O autismo e os limites da linguagem: perspetivas para uma nova abordagem clínica
DOI:
https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v31i2p%25pParole chiave:
linguagem, Jacques Lacan, psicanálise, autismo, Fernand DelignyAbstract
O artigo analisa a centralidade do regime dos significantes na constituição do sujeito em Jacques Lacan, articulando-a à ideia do inconsciente como estruturado como uma linguagem. Se Lacan redefine o humano como ser falado, efeito da cadeia significante e da inscrição simbólica, essa concepção encontra seu ponto de maior tensão diante de existências cuja relação com o Outro e com a linguagem assume uma configuração singular, como nas crianças autistas acompanhadas por Fernand Deligny em Cévennes. A hipótese aqui defendida não é que a psicanálise desconheça essa singularidade, mas que continue a pensá-la a partir da problemática da inscrição simbólica, enquanto Deligny desloca a própria necessidade desse pressuposto, substituindo-a pelos traços dos movimentos singulares de corpos em relação, suas linhas e seus afetos.
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