Finalismo, privação e superstição na Ética de Espinosa
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2025.229375Palabras clave:
Espinosa, Finalismo, Superstição, PrivaçãoResumen
O apêndice da Ética I e o prefácio da Ética IV convocam o finalismo – considerado o preconceito no qual se edifica a superstição humana – ao exame da razão e mostram de que maneira o enraizamento dos preconceitos tanto impede a compreensão das demonstrações quanto mantém os supersticiosos na ignorância. Esse exame tem em seu centro a declaração segundo a qual os homens são cônscios de suas ações e ignorantes das causas pelas quais são determinamos a agir. A questão que se coloca é a de saber como a percepção do próprio esforço e a ignorância das causas disso constituem as bases sobre as quais se edifica o preconceito finalista. De que maneira a mente humana, nessa condição de percepção e de ignorância, guia-se pela explicação de causas finais e deriva disso outros modos de pensar? A fim de jogar luz sobre tais questões, o objetivo deste artigo consiste em esclarecer as condições em que a ignorância e a percepção do esforço se conjugam e se tornam produtivas de um empecilho à própria compreensão humana. Sustentaremos que o exame contido no Apêndice da Ética I e no prefácio da Ética IV implica a recusa da privação inerente às ações finalistas da divindade, bem como da privação inscrita na natureza humana quando esta não corresponde à suposta finalidade que lhe caberia, sendo esse o fundo donde se pode haurir um sentido para a crítica espinosana da superstição.
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