construídas em torno do referente, suas críticas de arte são elaboradas a partir do assunto da tela, remetendo, no entanto, a ações exteriores ao quadro. Trata-se de imaginar literariamente, seguindo os passos de Daunais (1997), as continuações do tema representado, evocando cenas não representadas, mas supostamente contidas na imagem, e sugerindo um outro tempo, anterior ou posterior, colocando espectador da pintura e leitor da crítica de arte diante de dois objetos culturais complementares, em que um é a medida do outro.
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