Interseccionalidade e trabalho: experiências negras durante a ditadura brasileira (1964-1985): uma análise a partir de fontes primárias e depoimentos orais
DOI:
https://doi.org/10.11606/extraprensa2025.236256Palavras-chave:
Interseccionalidade, Ditadura Militar, Trabalho, Movimento Negro, História OralResumo
Este artigo analisa as experiências de trabalhadores negros e trabalhadoras negras durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), com base em fontes do CPDOC-FGV, documentação sindical, relatórios da Comissão Nacional da Verdade e bibliografia consolidada. Examina-se como políticas econômicas aparentemente neutras produziram impactos racialmente diferenciados no mercado de trabalho. O corpus empírico inclui depoimentos orais coordenados por Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira, análise da Lei do Trabalho Doméstico (1972) e documentação sobre a fundação do MNU (1978). A metodologia articula a perspectiva thompsoniana com abordagens interseccionais de Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento. Os achados demonstram que o regime militar aprofundou desigualdades raciais através de instrumentos como FGTS e BNH, enquanto trabalhadores negros desenvolveram resistências que culminaram na articulação pioneira entre questões raciais e trabalhistas durante o período autoritário.
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