Qual a natureza moral cartesiana?
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2025.232861Palavras-chave:
Descartes, Ética, Moral Cristã, Tradição petrinaResumo
Neste artigo, dedicamo-nos a estabelecer uma relação entre determinados aspectos da ética de Descartes, notadamente o conceito de virtude, e a tradição petrina, isto é, os preceitos morais e religiosos prescritos pelo apóstolo Simão Pedro. Para tanto, realizaremos um estudo comparativo entre a carta de Descartes a Elisabeth de 4 de agosto de 1645 e o capítulo primeiro da Segunda epístola de São Pedro. Argumentaremos a favor da hipótese de que um confronto direto entre ambos os textos nos permite identificar, seja em Descartes ou em Pedro, elementos teórico-conceituais de cunho semelhante no que diz respeito à natureza de uma vida virtuosa,
pois tanto um quanto o outro relacionaram a virtude ao conhecimento, à constância e ao autodomínio. Ao defendermos tal hipótese, nos inserimos na linha interpretativa proposta por Jean Laporte (2000), um dos comentadores canônicos de Descartes que vislumbrou a possibilidade de compatibilizar a moral cartesiana e o cristianismo.
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