A enunciação tensiva em diálogo
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2019.156074Palavras-chave:
Enunciação, Abordagem tensiva, Práxis enunciativaResumo
Ao desvelar a dimensão sensível da palavra de modo operacional e propor a perspectiva de um sistema dinâmico, Zilberberg e outros permitiram algumas aberturas para a semiótica greimasiana que realinharam a teoria a desafios contemporâneos que fugiriam do escopo das propostas iniciais. Procuraremos mostrar um caminho que nos permite almejar uma visão integrada das duas visões de enunciação já estabelecidas na teoria – a enunciação conforme concebida por Greimas e a enunciação tensiva. Para tal, puxamos o fio do processo de construção identitária pelo conceito de junção, para mostrar como o sujeito da enunciação greimasiano pode se irmanar com a práxis tensiva. Estabelecemos um paralelo das categorias de pessoa, espaço e tempo do nível discursivo com a dêixis perceptiva organizadora dos fluxos tensivos, entendidos sob a forma de profundidades espacio-temporais organizadas a partir da perspectiva de um observador. Propomos o rebatimento do tempo e do espaço discursivos com a temporalidade e a espacialidade tensivas, elementos de demarcação da situação de interlocução organizadas por um observador que no nível discursivo controla a delegação das vozes e na arena tensiva rege “despoticamente” os aumentos e diminuições constitutivas de nossa vivência, os mesmos aumentos e diminuições que, não por acaso, Zilberberg denomina aspecto.
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