Semiótica, práticas forenses e cena da justiça: o estilo do gênero forense e a questão da linguagem simples

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2026.236719

Palavras-chave:

Semiótica do direito, Práticas forenses, Estilo forense simples

Resumo

Este artigo desenvolve, na perspectiva da semiótica francesa, uma análise do discurso forense. A sua ênfase, no entanto, recai sobre a dimensão das práticas forenses, operando uma importante aquisição para a Semiótica do Direito, qual seja, a incorporação da virada praxeológica da Semiótica. Ao se dedicar à compreensão de uma cena prática, o artigo procura isolar a cena de justiça para compreendê-la e analisá-la em suas qualidades específicas. Ademais, o artigo não deixa de se dedicar a um tema importante, qual seja, o tema do jargão jurídico e da linguagem simples no âmbito das práticas forenses, entendendo-se por linguagem simples uma forma de comunicação do discurso forense que mobiliza o estilo do gênero forense, enquanto estilo simples

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Biografia do Autor

  • Eduardo Carlos Bianca Bittar, Universidade de São Paulo

    Professor Associado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - USP, São Paulo, SP, Brasil. 

     

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2026-04-30

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Bittar, E. C. B. (2026). Semiótica, práticas forenses e cena da justiça: o estilo do gênero forense e a questão da linguagem simples. Estudos Semióticos, 22(1), 22-48. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2026.236719