“Boa guerra, garoto(s)!”: bolsonarismo, “anti-intelectualismo” e masculinidade

Authors

DOI:

https://doi.org/10.1590/s0103-4014.202539113.011

Keywords:

Denialism, Anti-intellectualism, Bolsonarism, Far right, Masculinity

Abstract

This article starts from the analysis of the profile @jairbolsonaro, attributed to Jair Messias Bolsonaro on X, formerly Twitter, emphasizing the pattern of its interactions to, from this, track and sociologically characterize the network of profiles that mobilize around the questioning of legitimate institutions for the production and dissemination of knowledge, especially schools, universities and public research institutes. In more concrete terms, the research analyzed all posts made one year before the second round of the 2018 election, listing all profiles cited or reposted, seeking to highlight dimensions such as profile type, gender and priority area of ​​activity. The results point not only to a large predominance of male profiles, but also to a culture of masculinity. This finding serves as a trigger to analyze more carefully the network of contestation of the established intelligentsia, in what is conventionally called denialism or anti-intellectualism as expressions of the so-called “cultural wars”. The central conclusion of the article is that it is necessary to advance in the investigation of the relationship identified between three contemporary phenomena, namely: Bolsonarism, denialism/anti-intellectualism and the culture of masculinity.

Downloads

Download data is not yet available.

Author Biography

  • Maria Caramez Carlotto, Universidade Federal do ABC, Programa de Pós-Graduação em Economia Política Mundial, Santo André, São Paulo, Brasil

    Maria Caramez Carlotto é doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo e professora adjunta da Universidade Federal do ABC, Santo André, SP

References

ALONSO, A. Treze: A política de rua de Lula e Dilma. São Paulo: Cia. das Letras, 2023.

ARTES, A.; RICOLDI, A. Acesso de negros no Ensino Superior: o que mudou entre 2000 e 2010? Cadernos de Pesquisa, v.45, n.158, 2015.

ÁVILA, R.; PORTES, É. Notas sobre a mulher contemporânea no ensino superior. Mal-Estar e Sociedade, Ano II, 2009.

BOURDIEU, P. Homo academicus. Paris: Les Éditions de Minuit, 1984.

BOURDIEU, P. La noblesse d´état. Grandes écoles et esprit de corps. Paris: Les Éditions de Minuit, 1989.

CARLOTTO, M. Inevitável e imprevisível, o fortalecimento da direita para além da dicotomia ação e estrutura: o espaço internacional como fonte de legitimação dos Think Tanks latino-americanos. Plural, v.25, p.63-91, 2018.

CARLOTTO, M. Guerra em campo aberto: as disputas pela mudança estrutural do espaço intelectual brasileiro. In: FERNANDO, C. (Org.) Educação contra a barbárie: por escolas democráticas e pela liberdade de ensinar. São Paulo: Boitempo, 2019.

CARLOTTO, M. O campo brasileiro de ensino superior em perspectiva estrutural: tendências históricas e contemporâneas. Pensata - Revista dos Alunos do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Unifesp, v.10, p.37-60, 2021.

CARLOTTO, M.; TOLEDO, D. A direção da ciência na ditadura: um perfil dos dirigentes da Capes, CNPq e Finep (1964-1985). História, Ciências, Saúde-Manguinhos, 2024 (no prelo).

CASTRO ROCHA, J. C. Guerra cultural e retórica do ódio: crônicas de um Brasil pós-político. Goiânia: Editora e Livraria Caminhos, 2021.

CESARINO, L. Como vencer uma eleição sem sair de casa: a ascensão do populismo digital no Brasil. Internet & Sociedade, v.1, p.92-120, 2020.

CHIARAMONTE, A.; HEY, A. P. Que a USP descanse em paz! Disputas simbólicas entre acadêmicos e jornalistas em fins dos anos 1980. Política & Sociedade, v.17, n.39, 2018.

COMIN, A. O futuro não é mais como costumava ser: a crise brasileira em perspectiva internacional. Novos Estudos Cebrap, n. especial, p.59-70, 2017.

GOYA, D. et al. A polarização ideológica no Twitter: um estudo sobre as redes de retweets durante as eleições presidenciais de 2018. Compolitica, 2019.

GUEDES, M. A presença feminina nos cursos universitários e pós-graduações: desconstruindo a ideia de universidade como espaço masculino. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, v.15, 2008.

GUIMARÃES, N.; BRITO, M.; COMIN, A. Trajetórias e transições entre jovens brasileiros. Novos Estudos Cebrap, v.39, n.3, p.475-98, 2020.

JUNGHERR, A. Twitter use in election campaigns: A systematic literature review. Journal of Information Technology & Politics, v.13, n.1, p.72-91, 2016.

KALIL, I. Quem são e no que acreditam os eleitores de Bolsonaro. São Paulo: Fundação Escola de Sociologia e Política, 2018.

KALIL, I.; PINHEIRO-MACHADO, R.; SCALCO, L. Dreaming with guns: Performing Masculinity and Imagining Consumption in Bolsonaro’s Brazil. In: BENJAMIN, J. et al. (Org.) Precarious Democracy Ethnographies of Hope, Despair, and Resistance in Brazil. New Brunswick: Rutgers University Press, 2021. p.50-61.

MANGEROTTI, P. Populism, Twitter and political communication: an analysis of Jair Bolsonaro’ tweets during the 2018 election campaign. Brazilian Journal Review, v.17, n.3, p.596-627, 2021.

MEIRELLES, A. Opiniões à venda: oposições políticas e divisão do trabalho intelectual na mídia. São Paulo, 2021, 467f. Tese (Doutorado em Sociologia) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo.

MEIRELLES, A.; CHIARAMONTE, A. O Instituto Millenium na busca por poder. Tempo Social, v.33, p.169-202, 2021.

MEIRELLES, A.; FERNANDES, D. A Direita mora do mesmo lado da cidade: especialistas, polemistas e jornalistas. Novos Estudos Cebrap, v.38, p.157-82, 2019.

PEROSA, G. Escola e destinos femininos. Belo Horizonte: Argvmentv, 2009.

PINHEIRO-MACHADO, R. et. al. Examining Support for the 2023 Brazilian Coup Attempt: Gender Stereotypes and Occupational Trends in a Radicalised Digital Ecosystem. Global Network on extremism and technology. 2023.

READ, B. Truth, masculinity and the anti-elitist backlash against the university in the age of Trump. Teaching and higher education, v.23, n.5, p.593-605, 2018.

ROCHA, C. Menos Marx Mais Mises. O liberalismo e a nova direita no Brasil. São Paulo: Todavia, 2021.

ROCHA, C.; MEDEIROS, J. Jair Bolsonaro and the Dominant Counterpublicity. Brazilian Political Science Review, v.15, p.E0004 1-20, 2021.

ROCHA, C.; SOLANO, E.; MEDEIROS, J. The Bolsonaro Paradox. The Public Sphere and Right-Wing Counterpublicity in Contemporary Brazil. Cham: Springer, 2021.

SENKEVICS, A.; MELLO, U. O perfil discente nas universidades mudou pós-lei de cotas? Cadernos de Pesquisa, v.49, n.172, p.184-208, 2019.

SENKEVICS, A. S.; MACHADO, T. S.; OLIVEIRA, A. S. A cor ou raça nas estatísticas educacionais: uma análise dos instrumentos de pesquisa do Inep. Brasília: Inep, 2016.

SOUZA-LOBO, E. A classe operária tem dois sexos: dominação, trabalho e resistência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo/ Editora Expressão Popular, 2021.

SWAKO, J. L. Négationnisme, antimondialisme et défense de la liberté dans le «réactionnarisme» brésilien contemporaine. Brésil(s) - sciences humaines et sociales, v.23, p.1-23, 2023.

SWAKO, J. L.; CARDOSO-DA-SILVA, M. Orwell à brasileira. DOIS PONTOS (UFPR) digital, v.19, p.60-71, 2020.

TEIXEIRA, A. P. De Donald Trump a Fernando Haddad: Uma análise do uso do Twitter pelos principais atores das eleições presidenciais nos Estados Unidos (2016) e no Brasil (2018). Relatório de iniciação científica. 32f. São Bernardo do Campo: Universidade Federal do ABC, 2021.

TEIXEIRA, J. Masculinidade e pentecostalismo como tecnologia neoliberal. Contemporanêa, v.12, n.3, p.743-67, 2022.

Published

2025-09-08

How to Cite

Carlotto, M. C. (2025). “Boa guerra, garoto(s)!”: bolsonarismo, “anti-intelectualismo” e masculinidade. Estudos Avançados, 39(113), e39113197. https://doi.org/10.1590/s0103-4014.202539113.011