Corpo, memória e resistência: o jornalismo testemunhal sobre mulheres presas na Ditadura
DOI:
https://doi.org/10.11606/extraprensa2025.238488Palavras-chave:
Jornalismo testemunhal, Livro-reportagem, Corpos femininos, Memória, Narrativas da ditaduraResumo
Este artigo analisa o livro A Torre: O cotidiano de mulheres encarceradas pela Ditadura, de Luiza Villaméa, como um exemplo de narrativa jornalística que visa reconfigurar memórias silenciadas da repressão política no Brasil. Partindo da concepção de que o passado persiste como algo nebuloso, discutimos o papel do jornalismo testemunhal na reconstrução crítica da memória. Buscamos entender como a obra evidencia a dimensão da violência de gênero, bem como a centralidade do corpo como lócus que circunscreve o testemunho compartilhado, construções de identidade e as narrativas coletivas pela mediação através do livro. Depreendemos, com alguns operadores de memória, que o corpo das mulheres encarceradas transcende a individualidade, tornando-se um arquivo vivo da brutalidade do regime. Ao articular temporalidades e diferentes formas de narrar, o livro de Villaméa se insere em um debate mais amplo sobre o impacto da ditadura e a importância de sua rememoração histórica.
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