Uma leitura epifânica do mundo: acontecimento e fratura no romance Perto do coração selvagem, de Clarice Lispector
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2019.143474Palavras-chave:
Semiótica, Gramática Tensiva, Acontecimento, Fratura, Clarice LispectorResumo
Tomando por base o instrumental teórico da gramática tensiva de Claude Zilberberg – sobretudo no que se refere à noção central de acontecimento – e também o conceito de fratura, concebido por A. J. Greimas, procuramos empreender um breve estudo do romance Perto do coração selvagem (1943), de Clarice Lispector, focalizando uma de suas passagens mais representativas, cuja natureza nos permite investigar o desenrolar de acontecimentos extraordinários, que ora se apresentam como rupturas bruscas e indesejáveis na trajetória do sujeito, ora como momentos epifânicos de contemplação estética do mundo.
Procuramos ainda evidenciar a maneira pela qual os ajustes tensivos efetuados pelo sujeito contribuem para o retorno a uma espécie de equilíbrio discursivo, suprindo as faltas e contendo os excessos resultantes do impacto do acontecimento extraordinário. Tais ajustes são de fundamental importância para o restabelecimento e para a manutenção da progressão discursiva. Por fim, nos esforçamos em demonstrar que fratura e acontecimento – noções que geralmente se assemelham sem, no entanto, se confundir, dada a dimensão essencialmente estética da primeira – são, no texto analisado, comparados e equiparados, proporcionando ao sujeito da narrativa um novo saber sobre o mundo. Esse saber constituirá a base mesma de sua identidade, determinando, assim, sua intervenção sobre o mundo e suas ações sobre outros sujeitos ao longo de todo o romance.
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