Indicadores das condições de trabalho e saúde dos professores da educação básica no Brasil

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DOI:

https://doi.org/10.1590/S1678-4634202551290495por

Palabras clave:

Valorização do professor, Políticas educacionais, Saúde do trabalhador, Condições do trabalho docente

Resumen

O objetivo foi apresentar os indicadores das condições de trabalho e saúde dos professores e descrever os resultados do estudo nacional que entrevistou 6.510 professores com um questionário testado. O plano amostral, com representatividade nacional, foi orientado pelo método de amostragem estratificada simples, com estratificação definida visando a atender aos domínios de análise de interesse (cinco regiões geográficas, duas áreas censitárias, quatro faixas etárias, sexo, três dependências administrativas da escola, cinco tipos de vínculo e seis etapas de ensino) e a seleção por amostragem aleatória simples de professores dentro de cada estrato. O sorteio dos professores foi baseado no Censo Escolar de 2014. Nove indicadores de saúde foram elaborados e avaliados: percentual de autoavaliação negativa de saúde e de doenças profissionais; percentual de absenteísmo por doença em geral, por problema de voz, problemas respiratórios e problemas emocionais; uso de medicamento ansiolítico ou antidepressivo; acesso a exame médico periódico, e licença médica por problema de saúde pessoal. Quanto aos indicadores de condições de trabalho, ruído intenso, violência verbal, falta de apoio, pouca autonomia e pressão laboral foram associados aos piores resultados de saúde. No debate sobre a valorização, justifica-se abordar a necessidade de ações de vigilância à saúde articuladas pelo princípio da integralidade da atenção à saúde do professor.

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Publicado

2025-12-19

Cómo citar

Indicadores das condições de trabalho e saúde dos professores da educação básica no Brasil. (2025). Educação E Pesquisa, 51(00), e290495. https://doi.org/10.1590/S1678-4634202551290495por