Dimensões ético-políticas da escuta do trauma frente ao deslocamento humano: onde é o que promove o aqui?
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.i43p201-223Palavras-chave:
Deslocamento, Ruína, Migração forçada, Fronteira, MemóriaResumo
Este artigo propõe uma reflexão ético-política sobre o deslocamento humano por meio da articulação entre narrativa literária e análise crítica. A partir da figuração do “corpo-ruína” encarnada na história ficcional de João, migrante forçado, o texto explora como experiências de migração e refúgio se entrelaçam a dimensões estéticas e subjetivas, produzindo metáforas que tensionam fronteiras, memórias e identidades. O relato ficcional, sustentado em elementos da prática clínica com imigrantes, é mobilizado como estratégia literária capaz de dar visibilidade a vidas marcadas pela precarização, pelo trauma e pela exclusão. Ao mesmo tempo, o ensaio discute as implicações epistemológicas e políticas da escuta do sofrimento migratório, considerando as ruínas como forma de memória e resistência. Nesse movimento, literatura e crítica se encontram para interrogar os efeitos coloniais-capitalísticos sobre corpos em deslocamento, problematizando categorias de humanidade, pertencimento e alteridade. Assim, a narrativa de João que não é daqui convoca a repensar a viagem como experiência de criação simbólica, deslocamento de fronteiras e produção de novos modos de existência.
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