Práticas pedagógicas criativas e inclusivas no curso de graduação em medicina
DOI:
https://doi.org/10.1590/S1678-4634202551282689porPalabras clave:
Criatividade, Inclusão, Educação médica, Metodologia ativaResumen
Os cursos de medicina têm, por seu contexto histórico, uma formação eminentemente biomédica, organicista e voltada para pensar unicamente nas doenças. No entanto, a educação médica brasileira vem se transformando de acordo com as demandas surgidas socialmente e, atualmente, o que se espera de um médico, além da sua capacidade técnica, é que seja um profissional ético, reflexivo e humanista. O presente artigo tem como objetivo investigar como as metodologias ativas utilizadas em um curso de graduação de medicina do Nordeste brasileiro possibilitam o desenvolvimento de práticas pedagógicas criativas e inclusivas. Para realizar essa investigação, utilizou-se o método de estudo de caso (Yin, 2015), através dos instrumentos de coleta: levantamento documental, entrevistas semiestruturadas e questionário. Para a análise dos dados, foi utilizada a análise de conteúdo. Como resultado, o curso apresenta um professorado criativo onde as metodologias ativas utilizadas são espaços potentes de aprendizado, emergindo a possibilidade de cada aluno ser reconhecido em sua singularidade na experiência compartilhada, o que é fundamental quando falamos da importância desses futuros médicos considerarem a dimensão do sujeito nos seus futuros pacientes e em si mesmos como balizadora do encontro clínico. Os dados apontam também os desafios enfrentados pelos docentes na adoção e adaptação de metodologias ativas para certos conteúdos, assim, é essencial que os professores tenham acesso a discussões que abordem a didática em cenários de incerteza para com isso observar, analisar e compreender os processos de aprendizagem.
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Referencias
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