Narcoterrorismo e narcoestado: genealogias, usos políticos e riscos analíticos frente às facções no Brasil

Autores/as

  • Francisco Thiago Rocha Vasconcelos Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção, Ceará, Brasil
  • Ricardo Moura Braga Cavalcante Universidade Federal do Ceará, Laboratório de Estudos da Violência, Fortaleza, Ceará, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2026.40116.001

Palabras clave:

Narcoterrorismo, Narcoestado, Governança criminal, Violência, Crime organizado

Resumen

O artigo examina criticamente os usos de narcoterrorismo e narcoestado na América Latina, destacando suas origens na agenda de segurança dos Estados Unidos e seus efeitos de poder. Argumenta que o narcoterrorismo opera sobretudo como categoria retórica e geopolítica, sem consistência analítica, legitimando políticas de exceção, intervenções externas e leituras civilizacionais da violência. Já o narcoestado pode ter utilidade situada para descrever dinâmicas de captura institucional vinculadas a economias ilícitas, desde que empregado de modo crítico, evitando generalizações que reforçam tutelas sobre países periféricos. A discussão do caso brasileiro mostra como grupos criminosos produzem formas de governança armada que não se confundem com terrorismo, exigindo distinções analíticas entre violência expressiva, captura institucional e mercados ilícitos.

Descargas

Los datos de descarga aún no están disponibles.

Biografía del autor/a

  • Francisco Thiago Rocha Vasconcelos, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Redenção, Ceará, Brasil

    Professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual do Ceará (UECE). 

  • Ricardo Moura Braga Cavalcante, Universidade Federal do Ceará, Laboratório de Estudos da Violência, Fortaleza, Ceará, Brasil

    Jornalista e sociólogo. Pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Referencias

ADORNO, S. Fluxo de operações do crime organizado: questões conceituais e metodológicas. Revista Brasileira de Sociologia, v.7, n.17, p.9, 2019. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G4G>. Acesso em: 2 dez. 2025.

» https://url-shortener.me/1G4G

ADORNO, S.; AZEVEDO, R. G. de. A lógica da guerra: a operação no Complexo do Alemão e os impasses da segurança pública no Brasil. Fonte Segura, 25 jul. 2022. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G3C>. Acesso em: 9 nov. 2025.

» https://url-shortener.me/1G3C

BEATO, C.; ZILLI, L. F. A estruturação de atividades criminosas: um estudo de caso. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v.27, n.80, p.71-88, 2012. https://doi.org/10.1590/S0102-69092012000300005

» https://doi.org/10.1590/S0102-69092012000300005

BECKER, H. Outsiders: estudos de sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

BLAKELEY, R. State terrorism in the social sciences: theories, methods and concepts. In: JACKSON, R.; MURPHY, E.; POYNTING, S. (Ed.) Contemporary State Terrorism: Theory and Practice. Abingdon: Routledge, 2010. p.12-27.

BRISCOE, I. La proliferación del “estado paralelo”. Madrid: Fride - Fundación para las Relaciones Internacionales y el Diálogo Exterior, 2008. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G4O>. Acesso em: 2 dez. 2025.

» https://url-shortener.me/1G4O

CADENA, R. El narco, Estado Paralelo. Análisis Plural, n.2, p.210-22, 2008. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G4W>. Acesso em: 2 dez. 2025.

» https://url-shortener.me/1G4W

CAVARERO, A. Horrorismo: Nombrando la violencia contemporánea. Barcelona: Anthropos, 2009.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Ed. 34, 1997. v.5.

DEUTSCHE WELLE. Golpe na GuinéBissau: empossado presidente de transição. Deutsche Welle, 2025. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G3F>. Acesso em: 30 nov. 2025.

» https://url-shortener.me/1G3F

DI CESARE, D. Terror e modernidade. Belo Horizonte/MG: Editora Âyiné, 2019.

FASSIN, D. Moral Economy and Local Justice. Revue Française de Sociologie, v.53, n.4, p.651-6, 2012. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G51>. Acesso em: 2 dez. 2025.

» https://url-shortener.me/1G51

FERREIRA, P. “Estados Frágeis” em África: a intervenção externa nos processos de construção do Estado (Statebuilding) e da paz (Peacebuilding). Lisboa, 2014. Tese (Doutorado em Estudos Africanos Interdisciplinares em Ciências Sociais) - Departamento de Ciência Política e Políticas Públicas, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, Universidade Técnica de Lisboa.

GAGO, V. A razão neoliberal: economias barrocas e pragmática popular. São Paulo: Elefante, 2019.

GONÇALVES, S. O Estado falhado enquanto espaço de edificação do crime organizado transnacional: o caso da Guiné-Bissau.. Dissertação (Mestrado em Estratégia) - Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade Técnica de Lisboa, 2011

HARTELIUS, J. Narcoterrorism: Policy Paper 3/2008. New York; Stockholm: EastWest Institute; Swedish Carnegie Institute, fev. 2008. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G3K>. Acesso em: 27 nov. 2025.

» https://url-shortener.me/1G3K

LESSING, B. Making Peace in Drug Wars: Crackdowns and Cartels in Latin America. Cambridge: Cambridge University Press, 2017.

MANTILLA-VALBUENA, S. C. Más allá del discurso hegemónico: narcotráfico, terrorismo y narcoterrorismo en la era del miedo y la inseguridad global. Pap.polit., v.13, n.1, p.227-60, June, 2008. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G3N>. Acesso em: 30 nov. 2025.

» https://url-shortener.me/1G3N

MBEMBE, A. Necropolítica. Arte & ensaios, n. 32, p. 122-151, 2016. Disponível em: https://encurtador.com.br/RNeV Acesso em: 7 jan. 2026.

» https://encurtador.com.br/RNeV

MINGARDI, G. O Estado e o crime organizado. São Paulo: IBCCrim, 1998.

MIRANDA, A. P. et al. Terreiros sob ataque? A governança criminal em nome de Deus e as disputas do domínio armado no Rio de Janeiro. Dilemas: Revista de Estudos de Conflito e Controle Social, v.15, n.espec.4, p.619-50, 2022.

MISSE, M. Trocas ilícitas e mercadorias políticas. Anuário Antropológico, v.35, n.2, p.89-107, 2010. https://doi.org/10.4000/aa.916

» https://doi.org/10.4000/aa.916

_______. Crime organizado e crime comum no Rio de Janeiro: diferenças e afinidades. Revista de sociologia e política, v.19, p.13-25, 2011. Disponível em: <https://shorturl.at/Hxhxg>. Acesso em: 7 jan. 2026.

» https://shorturl.at/Hxhxg

MUNIZ, J.; DIAS, C. N. Domínios armados e seus governos criminais - uma abordagem não fantasmagórica do “crime organizado”. Estudos Avançados, v.36, p.131-52, 2022. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G5K>. Acesso em: 2 dez. 2025.

» https://url-shortener.me/1G5K

O’REGAN, D.; THOMPSON, P. Promover a estabilidade e a reconciliação na Guiné-Bissau: lições do primeiro narco-Estado de África. Relatório Especial do Centro de Estudos Estratégicos de África, Washington, n.2, p.1-56, jun. 2013.

OBOLER, S. Nativismo, imigração e pertencimento: latinos nas (ir)realidades americanas do século XXI. Desigualdade & Diversidade, n.7, p.35-62, 2010. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G5U>. Acesso em: 2 dez. 2025.

» https://url-shortener.me/1G5U

PAIVA, L. F. “Aqui não tem gangue, tem facção”: as transformações sociais do crime em Fortaleza, Brasil. Caderno CRH, v.32, n.85, p.165-84, 2019. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G3P>. Acesso em: 6 set. 2025.

» https://url-shortener.me/1G3P

REGUILLO, R. Necromáquina: violência e poder no México contemporâneo. Buenos Aires: Ampersand, 2021.

REINARES, F. Terrorismo y antiterrorismo. Barcelona: Paidós Ibérica, 1998.

RENO, W. Warlord Politics and African States. Boulder: Lynne Rienner Publishers, 1998.

RODRIGUES, F.; FELTRAN, G.; ZAMBON, G. Apresentação: expansão das facções, mutação dos mercados ilegais. Novos Estudos CEBRAP, v.42, n.1, p.11-18, jan. 2023. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G3T>. Acesso em: 16 jun. 2025.

» https://url-shortener.me/1G3T

ROMERO, C. What is Tren de Aragua? How the Venezuelan gang started and why US policies may only make it stronger. The Conversation, 2025. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G3X>. Acesso em: 29 nov. 2025.

» https://url-shortener.me/1G3X

RUEDA, D. Los fundamentos ideológicos de la Alt-Right: del paleoconservadurismo a la fascistización. Encrucijadas, v.21, n.2, p.1-28, 2021. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G6K>. Acesso em: 2 dez. 2025.

» https://url-shortener.me/1G6K

SAINT-PIERRE, H. Terrorismo. In: SAINT-PIERRE, H.; VITELLI, M. (Org.) Dicionário de segurança e defesa. São Paulo: Editora Unesp; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2018.

SANTIAGO NETO, J. P. de; MATOS JUNIOR, C. C. de. Formas de articulação coletiva para o crime e sua expansão: sujeitos, experiências e desafios à democracia brasileira. O Público e o Privado, v.18, n.37, set./dez. 2020. https://doi.org/10.52521/18.3016

» https://doi.org/10.52521/18.3016

VASCONCELOS, F. T. R.; MARIZ, S. F. O 11 de setembro como marco simbólico do revisionismo histórico à direita: “guerra cultural”, elitismo e geopolítica civilizacional. Locus: Revista de História, v.27, n.2, p.74-97, 2021. Disponível em: <https://periodicos.ufjf.br/index.php/locus/article/view/33471>. Acesso em: 7 jan. 2026.

» https://periodicos.ufjf.br/index.php/locus/article/view/33471

WARDLAW, G. Political Terrorism. Cambridge: Cambridge University Press, 1984.

WIEVIORKA, M. O novo paradigma da violência. Tempo Social, v.9, n.1, p.5-41, maio 1997. Disponível em: <https://url-shortener.me/1G47>. Acesso em: 2 dez. 2025.

» https://url-shortener.me/1G47

ZALUAR, A. Integração perversa: pobreza e tráfico de drogas. São Paulo: FGV Ed., 2004.

Publicado

2026-04-10

Número

Sección

Violência, dor e sofrimento

Cómo citar

Vasconcelos, F. T. R., & Cavalcante, R. M. B. (2026). Narcoterrorismo e narcoestado: genealogias, usos políticos e riscos analíticos frente às facções no Brasil. Estudos Avançados, 40(116), e40116007. https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2026.40116.001