Do brincar sensorial do bebê à ritmicidade estereotipada da criança autista: quando a construção do eu corporal falha

Autori

  • Camila Saboia Universidade de São Paulo image/svg+xml , Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo
  • Karina Hackembruch Instituto Universitário de Pós-Graduação da Associação Uruguaia de Psicoterapia Psicoanalítica , Asociación Psicoanalítica de Buenos Aires image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v31i1p%25p

Parole chiave:

eu corporal, autismo, intervenção precoce, brincar sensorial, estereotipia

Abstract

O presente artigo traz um breve panorama das contribuições de diferentes psicanalistas que abordam a importância do papel das experiências sensoriais no processo constitutivo do psiquismo da criança. Parte-se da ideia de que o brincar sensorial do bebê serviria de matéria-prima para a construção do simbolismo primário e para a construção do eu corporal da criança. Pesquisas como a do projeto PILE (Programa Internacional pela Linguagem da Criança) apresentaram resultados que sinalizam que haveria um impacto no processo subjetivo dos bebês quando estes são privados desse brincar precoce, comprometendo, assim, a construção de um envelope corporal capaz de abarcar e organizar os diferentes fluxos sensoriais nos tempos iniciais de vida. As crianças autistas expressam as falhas desse eu corporal quando buscam, de forma contínua, experiências autossensoriais, como um meio de amenizar suas angústias arcaicas. Os desenvolvimentos teórico-clínicos aqui apresentados ilustram a importância de pensar que as estereotipias e a busca incessante de experiências que sinalizam a necessidade de apoios sensoriais, por parte da criança autista, teriam uma finalidade específica no processo da retomada da construção do eu corporal da criança e, portanto, não devem ser tomadas como meras descargas sensórias.

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Biografie autore

  • Camila Saboia, Universidade de São Paulo, Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo

    Psicóloga e psicanalista. Pós-doutora em Psicologia do Desenvolvimento pelo Instituto de Psicologia da USP, membro do Entrelacer - Psicanálise & Infância e da Sociedade Brasileira de Psicanálise (SPBSP). Participante da Coordenação Internacional entre Psicoterapeutas Psicanalistas e membros associados que se ocupam de pessoas autistas (CIPPA-LA), São Paulo, SP, Brasil.

  • Karina Hackembruch, Instituto Universitário de Pós-Graduação da Associação Uruguaia de Psicoterapia Psicoanalítica, Asociación Psicoanalítica de Buenos Aires

    Psicóloga e psicoterapeuta psicanalista. Docente do Instituto Universitário de Pós-Graduação da Associação Uruguaia de Psicoterapia Psicoanalítica (IUPA/Audepp) e da Associação psicanalítica de Buenos Aires (Apdeba). Participante da Coordenação Internacional entre Psicoterapeutas Psicanalistas e membros associados que se ocupam de pessoas autistas (CIPPA-LA), Montevidéu, Uruguai.

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Pubblicato

2026-04-30

Fascicolo

Sezione

Artigos

Come citare

Saboia, C., & Hackembruch, K. (2026). Do brincar sensorial do bebê à ritmicidade estereotipada da criança autista: quando a construção do eu corporal falha. Stili Della Clinica. Rivista Sui Destini dell’infanzia, 31(1), 47-59. https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v31i1p%p