Ditadura e genocídio indígena: o jornalismo em quadrinhos narrando um passado que não passa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/extraprensa2025.238282

Palavras-chave:

Ditadura, Jornalismo em Quadrinhos, Stimmung, Produção de Presença, Testemunho, Trauma e Ficcionalidade

Resumo

Analisamos a reportagem em quadrinhos Notas de um tempo silenciado (Vilalba, 2015), que traz relatos de testemunhas da Ditadura Civil-Militar Brasileira e discute a violência contra indígenas no período. A abordagem teórica baseia-se nos conceitos de “stimmung” e “produção de presença” (Gumbrecht, 2008), “testemunho” e “trauma” (Seligmann-Silva, 2005; 2010) e “ficcionalidade” (Galle, 2018). Consideramos ainda a análise estética de Gumbrecht (2010; 2021). Como procedimento metodológico, utilizamos Os poderes da filologia: dinâmica de conhecimento textual, em que Gumbrecht (2021) propõe métodos de análise textual como identificação de fragmentos, edição de textos e elaboração de comentários. Buscamos reconhecer eventos históricos que ainda influenciam o presente por meio de uma linguagem ficcional que interage com a realidade. Defendemos a união entre ciência e literatura pela estetização epistemológica, onde verdade e realidade tornam-se categorias estéticas.

 

 

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Biografia do Autor

  • Júlio César Rocha Conceição, Universidade do Estado de Minas Gerais

    Doutor em Comunicação pela UFJF. Integrante do DIZ – Grupo de Pesquisa em Discursos e Estéticas da Diferença. Professor dos Cursos de Publicidade & Propaganda e Jornalismo da UEMG – Unidade Frutal. 

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Publicado

2025-11-28

Edição

Seção

Imagens e ditadura – relações entre estética e política

Como Citar

Conceição, J. C. R. (2025). Ditadura e genocídio indígena: o jornalismo em quadrinhos narrando um passado que não passa. Revista Extraprensa, 19(Especial), e025010. https://doi.org/10.11606/extraprensa2025.238282