Tensionamentos da memória hegemônica da ditadura empresarial-militar brasileira: a crítica do comunicador marxista Thiago Torres a Ainda estou aqui

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/extraprensa2025.236807

Palavras-chave:

Ditadura empresarial-militar, Memória hegemônica, Crítica, Ainda estou aqui, Thiago Torres

Resumo

O trabalho busca recuperar e compreender elementos do debate público estabelecido em torno da ditadura empresarial-militar brasileira a partir do filme Ainda estou aqui, destacando o caso de uma crítica apresentada pelo comunicador marxista e ativista midiático Thiago Torres, conhecido como “Chavoso da USP”, em seu canal no YouTube. Para tanto, após breve caracterização do que se compreende como memória hegemônica da ditadura (Napolitano, 2020), busca-se identificar os principais argumentos presentes na crítica de Torres, bem como os sentidos a partir dos quais o período ditatorial e sua memória são enquadrados pelo comunicador. Complementarmente, procura-se mapear a repercussão da crítica de Thiago Torres em veículos da imprensa hegemônica brasileira. Entre as conclusões, destaca-se a compreensão da crítica de Torres como instauradora do que Rancière (1996) denomina visibilidade dissensual, em um movimento de politização da memória hegemônica da ditadura empresarial-militar.

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Biografia do Autor

  • Nara Lya Cabral Scabin, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

    Doutora em Ciências da Comunicação pela USP, com estágio pós-doutoral em Comunicação e Práticas de Consumo pela ESPM/SP. Docente do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social da PUC Minas. 

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Publicado

2025-11-28

Edição

Seção

Imagens e ditadura – relações entre estética e política

Como Citar

Scabin, N. L. C. (2025). Tensionamentos da memória hegemônica da ditadura empresarial-militar brasileira: a crítica do comunicador marxista Thiago Torres a Ainda estou aqui. Revista Extraprensa, 19(Especial), e025007. https://doi.org/10.11606/extraprensa2025.236807