Chamadas para artigos: v. 18, n. 36 (segundo semestre de 2026): O TEMPO DA LITERATURA PORTUGUESA: RUMOS E DESAFIOS NA CONTEMPORANEIDADE
Chamada para artigos
O TEMPO DA LITERATURA PORTUGUESA: RUMOS E DESAFIOS NA CONTEMPORANEIDADE
Organizadores: José Vieira (Universidade de Lisboa, Portugal/Università Degli Studi di Padova, Itália), Filipe Senos Ferreira (Universidade de Aveiro, Portugal), Matteo Pupillo (Universidade de Lisboa, Portugal), Flavia Maria Corradin (Universidade de São Paulo, Brasil)
Ao longo do tempo, e com especial recorrência na contemporaneidade, são muitos os vaticínios e as diversas litanias e epitáfios que se vão somando sobre o fim das Humanidades e da morte da Literatura. Convertido em locus tritus (Mosca, 2013, p. 185), vários têm sido os filósofos, críticos literários e ensaístas que refletem sobre este assunto – Antoine Compagnon, Antonio Candido, Byung-Chul Han, Eduardo Lourenço, George Steiner, Italo Calvino, Lamberto Maffei, Nuccio Ordine, Lídia Jorge, Manuel Frias Martins, Susan Sontag, Umberto Eco, Vítor Aguiar e Silva, entre tantos outros. Mais recentemente, em 2021, Noreena Hertz publicou um livro intitulado O Século da Solidão. Como restaurar as ligações humanas. Economista prestigiada, a autora reflete sobre a contemporaneidade ainda antes dos tempos da covid-19, alertando para o esvaziamento das capacidades sociais e humanas entre os mais jovens. Como forma de resposta e reflexão, a autora faz o elogio do que vincula: o pensamento, a sensibilidade e a linguagem, por outras palavras, a Literatura. Convocando Lídia Jorge, “para mim é absolutamente fundamental a ideia de que a literatura nos diz que nós nos temos uns aos outros” (Jorge apud Melo, 2022, p. 48). Num posicionamento crítico afim, João Lobo Antunes, em O Consolo das Humanidades, confessa:
Poderá perguntar-se então que ganhei eu com a cultura humanística que comecei a adquirir ainda antes de ser médico, tantas vezes à mesa de jantar, no rio de uma conversa de uma inteligência austera? Eu diria que a maior conquista foi ter-me apurado o ouvido para captar outras vozes, compreender o significado oculto das palavras, e ter a competência para falar com qualquer pessoa num diálogo que nos eleva àquela altitude comum que permite o olhar horizontal, olhos nos olhos (Antunes, 2018, p. 291).
É, pois, inspirado no título de Noreena Hertz se propõe o dossier temático O tempo da literatura, aberto a diferentes eixos de problematização crítica. Com base na interrogação que jamais se esgota – a saber, o que pode a Literatura? Ou ainda, pode a Literatura salvar-se de si mesma? –, e com ênfase na literatura portuguesa produzida ao longo dos últimos dois séculos, convocamos contribuições que se enquadrem nos seguintes eixos temáticos:
- A literatura portuguesa no século XXI: novos caminhos, tendências e desafios hipercontemporâneos;
- A literatura portuguesa do/no mundo hipercontemporâneo em mudança – as crises pandémicas, ecológicas e mentais, etc.;
- A literatura portuguesa e os diálogos intermediais e multimodais;
- Revisitações do Cânone e reescrita ficcional da História;
- O Papel da Crítica Literária no mundo atual.
Além do dossiê temático, a Revista Desassossego conta com a recepção de texto em fluxo contínuo para a seção VÁRIA, para a qual recebemos artigos científicos relacionados à literatura e cultura portuguesas; e a seção OUTROS DESASSOSSEGOS, na qual publicamos textos poéticos e autorais inéditos enviados por nossos leitores. Ainda podem ser publicadas RESENHAS de livros editados nos últimos cinco anos ou ENTREVISTAS com nomes relevantes para a temática da revista.
PRAZO PARA ENTREGA: Os artigos, resenhas e entrevistas relacionadas ao dossiê temático O tempo da literatura serão recebidos impreterivelmente até 31 de janeiro de 2026. A publicação está prevista para novembro de 2026.
Referências:
MOSCA, Raffaello Palumbo. Notes on Hybrid Novels and Ethical Discourse. MLN, v. 128, n. 1, p. 185-205, jan./2013. Disponível em: https://doi.org/10.1353/mln.2013.0007. Acesso em: 8 set. 2025.
ANTUNES, João Lobo. O consolo das humanidades. In: Memórias da Academia das Ciências de Lisboa – Classe de Ciências, Tomo 45, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.58164/mvn6-mg60. Acesso em: 8 set. 2025.
MELO, F. Tudo existe e tudo passa: se não for escrito não há eternidade. Entrevista a Lídia Jorge. Revista LER, n. 165, p. 35-51, 2022.